Facilitismo nas Novas Oportunidades?

José Sócrates deslocou-se no passado sábado a Santo Tirso, a minha terra natal. Fê-lo pela… não sei, já perdi a conta… talvez 10ª vez (nenhum governante foi tantas vezes a Santo Tirso em visita oficial). Graças ao presidente da CMST, Castro Fernandes (bajulador desmedido de JS), a cidade tornou-se terreno preferido para campanha socialista.

O PM foi a Santo Tirso para mais um circo montado à volta da entrega dos diplomas das Novas Oportunidades, esse espectacular programa que, segundo ele, vai qualificar o país. Na cerimónia o PM, a Ministra da Educação, e também o presidente da CMST deram os parabéns e disseram estar muito orgulhosos de todos os formandos que se esforçaram imenso para ter os diplomas de 9º e 12º anos.

Castro Fernandes pediu mesmo permissão para citar José Sócrates, e repetir que neste programa não há facilitismos. Ora depois de ouvir esta mentira pela 1000ª vez, quero perguntar o seguinte. No programa das Novas Oportunidades está incluído o cálculo de probabilidades, a estatística, as funções exponenciais e logarítmicas, o cálculo diferencial, a trigonometria ou os números complexos?

É que tudo isto se estuda (programa oficial de matemática) no 12º ano. Ora se os formandos das Novas Oportunidades, não sabem o que é um seno, um co-seno, uma tangente, um logarítmo, um número complexo, uma derivada… se não sabem a porra do Teorema de Bolzano-Cauchy… então vão-me desculpar mas não deveriam ter qualquer diploma que lhes concedesse o 12º ano.

Um Tirsense Campeão do Mundo

Tenho muito orgulho em ser natural de Santo Tirso. É uma terra onde somos poucos, mas bons. Muita gente não sabe, mas Santo Tirso já deu ao país gente de muito valor. A cidade dos Jesuítas já ofereceu a Portugal, entre outros, 3 Ministros* e 2 internacionais de futebol**.

No fim-de-semana que passou, outro feito inédito foi conseguido por um Tirsense. Armindo Araújo, piloto de automóveis, conquistou o bi-Campeonato do Mundo de Rallys na categoria de produção (P-WRC). Depois de o ter feito em 2009, repetiu em 2010 com grande mestria.

Tenho o prazer de conhecer o Zé (é assim que os amigos o tratam) e de testemunhar o facto de ele, além de ser um talentoso piloto, ser também uma pessoa impecável. É com todo o mérito que chega ao patamar onde está, e só espero que possa para o ano continuar a vencer.

Legenda:
* este, este e este
** este e este

Sócrates faz escola… no PS (II)

Ao visitar os sites das Câmaras Municipais podemos encontrar a habitual mensagem do Presidente da autarquia. Santo Tirso não foge à regra, e na área reservada ao tema, o site da CM de Santo Tirso tem um exercício a que os políticos nos têm habituado. Ou seja, o que lá escreveu o Engº Castro Fernandes não é mais do que a descrição de um concelho que só existe na sua imaginação. O concelho côr-de-rosa, a par do país côr-de-rosa tantas vezes desenhado pelo seu chefe, José Sócrates.

Na mensagem do presidente podemos ler que “Santo Tirso prossegue a sua inequívoca trajectória rumo ao futuro“. Ora se pensarmos que há cerca de 30 anos atrás – altura que coincide com a subida do PS ao poder local – Santo Tirso era um concelho com o dobro da população e o dobro da área, não vemos esse futuro risonho. Se pensarmos que Santo Tirso era um dos concelhos que mais produzia para o país, mercê da sua muita e competente indústria (nomeadamente têxtil e metelomecânica), duvidamos da trajectória que foi percorrida.

Castro Fernandes diz que existe uma “permanente aposta na criação de cada vez melhores condições de vida” para os Tirsenses. Ora se pensarmos que com uma aposta forte o concelho perdeu o Hospital novo, a maternidade e a urgência 24h no Hospital velho, a dependência da EDP, o Cine-Teatro, e outros serviços, o que seria se não tivesse havido aposta. Se em pleno século XXI continuamos em perigo de saúde pública – devido ao facto de mais de metade do concelho não ter sistema de saneamento e água canalizada – dá que pensar no que seria, se não fosse a tal aposta.

Diz o presidente da CMST que está “a construir um município mais bonito, mais verde e mais desenvolvido“. Apetece perguntar se o município mais bonito contempla mamarrachos como o prédio em ruínas numa das principais entradas da cidade. E será que na parte do município mais verde, se refere por exemplo à construção de prédios em massa, na zona do Picoto, sem sequer se acautelar (conforme exige a lei) os respectivos jardins? Quanto ao mais desenvolvido, basta dizer que no último ranking do Indicador de Desenvolvimento Municipal (estudo efectuado pela Municípia, SA) estavamos em 306º lugar entre 308 concelhos.

No entanto sou obrigado a concordar com o que Castro Fernandes diz mais à frente: “estamos a revolucionar o conceito de viver em Santo Tirso“. Isso está, com toda a certeza! Há uns anos os Tirsenses viviam desafogados, sossegados, em segurança, tinham emprego e estavam em família. Agora vivem no desemprego, preocupados, agitados e longe dos familiares. Se querem ter futuro têm de o procurar nos concelhos vizinhos ou ainda mais longe. É uma revolução no conceito de viver, sem dúvida alguma.

Imitanto os políticos a que estamos habituados o presidente da CMST diz ainda que “Santo Tirso está a crescer e a mudar para melhor“. É no mínimo revoltante, ouvir o Engº Fernandes proferir estas palavras. A “crescer” só se for o desemprego, já que população, indústria, juventude, cultura e serviços estão todos a diminuir a olhos vistos. A “mudar para melhor” só se for a vida de alguns iluminados (com cartão de militante) que à custa de bons empregos (pagos com o dinheiro dos nossos impostos) vão subindo na vida.

Bloco de Esquerda nasce em Santo Tirso

Nascido em 1999 – da fusão de 3 partidos: UDP, PSR e Política XXI – o Bloco de Esquerda tem tido um crescimento tão assinalável como perigoso. Perigoso porque, para mim, qualquer extremo (direita ou esquerda) é mau, por ter falta de razoabilidade, de equilíbrio ou de sensatez. De qualquer forma é bom que exista, no espectro político português, uma grande pluralidade de partidos que representem mesmo a mais pequena minoria no seio da população.

Praticamente 11 anos depois de ter sido criado a nível nacional, o BE abre finalmente um núcleo no concelho de Santo Tirso, onde nasci, cresci e vivi durante 29 anos (e onde pretendo voltar). Isso será assinalado com um jantar que vai contar com a presença do Coordenador Distrital, João Teixeira Lopes – que será assim o padrinho da estrutura concelhia.

Desconheço as pessoas que vão fazer parte deste núcleo do BE. Não sei por enquanto se são pessoas mais ou menos recomendáveis, mais ou menos confiáveis, mais ou menos competentes. Só espero que, ao contrário das direcções do PS e PSD locais, pense mais nos interesses dos Tirsenses do que nos próprios proveitos. Ao contrário do CDS local, seja mais activo, interventivo e atractivo. Ao contrário do PCP local, seja menos demagógico e menos sindicalista.

Lei da Rolha 2.0 no PSD Santo Tirso


No último congresso nacional, o PSD aprovou uma norma que exigia silêncio aos militantes mais críticos nos 60 dias que antecedem as eleições. A chamada “Lei da Rolha” foi muito polémica e mereceu desde logo a reprovação dos mais destacados dirigentes e militantes, incluindo o recém-eleito presidente, que disse que a revogaria logo que pudesse.

Foram vários os militantes (mais ou menos conhecidos) que – a meu ver muito bem – disseram que esta norma ia contra a génese do partido, que sempre tinha sido pluralista e de livre opinião. Falou-se de ditadura, de PIDE, de norma comunista.

Ora, no PSD Santo Tirso não é preciso congresso nem aprovação de normas. A “Lei da Rolha” está implantada há muito tempo. A actual comissão política (CP) além de politicamente inapta, não tem capacidade de encaixe e não admite nenhuma crítica, mesmo que seja construtiva e colocada internamente nos locais próprios.

Baseando-se em supostos factos trazidos pelo ex-presidente Alírio Canceles – que se aproveita assim da CP à qual não preside (formalmente, diga-se) para atingir objectivos pessoais – a CP concelhia analisou o que denominou de “Caso Luís Melo” e deliberou, em reunião de 19 Fevereiro 2010, lamentar e repudiar o comportamento do militante nº 69491 Luís Melo.

Tudo isto vem, a meu ver, na sequência de dois textos que escrevi – nos quais Alírio Canceles diz que ataquei o PSD e os seus dirigentes locais provocando sérios prejuízos a todos – e de uma carta aberta aos militantes, em reacção a um acto lamentável daquele senhor. Os textos em causa são este e este.

Ora, como qualquer pessoa pode verificar, eu apenas critiquei politicamente alguns dirigentes do PSD. Não ataquei ninguém pessoalmente, nem fiz considerações que prejudicassem a imagem do partido (o mesmo já não pode dizer Alírio que segurou perante câmaras uma camisola do PS em plena campanha eleitoral). Já não se pode falar livremente? Isto é delito de opinião!

A mentalidade déspota do ex-presidente do PSD Sto. Tirso ficou indignada com estes factos e perdeu a cabeça quando viu que não tinha meios para “calar” um militante que pensa pela sua própria cabeça e não vai na carneirada. Vai daí resolveu espalhar um e-mail com várias inverdades que me obrigou a responder na tal carta aberta aos militantes do PSD.

Em resposta, a reacção desesperada de Alírio Canceles foi a de, em resposta, fazer circular pelos militantes um e-mail onde adjectivava a minha pessoa de “mentiroso”, “desonesto”, “mentalmente doente”, “fraco”, “cobarde”, “vaidoso”, “narciso”. Disse Alírio: “quem era ou é Luís Melo, para merecer essa atenção das estruturas do PSD de Sto. Tirso?”. Pelos vistos sou importante suficiente para merecer uma patética reunião de CP que deliberou sobre o “Caso Luís Melo” (depois do Freeport e do Face Oculta, aqui está outro. Simplesmente ridículo).

Nesse e-mail Alírio disse também que não seria “o Luís a provocar uma crise política entre o PSD e o Núcleo de Santo Tirso/S. Miguel, na pessoa do seu presidente”. É verdade, não fui eu que criei a crise, foi o próprio Alírio que naquela deliberação demitiu, à revelia dos estatutos, José Pedro Miranda de presidente do Núcleo, dirigindo-se a ele como “ex-presidente”.

O PSD Sto. Tirso funciona portanto desta maneira. É uma coutada de meia dúzia de militantes que delibera a seu bel-prazer sem fazer caso dos estatutos, dos direitos dos militantes e ultrapassando as instâncias competentes superiores. Poderia ter instaurado um processo disciplinar à minha pessoa, e depois todos seriam ouvidos pelo Conselho de Jurisdição, que decidiria em conformidade. Mas não! Resolveu aplicar a “Lei da Rolha 2.0” (a outra é só nos 60 dias que antecedem eleições, esta é sempre que apetece)

Aproveito para relembrar a estes senhores algumas passagens dos Estatutos do partido:

Artº 2º “A organização e prática do Partido são democráticas, assentando em: a) Liberdade de discussão e reconhecimento do pluralismo de opiniões

Artº 6º nº 1 “Constituem direitos dos militantes: […] c) Discutir livremente os problemas nacionais e as orientações que, perante eles, devem assumir os seus órgãos e militantes; d) […] não sofrer sanção disciplinar sem ser ouvido em processo organizado perante a instância competente

Artº 45º nº 1 “Compete ao Conselho de Jurisdição Distrital: […] c) Instruir e julgar em primeira instância os processos disciplinares

Artº 71º nº 4 “Sem prejuízo dos nºs 1, 2 e 3 deste artigo, os membros dos órgãos electivos do Partido mantêm-se em funções até à eleição dos novos titulares

Carta aberta aos militantes PSD de Santo Tirso

Um amigo meu recebeu na 2ª feira dia 1 Fevereiro, na sua caixa de e-mail, uma mensagem enviada por Alírio Canceles (ex-presidente do PSD Sto Tirso) que, pelo visto, me era dirigida. Eu, nada recebi. Segundo ele acusava-me de várias coisas, entre elas atacar o PSD e os seus dirigentes a partir de um blogue anónimo. Dizia que eu tinha objectivos partidários pessoais inconfessáveis e que desejava a derrota do PSD. Esse amigo deu-me conhecimento reencaminhando-me o mail. Pude verificar que o mail teria sido também enviado para mais pessoas (militantes e não militantes do PSD). Com que objectivo?

Quem me conhece sabe que sou uma pessoa atenta à blogosfera, reconheço-a como veículo importante da comunicação de hoje. Já tive e colaborei em vários blogues e actualmente escrevo apenas em https://eramaisumfino.wordpress.com. A internet não é uma ferramenta imóvel, mas movimenta-se, e as pessoas nela. Diariamente envio para familiares e amigos links de blogues (jornais, sites, etc) com artigos que sugiro para leitura. Faço-o desde 2003, altura em que descobri o mundo dos blogues, quando ainda muito poucos sabiam o que isso era. Quando muito poucos ainda utilizavam com frequência a internet e o correio electrónico. Envio sugestões de visitas a todo tipo de blogues.

Uma pessoa que perceba minimamente como funciona este mundo global da internet, sabe perfeitamente que qualquer pessoa pode registar um mail, um site, um blog, etc com o nome que quiser. E para isso não precisa de provar que é “dono” do nome em causa. Essa poderá ser uma das lacunas da World Wide Web, mas o facto é que assim é, e ninguém pode controlar isso. Qualquer um pode registar um mail em nome de “Alírio Canceles”, abrir uma conta no youtube com o mesmo nome, e fazer o upload das escutas entre o Sócrates e Vara. Qualquer um pode registar um blogue com o nome alíriocanceles.blogspot.com e escrever o que quiser sobre José Sócrates assinando “Alírio Canceles”.

Terminada a aula de tecnologias de informação sobre a www, é altura de falar da tal “verdade” que Alírio refere:

1 – Não fui eu que produzi ataques de carácter pessoal. Conhecidos Tirsenses, que presenciaram, perguntaram-me o porquê de alguns dirigentes do PSD e JSD Sto Tirso me insultarem gratuitamente em locais públicos, sem a mínima preocupação (qual Sócrates no caso Mário Crespo). Pelo contrário, quando falo dos dirigentes do PSD Sto Tirso, posso atacá-los, mas apenas e só pela sua (in)capacidade política.

2 – Não sou eu que ando a fazer do PSD um instrumento para atingir objectivos pessoais e profissionais. Estou na política com sentido cívico e de missão, e não para me aproveitar de qualquer cargo que possa vir a ocupar. Coloco sempre os interesses colectivos (do PSD e de Santo Tirso) à frente dos pessoais. A prova disso é que nunca exigi (ao contrário de outros), nem nunca aceitei ter lugares em listas candidatas a eleições.

3 – Não sou eu o divisionista, o ressabiado ou o fomentador de facções. Candidatei-me em 2004 à presidência da JSD, concorrendo com Carlos Pacheco. Perdi, mas no entanto colaborei com a CPS vencedora, enquanto presidente do Núcleo de Sto Tirso/S.Miguel do Couto. Organizamos conferências e participamos em várias outras actividades. Em 2006 integrei uma lista candidata à CPS do PSD concorrendo com Alírio Canceles. Perdi, mas ainda assim colaborei com a CPS vencedora. Organizamos sessões de esclarecimento, participamos em todas as actividades e estivemos envolvidos na campanha autárquica 2009 a 100%.

4 – Não fui eu que nada fiz pelo PSD. Nas eleições autárquicas de 2001 e 2005 dei o melhor de mim. Corri o concelho ao lado dos candidatos. Desde a sempre divertida colocação de cartazes pela noite dentro, conduzi carrinhas de som, distribui propaganda, ajudei na logística e finalmente conversei com as pessoas, mostrando-lhes o nosso programa. Tentando ser persuasivo e convincente para ganhar votos. Posso dizer que em certas alturas estive mais envolvido, e dei mais de mim do que provavelmente alguns dos que me atacam. Sublinhe-se que em nenhuma destas duas eleições eu fiz parte de qualquer lista. Trabalhei desinteressadamente em favor do PSD e de Santo Tirso.

5 – Não sou eu que depois de meia dúzia de dias de militância e 2 campanhas volvidas me acho o militante que mais fez pelo PSD (aliás isso soa-me mal, tal como quando Sócrates disse que ainda estava para nascer um PM que fizesse mais pelo défice. Viu-se!) Nem eu, que desde que me conheço ando em campanhas pelo país, me acho o mártir do PSD. Já andei em Presidenciais, Legislativas, Europeias, Autárquicas. Já passei por dezenas de distritos e concelhos. Já fiz de tudo, desde distribuir autocolantes até participar em sessões de esclarecimento. Tudo, desinteressadamente. Note-se, nunca integrei nenhuma lista. Alírio Canceles e companhia estão nestas andanças desde que a política é vista como um trampolim, e apenas deram o corpo ao manifesto quando eram candidatos. Não recebo, portanto, lições de militância destes senhores, posso é dá-las.

6 – Não fui eu que nas Autárquicas 2009 andei a ligar ao responsável da campanha a uma junta para exigir que colocassem fotos minhas no site da candidatura. Não fui eu que no dia da apresentação dessa candidatura armei uma “cena” porque, para me mostrar, queria discursar (graças a Deus que Zé Pedro Miranda não cede a pressões e essa pessoa não falou). Eu não tenho sede de protagonismo. Não existe nenhuma foto minha em sites de candidatura.

7 – Não sou eu o autista que odeia discussão ou diálogo. Não sou eu que não admito que haja pessoas a pensar diferente de mim, e que livremente se expressem com pluralidade construtiva. Nas reuniões que ao longo do tempo tive com os que me atacam, sempre fui respeitador. Sempre soube ouvir e compreender, apesar de não concordar. Educadamente contrapus e tentei expor o meu ponto de vista. Nunca rejeitei qualquer contacto com aqueles de quem politicamente discordava.

8 – Não fui eu que não tive a desvergonha de assumir diante de companheiros de partido que tinha como objectivo chegar ao cargo de vereador. Não fui eu que com todo o desplante assumi frontalmente que queria ser candidato nas próximas eleições. Eu não quero, e já o provei. Recusei convites para fazer partes de listas candidatas porque não tenho qualquer ambição política. Tenho uma vida profissional no privado que me preenche, realiza e onde sou bem sucedido. Não preciso da política para “ser importante” ou para “ganhar dinheiro”.

9 – Não fui eu que nem corei quando assumi na frente de outros militantes que queria “enganar” os estatutos ao recuar para o lugar de vogal de uma CPS, para poder ser presidente em 2012 e assim decidir quem é candidato e quem integra as listas. Não fui eu que reconheci querer manipular a pessoa que escolhi para me substituir temporariamente no lugar de presidente. Eu sempre respeitei as regras do jogo e os militantes do meu partido. Mesmo em eleições de lista única, para o núcleo da JSD, sempre segui todos os trâmites e nunca falhei sequer com a recolha das assinaturas necessárias.

10 – Não sou eu que avalio as pessoas em função da sua ligação politica, de amizade, ou de outros interesses. No trabalho pelo partido, sempre fiz os possíveis para aproveitar as melhores competências de todos os meus companheiros. Se o sr.A é eficaz a colar cartazes, venha ele. Se o sr.B é politicamente capaz, venha ele. Ao contrário de outros nunca rejeitaria pessoas comprovadamente capazes de ajudar o partido e o concelho, por puro sectarismo. Algo que Alírio Canceles fez, quando tentou boicotar algumas iniciativas que o núcleo de Sto Tirso teve e que, segundo ele, poderiam ofuscar o trabalho da CPS. Algo que voltou a fazer quando boicotou os 2 nomes indicados pelo núcleo para a lista candidata à Assembleia Municipal 2009. Se Alírio reconhecesse, como diz, o mérito das pessoas, aproveitava quem revitalizou 2 dos mais importantes núcleos do PSD, de quem organizou actividades sobre temas importantes com o intuito de mobilizar o partido e esclarecer a população, de quem dá credibilidade ao partido junto da sociedade civil.

11 – Não sou eu que preciso do cacique para chegar ou me manter no poder. Sempre que me apresentei a eleições no PSD concorri honestamente com um plano de estratégia política e com um plano de actividades. Dei conhecimento da minha candidatura a todos os militantes e esperei que votassem em mim pelo projecto. Nunca fiz, nem farei o que outros fazem. Apresentar-se a eleições sem programa, só porque sim, e depois andar a cacicar e a trazer os famosos autocarros com militantes para votar.

12 – Não fui eu que andei a inscrever como militantes pessoas que não se reviam no PSD, e nem sequer se interessavam por política. Não fui eu que lhes prometi “favores” quando um dia estivesse no poder. Não fui eu quem não teve vergonha sequer de assumir: “Tenho amigos que até são de esquerda, mas fi-los militantes só para eles votarem em mim. Depois quando puder retribuo o favor, ou não… haha“. Jamais faria uma coisa destas ao meu partido. Jamais me aproveitaria de amigos ou de pessoas intelectualmente menos capazes. Jamais até, gastaria dinheiro do meu bolso para pagar quotas seja a quem for.

13 – Não fui eu que me envergonhei um pouco, mas mesmo assim disse na frente de outras pessoas, que queria tirar um curso superior para que pudesse “subir” no aparelho partidário, na política. Eu tirei o meu curso superior na altura devida e com o objectivo de me valorizar pessoal e profissionalmente, pois o mercado de trabalho é exigente. Não o fiz para que pudesse ser chamado de “doutor” ou “engenheiro” em qualquer debate político, ou para poder ser considerado “superior” numa estrutura partidária. Não tenho esse tipo de complexos de inferioridade.

14 – Não sou eu que ando pelos congressos nacionais, assembleias, reuniões ou campanhas a bajular dirigentes distritais do PSD. Portando-me como um “yes man” para os agradar, fazendo-lhes vénias. Eles é que me fazem vénias quando passam por mim, não por eu ser importante, mas pelo respeito mútuo que existe. De qualquer maneira, ao nível partidário, e tal como já tive oportunidade de dizer num plenário concelhio, são eles que precisam de nós para estarem naquele lugar, e não o contrário. Nós é que somos as bases, os donos do partido. Nós é que os elegemos.

15 – Não sou eu que sonho um dia poder privar com dirigentes nacionais do PSD que endeuso, e vou para os congressos de máquina em riste, ou tentando aparecer por trás deles quando estão a ser filmados pelas televisões. Já tive a oportunidade de privar com vários e não fiz disso nenhum troféu. Nem sequer registei essas alturas, é uma coisa normal, são pessoas como outra qualquer. E não preciso de andar a tentar fazer-me passar por amigo de algum deles. Efectivamente conheço pessoalmente alguns, e por outros até tenho mesmo amizade. Mas não me vanglorio por isso.

Sei distinguir as coisas, sei o que é democracia, sei o que é pluralismo, sei viver em sociedade. Tenho princípios, valores, carácter e personalidade. Sei discutir livremente, sei ouvir, sei respeitar os concorrentes, e também sei dar-me ao respeito. Tenho coragem para dizer o que penso, seja a quem for, e penso pela minha própria cabeça. Sou moderado e tenho bom senso. Conheço a história, os ideais e a dimensão cívica do PSD. Sei reconhecer o mérito e dar valor a quem está na política desinteressadamente e com sentido de serviço à população.

Não compactuo com gente sem carácter, gente desonesta intelectualmente, gente que não tem coragem de falar na frente, gente que foge ao confronto de ideias. Não posso deixar passar em claro situações em que pessoas se tentam aproveitar das outras, em que usam o partido como instrumento para atingir objectivos pessoais. Pessoas que só pensam na promoção pessoal, com calculismo, e com a irresponsabilidade de arrastarem o Partido nessa ânsia de poder egoísta. Não me associo a ditadorzinhos.

Para finalizar, dizer apenas que não desejava isto. Pelos vistos, tudo nasceu de um mal entendido que poderia ter sido resolvido entre dois homens. Mas infelizmente um deles é “menino”. Dois dias antes de Alírio Canceles fazer circular o mail – a que respondo com este texto – esteve no mesmo local do que eu. Passou por mim e fez de conta que não me viu. Se fosse um homenzinho adulto dirigia-se a mim e esclarecia as coisas. Em vez disso resolveu “fugir” e, pelas costas, fazer um ataque tão baixo. Hoje, 6ª feira 5 Fevereiro, telefonei-lhe pelas 19h50 para lhe dar conhecimento desta minha resposta antes de a publicar. Não me atendeu o telefone. Nada que eu já não estivesse à espera.

Já agora, para os interessados, o meu mail é luismelo78@gmail.com e o meu website é www.luismelo.org (nada parecido com aqueles que aparecem nas “investigações” do Sherlock Alírio Holmes).

Autárquicas 2009 – Santo Tirso

Apesar de tudo o que se passou no domingo dia 11 Outubro, faço um saldo positivo destas eleições autárquicas. Estive envolvido directamente em 2 candidaturas: a de Zé Pedro Miranda à Junta de Freguesia de Santo Tirso e a de Carlos Almeida Santos à Junta de Freguesia de S. Miguel do Couto (ambas do concelho de Santo Tirso).

Sabia que em S. Miguel do Couto as hipóteses de vencer eram remotas, e que um bom resultado passaria por tentar manter a votação de há 4 anos, mas não foi possível. Muitos votos se transferiram do PSD e da CDU para o actual presidente da junta (PS). Tudo se deveu, ao trabalho deste autarca, que em comparação com o anterior é positivo (apesar de não ser suficiente). Pode fazer-se mais por S.Miguel mas as pessoas, para já, estão satisfeitas.

Em Santo Tirso partíamos do zero e num cenário político-partidário complicado, com um novo candidato e uma nova equipa. Sabíamos que ia ser difícil mas sempre confiamos na vitória. Principalmente devido à grande capacidade do nosso cabeça de lista. A campanha foi dura, mas valeu a pena. Foi uma vitória “à antiga”, com trabalho, luta, entusiasmo, sofrimento, dedicação. Venceu Zé Pedro Miranda, venceu o PSD, mas acima de tudo venceu Santo Tirso.

Era também necessário mudar a C.M. Santo Tirso. 27 anos de poder já são demais para um PS tão fraco. Os indicadores colocam Sto. Tirso num dos concelhos menos desenvolvidos do país, e o 1º no que toca à taxa de desemprego. É visível o definhar e recuar do concelho (principalmente em comparação com os vizinhos). Mas o PSD não conseguiu capitalizar o resultado de 2005. O trabalho ao longo destes 4 anos não foi bem feito, e apesar de apresentar o mesmo candidato o PSD voltou a perder. O PS ganhou mais votos e roubou mais uma junta de freguesia ao PSD. Um resultado completamente ao contrário do que seria, em teoria, expectável.

A política autárquica em Santo Tirso

Mais dia, menos dia iria colocar aqui um post sobre as Eleições Autárquicas 2009 no meu concelho e nas minhas freguesias. Gostava de o ter feito para falar apenas da qualidade dos candidatos que apoio: Zé Pedro Miranda, candidato à Junta de Santo Tirso; e Carlos Almeida Santos, candidato à Junta de S. Miguel do Couto.

Alírio

Mas, perante a fotografia que apresento, sou obrigado a falar das Eleições Autárquicas no concelho, pela negativa. A foto mostra o Presidente da concelhia do PSD (e candidato nº 2 à Câmara), rodeado de apoiantes do PS (entre eles, de camisa branca, o actual vereador e militante do PS), segurando uma camisola da campanha do seu adversário Castro Fernandes, Presidente da Câmara Municipal e do PS Santo Tirso.

Alguns podem dizer que é apenas uma brincadeirinha, algo saudável entre partidos e adversários. Mas conhecendo eu a realidade do concelho, as pessoas em causa, e a situação dos Tirsenses, apenas posso dizer que não sei quem é pior: Quem tirou a fotografia, os intervenientes do PS ou o interveniente do PSD. É por causa de pessoas como estas que Santo Tirso não avança.

Nesta foto, demonstra-se bem a responsabilidade e a seriedade (ou falta delas) com que candidatos do PS e PSD abordam a política Tirsense. Política essa que decide o nosso futuro! O que estes senhores fazem é brincar à política, como se do seu divertimento se tratasse. É uma vergonha! Sinto-me revoltado com esta situação.

Não pretendo nunca alimentar polémicas e fazer – tal como outros – desta uma campanha de casos de importância menor, mas é bom que os Tirsenses vejam estas coisas, para saberem com o que podem contar.