10 anos de um Rio que ninguém vai parar

Fez ontem 10 anos que Rui Rio lidera os destinos da cidade do Porto. Foi uma década de trabalho quase sempre invisível. E foi-o apenas porque o que ele faz não interessa aos meios de comunicação “dita” social. A seriedade, a exigência, o rigor ou o trabalho não vendem.

Rui Rio é, sem sombra de dúvidas, o melhor político no activo. Sem espectáculos, sem protagonismo e sem alarde, vai zelando pelo Porto e servindo os portuenses. Os que moram, os que vivem, os que trabalham, os que estudam ou os que apenas visitam a Invícta.

Há muitas coisas que distinguem Rui Rio dos outros políticos. A honestidade, a competência, a integridade, o carácter, o rigor, a exigência. Mas há uma que sobressai ainda mais nos políticos (nem sempre pelas melhores razões), o cumprimento de promessas.

Em 2001 Rui Rio fez duas promessas muito importantes para o Porto. Reabilitar os bairros sociais e a baixa da cidade. A verdade é que hoje, ambas as promessas foram cumpridas para benefício de todos aqueles que acima referi como sendo portuenses.

Com um modelo assente no investimento privado e não apenas nos dinheiros públicos. Fundou a Sociedade de Reabilitação Urbana, a Porto Vivo e criou um projecto integrado para a Baixa que reabilitou ruas e praças, ao mesmo tempo que atraiu investidores.

Fê-lo com um discurso coerente e firme. Muitos criticaram a rejeição do Corte Inglés na Boavista, mas não percebiam que Rui Rio não queria desviar o comércio da baixa. É assim que se faz política e que se defende a população e a economia de um concelho.

Se tivesse aceitado fazer mais um centro comercial na zona da Boavista, Rui Rio teria perdido a confiança dos portuenses e também dos potenciais investidores na baixa. Além do mais, a zona da Boavista já tem, pelo menos dois centros comerciais.

Para além disso, a revitalização da Baixa também foi feita ao nível cultural. O renovado Mercado Ferreira Borges tem sido estrela com um programa recheado de eventos de nível. Até os jovens voltaram à Baixa para a nova animação nocturna.

Graças à convicção de Rui Rio os bairros sociais da cidade vêm sendo recuperados, dando condições minimamente dignas às quase 50.000 pessoas (20% da população do Porto) que lá vivem. Um a um os bairros foram sendo reabilitados para benefício de todos.

Rui Rio fez fê-lo porque sabe que o mais importante são as pessoas, e deve ser para elas que se faz política. Nos bairros sociais vive muita gente com condições quase desumanas, gente com dificuldades financeiras e que vive em permanente risco.

Com a requalificação dos bairros sociais Rui Rio não só dá mais qualidade e dignidade à vida das milhares de pessoas que ali moram, como também evita que se formem guetos. Esses são quase sempre enormes incubadoras de criminosos e indigentes.

Esta é uma das melhores formas de coesão e integração social. Ao mesmo tempo evita-se e previne-se a criminalidade que está sempre ligada a estes locais e se espalha depois pela cidade. Desde 2001 a CM Porto investiu mais de 130 M€ na recuperação dos bairros.

Há uma frase, dita por Rui Rio, que define o seu perfil e a sua acção enquanto político: “O esforço da CM Porto tem sido investir onde é mais necessário, e não onde se consegue mais popularidade politica e mediática“.

Candidato às eleições internas do PSD

Conforme obrigam os Estatutos, o PSD irá a votos em Março 2012. Perante o actual cenário do partido espero que Pedro Passos Coelho seja reeleito. E na minha expectativa a reeleição deverá ter uma votação mais expressiva do que os 61% de 2010.

Mas perante o cenário do país, e conhecendo a riqueza intelectual do PSD e dos seus militantes, espero também que vários assuntos sejam debatidos e que várias moções sejam apresentadas no congresso. Mesmo que toquem em temas sensíveis da Governação.

Não tenho dúvida nenhuma que as eleições do PSD, numa altura em que exerce o Poder, serão muito diferentes daquelas que reelegeram José Sócrates como Secretário-Geral do PS em 2009. Não haverá no PSD unanimismos e aclamações. Haverá debate sério.

Os congressos do PSD nunca foram palco para campanhas eleitorais. Sempre foram espaços de debate interno, onde todos os militantes puderam expressar a sua opinião e fazer ouvir a sua voz. Sempre se discutiram soluções para o futuro do país.

Em coerência, não me surpreenderia que aparecessem candidatos à liderança. Desde que tivessem um propósito bem definido, uma grande divergência com a actual liderança, um programa sustentável e bem estruturado. Mas detesto gente que apenas procura protagonismo.

Nuno Miguel Henriques apresentou-se como candidato e diz que quer ser “levado a sério“. Mas como pode ele querer ser levado a sério quando a sua única motivação é: “a libertação do PM da obrigação de ser em simultâneo presidente do PSD“?

Se o Nuno acha que “o presidente do PSD deve estar disponível a tempo inteiro para as funções político-partidárias junto dos militantes do PSD” aconselho que leia os artigos 24º e 25º dos Estatutos, que abordam competência de Presidente e Secretário-Geral.

Diz o Nuno que só “pretende contribuir positivamente com ideias“. Ora, para isso é que serve o congresso e a apresentação de moções sectoriais ou globais. Torna-se por demais evidente que o que ele quer é protagonismo e posicionamento futuro.

Como quer o Nuno ser levado a sério se é da Covilhã, pertence à AM do Fundão, pertence à CPC de Torres Vedras e pertenceu à CPD Lisboa? Foi director de campanha e mandatário de Patinha Antão em 2008, mas desistiu acabando por apoiar Santana Lopes.

E depois, também no seu site (que, diga-se, esteticamente é um desastre), tem pérolas como: “Dirigiu e foi sócio de algumas empresas que sempre tiveram êxito empresarial” ou “Foi várias vezes voluntariamente a Estabelecimentos Prisionais“.

Oh Nuno, para ser levado a sério é preciso muito mais do que isto. E se realmente estivesse preocupado com o partido, não o colocava numa posição em que será certamente alvo de chacota por parte de adversários e comunicação “dita” social.

Francisco Sá Carneiro, um político insígne

Há 31 anos atrás morria o PM de Portugal, Francisco Sá Carneiro, na queda do avião que o levaria a um comício no Porto no âmbito das eleições presidenciais. Infelizmente sou obrigado a acreditar de que não se tratou de um acidente. Foi sim algo premeditado, mas que se dirigia ao Ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa.

Passadas três décadas o processo prescreveu e já nada há a fazer para castigar os hipotéticos culpados. Infelizmente ainda há, neste país, forças ocultas (que têm poder, apesar de não aparentar) que conseguem esconder, tanto os responsáveis que ainda estão vivos, como outros que já morreram (alguns recentemente).

Sá Carneiro foi um político insigne em Portugal. Foi uma referência não só como político mas também como líder e como homem. Era íntegro no verdadeiro sentido da palavra. Tinha um comportamento ética e moralmente correcto, era decente, sério, vertical e honrado.

O fundador e primeiro líder do PSD era um político implacável. Frontal, responsável e com sentido de Estado. Foi eleito deputado á Assembleia Nacional anos antes de 74 e lá lutou, ás claras (ao contrário de outros), pela liberdade e pela igualdade. Não se escondeu. Deu a cara pelos valores e ideais em que acreditava.

Depois do 25 Abril 74 fundou o PPD e contra todas as expectativas teve um sucesso assinalável. As pessoas chegavam à sede e pediam para se inscrever no “partido do Sá Carneiro”. A adesão foi massiva e rápida. O seu trabalho foi reconhecido pelo povo em 79 quando foi eleito Primeiro-Ministro.

Sá Carneiro livrou Portugal de uma hipotética ditadura militaro-comunista e pugnou sempre pelos valores da liberdade, igualdade e solidariedade. Foi amado e odiado, mas nunca ignorado ou desprezado. Foi sempre respeitado.

Não fosse a tragédia de há 31 anos atrás e por certo Portugal seria hoje um país diferente. Não tenho dúvidas de que Sá Carneiro teria feito o mandato de 80 a 84 e também outro de 84 a 88. Portugal seria hoje, com toda a certeza, um país diferente.

PSD e as dificuldades de resistir à máquina

Já o disse várias vezes, apoiei Ferreira Leite e Aguiar Branco nas 2 últimas internas do PSD. Mas, depois de vencer, Passos Coelho surpreendeu-me pela positiva.

Aquando da constituição do Governo elogiei o facto de ter conseguido chamar excelentes independentes, mas critiquei ter cedido à máquina do partido em certas pastas.

Quando os partidos estão no Poder é muito mais fácil ceder à máquina partidária, mas é imperativo resistir. Afinal, foi essa mesma máquina (incompetente e corrupta) que nos trouxe até aqui.

Ao ver o programa das Jornadas Parlamentares do PSD fico desiludido. Numa altura em que o PSD lidera o Governo e precisa de mais e melhores ideias para nos tirar da crise, as jornadas serão inócuas.

Oradores e temas são os que mais interessam ao partido numa lógica puramente circunstancial. Não irão acrescentar nada ao trabalho do PSD na AR, em prol do país e dos portugueses.

Compare-se nomes dos oradores (sua qualidade e capacidade), líder parlamentar, presidente PSD e condição do partido, nas últimas 3 jornadas parlamentares. É fácil ver as diferenças.

Ano 2008
Líder Parlamentar – Paulo Rangel
Presidente PSD – Manuela Ferreira Leite
Condição PSD – Oposição
Oradores: António Borges, Henrique Neto, Maria José Nogueira Pinto, Jacques Attali

Ano 2009
Líder Parlamentar – JP Aguiar Branco
Presidente PSD – Manuela Ferreira Leite
Condição PSD – Oposição
Oradores: Alexandre Soares dos Santos, José António Salcedo, Paulo Pinto de Albuquerque, João Duque

Ano 2010
Líder Parlamentar – Miguel Macedo
Presidente PSD – Pedro Passos Coelho
Condição PSD – Oposição
Oradores: Manuel Villaverde Cabral, Ernani Lopes, Luís Campos e Cunha, Vitor Bento

Ano 2011
Líder Parlamentar – Luís Montenegro
Presidente PSD – Pedro Passos Coelho
Condição PSD – Governo
Oradores: Miguel Relvas, Pedro Santana Lopes, Marco António Costa, Paulo Simões Júlio

Promessas eleitorais vs Medidas adoptadas

Bem sei que o Governo é de coligação, e que portanto o programa é um pouco diferente do programa eleitoral do PSD, mas quem se tiver dado ao trabalho de ler o programa do PSD viu que estava dividido em 5 pilares.

No pilar 3 sob o título “Um Estado eficiente, sustentável e centrado no cidadão” dizia várias coisas, entre elas:

a) Redução do peso do Estado sem redução ou despedimento de funcionários públicos
b) Racionalização das estruturas do Governo
c) Redução drástica do Estado paralelo (Fundações e Institutos)
d) Pagamento a 60 dias aos fornecedores do Estado e das EP’s
e) Redução de 30% nas despesas de representação do Estado e das EP’s
f) Redução substancial do número de viaturas e sua tipologia no Estado
g) Conselhos de Administração de apenas 3 membros.
h) Dignificar, valorizar, apoiar e envolver os funcionários públicos
i) Rever os sistemas de formação dos funcionários públicos.
j) Reestruturar o Sector Empresarial do Estado e acelerar Privatizações
k) Reforçar competências e capacidades dos órgãos de regulação e fiscalização do Estado.
m) Reavaliar PPP’s

Isto não é o que estava no Memorando de Entendimento com o FMI-UE-BCE (e portanto seria supostamente imposto ao Governo de Portugal, fosse ele qual fosse) é o que estava no programa eleitoral do PSD!

Como é possível haver gente mal informada, gente bem informada, comentadores, jornalistas e até políticos, que estejam surpreendidos com as medidas do governo? Não leram os programas eleitorais antes de votar?

Discordo (e já o escrevi) de certas e determinadas medidas do Governo. Agora não posso é dizer que estou surpreendido ou dizer que o Governo não está a cumprir o que prometeu. Não votei “às cegas”, meus caros!

Além do mais, como sou justo, sensato e realista, não estou à espera que em pouco mais de 2 meses de mandato, o Governo tenha implementado tudo o que estava no seu programa. O mandato é de 4 anos!

As críticas e as intenções dos “barões” do PSD

O PSD sempre foi um partido pluralista e, que me lembre, não houve até agora nenhum presidente do partido (mesmo os que foram PM’s) que tivesse tido o sossego que se vê no PS, PCP, BE ou mesmo no CDS.

É isto que distingue o PSD dos demais. Com ou sem leis da rolha, há no PSD muitos (e destacados) militantes que continuam a pensar e falar por si, sem obediências ou vassalagens ao “querido líder”.

Mas há críticas e críticas. As que pretendem ser construtivas e têm como objectivo o bem do País e do PSD são sempre bem vindas. As outras, que têm por base interesses/ódios pessoais, são péssimas.

Ferreira Leite, Marcelo Rebelo de Sousa e Marques Mendes tinham a obrigação – até por já terem sido líderes (contestados) – de ter outro tipo de discurso. Calarem-se? Não! Mas falar doutra forma.

MFL parece ser movida por um ódio pessoal a PPC. Apoiei-a nas internas e gosto dela. Mas isto é demais. Não ia retirar-se da política? Então porque não o faz? Se quer ficar, este não é o contributo que se esperava.

MRS continua o periplo para a candidatura a PR. Utiliza o seu espaço dominical para (com muita demagogia e descaramento) afastar-se de todas as medidas impopulares do PSD, e passar imagem de homem independente e isento.

LMM também procura no futuro um “lugar ao sol”. Ainda é novo, o seu capital político é imenso, e as bases do PSD gostam dele. Tal como MRS, utiliza o seu espaço na TVI para passar imagem de homem sensato e equilibrado.

MFL disse que medidas do Governo “de justiça têm pouco e de eficácia nada“. MRS disse que “falta uma explicação […] isto não é o que foi prometido em campanha“. LMM diz que o Governo tem “prioridades invertidas“.

Para quê esta agressividade, demagogia e critica destrutiva fácil? Que ganha o PSD ou o País com isso? Nada! Nem a classe política (à qual pertencem), que continua a ser descredibilizada, numa altura fulcral.

Se fossem movidos por boas intenções, o que fariam era criticar sim, mas moderadamente e sem demagogia. Tomem como exemplo Rui Rio. Discorda do governo mas ao invés de atacar disse que “faria diferente“.

Além disso teve o cuidado de ser justo e relativizar as críticas, dizendo que é preciso dar tempo: “lá pelo facto de não estar bem ao cabo de 2 meses não quer dizer que não esteja bem daqui a 4 ou 5 meses“.

Principalmente de MFL (que já foi Min Finanças) esperava-se algo como o que Rui Rio disse: “há que atirar forte na redução da despesa, mas isso não é tão simples como dizem, ou como se diz quando se está na oposição“.

Deixem-me votar, onde quiser, mas não me obriguem

Na nova coluna do Jornal i em que escreverá quinzenalmente, Duarte Marques aborda 3 temas que também a mim são caros. Porque dizem respeito a duas coisas que considero fulcrais para que Portugal tenha um futuro melhor: a juventude e a melhoria da Democracia.

E estas duas coisas não estão dissociadas. A melhoria da Democracia não se faz apenas pela substituição deste ou aquele político. Ela só poderá melhorar se a população participar. E hoje os jovens são os que menos participam. Seja por opção ou proibição.

O presidente da JSD fala do voto aos 16 anos, do voto obrigatório e do voto electrónico. São temas que têm servido de bandeira a juventudes partidárias e mesmo a alguns políticos “séniores”, mas apenas em tempo de eleições, tentando captar o voto dos mais novos.

Desta vez o Duarte Marques aborda os temas numa altura em que não há eleições. Fá-lo aliás pouco depois das eleições Legislativas 2011. Tantos temas mais prementes e vai ele falar disto. Porque será? Porque está realmente interessado em que isso avance.

Não sei se será esta a ideia do Duarte Marques, mas lançando a questão desde já, e lutando por ela ao longo dos próximos meses ou anos, ninguém poderá nas próximas eleições dizer que é tarde demais, ou que é muito em cima da hora. Há que implementar isto.

Concordo com o voto aos 16 anos, mas apenas da forma como o Duarte o expõe. Ou seja, ao contrário do que acontece agora aos 18 anos (todos são automaticamente recenceados), apenas os interessados deverão poder recencear-se. Os mais maturos fa-lo-ão. Estarão preparados.

Tal como diz o Duarte, já é um facto que aos 16 podemos (desde que autorizados): casar, trabalhar, emigrar, formar uma empresa, ser julgados criminalmente. Temos portanto “direitos e deveres perante a sociedade” mas no entanto não podemos “escolher quem governa“.

Concordo com o voto electrónico, e aliás clamo por ele há muito tempo. Como pode Portugal gabar-se de estar na linha da frente das tecnologias de informação, dos grandes projectos inovadores (energias renováveis, mobilidade eléctrica, etc.) e não ter este sistema de voto?

Muita gente (principalmente os mais jovens) viu a sua aposta académica e opção profissional afastá-lo da sua terra natal. Mas isso não significa que não queira continuar a participar e votar onde nasceu/cresceu (e quiçá onde quer voltar). Obrigar a deslocações em dia de eleições não faz sentido.

Ao contrário do Duarte Marques, tenho algumas dúvidas quanto ao voto obrigatório. Admito que tem prós, mas também tem contras. E assim de repente os únicos prós que encontro são: a) anular as elevadas taxas de abstenção; b) legitimar em absoluto os eleitos.

Rebato com o seguinte. Tal como se dá a opção aos 16 anos, apenas aos mais maturos e interessados, o mesmo se aplica aos adultos. Se não têm a consciência do que é a Democracia e o poder do voto, então mais vale não votarem. Talvez façam menos estragos assim.

Além disso, ninguém se candidata para representar quem não vota porque não lhe apetece, não se revê nos candidatos, não acredita no sistema político, não é democrata. Quem não quer ser representado não se faz representar.

Mais. E se em vez de 60% de abstenção houvessem 60% de votos nulos/brancos? Se bem conheço Portugal, os portugueses, os políticos e principalmente a comunicação social, também haveria logo quem pusesse em causa a legitimidade do vencedor.

A Democracia está intimamente ligada à Liberdade. A Democracia é participação, mas ela também é o direito que cada um tem de fazer o que bem lhe apetece – dentro da lei e desde que não vá contra o direito de outrem.

Não quer ir votar? Não vota! Deixa os outros decidirem por ele. Mas é bom que tenha bem presente o que disse Aristóteles: “O preço a pagar por não te interessares por política é seres governado pelos teus inferiores“.

Sendo assim… Voto electrónico, claro! Voto aos 16 anos, sim! Voto obrigatório, talvez seja melhor reflectir mais sobre isso. Há que dar os parabéns ao Duarte Marques e à JSD, por terem levantado estes temas nesta altura. Agora há que trabalhar por eles.

Com a morte do Diogo, esmoreceu a minha esperança

O dia de hoje começou como habitualmente. Levantei-me, tomei banho, saí de casa para o trabalho, e no autocarro actualizei-me nas redes sociais. Às tantas senti um “murro no estômago”… vi a notícia de que o Diogo Vascocelos tinha falecido repentinamente, aos 43 anos.

Conheci o Diogo há pouco mais de 1 ano, por altura das eleições internas do PSD, em que apoiei JP Aguiar Branco, e de quem o Diogo era mandatário. Fiquei impressionado e escrevi: “É aquela atitude humilde, verdadeira, inteligente, positivista, inovadora, futurista que precisamos“.

A liguagem do Diogo, a maneira de ver as coisas e a vontade de as fazer, eram incrivelmente atraentes. Tinham como que um íman que nos chamava e nos fazia crer ter encontrado os ingredientes para a solução que tiraria Portugal do pântano. Criava renovada esperança no futuro.

O Diogo Vasconcelos era um homem que ao contrário do que estamos habituados nos responsáveis de hoje não estava sempre a olhar para trás mas olhava permanentemente para o futuro. Estava disponível para o construir. E mais importante do que isso, fazia-o.

As suas qualidades como profissional fizeram-me compará-lo a outros grandes portugueses, bem mais mediáticos do que ele. As suas qualidades humanas e políticas fizeram-me desejar que um dia fizesse parte de um governo como Ministro da Inovação.

Tal como já havia dito a muita gente e escrito no meu blogue, o Diogo Vasconcelos fazia parte de uma verdadeira “nova geração” de políticos. Aqueles que podiam efectivamente renovar a classe política e levantar de novo o esplendor de Portugal.

Tal como Rui Rio ou José Pedro Aguiar Branco – que curiosamente acompanhou na JSD – o Diogo Vasconcelos era um homem inteligente, com carácter e grande personalidade. Mas mais do que isso, era um líder e um visionário. Regia-se pelos melhores valores e princípios.

Os cargos que ocupou comprovam a sua capacidade e competência. Foi Senior Director da Cisco International, Chairman da APDC – Associação para o Desenvolvimento das Comunicações ou Chairman da SIX – Social Innovation eXchange.

Foi um grande impulsionador da Sociedade da Informação e do Conhecimento. Defendia como ninguém a inovação e o empreendedorismo. Fundou a FAP – Federação Académica do Porto, a UMIC – Agência para a Sociedade do Conhecimento, a revista Ideias & Negócios e a Ciber.net.

Hoje fiquei chocado com o falecimento do Diogo Vasconcelos, mas mais do que isso, esmoreci a esperança de um Portugal melhor. Porque todos somos poucos para puxar pelo país, e hoje perdeu-se a força de mais um. Ainda por cima um dos mais “fortes”.

Sá Carneiro, um político insigne

Há 30 anos atrás morria o PM de Portugal, Francisco Carneiro, na queda do avião que o levaria a um comício no Porto no âmbito das eleições presidenciais. Infelizmente sou obrigado a acreditar de que não se tratou de um acidente, mas sim de algo premeditado, mas que se dirigia ao Ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa.

Passadas três décadas o processo prescreveu e já nada há a fazer para castigar os culpados. Infelizmente ainda há, neste país, forças ocultas (que têm poder, apesar de não aparentar) que conseguem esconder, tanto os responsáveis que ainda estão vivos, como outros que já morreram (alguns recentemente).

De qualquer maneira, todos os anos por esta altura, se volta a falar da abertura de mais uma CPI para apurar a verdade. E quem fala nisto? São sempre os mesmos, que ao invés de querer esclarecer, procuram explorar a situação e daí tirar partido (na venda de livros e afins).

Sá Carneiro foi um político insigne em Portugal. Foi uma referência não só como político mas também como líder e como homem. Era íntegro no verdadeiro sentido da palavra. Tinha um comportamento ética e moralmente correcto, era decente, sério, vertical e honrado.

O fundador e primeiro líder do PSD era um político implacável. Frontal, responsável e com sentido de Estado. Foi eleito deputado á Assembleia Nacional anos antes de 74 e lá lutou, ás claras (ao contrário de outros), pela liberdade e pela igualdade. Não se escondeu. Deu a cara pelos valores e ideais em que acreditava.

Depois do 25 Abril 74 fundou o PPD e contra todas as expectativas teve um sucesso assinalável. As pessoas chegavam à sede e pediam para se inscrever no “partido do Sá Carneiro”. A adesão foi massiva e rápida. O seu trabalho foi reconhecido pelo povo em 79 quando foi eleito Primeiro-Ministro.

Sá Carneiro livrou Portugal de uma hipotética ditadura militaro-comunista e pugnou sempre pelos valores da liberdade, igualdade e solidariedade. Foi amado e odiado, mas nunca ignorado ou desprezado. Foi sempre respeitado.

Não fosse a tragédia de há 30 anos atrás e por certo Portugal seria hoje um país diferente. Não tenho dúvidas de que Sá Carneiro teria feito o mandato de 79 a 83 e também outro de 83 a 87.

Dane-se a reserva moral do PSD!

Se há coisa que sempre detestei no PSD foi o facto de haver uma espécie de “reserva moral” social-democrata, em Lisboa, que tem sempre de meter o bedelho, e logo quando o partido e o país menos precisa. É que ainda por cima falam apenas com o objectivo de manter o status quo.

Nas últimas semanas vários membros dessa “reserva moral” têm pressionado – a palavra é mesmo esta, porque o objectivo deles é mesmo pressionar, através da comunicação dita social, da opinião pública ou dos interesses económicos e partidários – Passos Coelho para que este aprove o OE2011.

Esses senhores têm dito várias coisas, entre as quais registei “não podemos brincar com coisas sérias“. Ora brincar com coisas sérias é o que o PS tem vindo a fazer na última década e meia! E vamos oferecer-lhes mais um bilhete para a diversão?

Aliás, brincar com coisas sérias é o que alguns destes senhores da “reserva moral” de Lisboa têm vindo também a fazer ao longo das suas carreiras político-empresariais! Nada interessa o país, e nada interessa o povo. O importante é a sua posição, a sua conta bancária e o seu poder.

Ora… chumbe-se o OE2011 e venha de lá um governo de iniciativa presidencial. Seja ele PS com novo PM, PSD-CDS, Tecnocrata, ou outro tipo qualquer de executivo. Tanto dá, desde que não tenha pelo meio Sócrates, Silvas Pereiras, Santos Silvas, Teixeiras dos Santos e afins…