Artigo de opinião que escrevi para a edição de Março 2011 do jornal Notícias de Santo Tirso:
Cerca de 37 anos após o 25 de Abril de 1974, Portugal vê-se confrontado com uma questão muito séria e preocupante: a perda de qualidade da sua democracia. Sabemos que este não é um problema de agora, mas vem-se agravando, e começa a ganhar dimensões preocupantes.
A democracia deve ter como principais intérpretes pessoas capazes e competentes, mas essas pessoas afastam-se cada vez mais da vida pública. Hoje, os políticos são permanentemente confrontados com suspeições sobre o seu comportamento, e revelam um desprezo atroz pelos seus eleitores.
A democracia faz-se de participação – é assim desde os tempos da Grécia antiga, onde foi inventada – mas os cidadãos estão alheados da política, os eleitores afastam-se cada vez mais dos partidos (de onde obrigatoriamente têm de sair os governantes) e, a cada acto eleitoral, cresce a abstenção.
A degradação da democracia é, por isso, responsabilidade de eleitos mas também de eleitores. Dizia Aristóteles que “o preço a pagar por não te interessares por política, é seres governado pelos teus inferiores”. Esta é uma verdade cristalina, que está facilmente à vista no nosso país.
Todos temos, nesta altura, de ocupar o nosso lugar na democracia portuguesa. Deixarmos de lado as futilidades e dedicarmos algum (ainda que pouco) tempo à participação. Seja ela política ou cívica, todos temos o dever de participar na democracia portuguesa.
Se queremos continuar a viver numa democracia – onde somos livres e temos igualdade de oportunidades – temos de fazer algo para contribuir. Doutra forma cairemos novamente no erro de deixar que uma ditadura de esquerda ou de direita se instale. São essas as únicas alternativas.
Não precisamos de fazer esforços físicos, financeiros, mentais ou despender muito do nosso tempo para que a nossa participação seja valiosa. Basta que tenhamos princípios, valores e ética nos comportamentos que vamos tendo no dia-a-dia. Premiemos o mérito e a competência.
Para que a nossa participação valha a pena, basta que combatamos o laxismo, o facilitismo e a permissividade. Que condenemos a falta de exigência, de ética e de moral com que alguns titulares de cargos públicos e políticos nos presenteiam todos os dias.
Ao contrário do que muitos pensam, a participação não obriga à filiação em partidos políticos. Ainda que, apesar de tudo, seja importante que muitos (e bons) o façam, para evitar que esses partidos sejam “assaltados” por gente medíocre e com más intenções (o que, infelizmente, tem acontecido).
Volto a fazer aqui o mesmo repto: Nesta altura de grande dificuldade, todos devem sair da comodidade dos seus lares e participar. Sob pena de, caso não o façam, estarem a ser coniventes com o status quo que levará o país à ruína, e ao fim do regime democrático.
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