País a saque

Este país está realmente a saque. Não se trata só da crise financeira, económica, social e de valores. Trata-se de uma crise política criada pela corja que coabita à volta do poder. Inclua-se nessa corja dirigentes partidários, governantes e até comunicação “dita” social.

Cavaco Silva, o político mais íntegro e impoluto em actividade neste país, falou esta noite incriminando objectiva e claramente dirigentes do PS e de orgãos de comunicação “dita” social pelo caso das escutas.

No entanto, todos os comentadores políticos e a maioria dos dirigentes dos partidos resolveram atacar o PR, em vez de crucificarem o PM e o seu partido pela farsa que montaram.

Onde vai parar este país, em que se dá mais credibilidade a um homem como Sócrates (com todos os problemas pessoais e políticos que são conhecidos) do que a outro como Cavaco (desde sempre limpo pessoal e profissionalmente).

E agora? irá Cavaco demitir Sócrates? ou irá Cavaco convidar outro para formar Governo?… Não acredito que seja possível um país aguentar com um Governo minoritário e uma crise institucional entre PR e PM. É instabilidade a mais.

O caso que faria a diferença

Cavaco Silva disse objectivamente que todo este caso foi orquestrado pelo PS com o objectivo de daí tirar partido para as eleições legislativas. Segundo ele tudo teve 2 objectivos: colar a imagem do PR ao PSD e desviar as atenções dos portugueses do que realmente importava na campanha.

O PR disse que a acusação do PS, de que os acessores de Cavaco participavam no programa do PSD, era mentira. E mesmo que fosse verdade, que mal teria? Concordo. Qualquer cidadão tem liberdade para participar civicamente na construção de projectos políticos.

A demissão de Fernando Lima ficou bem justificada. Realmente era insustentável, numa sociedade como a nossa em que as suspeitas são provas confirmadas, deixar a dúvida na opinião publica.

Conclusão: Quem saiu beneficiado com o caso das escutas foi Sócrates. O PS ganhou as eleições porque, numa campanha de casos, os portugueses quiseram lembrar-se dos casos “Preto” e “Escutas”, e esquecer os casos “Freeport” e “TVI”. Não ficam dúvidas de que, se Cavaco tivesse falado antes das eleições o resultado poderia ser diferente.

Tomam-nos por parvos?

Se há coisa que detesto, é quando os políticos e os partidos nos tomam por parvos. Hoje saiu a notícia de que o nome de Lobo Antunes estava por lapso na comissão de honra da candidatura de António Costa à Câmara Municipal de Lisboa.

Eu que não sou parvo nem lorpa digo-vos o que aconteceu. Das duas uma:

colocaram de propósito o nome do senhor para que as pessoas pensassem que essa alta figura o apoiava, pensando que no meio de tantos nomes, ninguém descobriria.

ou então

fizeram copy-paste de outra qualquer comissão de honra antiga de algum candidato do PS, o que demonstra a credibilidade destas comissões de honra.

Será que alguém acredita que foi por lapso?!… Estava a menina a passar os 1000 nomes para a lista e de repente escreveu por lapso, António Lobo Antunes. Não foi Joaquim Silva Pereira ou Luís Carvalho Rodrigues… foi António Lobo Antunes… que coincidência ?!

Paulinho, Machado e o Reboque na RadioShack

Está definida a equipa de Lance Armstrong (RadioShack) para a temporada 2010. Nela se incluem vários ciclistas de renome mas a nós interessa o seguinte: Sérgio Paulinho continuará a pedalar ao lado do heptacampeão do Tour e além disso Tiago Machado, o melhor ciclista português da actualidade, teve a sua recompensa.

Também Andreas Kloden, a quem apelidei de “reboque” do americano do Tour 2009 faz parte da equipa onde José Azevedo – um dos melhores ciclistas portugueses de sempre – será Director Desportivo, depois de ter ajudado Armstrong a vencer alguns Tour.

Isto é um grande clube

Isto sim, é um grande e eclético clube. Os maiores não são os que têm o maior estádio de futebol nem os que têm o maior número de sócios (pagantes ou não). Os maiores nem sequer são os que têm maiores orçamentos ou contratos de publicidade.

Os maiores clubes são os que conseguem vencer em todas as frentes, ou pelo menos conseguem lutar pelo título e destacar-se em todas as modalidades. O FC Porto é hoje o maior e melhor clube em Portugal. A prová-lo estão os resultados nas modalidades mais mediáticas como o Futebol, Hóquei e Andebol mas também noutras que podem ver aqui.

A verdade é esta

Só em Portugal uma mentira dita muitas vezes se torna verdade. Durante a campanha eleitoral, todos os dirigentes do PS (com destaque para Sócrates e Santos Silva) disseram que foi Manuela Ferreira Leite que trouxe o assunto das escutas ao PR à baila quando falou em asfixia democrática.

Ora, Ferreira Leite disse uma única coisa sobre as escutas: “não comento porque não tenho dados suficientes“. A asfixia democrática a que se referia tinha que ver com os empresários que não podem falar contra governo por correrem risco de perder negócios; com os professores que não podem falar mal do governo, mesmo em privado, correndo o risco de serem denunciados; com os médicos que não podem ter opiniões diferentes do governo, porque senão são castigados; com o caso PRISA – TVI – Moura Guedes; com os directores de jornais que recebem telefonemas do PM a pressioná-los; e muitos outros.

Recorde-se que foi Francisco Louçã que trouxe o assunto para a campanha eleitoral, e que foi o PS que se aproveitou desse caso para o ligar à tal asfixia democrática de que falava (e bem) o PSD. Sabendo que o PR nunca iria falar sobre isso durante a campanha, o PS ganharia em fazer essa ligação e desacreditar as acusações de Ferreira Leite.

Por mais que queiram, esta é a verdade dos factos. E pode ser confirmada em qualquer jornal, consultando o arquivo on-line. Ainda assim, parece que em Portugal, uma mentira dita muitas vezes – por homens com a cara-de-pau de Santos Silva ou Sócrates – se torna verdade.

Olhe, desculpe… era mais um fino para esquecer.

Incompreensível !

Há certas coisas que não são para entender. E esta é uma delas. Como será possível que os adeptos e a equipa tenha esta atitude para com o único símbolo vivo do clube, Francesco Totti. Ele que ainda hoje é um dos melhores jogadores da equipa (provam-no os números: 14 golos em 12 jogos esta época). Por mim, Totti é bem vindo ao FC Porto. E pode trazer com ele a família. Principalmente a mulher 😉

Uma solução para o voleibol

Como interessado no desenvolvimento do voleibol em Portugal, e analisando a realidade da modalidade no nosso país, sugeri uma hipótese para solucionar o problema, escrevendo este artigo de opinião no Sovolei.

Em Portugal a modalidade de voleibol, comparada com outras, é de uma pobreza extrema. E isto passa-se em todas as áreas que envolvem a actividade desportiva. O voleibol não tem comparação sequer, com outras modalidades praticadas no nosso país. Isso vê-se bem se analisarmos os resultados obtidos em competições de nível internacional. De 5 em 5 anos temos uma equipa que faz pequenas surpresas no estrangeiro (Castêlo da Maia, Vitória, CA Trofa, CD Ribeirense). Temos, todos os anos, equipas que têm direito a participar nas provas europeias e abdicam. E porquê?

Actualmente, os clubes pagam tudo. As despesas são com os atletas (mesmo quando estes estão ao serviço das selecções), os árbitros, as viagens, as estadias, os pavilhões, etc. E, hoje em dia, que clubes podem suportar isto? Só temos meia-dúzia de clubes totalmente profissionalizados e mesmo esses perdem dinheiro com o voleibol. Conseguem é suportar-se noutras receitas, vindas principalmente do futebol (como SL Benfica e Vit.Guimarães) das autarquias ou dos governos regionais (casos de CD Ribeirense e CS Madeira). Esta é a razão para o nosso voleibol ser tão fraco.

Podemos com toda a certeza dizer, que a modalidade sobrevive apenas por causa do esforço tremendo dos atletas, do trabalho incrível dos técnicos, da dedicação imensa dos directores e da muita carolice de outros amantes da modalidade. Para quem gosta de voleibol e vive esta modalidade com paixão, chega a ser cruel a forma como são (des)tratados todos estes intervenientes, pelas autoridades que têm a responsabilidade de gerir o voleibol.

Parece-me evidente que passados tantos anos, a solução só pode passar por criar uma Liga de Clubes, para que seja esta a gerir os campeonatos nacionais. Assim, os reais interessados (os clubes) poderiam fazer um melhor trabalho, já que sabem bem as dificuldades e necessidades que têm. Mais ainda, sendo eles os interessados zelariam sempre pelo seu desenvolvimento em vez de andarem a trabalhar em prol de objectivos pessoais ou políticos. Em conjunto, os clubes saberiam gerir melhor os horários das partidas, as transmissões na TV, as incursões nos orgãos de comunicação social, os direitos publicitarios, etc.

Em todos os países – que são actualmente as maiores potências do voleibol – existem Ligas de Clubes que organizam os campeonatos nacionais. Na Europa, veja-se bem o exemplo da Itália que é talvez o expoente máximo do voleibol europeu. Basta visitar e pesquisar um pouco o site da Liga (feminina: www.legavolleyfemminile.it e masculina: www.legavolley.it), para se perceber o porquê da dimensão do voleibol neste país.