
O 6 de Maio, a data da fundação do PPD/PSD, transporta-me para uma memória familiar e cívica muito forte. Ver, nesta fotografia de 1980, o meu avô ao lado de Francisco Sá Carneiro não é apenas recordar um antepassado; é recordar um tempo em que a política era feita de convicções inabaláveis e sentido de missão.
No entanto, a celebração de hoje é, para mim, ensombrada pela realidade atual. O PSD que ajudou a construir Portugal transformou-se num partido que:
- Perdeu a capacidade de rutura: Contentando-se com a gestão do “status quo” que nos empobreceu face à Europa.
- Afastou-se da matriz original: Priorizando táticas de poder em detrimento das reformas estruturais que Sá Carneiro defenderia.
- Esqueceu o legado: Usando o nome dos fundadores sem honrar a coragem que eles tiveram em 1974.
O meu pedido de desfiliação, em Outubro de 2022 (poucos meses depois de Luís Montenegro ter assumido a liderança) foi um ato de consciência. Não posso estar ligado a quem já não tem vontade – ou sequer intenção – de ser a alternativa de que o país precisa. Honrar o meu avô e Sá Carneiro hoje significa, acima de tudo, alertar que o PSD atual já não é a casa que eles construíram.