O perfil do político medíocre

É um clichê dizer que os políticos estão descredibilizados, mas esta é também uma realidade nua e crua. Infelizmente a política está repleta de gente medíocre, e o expoente máximo disso é a pessoa que lidera os destinos do país.

O político medíocre preocupa-se mais em combater (hipotéticos) adversários internos – alguns nem o querem ser, são apenas fantasmas – do que a lutar contra os verdadeiros adversários que estão no exterior.

O político medíocre tem mais vontade de denegrir os que têm as mesmas ideias e ideologias, e portanto o podem substituir – em caso de mau desempenho – do que atacar (politicamente) os adversários de outros partidos.

O político medíocre passa mais tempo a arranjar motivos para se manter no lugar depois de falhar, do que a trabalhar para merecer ficar nas funções que lhe foram confiadas pela população.

O político medíocre quer ficar no poder não pelo mérito, não por ser o melhor, mas pela inexistência de alternativa, por ser o único a cumprir os mínimos ou a ter vontade/disponibilidade para lá estar.

O político medíocre preocupa-se mais em comprar votos e arrebanhar apoiantes, do que em conseguir conquistá-los ou convencê-los a segui-lo com trabalho, competência e liderança.

O político medíocre usa – tal como disse Maquiavel – o caminho mais fácil do desgaste do adversário, ao invés de apresentar capacidades, soluções, propostas e projectos que convençam os votantes.

O político medíocre tem a convicção e os tiques dos déspotas e ditadores. Acha que “quem não está com ele está contra ele”, como se numa sociedade de um país desenvolvido e integrado no século XXI só existissem dois lados.

O político medíocre rodeia-se normalmente de gente incapaz e sem personalidade, para que nenhum deles consiga aspirar ao seu lugar, e para que cumpra as suas ordens sem questionar.

O político medíocre sofre de complexos de inferioridade e afasta todos aqueles que tenham mais competências. Razão pela qual nunca consegue apresentar propostas e soluções credíveis.

O político medíocre rege-se pelo ditado “se não consegues vencer, junta-te a eles” ao invés de se esforçar pela luta das suas convicções, dos seus princípios, dos seus valores ou das suas ideias.

Já as Autárquicas 2013 (em Santo Tirso)

Li no Facebook, um post do Pedro Fonseca, que falava de alguns acontecimentos recentes e tirava a “brilhante” conclusão de que, em Santo Tirso, tinha começado a contagem decrescente para as Autárquicas 2013 (apesar de, no calendário, faltarem mais de 2 anos).

Vou-me abster de fazer comentários acerca do que Pedro Fonseca disse de Carlos Monteiro (Presidente da Junta de Refojos, eleito pelo PS). Faço-o porque não conheço o senhor ou as declarações/acções referidas, e porque ao contrário do Pedro Fonseca, não falo do que não sei.

Vou limitar-me a comentar as afirmações que o Pedro Fonseca fez acerca de Carlos Almeida Santos, baseadas numa curta entrevista que este deu ao jornal Entre Margens de forma desprendida, sincera e frontal. Características que o Pedro Fonseca notoriamente não tem.

1º Dizer que o Pedro Fonseca não conhece Almeida Santos, doutra forma não o trataria por “Dr. Almeida Santos”. Almeida Santos é licenciado em Engenharia Electrotécnica pela Faculdade de Engenharia do Porto e – que eu saiba – dali nunca sairam doutoures.

2º Dizer que o que é crónico e histórico é a falta de capacidade demonstrada pelas várias Comissões Políticas Concelhias do PSD, que sempre se preocuparam muito mais em afastar os hipotéticos adversários internos, do que em apresentar um projecto credível aos Tirsenses. Foi isto que Castro Fernandes (Presidente eleito pelo PS) agradeceu.

3º Relembrar ao Pedro Fonseca que o PSD é um partido livre e pluralista (talvez o único) e nunca perdeu eleições por ter vozes dissonantes. Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Cavaco Silva, Durão Barroso, Santana Lopes. Todos tiveram oposição interna forte e o PSD venceu.

4º O Pedro Fonseca pode estar habituado a uma estrutura liderada por um déspota, em que o “querido líder” é amado e apoiado incondicionalmente, por mais absurda que seja a sua acção. Mas o verdadeiro PSD não é assim. Desengane-se se pensa que no PSD não se pode discordar. Tome-se o exemplo claríssimo de Sá Carneiro.

5º Convidar o Pedro Fonseca a reler a entrevista. Sei como os “jornalistas” têm por hábito deturpar declarações de outros, mas se estiver atento vê que Almeida Santos não diz que o PSD “não têm hipótese“, diz antes que o PSD “nada tem feito para [ganhar]”.

6º Confirmar quem é e ao que vem Pedro Fonseca. Está bem patente no comentário ao resultado de Almeida Santos em S.Miguel do Couto. Não saberá ele o que é sacrificar-se pelo PSD em eleições, à partida, perdidas. Chama-se sentido de missão. Algo que Pedro Fonseca não terá. Aliás, que sabe ele, se nunca foi a votos?

7º Dizer ao Pedro Fonseca para se informar antes de falar. Almeida Santos foi o único que durante anos, com seriedade e frontalidade, nos locais próprios do partido, falou às claras ao invés de andar com caciques ocultos. Nunca foi ouvido e foi ostracizado. Tenta agora outra forma de questionar e fazer-se ouvir.

8º Dizer que apesar de tudo, Almeida Santos foi leal e ajudou o partido sempre que pôde. A ele se devem várias acções pelas quais o PSD tirou créditos (casos das conferências sobre IVG ou Constituição) e também foi o principal impulsionador e um dos responsáveis pela eleição de Zé Pedro Miranda em Santo Tirso.

9º Chamar a atenção do Pedro Fonseca para o facto de o PSD ser um partido e não um projecto pessoal. Os presidentes passam e o PSD fica. O PSD é dos militantes e não dos presidentes. Daí que a sua expressão “quem não está bem muda-se” não faz sentido. Todos têm direito de ser militantes, discordando ou não.

10º Dizer ao Pedro Fonseca que não foi Almeida Santos que assumiu (ainda que apenas em privado) o desejo de ser candidato independente à presidência da CM Santo Tirso. Nem foi ele que, para promover e alavancar esse projecto pessoal – e na impossibilidade de ganhar ou fundar um partido – criou uma Associação/Movimento cívico.

11º Aproveitar para lembrar o Pedro Fonseca que a política não é o futebol. Em democracia não há lugar para “fanáticos”. O PSD não é o “Benfica”. Santo Tirso não é o “Inferno da Luz”. Os Tirsenses não são os “No Name Boys”.

O Portugal que não quero (IX)

Trabalhei durante cerca de 2 anos na área comercial da Optimus (no mercado das PME) onde tinha a função de angariar novos clientes, e posteriormente gerir a carteira. Ao contrário do que constatei ser normal não tentava “enganar” o cliente (ou potencial) mas sim convencê-lo ao trazer-lhe valor acrescentado.

A atitude que tinha para com todos os clientes (fossem eles grandes ou pequenas empresas) era em todos os momentos a mesma. Sério, honesto, respeitador, simpático, solícito e eficaz. Mesmo quando alguns clientes me pediam para resolver o contrato, passando para outra operadora.

Fazia isto não só por ser a melhor maneira de estar nos negócios e no trabalho, mas também porque seria esta a única forma de, um dia, eles poderem voltar a trabalhar comigo ou até recomendarem-me aos seus conhecidos. Doutra maneira, com má atitude, era garantido que não ganharia nada futuramente.

Inscrevi-me há 4 meses num ginásio, com o objectivo de recuperar de uma cirurgia ao joelho. Fi-lo com um contrato de 6 meses, que terminará em Março 2011, e com a obrigação de informar com 2 meses de antecedência caso não quisesse a sua renovação automática por mais 6 meses.

Na passada 5ª feira falei pela 1ª vez na recepção do ginásio em resolver o contrato, e desde logo começaram as dificuldades e antipatias. Por entre vários pedidos de informação negados e (des)encontros com o comercial responsável, lá tive de fazer “uma espera” ao tal senhor no dia 31 Janeiro.

Com alguma dificuldade e muita espera lá consegui assinar um documento que avisa da resolução do contrato em Março 2011. Tudo isto acompanhado de antipatia q.b. e frieza a rodos. Claro está que assim, perderam um cliente para sempre e ganharam alguém que nunca irá recomendar o Solinca.

Sócrates = Madaíl = Carlos Silvino (Bibi)

Podem achar o título deste post absurdo, despropositado ou insultuoso, mas não é. É uma simples constatação de factos. Quantas vezes José Sócrates disse uma coisa, e o seu contrário passados uns dias? Quantas vezes Gilberto Madaíl disse que não se recandidatava à presidência da FPF, e passados uns dias era candidato? E ambos fizeram isto tal e qual como Carlos Silvino (Bibi), com a maior cara de pau. Impávidos e serenos.

A única questão que pode suscitar algumas dúvidas, é se o fazem conscientes. E aqui, quanto a mim, Carlos Silvino leva vantagem. É que eu não duvido que o casapiano tenha graves problemas mentais provocados pelo seu percurso de vida (principalmente por também ter sido abusado em pequeno). Já Sócrates e Madaíl, não passam de uns escroques sem carácter, integridade, honradez ou um pingo de vergonha na cara.

Pergunta que se impõe (III)

Quem são os “trabalhadores” de quem o PCP e os dirigentes dos sindicatos tanto falam? É que, ouvindo bem o que estes senhores dizem, parece que um CEO de uma empresa de telecomunicações não trabalha; Um director-geral de uma empresa automóvel não trabalha; Um engenheiro de uma empresa de construção não trabalha; Um gestor de projecto de uma consultora não trabalha; Um advogado ou um arquitecto por conta própria não trabalha…

O povo é (in)culto?

Fui novamente convidado pelo AB (Administrador de Blogue) – o meu amigo Diogo Agostinho – a escrever no Psicolaranja. Aceitei o desafio e aproveitei também para mudar de tema. Escrevi sobre Cultura. Deixo-vos aqui o link para visitarem.

Há muito quem diga que o povo é inculto e não aprecia arte. Diz-se que, fora o cinema e os concertos (com artistas cada vez mais “comerciais”, é certo), os portugueses não dedicam o seu tempo a actividades culturais. Uma das perguntas que frequentemente se faz é “vais ao teatro?”.

Penso que nesta questão está implícito o teatro nas suas mais diversas vertentes: o teatro propriamente dito, o teatro de revista, o teatro musical, etc. Com a particularidade que deverão ser protagonizados por verdadeiros artistas profissionais.

Ora, se bem virmos, o teatro está só em Lisboa – a “capital do império”. As várias entidades do meio só querem é estar perto do centro de decisão, e gravitar à volta das instituições públicas (Ministério e afins) que têm o poder de lhes atribuir subsídios.

Em Lisboa há vários teatros e várias peças, mas é raro (muito raro aliás) que algum dos conhecidos artistas ou coreógrafos se digne a ir ao resto do país apresentar a sua peça. Perdem eles e perde o país, mas preferem o conforto da capital e o prémio sem esforço.

De longe a longe existe uma peça ou revista que, de tanto esgotar em Lisboa, aparece no Coliseu ou no Rivoli do Porto. Mas e o resto do país? Viana, Braga, Vila Real, Bragança, Guimarães, Guarda, Viseu, Aveiro, Coimbra, Leiria, Évora, Beja, Faro, etc.

No Portugal profundo – que em pleno século XXI pode ser considerado todo aquele que, mesmo estando no litoral, está fora da Área Metropolitana de Lisboa e Porto – não há qualquer espectáculo a não ser por companhias amadoras ou pelos filhos, na festa da escola.

O Governo (em particular o Ministério da Cultura) devia incluir, no regulamento de atribuição de subsídios, critérios que incentivassem as companhias a apresentar os seus espectáculos pelo país inteiro. Só assim a maioria dos portugueses terá oportunidade de ver teatro.

Também as várias entidades ligadas a este meio, poderiam e deveriam ter uma consciência social (aquela que tantas vezes aparecem nos meios de comunicação social, a pedir à sociedade e às empresas) e tomar a iniciativa de “deslocalizar” espectáculos.

Já as Autárquicas 2013

António Capucho vai suspender o mandato de presidente da Câmara Municipal de Cascais e Carlos Carreiras (o seu vice) irá assumir os destinos da autarquia. Recorde-se que António Capucho foi eleito pela primeira vez em 2001, sendo reeleito em 2005 e 2009.

Pela lei de limitação de mandatos, Capucho não poderá candidatar-se outra vez. Sendo assim, o PSD deverá preparar terreno para o substituto. Para não dificultar muito a vitória em 2013, o hipotético candidato deverá começar a mostrar-se (e ao trabalho) desde já.

Esta é manifestamente uma táctica política. Mas é legítima. Afinal de contas os destinos de uma autarquia são geridos por uma programa político e não por projectos unipessoais. O estilo poderá ser diferente, mas a linha de rumo deverá ser a mesma.

Note-se que isto acontecerá em muitas Câmaras Municipais do país. No que concerne ao PSD, posso referir de memória cidades importantes como: Porto, VN Gaia, Sintra ou Coimbra (onde também Carlos Encarnação já passou a pasta ao seu vice João Paulo Barbosa de Melo).

#Presidenciais A lição que Cavaco nos deu

Há uma lição muito importante que o Prof. Cavaco Silva deu nestas eleições presidenciais. Penso ser algo que já podia ter sido aprendido há muito tempo mas, como sempre, tardávamos em aprendê-la. É algo que vem finalmente atirar as campanhas eleitorais para uma nova era.

Cavaco Silva disse, aquando do anúncio da candidatura, que não iria colocar cartazes nas ruas, que daria prioridade às novas tecnologias, e assim o fez. A sua campanha baseou-se na internet e nos meios de comunicação social. Apostou essencialmente nas redes sociais do facebook e do twitter.

A utilização destas novas ferramentas em detrimento de métodos antigos mostra que a candidatura de Cavaco Silva teve abertura ao futuro, compreendeu a sociedade (de informação) de hoje, provou o respeito pelo ambiente, e preocupou-se em não desperdiçar recursos.

Espero que a partir deste dia, e em futuras eleições, todos os partidos e candidatos acabem com os cartazes e outdoors na rua. Essas coisas asquerosas que emporcalham as nossas cidades e vilas, e que depois ficam a degradar-se durante meses, sem que ninguém os retire.

Não tenho dúvidas que muita desta estratégia terá sido delineada pelos seus principais conselheiros, em particular (e esta é uma convicção minha) pelo seu mandatário digital, Diogo Vasconcelos. Parabéns e obrigado a todos.

#Presidenciais Eu já reflecti, e decidi…

Hoje é dia de reflexão mas, no meu caso, preciso de mais tempo. Por isso tenho vindo a reflectir há algumas semanas. Acompanhei com atenção a campanha eleitoral, os debates, a postura de cada candidato, bem como os seus apoios.

Na equação entrou também o passado (profissional, político e pessoal) de cada candidato e o seu desempenho recente perante o cenário de crise (financeira, económica e social) que vivemos. A imagem que transmite no estrangeiro é igualmente importante.

Nesta altura, e perante os desafios que se colocam a Portugal no futuro próximo, devemos colocar o interesse nacional acima de qualquer capricho ou conveniência pessoal. É isso que farei, e por isso decidi não votar em branco. Irei votar no candidato mais bem preparado.

#Presidenciais A candidatura de Cavaco Silva

Ao contrário do que poderia ser espectável (por se tratar de uma recandidatura) Cavaco Silva conseguiu mobilizar os portugueses e partiu para uma campanha “à antiga”. Teve comícios e jantares com milhares de pessoas, fez arruadas e visitas onde arrastou muita gente que empunhava bandeiras, e entoava cânticos pelo seu nome. Ouvi no início da década, numa rentrée na Barra de Aveiro, Durão Barroso dizer que “esta coisas dos comícios e jantares vai acabar“. Pelos vistos não vai, e ainda bem.

Cavaco foi o melhor PM em 37 anos de democracia, e foi um bom PR se comparado com os anteriores. Mas se como PM nunca governou a pensar em reeleições, já como PR agiu diversas vezes por forma a assegurar o mandato. Tentou sempre não ferir susceptibilidades nos seus possíveis eleitores, da esquerda moderada à direita, tal como já haviam feito os seus 3 antecessores. De qualquer forma, nunca colocou em causa os interesses nacionais.

O mesmo já não se pode dizer da sua postura entre 1996 e 2006. Essa talvez tenha sida a pior altura do percurso de Cavaco Silva. Colocou várias vezes o seu interesse à frente do interesse do país e do partido que sempre lhe foi leal (e o levou a ser o que hoje é). Não se poderá apagar dos registos, entre outros, o artigo da boa e da má moeda que seria decisivo no derrube do Governo liderado por Pedro Santana Lopes.

Mas hoje, deparamo-nos com um cenário complicadíssimo (económico, financeiro e social) e não temos margem de erro. Hoje mais do que nunca é preciso eleger como PR um homem com sentido de Estado. Um homem moderado, responsável, sensato, exigente e rigoroso com o cumprimento das contas públicas. Um homem com crédito a nível nacional, mas sobretudo a nível internacional. Uma garantia de estabilidade política.

Cavaco Silva parece ser, de longe, o único dos 5 candidatos que reune estas condições.