O estado do PS e o seu futuro

Alguns poderão pensar que esta catastrófica campanha do PS foi obra do acaso ou do azar, mas essas são coisas que não existem em política. Nada acontecem por acaso e nada acontece por infelicidade.

Outros poderão pensar que se deveu a  um incompetente director de campanha, mas a verdade é que demitiram Ascenso Simões e o que parecia mau passou a pior, com muito mais episódios e incidentes.

A verdade é que a desgraçada campanha eleitoral do PS se deveu ao estado em que se encontra o partido. Entregue aos despojos do socratismo. E é isso que vai fazer com que António Costa não consiga ser PM.

E o estado do PS é de tal forma funesto que após a demissão de António Costa, o partido é bem capaz de considerar, ou mesmo eleger, António José Seguro.

O critério para recondução como deputado

As eleições Legislativas 2015 estão a 2 meses de distância. Os partidos já jogaram a dança das cadeiras e escolheram os candidatos a deputados. Aqueles que, na sua maioria, ninguém conhece. Porque, na verdade, a maioria dos poucos que vota, confia o voto ao candidato a Primeiro-Ministro e ignora quem na verdade, e na Constituição, o deve representar na Assembleia da República.

A lista do PSD/CDS do distrito do Porto, surpreendeu-me mais uma vez pela negativa – infelizmente tem sido recorrente nas Legislativas. Muitos bons deputados desapareceram da lista de candidatos ou dos lugares elegíveis. Enquanto outros, menos bons, maus ou mesmo péssimos, foram premiados com a recondução. O que nos leva a pensar em quais serão os critérios de escolha dos partidos.

Vou dar como exemplo Andreia Neto. Apenas e só por ser alguém cuja actividade acompanhei com muita atenção, pelo simples facto de ser de Santo Tirso, eleita pelo distrito do Porto, e por isso mesmo ser a minha mais próxima e directa representante na Casa da Democracia. Andreia foi reconduziada como candidata, subindo vários lugares na lista em relação a 2011.

A sua reacção nas redes sociais, depois da nomeação foi: “Vejo esta indicação antes de mais como o reconhecimento do meu esforço e dedicação no meu mandato que agora cessa. Mas mais do que tudo, acredito que a minha indicação na lista é uma aposta pelo trabalho que tenho desenvolvido quer na Assembleia da República quer no distrito e em especial em Santo Tirso”.

Foquemo-nos então no seu “esforço e dedicação” no “mandato que agora cessa“. Em 4 anos (1460 dias) Andreia apresentou 5 iniciativas no Parlamento, das quais 4 foram Projectos de Resolução e 1 foi Projecto de Lei. Esses abordaram temas como:

– atividade de guarda-noturno
– salvaguarda do acervo documental do fundo de defesa militar do ultramar
– criação do arquivo Camarate
– desaparecimento de correspondência sobre o Irão
– promoção da coesão territorial
– obras de dragagem no porto da Póvoa de Varzim

Em 4 anos (1460 dias) Andreia apresentou 4 perguntas no Parlamento, abordando os seguintes temas:

– transporte de crianças
– serviços de fisioterapia no concelho de Ourém
– descontaminação do solo no município de Matosinhos
– construção do IC35
– irregularidades no centro de saúde da Póvoa de Varzim/Vila do Conde

Nota: Nada acima referido foi da exclusiva autoria de Andreia, mas de um grupo alargado de deputados que a escolheu para apresentar a iniciativa ou pergunta.

Em 4 anos (1460 dias) Andreia teve 5 intervenções no Parlamento, e foi nomeada como autora e relatora de 24 iniciativas e 12 petições, entre as quais estavam solicitações para:

– Alteração idade mínima de elegibilidade do Presidente da República.
– Instituição Dia Nacional de Consciencialização para a Alienação Parental.
– Reflecção sobre utilidade e extinção da Provedoria de Justiça.

Em 4 anos (1460 dias) Andreia fez parte de 6 Comissões, entre as quais algumas a que se conhece enorme utilidade, como:

– Comissão Eventual para a Revisão Constitucional
– X Comissão Parlamentar de Inquérito à Tragédia de Camarate

Para além disso, em 4 anos (1460 dias), Andreia deslocou-se em trabalho parlamentar a vários locais do país, bem como a Genebra (Suíça), Paris (França) e Bruxelas (Bélgica).

Tanta actividade em 4 anos (1460 dias) é de facto merecedora de reconhecimento e da confiança do partido e dos eleitores. E tenho a certeza também que os Tirsenses estão orgulhosos do tanto que a sua directa representante fez pelo concelho, a partir da Assembleia da República.

Carta a Pedro Passos Coelho

Caro Pedro,

Até teres sido eleito e teres começado a exercer as funções de Primeiro-Ministro nunca tinhas sido uma referência ou sequer um exemplo político para mim. Na verdade isto não aconteceu por teres feito alguma coisa que não me tivesse agradado. Pelo contrário. Não tinhas era feito nada que me tivesse enchido as medidas. Na JSD, como se diz em inglês, you had enormous shoes to fill. Eleito presidente, tinhas de substituir um verdadeiro exemplo de serviço público, capacidade e competência (o Carlos Coelho). Também tiveste o azar (é assim que o considero) de teres presidido à JSD nos piores tempos do Cavaquismo, quando o nosso partido se descaracterizou total e definitivamente, tornando-se num partido de clientelas, negócios e poder (não que isso fosse culpa tua). E desde então a tua carreira política não tinha sido mais do que mediana. O que, para mim, até é um bom sinal. Porque poderá querer dizer que nunca estiveste muito envolvido nas cúpulas que controlam e distribuem clientelas.

Foi por estas e por outras que em 2010 não achei que fosses a melhor escolha para o PSD, numa altura tão difícil e crucial para o país. Aliás, nessa altura, cheguei mesmo a apelar a que não votassem em ti. Mais uma vez, não por ter alguma coisa contra ti, mas pelo facto de teres certas e determinadas companhias a teu lado, a apoiarem-te e, ao que parecia, a aconselharem-te. Falo de gente como Angelo Correia – homem que nunca apreciei e sempre achei que fazia parte daquele PSD que sempre quiz o “poder pelo poder”, e que sempre misturou negócios com política, para benefício próprio.

A verdade é que, uma vez eleito Primeiro-Ministro, surpreendeste-me pela positiva. A minha opinião da tua pessoa deu uma reviravolta de 180°. Passei a respeitar-te como político e como presidente do PSD. Foram várias as vezes em que erraste como governante, é verdade, mas ninguém é perfeito. Foram muitas mais as vezes em que agiste de forma correcta, tal como se exige a um estadista. Deste uma resposta absolutamente incrível a muitas decisões difíceis e às condições em que se encontrava Portugal e, com uma perseverança típica de grandes líderes, conseguiste ultrapassar o período de intervenção (bem como outras habilidades irrevogáveis). Mantiveste, como se exige a um bom Primeiro-Ministro, o bom senso, o equilíbrio e a estabilidade num governo de coligação.

Depois de 4 anos dificílimos para Portugal e para os Portugueses, depois de a oposição ter aproveitado (por vezes injusta e hipócritamente) todas as medidas austeras que o governo foi obrigado a implementar por imposição dos seus credores, depois de tantos altos e baixos no governo e no partido, conseguiste chegar à pre-campanha das Legislativas 2015 numa posição surpreendente e impensável há uns anos atrás: taco-a-taco com o candidato do PS que, segundo muita opinião pública e publicada, tinha estas eleições ganhas mesmo antes de ter sido escolhido pelo seu partido para candidato a Primeiro-Ministro.

O que fizeste foi absolutamente incrível. Por Portugal, pelos portugueses, pelo PSD, por ti. E estás agora com uma enorme probabilidade de vencer as eleições Legislativas 2015, repetindo aquilo que aconteceu no Reino Unido há meses atrás e que surpreendeu o Mundo. Muito bem! Excelente! Parabéns!

Agora imagina o que seria se não tivesses a teu lado o Marco António Costa, o Miguel Relvas, o Pedro Pinto, o Carlos Carreiras, a Assunção Esteves, o Carlos Abreu Amorim, o Virgílio Macedo, e outros que tais. Sem esses, já tinhas as eleições no bolso, e Portugal a certeza de que não voltaria ao Socratismo – porque é disso que se trata se este PS vencer.

Pensa nisso… Um abraço, Luís

Beto. Há mais para além do mérito

Beto, jogador do Sevilha FC, é de longe, e há mais de um par de anos, o melhor guarda-redes português. Infelizmente, em Portugal, ainda há coisas mais importantes que o mérito. Vai daí, Beto não tem lugar na baliza da Selecção Portuguesa. É pena. Absolutamente injusto. E ilógico. Mas é o espelho de um país em que ser simplesmente o melhor de pouco vale.

A táctica do PS e do seu director de campanha

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É esta a táctica do PS. A estratégia do director de campanha de António Costa, Ascenso Simoes.

Nao surpreende. Aliás acontecerá em todos os partidos. Mas é triste.

Estao todos mais preocupados com a manipulacao de imagem e opiniao pública, do que com o futuro do país.

Nada de novo portanto. E os portugueses vao votar neles. Terao o que merecem.

Colégio Militar… Para Elites ou de Elites?

Excelente artigo do Pedro Lomba.

Engano Vital

Que eu saiba – e acho que sei alguma coisa, já que o meu pai e tios foram alunos e são ex-alunos activos – o Colégio Militar nunca foi uma escola para as elites. Pelo contrário. Acolheu todos e transformou-os em elites. Homens capazes e de sucesso no que quer que tenham escolhido ter como vida e profissão.

António Capucho vs Mário Soares. Descubra as diferenças

Há mais de uma ano escrevi sobre a polémica à volta da expulsão de António Capucho do PSD. Apesar de defender que o processo foi mal conduzido e provavelmente desnecessário critiquei fortemente o seu comportamento.

Agora sou surpreendido (não muito, para ser franco) com a notícia do Expresso “António Capucho é orador surpresa na abertura da Convenção do PS“.

António Capucho devia ter vergonha. Tudo o que de bom foi e fez no PSD (desde os tempos de Sá Carneiro e da AD) deitado pelo cano abaixo por causa de uma birra.

Não saber sair de cena pelo próprio pé acaba invariavelmente nisto… envergonhar-se a si próprio e perder o capital que tinha acumulado durante uma vida de serviço público.

O mesmo aconteceu com outros, nomeadamente com Mário Soares. A única diferença é que António Capucho tem menos 20 anos, o que torna o caso mais “grave”.

Campeonato Nacional de Futebol… desde 1974

Actualização da contabilidade…

Época ¦ Vencedor ¦ Treinador
2014/2015 SL Benfica (Jorge Jesus)
2013/2014 SL Benfica (Jorge Jesus)
2012/2013 FC Porto (Vitor Pereira)
2011/2012 FC Porto (Vitor Pereira)
2010/2011 FC Porto (André Villas-Boas)
2009/2010 SL Benfica (Jorge Jesus)
2008/2009 FC Porto (Jesualdo Ferreira)
2007/2008 FC Porto (Jesualdo Ferreira)
2006/2007 FC Porto (Jesualdo Ferreira)
2005/2006 FC Porto (Co Adrianse)
2004/2005 SL Benfica (Giovanni Trapattoni)
2003/2004 FC Porto (José Mourinho)
2002/2003 FC Porto (José Mourinho)
2001/2002 Sporting CP (Laszlo Bölöni)
2000/2001 Boavista FC (Jaime Pacheco)
1999/2000 Sporting CP (Inácio)
1998/1999 FC Porto (Fernando Santos)
1997/1998 FC Porto (António Oliveira)
1996/1997 FC Porto (António Oliveira)
1995/1996 FC Porto (Bobby Robson)
1994/1995 FC Porto (Bobby Robson)
1993/1994 SL Benfica (Toni)
1992/1993 FC Porto (Carlos Alberto Silva)
1991/1992 FC Porto (Carlos Alberto Silva)
1990/1991 SL Benfica (Sven-Göran Eriksson)
1989/1990 FC Porto (Artur Jorge)
1988/1989 SL Benfica (Toni)
1987/1988 FC Porto (Tomislav Ivic)
1986/1987 SL Benfica (John Mortimore)
1985/1986 FC Porto (Artur Jorge)
1984/1985 FC Porto (Artur Jorge)
1983/1984 SL Benfica (Sven-Göran Eriksson)
1982/1983 SL Benfica (Sven-Göran Eriksson)
1981/1982 Sporting CP (Malcolm Allison)
1980/1981 SL Benfica (Lajos Baróti)
1979/1980 Sporting CP (Rodrigues Dias e Fernando Mendes)
1978/1979 FC Porto (Jose Maria Pedroto)
1977/1978 FC Porto (Jose Maria Pedroto)
1976/1977 SL Benfica (John Mortimore)
1975/1976 SL Benfica (Mario Wilson)
1974/1975 SL Benfica (Milorad Pavić)

Total
FC Porto = 22 títulos
SL Benfica = 14 títulos
Sporting CP = 4 títulos
Boavista FC = 1 títulos

Henrique Neto… Para variar um bocado

Esta manhã, enquanto corria, ouvi a entrevista de Henrique Neto à TSF. Uma excelente entrevista. No entanto Henrique Neto não disse nada de extraordinário. Aliás, muito do que disse é, para mim, óbvio. Mas ele disse-o. Não teve medo de o dizer. Com frontalidade e sem qualquer respeito por essa regra nojenta do políticamente correcto. E é por isso que se diferencia da mediocridade política que pulula no país, e que vale a pena ouvir o que ele tem a dizer. Mais, justificou as suas convicções, opiniões e ideias de forma clara, objectiva e sem rodeios. Não vai a jogo com discursos redondos e propostas demagógicas e populistas.

Eleições no Reino Unido. A minha opinião e paralelo

Cheguei a Londres em Março de 2012. Desde essa altura que todas as sondagens davam a vitória (mais ou menos folgada) a Ed Miliband, líder to Partido Trabalhista. Um homem que não foge ao padrão do político do século XXI. Iniciou-se na política com 25 anos. Antes disso estudára na University of Oxford e na London School of Economics, seguindo-se uma curta passagem no Channel 4, como apresentador de um programa sobre política.

A verdade é que o perfil, e o histórico pessoal e profissional não era muito diferente de David Cameron, líder do Partido Conservador e Primeiro-Ministro. Também ele se iniciou na política com 20 e poucos anos, juntando-se ao Partido Conservador logo após concluír a sua licenciatura na University of Oxford. Sendo que o único emprego fora da política que se lhe conhece é como Director de um grupo de média que detinha vários canais de TV.

Quando cheguei ao Reino Unido, em 2012, as semelhanças com Portugal eram enormes (apesar de os problemas e as dificuldades serem de dimensões completamente diferentes).

  1. Dois anos antes, um Governo do Partido Trabalhista tinha deixado o país em mau estado.
  2. O líder da oposição, Ed Miliband, tinha sido Ministro desse Governo (de Gordon Brown).
  3. O Governo em funções era de coligação – Partido Conservador e Liberais-Democratas.
  4. O Primeiro-Ministro David Cameron via-se forçado a aplicar medidas de austeridade.
  5. Apesar de ter sido cúmplice e co-responsável, Ed Miliband bramava contra a actuação do Governo.
  6. O resto da oposição e os média aliavam-se ao protesto e indignação dos trabalhistas.

A verdade é que os sinais positivos iam aparecendo aos poucos, mas a grande velocidade. Todos os índices estavam a ir na direcção desejada. Emprego a crescer, défice a estabilizar, serviços a melhorar. E como bónus os impostos sobre o rendimento desciam (o Personal Allowance subiu de £8,000 para £10,000 em 3 anos).

O Primeiro-Ministro ia cumprindo algumas promessas, batendo o pé à UE ou avançando com o referendo por uma Escócia independente. E ia avisando sobre medidas que intencionava implementar, como o fim do turismo de saúde (estrangeiros que entram no Reino Unido apenas para se aproveitar do NHS – serviço nacional de saúde) e do equivalente ao rendimento mínimo garantido, para qualquer pessoa (nacional ou estrangeira) que vivesse no país.

Naturalmente que muitas outras promessas foram quebradas e medidas esquecidas, mas a verdade é que David Cameron e o Partido Conservador se centraram naquelas que sabiam ter mais impacto na sociedade e aceitação no eleitorado.

Chegados à campanha eleitoral…

  1. Ed Miliband e o Partido Trabalhista, resolveram radicalizar ainda mais o seu discurso (talvez a reboque de Syrizas, Podemos e afins). Adoptando um discurso demagógico e fazendo promessas populistas.
  2. Nick Clegg e os Liberais-Democratas, parceiros de coligação no Governo, resolveram culpar David Cameron e o Partido Conservador pela austeridade e erros do Governo, e ao mesmo tempo reclamar para si os louros das boas decisões.
  3. David Cameron optou por manter a postura de responsabilidade e sentido de Estado. Reconhecendo a austeridade e afirmando que era um mal necessário, que começava a dar frutos. Poucas ou nenhumas vezes acusando o Partido Trabalhista de ser o responsável pela situação que encontrou.

Mas acima de tudo, a mensagem que David Cameron tentou passar aos eleitores foi a de deixarem o Partido Conservador, no Governo, terminar o trabalho que iniciou. Foram 5 anos difíceis para endireitar o país. E agora, quando as coisas começavam a tomar o caminho certo, não deitar tudo a perder, desperdiçando os sacrifícios feitos ao longo de tanto tempo.

Contra todas as expectativas o Partido Conservador de David Cameron venceu as eleições com uma confortável maioria absoluta. Só precisava de 323 deputados (porque o Sinn Fein normalmente não ocupa os seus lugares de deputados em Westminster) e obteve 331, mais 24 do que nas últimas eleições.

O Partido Trabalhista de Ed Miliband pagou caro pela demagogia e populismo adoptados. Perdeu 26 deputados. Os Liberais-Democratas pagaram ainda mais caro por tentarem desmarcar-se das decisões impopulares e de austeridade que o governo, do qual eram parceiros, teve de tomar. Perdeu 49 deputados.

Em Portugal, o resultado das eleições Legislativas 2015 poderia também ser semelhante. Mas provavelmente não será. Primeiro porque o parceiro minoritário no Governo (o CDS) não é tão estúpido como foram os Liberais-Democratas (aliás já se sabe que a coligação PSD/CDS se mantém para as eleições), e depois porque o povo português tem provado até hoje ser um bocadinho mais estúpido (a exercer o seu voto) do que o povo do Reino Unido.

Oxalá eu esteja enganado…