Esta manhã, enquanto corria, ouvi a entrevista de Henrique Neto à TSF. Uma excelente entrevista. No entanto Henrique Neto não disse nada de extraordinário. Aliás, muito do que disse é, para mim, óbvio. Mas ele disse-o. Não teve medo de o dizer. Com frontalidade e sem qualquer respeito por essa regra nojenta do políticamente correcto. E é por isso que se diferencia da mediocridade política que pulula no país, e que vale a pena ouvir o que ele tem a dizer. Mais, justificou as suas convicções, opiniões e ideias de forma clara, objectiva e sem rodeios. Não vai a jogo com discursos redondos e propostas demagógicas e populistas.
Eleições no Reino Unido. A minha opinião e paralelo
Cheguei a Londres em Março de 2012. Desde essa altura que todas as sondagens davam a vitória (mais ou menos folgada) a Ed Miliband, líder to Partido Trabalhista. Um homem que não foge ao padrão do político do século XXI. Iniciou-se na política com 25 anos. Antes disso estudára na University of Oxford e na London School of Economics, seguindo-se uma curta passagem no Channel 4, como apresentador de um programa sobre política.
A verdade é que o perfil, e o histórico pessoal e profissional não era muito diferente de David Cameron, líder do Partido Conservador e Primeiro-Ministro. Também ele se iniciou na política com 20 e poucos anos, juntando-se ao Partido Conservador logo após concluír a sua licenciatura na University of Oxford. Sendo que o único emprego fora da política que se lhe conhece é como Director de um grupo de média que detinha vários canais de TV.
Quando cheguei ao Reino Unido, em 2012, as semelhanças com Portugal eram enormes (apesar de os problemas e as dificuldades serem de dimensões completamente diferentes).
- Dois anos antes, um Governo do Partido Trabalhista tinha deixado o país em mau estado.
- O líder da oposição, Ed Miliband, tinha sido Ministro desse Governo (de Gordon Brown).
- O Governo em funções era de coligação – Partido Conservador e Liberais-Democratas.
- O Primeiro-Ministro David Cameron via-se forçado a aplicar medidas de austeridade.
- Apesar de ter sido cúmplice e co-responsável, Ed Miliband bramava contra a actuação do Governo.
- O resto da oposição e os média aliavam-se ao protesto e indignação dos trabalhistas.
A verdade é que os sinais positivos iam aparecendo aos poucos, mas a grande velocidade. Todos os índices estavam a ir na direcção desejada. Emprego a crescer, défice a estabilizar, serviços a melhorar. E como bónus os impostos sobre o rendimento desciam (o Personal Allowance subiu de £8,000 para £10,000 em 3 anos).
O Primeiro-Ministro ia cumprindo algumas promessas, batendo o pé à UE ou avançando com o referendo por uma Escócia independente. E ia avisando sobre medidas que intencionava implementar, como o fim do turismo de saúde (estrangeiros que entram no Reino Unido apenas para se aproveitar do NHS – serviço nacional de saúde) e do equivalente ao rendimento mínimo garantido, para qualquer pessoa (nacional ou estrangeira) que vivesse no país.
Naturalmente que muitas outras promessas foram quebradas e medidas esquecidas, mas a verdade é que David Cameron e o Partido Conservador se centraram naquelas que sabiam ter mais impacto na sociedade e aceitação no eleitorado.
Chegados à campanha eleitoral…
- Ed Miliband e o Partido Trabalhista, resolveram radicalizar ainda mais o seu discurso (talvez a reboque de Syrizas, Podemos e afins). Adoptando um discurso demagógico e fazendo promessas populistas.
- Nick Clegg e os Liberais-Democratas, parceiros de coligação no Governo, resolveram culpar David Cameron e o Partido Conservador pela austeridade e erros do Governo, e ao mesmo tempo reclamar para si os louros das boas decisões.
- David Cameron optou por manter a postura de responsabilidade e sentido de Estado. Reconhecendo a austeridade e afirmando que era um mal necessário, que começava a dar frutos. Poucas ou nenhumas vezes acusando o Partido Trabalhista de ser o responsável pela situação que encontrou.
Mas acima de tudo, a mensagem que David Cameron tentou passar aos eleitores foi a de deixarem o Partido Conservador, no Governo, terminar o trabalho que iniciou. Foram 5 anos difíceis para endireitar o país. E agora, quando as coisas começavam a tomar o caminho certo, não deitar tudo a perder, desperdiçando os sacrifícios feitos ao longo de tanto tempo.
Contra todas as expectativas o Partido Conservador de David Cameron venceu as eleições com uma confortável maioria absoluta. Só precisava de 323 deputados (porque o Sinn Fein normalmente não ocupa os seus lugares de deputados em Westminster) e obteve 331, mais 24 do que nas últimas eleições.
O Partido Trabalhista de Ed Miliband pagou caro pela demagogia e populismo adoptados. Perdeu 26 deputados. Os Liberais-Democratas pagaram ainda mais caro por tentarem desmarcar-se das decisões impopulares e de austeridade que o governo, do qual eram parceiros, teve de tomar. Perdeu 49 deputados.
Em Portugal, o resultado das eleições Legislativas 2015 poderia também ser semelhante. Mas provavelmente não será. Primeiro porque o parceiro minoritário no Governo (o CDS) não é tão estúpido como foram os Liberais-Democratas (aliás já se sabe que a coligação PSD/CDS se mantém para as eleições), e depois porque o povo português tem provado até hoje ser um bocadinho mais estúpido (a exercer o seu voto) do que o povo do Reino Unido.
Oxalá eu esteja enganado…
Je suis Charlie quando dá jeito
Há umas semanas atrás António Costa era “Charlie”. Mesmo ao centro, nesta foto cheia de outras “figuras” da política portuguesa. Indignava-se e lutava pela liberdade de expressão dos jornalistas daquele jornal francês.
Agora, António Costa manda SMS a jornalistas de jornais portugueses. Tentanto coarctar a liberdade des estes escreverem o que pensam do PS, de António Costa e do seu programa/ideias para Portugal.
É a hipocrisia e a falta de vergonha no seu limite.
Infelizmente o povo que vota já demonstrou por várias vezes ter memória curta e, daqui a uns meses, certamente que mais de 1 milhão de portugueses irá votar e eleger este escroque para Primeiro-Ministro.
Aos que vivem em Portugal e, sem culpa nenhuma, irão ver o seu futuro nas mãos desta gente, desejo boa sorte. Aos outros, os que votam, espero que tenham aquilo que merecem.
PS do Messias Costa afunda na Madeira

Este fim-de-semana havia eleições Regionais na Madeira. O PS do messias António Costa resolveu coligar-se com o partido de José Manuel Coelho (para quem não conhece, é aquele senhor na foto que, entre muitas outras coisas, foi para o parlamento – casa da democracia – vestido de metralha). Os resultados estão à vista: o PS obteve menos votos do que há 4 anos quando concorreu sozinho, contra o PSD de Alberto João Jardim.
Apesar de tudo José Manuel Coelho foi eleito como deputado. Graças aos Madeirenses a sua filha não foi. O PS do messias António Costa ajudou a dar ainda mais importância e a eleger um dos deputados que mais desrespeitou a democracia e as suas instituições. Será curioso ver o que dirá o PS e o seu líder quando ele voltar a fazer das suas.
De resto, a Madeira confirma que não é “Jardinista”, mas social-democrata, ou “laranja”. O PSD consegue mais votos e mais mandatos do que os outros partidos todos juntos. O que significa mais uma maioria absoluta.
Pilotos?… Para mim só militares
Piloto de avião comercial é uma função para a qual é preciso ter extraordinárias capacidades físicas, psíquicas, cognitivas, mentais, intelectuais. É uma profissão na qual é preciso ter extraordinários valores morais e princípios éticos.
Só o mais equilibrado, apto, competente e hábil deveria ser autorizado a concorrer para uma vaga de piloto de avião comercial. E deveria ser obrigatório ter “atrás de si” uma experiência de vôo vastíssima e imaculada.
Há apenas uma “classe” a quem todas estas capacidades são reconhecidas de imediato. Os pilotos de aviões de combate (mais conhecidos por “caças”). Naturalmente militares, e escolhidos entre os melhores, depois de exigentes testes.
Não acho salutar que se deixe outro tipo de pessoa chegar aos comandos de um avião comercial. Alguém que foi hospedeira, comissário de bordo, contabilista, engenheiro ou motorista dos STCP.
Naturalmente que haverá gente que acabaria por ser tão bom ou melhor do que os tais militares. Tenho a certeza que os há por aí. Mas seria, como sempre, a excepção à regra. E por essa não vale a pena correr o risco.
E naturalmente que, mesmo assim, todos os que são pilotos deveriam passar por exigentíssimos e frequentíssimos testes, às suas capacidades e conhecimento técnico (ao contrário dos professores que já sabem tudo e não precisam de ser avaliados).
A verdade é que um piloto de avião de combate inicia a carreira aos 20 e tais, e aos 30 e poucos já é “velho” para a função. Pelo que quase todos podem, nessa altura, ir para aviação comercial (alguns vão mesmo). Onde podem por em prática as suas capacidades, conhecimento e experiência, até aos 50 e tais.
Houvesse mais Josés Antónios…
Uma vida de dedicada aos lasers, in Sol
Era adolescente, estava longe de pensar em cursos ou universidades, e já conhecia o José António Salcedo. Não pessoalmente, mas pela história que o meu pai não se cansava de contar. A deste amigo e colega de curso dele, que no início dos anos 70, era um brilhante aluno da FEUP, e depois de ter construido, sozinho e em casa, o primeiro laser em Portugal (que depois veio a oferecer à FCUP) foi tirar o doutoramento para a Univ. de Stanford, onde tinha como professores alguns prémios Nobel.
Anos volvidos, e já aluno de Eng. Eletrotécnica na FEUP, tive a sorte de me cruzar com o José António. Tinha voltado à FEUP, e calhou de ser meu professor na cadeira de “Ondas”. Foi, no mínimo, surpreendente e refescante ter um professor com tamanho talento para ensinar e para motivar. Um Professor Catedrático que estava completamente fora dos padrões da academia portuguesa. Acessível, disponível, humilde, paciente. Ao que aliava uma incrível experiência prática e profissional na área em que leccionava.
Foi responsável pela minha melhor nota no curso. Curiosamente numa cadeira que à partida me despertava pouco interesse. O que só pode atestar da capacidade do José António como professor. Todos os meus colegas mais próximos partilhavam desta opinião. O José António não pertencia ao “nosso planeta”. No ano seguinte isso confirmou-se. Voltou a deixar a FEUP. Na faculdade dizia-se que o teria feito por discordar do rumo que levava a FEUP e a Academia. E quanta razão tinha, e tem.
O INESC, que ajudou a fundar, é uma brilhante organização. De onde já saíram muitas ideias, invenções, produtos e empresas. Mas a FEUP, a UP, a nossa Academia podia ser muito mais, se tivessem ao leme mais Josés Antónios. A capacidade e o potencial dos nossos alunos e das nossas Universidades (principalmente na área das technologias) é imenso. Mas perdem-se na mesquinhez daqueles que lideram a Academia e nos jogos de poder. Quando poderiam ser um dos motores de uma economia e de um país.
Aproveito para deixar aqui, mais uma vez, o vídeo de uma “aula” que o José António deu há um par de anos, e que é de ver e rever para crer.
República das Bananas
Isto só é possível e aceitável num país que perdeu qualquer tipo de valores e princípios. Num país que perdeu a dignidade e a vergonha. Num país que está literalmente nas ruas da amargura. E que por incrível que pareça, o merece. Inacreditável será, ou não, ver o povo eleger os mesmos nas próximas eleições.
O porquê das (pelo menos) 17 derrotas do PSD Santo Tirso
Artigo de opinião que escrevi para a edição de Fevereiro 2015 do jornal Notícias de Santo Tirso.
Desde 1998, ano em que a Trofa se separou de Santo Tirso e se tornou concelho, o PSD Santo Tirso averbou 12 derrotas eleitorais. Sim, uma dúzia! A saber…
01 – Legislativas 1999
02 – Autárquicas 2001
03 – Legislativas 2002
04 – Europeias 2004
05 – Legislativas 2005
06 – Autárquicas 2005
07 – Europeias 2009
08 – Legislativas 2009
09 – Autárquicas 2009
10 – Legislativas 2011
11 – Autárquicas 2013
12 – Europeias 2014
A estas podemos juntar mais 5 derrotas em eleições Autárquicas entre 1982 e 1997. O que dá, em termos locais, um total de 9 derrotas. E a caminho vem a 10ª. A continuar assim, disso não tenhamos dúvidas.
Foram derrotados candidatos de todos os tipos, de todos os perfis, de todas as profissões. Candidatos mais e menos experientes, mais e menos competentes, mais e menos preparados. O PSD Santo Tirso foi derrotado em alturas em que, a nível Nacional, o partido estava na mó de baixo, em alturas em que estava taco-a-taco com o PS, e mesmo em alturas em que o PSD estava na mó de cima. E ainda que o adversário tenha sido sempre o mesmo (o PS Santo Tirso de Couto e Fernandes), o PSD Santo Tirso nunca conseguiu vencer.
A constatação destes factos pode levar a concluir que, se a responsabilidade maior nas derrotas não foi dos candidatos, nem das conjunturas políticas, então só pode ter sido da estratégia. Estratégia essa que tem sido sempre deliniada pela Comissão Política Concelhia do PSD Santo Tirso. Estratégia essa que, do meu ponto de vista, tem 3 dimensões chave.
Táctica: Maquiavel dizia que há duas formas de fazer política. Dizer bem de si próprio ou, se não o puder fazer, dizer mal do adversário. O PSD Santo Tirso nunca conseguiu a primeira. Nunca teve pensamento, programa ou projecto político para apresentar. Daí que há mais de 30 anos tenha escolhido atacar o adversário. Esta táctica é ainda mais evidente nos últimos anos em que o ataque pessoal e político (a Fernandes ou Couto) é constante, não se conhecendo uma única ideia ao PSD Santo Tirso. Limita-se a criticar, atacar ou ser contra o que quer que seja que o PS apresente.
Equipa: Nenhum homem ou mulher, por mais capaz que seja, consegue vencer uma batalha sozinho. Seja essa uma batalha militar, desportiva, política ou outra. Houve alturas em que o PSD Santo Tirso teve bons cabeças de lista (ex: David Assoreira ou João Abreu) mas não soube escolher equipas à altura. Tudo porque quem domina o partido a nível local sempre exigiu lugares para si e para os seus amigos, esquecendo que para vencer um campeonato não é suficiente ter apenas um bom avançado mas é preciso também bons guarda-redes, defesas e médios (bem como um bom treinador).
Propósito: Política vem do grego “politikos” e significa “de, para, ou relacionado com os cidadãos”. Ou seja, os políticos só devem ter um propósito que é o bem comum. Aquilo que se deve pretender alcançar é o interesse geral. A verdade é que no PSD Santo Tirso a finalidade foi, tem sido, e continua a ser o interesse pessoal. Quem lidera o PSD Santo Tirso continua a colocar o seu interesse pessoal à frente do interesse geral, na procura de um qualquer lugar que lhe traga, acima de tudo, o dinheiro e o poder que lhe garanta o bem estar pessoal e dos que o rodeiam.
Ou seja, o PSD Santo Tirso tem sido derrotado dezenas de vezes por causa da estratégia seguida pelas suas Comissões Políticas. Não adianta mudar-se o candidato ou esperar-se por uma conjuntura política favorável. O que é preciso é mesmo mudar o perfil e a acção da Comissão Política Concelhia. A consequência disso será a alteração na estratégia, nas probabilidades de vencer e, finalmente, na mudança que se exige para Santo Tirso e para os Tirsenses.
Conclusão: O momento mais importante para a vitória do PSD em Santo Tirso nas próximas eleições Autárquicas não é Outubro 2017 ou sequer uns meses antes na escolha do candidato. O momento chave é agora! Os simpatizantes e militantes do partido (activos, menos activos e inactivos) não podem adiar mais ou esperar que apareça alguém que puxe por eles. Se querem a mudança têm de se mobilizar (aos próprios e uns aos outros) de maneira a criar condições para que, nas próximas eleições internas, haja uma alternativa ao status quo. A responsabilidade é de todos e cada um.
Trofa: Nepotismo, Abuso de Poder, etc.
Só quem não conhece o Poder Autárquico e os Autarcas do nível de Joana Lima é que fica surpreendido com uma notícia destas. Para os demais, a notícia só peca por tardia, e as acusações por escassas. Há muitos outros tipos de crime que poderiam fazer parte do rol apresentado pelo MP. O tempo dirá quais. Mas ainda assim, como sempre em Portugal, os acusados acabarão absolvidos ou suspensos. Ninguém vai para a cadeia neste país.
Governar, à lá António Costa
Nos últimos tempos tem ficado bem patente a forma de Governo de António Costa…
- Benefeciar os que mais podem: Câmara de Lisboa perdoa 1,8 milhões de euros ao Benfica
- Discriminar os que menos podem: Veículos anteriores a 2000 proibidos de circular na Baixa de Lisboa
- Governar sem transparência: António Costa recusa mostrar relatório sobre obras em Lisboa
… mas ainda há muito boa gente a pensar votar no alcaide de Lisboa.




Deverá estar ligado para publicar um comentário.