Carta aberta aos militantes PSD de Santo Tirso (II)

Tiveram lugar no sábado, 21 Janeiro, as eleições para a Comissão Política Concelhia do PSD Santo Tirso. Eu, militante activo e interessado há cerca de 13 anos, tomei conhecimento apenas três dias antes, através duma mensagem publicada pelo PSD Santo Tirso no Twitter.

Estranhei o facto de não ter conhecimento prévio, de não ter recebido a habitual carta, nem sequer ter recebido um rápido, eficaz e grátis email. O facto é que não chegou a mim, nem a nenhum dos outros 5 militantes Tirsenses que vivem lá em casa: a minha Mãe, Pai e Irmãs.

Acontecera o que eu suspeitava. Os militantes receberam 2 emails. Um assinado pela ainda presidente Andreia Neto (datado de 7 Janeiro) anunciava a marcação das eleições. Outro assinado pelo futuro presidente Alírio Canceles (datado de 17 Janeiro) anunciava a “candidatura”.

Ou seja, o meu nome (e o dos meus 5 familiares directos, militantes de plenos direitos) foi riscado da lista de militantes, pela actual e pela próxima Comissão Política Concelhia. Atitude que espelha bem o espírito democrático das pessoas que lideram o PSD local.

No PSD – um partido que cultiva os valores da liberdade, da igualdade, da solidariedade e do pluralismo – há militantes ostracizados e marginalizados apenas e só por não alinharem pelo diapasão, por terem sentido crítico, pensarem pelas suas cabeças e exprimirem as suas opiniões.

No email que anunciava as eleições a presidente Andreia Neto dizia: “a participação dos militantes é fundamental para mostrar a vitalidade do PSD. Tenho a certeza que uma vez mais os militantes marcarão presença“. Como poderíamos marcar presença se tudo foi feito nas nossas costas?

O que podemos constatar é que a passagem de Andreia Neto pela Assembleia da República tem tido o condão de a tornar num agente político igual a tantos outros que conhecemos. Proferem palavras mas não agem em conformidade. Ou seja, “Olha para o que eu digo e não para o que eu faço“.

Para além disso, e quando se esperava que continuasse a liderar os destinos do PSD Sto Tirso – com legitimidade e vontade reforçadas, por ser deputada da Nação – Andreia Neto abandona. Passando a imagem de que é mais uma que, chegada a Lisboa, se desliga da sua terra e dos seus eleitores.

Mas pior fez Alírio Canceles ao anunciar a sua “candidatura”. Em primeira instância porque confirma o que eu vaticinei há 2 anos atrás (ler ponto 9 deste post). Qual chico-esperto, enganou, furou, ultrapassou pela direita, os Estatutos que limitam os presidentes de secção a 3 mandatos.

Depois de ter sido presidente entre 2006 e 2010, Alírio sabia que o mandato 2010-2012 seria o último. E assim, não poderia ser ele a liderar a escolha dos candidatos às Autárquicas 2013. Sendo assim, colocou Andreia Neto como presidente, recuou para vogal, e agora aparece novamente.

Mas o mais negro deste cenário é o facto de, tal como eu escrevi, o próprio Alírio ter assumido sem vergonha, e perante alguns militantes, esta estratégia. Que passaria por manipular Andreia Neto de forma a ser ele, em 2013 a liderar o processo de escolha de candidatos autárquicos.

E é apenas este o objectivo: escolher os candidatos às Autárquicas 2013. No email que Alírio enviou aos militantes não há referência a um programa, a uma estratégia, a um compromisso ou sequer a um rumo. Apenas fala do que ele próprio tem feito, e da vontade de vencer as Autárquicas.

Aliás, há também uma outra coisa curiosa nesse email. Em momento algum assume uma candidatura. Diz apenas: “Entendi voltar a assumir responsabilidades na liderança do PSD de Santo Tirso“. Ou seja, não se apresenta a eleições, assume. Como se o PSD Sto Tirso fosse um feudo.

No mesmo email, o que segue a mensagem feudal de Alírio Canceles, é a lista de nomes que formarão a Comissão Política (nunca se fala em candidatos). À frente de cada um não está a freguesia que representam, ou o habitual nº de militante, mas o cargo que ocupa no Poder Local.

Tudo isto demonstra bem o carácter de quem está à frente dos destinos do PSD Sto Tirso. Esta é a mais vil e suja forma de estar na política. Desprezar as regras democráticas, desrespeitar os estatutos, afastar militantes incómodos, cultivar o cacique, e montar esquemas de manipulação.

Claro que tudo isto só é possível com a ajuda de um grupo de militantes intelectualmente diminuídos, que compactuam e são coniventes com esta situação. Procurando apenas um lugar ao sol (vulgo “tacho”) na altura em que o poder cair do céu (acham eles) no colo daqueles que apoiam.

Não deixa também de ser curioso, que depois de tudo isto, Alírio Canceles tenha ainda o descaramento de escrever no mesmo email: “consciente da necessidade de garantir a estabilidade, unidade e a coesão no seio do PSD, condição determinante para a gestão do processo autárquico“.

Na verdade eu diria que, para que fosse ele a gerir a seu bel-prazer o processo autárquico, a condição determinante era precisamente a contrária. Ou seja, afastar do caminho quem quer que fosse que pudesse pôr em causa a sua vontade e o seu desejo de assalto ao Poder em Santo Tirso.

O que está bem explícito noutro trecho do mesmo email: “a prossecução do objetivo que perseguimos há quase 30 anos: Ganhar a Câmara Municipal“. Ou seja, o objectivo não é tornar Santo Tirso melhor. É apenas ganhar a Câmara Municipal e assaltar o Poder Local. É o Poder pelo Poder.

Deixa-me sobretudo triste, ver que militantes que considerei – e em quem a dada altura confiei. Casos de João Abreu, Carlos Pacheco, Manuel Mirra, Manuel Leal – se deixaram levar nesta maré negra. Não conseguem discernir que, para além do mais, estão a enterrar-se politicamente.

Não admito que alguém queira usar o PSD, o meu PSD, para atingir objectivos pessoais. E que para isso coloque os seus próprios interesses à frente dos interesses dos Tirsenses e do partido. Que use o PSD como instrumento de promoção pessoal, arrastando-o nessa ânsia de poder egoísta.

Aristóteles dizia: “O preço a pagar por não te interessares por política, é seres governando pelos teus inferiores“. Uma parte dos militantes afastaram-se do partido. A outra, mostra que prefere esta porcaria que vos descrevo. Pois besunte-se com ela que há-de ter um lindo enterro.

Opinião: A reforma do Poder Local

Artigo de opinião que escrevi para a edição de Dezembro 2011 do jornal “Notícias de Santo Tirso”.

É verdade que o Poder Local foi o motor do desenvolvimento na maioria do território, excepção feita às grandes áreas metropolitanas, onde o impulsionador foi o Poder Central. Mas nos últimos anos tudo mudou. Houve uma alteração das circunstâncias sociais, económicas, financeiras, políticas e até mesmo ambientais. Exigia-se que o Poder Local se adaptasse aos novos tempos, que fosse mais eficaz e eficiente.

Infelizmente os interesses partidários falaram sempre mais alto, e nenhum Governo foi capaz de mexer na “vaca sagrada” do Poder Local, fonte de tantos votos. Ele foi-se degradando e passou a estar nas mãos de políticos profissionais. Em alguns casos, gente sem o mínimo exigível para ocupar cargos públicos. O que se vê pelos inúmeros processos de corrupção que envolvem autarcas.

Foi preciso estarmos quase na bancarrota e dependentes da ajuda externa para que nos fosse imposta uma verdadeira Reforma da Administração Local, pelo Memorando de Entendimento com FMI/BCE/UE. Ela terá de acontecer até Junho de 2012, e daí o Governo PSD/CDS ter publicado recentemente um documento que deverá servir de base para a discussão.

Naturalmente logo após a apresentação das linhas orientadoras e sugestões do Governo, surgiu a indignação de vários autarcas. Não porque o projecto de Reforma fosse desadequado ou injusto, mas porque no essencial mexe com lugares. Os seus e os das suas pandilhas. Prevê-se a redução de vereadores, directores municipais, deputados municipais, etc. Daí a preocupação da maioria dos que se insurgem contra a Reforma.

Usando e abusando da habitual demagogia e populismo barato, vêm bradar com o “património do municipalismo” e com o “respeito pelos valores e culturas de cada concelho ou freguesia”. Mas que património e que cultura? Nos dias de hoje, é perfeitamente normal as pessoas viverem em concelhos de onde não são naturais. Pelos estudos, pelo trabalho, pelo casamento. São poucos os que nascem e vivem na sua cidade para sempre.

Isso não destrói nenhuma cultura ou património. Lisboa não deixou de ter Pastéis de Belém, Marchas Populares e Bairros apesar de a maioria dos seus residentes serem provenientes de outras zonas do país. Há até muita gente que vem “de fora” e ajuda (muitas vezes mais do que os da terra) a preservar tradições e património. Conheço, no meu concelho (Santo Tirso), alguns exemplos flagrantes que comprovam isso mesmo.

Além disso Lisboa, a capital, deu o exemplo no que concerne a uma reforma administrativa do território. E tudo parece ter corrido bem, apesar das naturais divergências. Com um longo período de discussão, os autarcas chegaram a acordo. De 53 freguesias, Lisboa irá passar para 27. Está dado o aval da Câmara e da Assembleia Municipal. Falta agora o pró-forma da Assembleia da República. Não consta que se percam identidades e tradições.

O que se quer com esta Reforma é, acima de tudo descentralizar políticas, dando mais competências aos Municípios e Freguesias. Estas entidades deverão ser verdadeiros instrumentos de desenvolvimento económico e social das populações, e de coesão do território. Mas a descentralização e reforço de certas competências, só podem ser feitos de forma eficaz e eficiente se Municípios e Freguesias tiverem dimensão. Daí a necessidade de agregar.

É imprescindível também rever o regime de financiamento do Poder Local. Há uma extrema necessidade de acabar com a elevada dependência das receitas de construção e imobiliário, que fomentam a corrupção. Era preferível por exemplo passar a Derrama e o IMI para a Administração Central, e aumentar a parte do IRS que cabe aos Municípios ou mesmo aumentar as transferências do OE para as Autarquias.

É também indispensável acabar com os empréstimos que são excepção aos limites de endividamento. Muitos leigos não sabem, mas há obras cujos empréstimos não contam para os limites de endividamento. Dívidas para obras como os estádios do Euro 2004 (que tiveram uma lei especial) ou para obras co-financiadas com Fundos Comunitários, não implicam qualquer agravamento à capacidade de endividamento municipal.

É também importante alterar as regras de eleição e constituição dos órgãos autárquicos. Não faz sentido haver um executivo com vereadores de vários partidos, em que uns têm pelouros e os outros apenas criam entropia, fazem figura de corpo presente, e recebem umas senhas. E o argumento da fiscalização não colhe, porque ela pode perfeitamente ser desempenhada pela Assembleia Municipal.

Aliás, o Governo da República é homogéneo, os Governos Regionais são homogéneos, os Executivos das Juntas de Freguesia são homogéneos. Cabe na cabeça de alguém que apenas os Executivos das Câmaras Municipais sejam diferentes? Da mesma maneira, fará todo o sentido que o Presidente da Câmara possa (tal como o Primeiro-Ministro) remodelar o executivo a meio do mandato, se este não estiver a corresponder.

Outras questões deverão também ser levantadas no âmbito desta discussão, mas temo que uma delas não seja a da limitação de mandatos. Isto porque ainda há pouco tempo foi motivo de “vitória” junto da população, pelo facto de ter sido aprovada a lei de limitação de 3 mandatos. Mas que tal acrescentar também, que findos esses 3 mandatos, não se podem candidatar a outros 3 num concelho diferente? Prevenia chicos-espertos.

Em Santo Tirso… Comemorar o quê?

Há dias pude ver na “Santo Tirso TV” a conferência de imprensa, dada pelo Presidente da CMST, a propósito da comemoração de 2 anos de mandato, feitos em 11 Outubro 2011.

Sinceramente esperava ouvir o Engº Castro Fernandes falar da obra feita nestes últimos 2 anos de mandato, confrontando essa obra com as promessas feitas nas eleições Autárquicas 2009.

A verdade é que os cerca de 45 minutos de monólogo a que pude assistir, não trouxeram nada de novo. O executivo da CMST, liderado por Castro Fernandes, nada tem de relevante para apresentar.

Se era de esperar o discorrer sobre obras feitas pela CMST, a verdade é que apenas houve mais promessas para o futuro. Da “obra feita” viu-se uma tentativa de ficar com louros dos privados.

Castro Fernandes é exímio a debitar números, a descrever projectos, a enumerar candidaturas a fundos. Mas sobre resultados concretos, com influência positiva para a vida dos Tirsenses, zero!

Veja-se o exemplo da Antiga Fábrica do Teles (uma das paixões!). Muitos números. Os milhões (de euros) já gastos, os milhares (de m2) de área a ocupar. Resultados? Nada a apresentar.

O projecto é excelente! Ter um cluster de empresas criativas e uma incubadora de empresas de base tecnológica. Assim nasceram muitas excelentes empresas em Portugal. Mas intenções e dinheiro despejado para cima não chegam.

Outra das paixões é o Contact Center da PT. O Presidente da CMST sublinhou que já criou 1000 empregos! Pena é que isso seja da responsabilidade da PT e não do bom trabalho do executivo. (Aproveitou bem a amizade com Sócrates. Foi só isso.)

Tal como os sucessos de empresas como a JMA ou a Arco (e muitas outras privadas que enumerou), que Castro Fernandes adjectivou de “muito fortes” e “do melhor que há na europa“.

O sucesso dessas empresas (que se deve única e exclusivamente ao esforço dos trabalhadores e dos gestores) que hoje infelizmente começa a ser menor, não se deve em nada à CMST ou ao seu executivo.

A sorte é elas terem nascido no concelho há muitas décadas. Porque se a instalação delas se tivesse dado no consulado deste PS, com certeza tinham fugido para Maia, Famalicão ou Guimarães.

Com a “embalagem” o Presidente falou das muitas empresas privadas que foram criadas no concelho. Caso para perguntar: Muitas? Quantas? Mais do que as que fecharam? Qual o saldo? E que valor têm? Que empregos criaram? Mais do que os perdidos?

Mas a tentativa de ficar com os louros de outros não ficou por aqui. Foram enumerados vários investimentos na área da Economia Social (feitos por entidades privadas, IPPS, etc.), da Educação e da Saúde (feitos pelos Ministérios e por privados).

Castro Fernandes chegou mesmo a dizer que as obras de alargamento na auto-estrada A3 (que vai de Porto a Viana passando por Maia, Famalicão, Braga, etc.) estariam a ser feitas “muito por insistência da CMST“.

Como se não chegasse, veio a habitual colagem aos sucessos desportivos de Armindo Araújo e Sara Moreira (Seus protegidos, desde que chegaram ao topo, mas desconhecidos antes). Chamou-lhes “A marca de Santo Tirso“.

Sobre o que diz efectivamente respeito à CMST, o rol de “obra” anunciada não passou de um chorilho de coisas sem impacto absolutamente nenhum na melhoria da qualidade de vida dos Tirsenses. Quiçá opções que no futuro podem revelar-se erradas.

A vitória no processo contra o concelho da Trofa, a entrada na Área Metropolitana do Porto, a integração na Águas do Noroeste, Resinor e Turismo Norte de Portugal. A certificação dos serviços da câmara.

Quais as vantagens directas para os Tirsenses? Talvez traga mais uns lugares em administrações, mais uns empregos para os amigos, mais uns milhões para desperdiçar em concertos do Tony Carreira. Mas vantagens concretas para nós, nenhumas!

Outro dos orgulhos de Castro Fernandes é a Volta a Portugal que disse ser muito importante, e as Novas Oportunidades que apelidou de “trabalho fantástico que até trouxe Sócrates a Santo Tirso“.

Será que a CMST se deu ao trabalho de perguntar ao comércio local se a Volta a Portugal tem mais vantagens que desvantagens? E existem alguns números sobre a empregabilidade dos alunos das Novas Oportunidades?

Depois apoia-se em opiniões pessoais ou em estudos duvidosos (feitos por entidades não oficiais, e que não englobam todas as autarquias do país) para descrever um concelho cor-de-rosa que manifestamente não existe.

Santo Tirso é o concelho mais seguro do distrito, e digo-o porque eu sei“. Fez também referência a rankings de jornais e revistas em que o concelho está no topo, ignorando as estatísticas oficiais que nos põem no fundo.

Em relação às Juntas de Freguesia (órgão importante, por estar mais junto das populações) disse ter feito “n” protocolos, e lançou sem prova: “Santo Tirso é dos concelhos que mais investe nas Freguesias“. Não é o que se vê.

Sobre obra efectivamente feita só conseguiu referir o Passeio Pedonal e Ciclável, o Largo do Tribunal, a R. Nuno Alvares Pereira (obras muito prioritárias como se sabe! E todas no centro da cidade), os relvados sintéticos e polidesportivos (nas freguesias).

Tudo o resto foram (mais) promessas para o futuro: Previsão da redução de taxas e licenças, candidaturas a programas de apoio (europeus e nacionais), protocolos com Ministérios, museus de Siza Vieira e Souto Moura.

Conclusão: para quem tem um mínimo de clarividência, voltou a ficar claro como água. Este PS que está na CMST faz muitas festas, muita propaganda, muitas promessas. Mas nada faz, que efectivamente melhore o concelho e a vida dos Tirsenses.

Opinião: Santo Tirso continua na ilusão de Sócrates

Artigo de opinião que escrevi para a edição de Novembro 2011 do jornal “Notícias de Santo Tirso”.

Toda a gente já está consciente da crise que o país atravessa, e já sente na pele as dificuldades que se esperam nos próximos tempos. Como se costuma dizer, o povo só ouve nas orelhas, e assim foi. Só quando começou a sentir no bolso a crise, é que acordou. Pouco tempo antes, já com o país a caminho do abismo tinha reeleito o louco maquinista do comboio desgovernado.

Ao contrário do resto do país, em Santo Tirso parece continuar a viver-se a ilusão. A tal ilusão que se viveu nos últimos anos do “consulado” de José Sócrates. Não será por acaso que isso acontece no nosso, já de si definhado, concelho. O maquinista do comboio Tirsense idolatrava e imitava o outro louco maquinista que trouxe o país até esta situação de pré-bancarrota.

Ouvimos há pouco tempo ser anunciado, com pompa e circunstância, o contrato assinado entre a CMST e os arquitectos Siza Vieira e Souto Moura para a execução de dois projectos de requalificação dos Museus do concelho (Abade Pedrosa e Escultura Contemporânea). Estes são dois dos mais conceituados arquitectos do mundo, e consequentemente, dois dos mais caros.

Numa altura em que todas as pessoas, empresas, entidades, instituições, organizações – públicas ou privadas – são obrigadas a cortar no acessório para poderem manter o essencial, o anúncio desta obra é uma afronta. Num concelho cada vez mais enfraquecido, com o desemprego a aumentar, as empresas a fechar, as condições de vida a degradarem-se, a CMST continua a aposta em obras dispensáveis.

Isto acontece porque, tal como José Sócrates fazia, Castro Fernandes também prefere (e não preferiu sempre?) governar para a política espectáculo, com obras para inglês ver, do que para o cidadão Tirsense. Exemplos disso são as constantes obras de requalificação do centro da cidade (que sempre foi bonito e não precisava de tantas remodelações) enquanto nas 24 freguesias se vive quase no século XIX.

A aposta na requalificação dos museus é prioritária? É um investimento com retorno? Quantos visitantes têm anualmente? Atrai turistas à cidade? Não me parece. Aliás, bom exemplo disso é o Centro Interpretativo do Monte Padrão, que custou 500.000€, e tem 3.900 visitantes/ano. Um valor irrisório. Aliás, na sua maioria os visitantes vêm de “visitas de estudo” das escolas, ou seja, não pagam.

De resto, e em relação aos Museus do concelho, há muitas questões que se levantam. Alguém nota mais-valias no facto de existir, por exemplo, um Museu Internacional de Escultura Contemporânea ao Ar Livre? A julgar pelo facto de a maioria das obras estar vandalizada e graffitada, nem a CMST se preocupa. E poderão as obras de requalificação ou o novo edifício estragar a envolvência do Mosteiro?

O executivo da CMST faz exactamente como o Governo Sócrates. Numa altura de extremo aperto, continua a agir como se fossemos ricos. Já não bastam as desnecessárias obras da Praça Gen. Humberto Delgado (1,5 M€), do Percurso Pedonal das Margens do Ave (4,5 M€), ou da contribuição (doação do terreno e 200 m€) para o novo quartel dos Bombeiros Vermelhos (também desenhado por Siza Vieira).

O Cine-Teatro é mais uma prova de que o Presidente da CMST tem as mesmas “paixões” de Sócrates. Tal como o ex-PM, o Presidente da CMST orgulha-se da PPP que fez. Diz diz que a CMST não gasta um tostão nas obras do Cine-Teatro porque se trata de uma PPP. Mas esqueceu-se de dizer que os privados fazem a obra e depois recebem uma renda. Quem paga a renda, quanto custa e por quantos anos?

Se eu liderasse os destinos de um concelho moribundo como Santo Tirso, era incapaz de andar a gastar dinheiro dos contribuintes em obras secundárias, e tinha vergonha de esbanjar em viagens a cidades geminadas ou em concertos à borla. Haja moral, decência e respeito pelos Tirsenses. Invista-se tempo e dinheiro em prol das gentes de Santo Tirso.

Opinião: Rali CAST em Santo Tirso… ainda não é desta!

Artigo de opinião que escrevi para a edição de Outubro 2011 do jornal “Notícias de Santo Tirso”.

A propósito da crise que vivemos, cada vez se tem falado mais da Constituição da República e dos direitos conquistados na revolução de 74. Ora uma das figuras que se adquiriu foi o direito à livre associação.

Com isto a sociedade portuguesa foi capaz de se desenvolver a todos os níveis. Várias associações, clubes e outras entidades foram criadas com objectivos diversos e propósitos diferentes. Isso ajuda a população a evoluir.

Em Santo Tirso existem, felizmente, muitas instituições desse género. Umas mais participadas e outras menos. Umas com mais relevância e outras com menos. O que interessa mesmo é que possam acrescentar algo à sociedade.

O CAST – Clube Automóvel de Santo Tirso, foi fundado em 1990. Se relativizarmos à sua área, o automobilismo, é uma das entidades Tirsenses mais conhecidas a nível nacional. Muitos dos amantes da modalidade o conhecem e reconhecem.

Isso não é por acaso. Os seus corpos dirigentes conseguiram sempre realizar um excelente trabalho em todos os eventos por onde passaram. Cultivando valores da exigência, do rigor, da ética, da camaradagem, da solidariedade e do companheirismo.

O CAST nunca se fechou sobre si próprio, soube sempre ajudar outros clubes e organizações, que sempre o elogiaram. A direcção nunca foi longínqua e fechada. Conseguiu sempre estimular os seus sócios a ajudarem e participarem em todos os eventos.

Este sucesso na organização de eventos iniciou-se em 1996 com a co-organização de uma prova de Rali em Santo Tirso. A qualidade foi tal que o certame se repetiu durante 6 anos com cada vez mais pilotos e público nas estradas do concelho.

Em 2002 Santo Tirso assistiu pela última vez a um rali organizado pelo CAST. Terminaria sem razão aparente. Coincidência, ou não, nas eleições autárquicas de Dezembro de 2001 era eleito pela primeira vez o actual presidente da Câmara.

É também do conhecimento público que nessa altura (e até hoje) alguns membros da direcção do CAST eram militantes do PSD, e outros, não sendo militantes de algum partido, eram críticos das políticas da CMST levadas a cabo pelo PS.

Os membros da direcção do CAST deveriam ter podido exercer as suas opções políticas e cívicas em liberdade. E fizeram-no. Mas sofreram as consequências habituais de uma sociedade e de um organismo (CMST) em que reina o sectarismo partidário.

Nos últimos 10 anos o CAST foi empurrado para fora do concelho. O esforço e dedicação dos seus associados brindou os concelhos de Penafiel e Taipas com provas de rali de grande sucesso. Ao fim destes anos o CAST resolveu voltar às organizações na sua cidade natal. Apresentou a 29 Julho 2011 um pedido à CMST para organização de uma prova de Rali, em 1 de Outubro, nas estradas do concelho.

A 9 de Setembro (1 mês e meio depois!) a CMST dá o pedido como indeferido, alegando razões de cabo de esquadra. Sem argumentos válidos para inviabilizar a prova – totalmente suportada por apoios privados – restam outros argumentos, talvez de índole partidária.

Diz a CMST que o indeferimento tem que ver com a garantia “da liberdade de circulação e a normalidade do trânsito”. Parece esquecer-se que no Rally Santo Thyrso que organiza conjuntamente com um clube do Porto, fecha os principais acessos e todo o centro da cidade.

Para além disso, a CMST também se esquece que fechou o principal acesso ao hospital para dar uma festa de inauguração de umas obras que nunca começaram (Cine-Teatro) ou que todos os anos fecha estradas para a Volta a Portugal em bicicleta.

A memória do executivo da CMST também é curta ou inexistente no que concerne ao fecho das mais importantes artérias da cidade e os seus acessos com provas de BTT ou de atletismo, como são as maratonas e as corridas de São Silvestre.

Outro dos argumentos foi não haver “interesse da actividade em causa”. Ora, a actividade é um Rali de automóveis. O que é o Rally de Santo Thyrso (evento organizado pela CMST e um clube do Porto) senão um Rali de automóveis? Esse já tem interesse?

Finalmente a CMST diz apoiar-se nos “pareceres desfavoráveis de Juntas de Freguesia abrangidas pelo percurso”. Ao que consegui apurar, alguns dos presidentes em causa nem sequer foram ouvidos, e outros terão dado parecer favorável à realização da prova.

Quem desconhece a relação difícil entre a CMST e o CAST pode ficar na dúvida quanto às verdadeiras razões de marginalização do CAST. Mas essas dúvidas ficaram totalmente dissipadas na conferência de imprensa da apresentação do Rally Santo Thyrso 2011.

Nesta, o edil Tirsense elogiou a colaboração com a Demoporto (com quem organiza o Rally) e despropositadamente, frisou que não pretendia ter o mesmo tipo de abertura com outros clubes, acusando-os de criticar a autarquia.

Opinião: Política (des)educativa da CMST

Artigo de opinião que escrevi para a edição de Setembro 2011 do jornal “Notícias de Santo Tirso”.

Saiu há dias a notícia de que no próximo ano lectivo irão fechar cerca de 300 escolas, sendo que aproximadamente metade pertencem à Direcção Regional de Educação do Norte. As restantes estão distribuídas pelas DRE do Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Algarve e Alentejo.

Esta medida, já teria sido estudada e tomada pelo Governo PS de Sócrates, e foi reanalisada e implementada pelo Governo PSD de Passos Coelho. Era necessária mas apenas foi avante porque imposta pelo Memorando de Entendimento que Portugal assinou com o FMI-BCE-UE.

Efectivamente há escolas que, por força das circunstâncias, não estão a prestar um bom serviço aos alunos. Na generalidade os fechos acontecem dado o reduzido número de crianças inscritas. E é essa a circunstância que coloca em desvantagem um número considerável de alunos.

Numa escola com uma dúzia de alunos, apenas se contrata um professor, ainda que os alunos sejam de anos distintos. Assim, o professor tem de se desdobrar e dar 1º, 2º, 3º e 4º ano na mesma aula. Tarefa hercúlea, senão impossível, pelo que quem sai prejudicado é o aluno.

Naturalmente que, para um professor nestas condições, é impossível abordar a matéria, fazer exercícios ou dar a atenção necessária a um aluno de um determinado ano, se comparado com um professor de outra escola, que tem uma turma de 20 ou 30 alunos do mesmo ano.

Obviamente que, nestas condições, um aluno do 4º ano estará nivelado por baixo, porque os seus colegas não podem competir ou mesmo puxar por ele. Da mesma maneira, o aluno do 1º ano ver-se-á frustrado por estar “atrasado” em relação aos demais.

Ao todo vão fechar escolas em 100 dos 308 concelhos portugueses, e obviamente Santo Tirso é um dos infelizes contemplados. Algo a que já nos habituamos. Se o ranking é pela positiva Santo Tirso está na cauda. Se o ranking é pela negativa Santo Tirso está no topo.

Serão 10 as escolas a fechar no nosso concelho. Um número que nos coloca no “pódio” deste ranking. Guimarei, Roriz, São Tomé Negrelos, São Mamede Negrelos, São Martinho do Campo e Monte Córdova são as freguesias afectadas. Em São Tomé fecham 5 escolas.

Não surpreendem estes fechos. Eles acontecem porque as escolas não têm alunos suficientes. Mas porque será que Santo Tirso tinha 52 escolas das quais agora fecharão 10? A resposta é fácil e já a abordei no último artigo de opinião. A população está a diminuir em Santo Tirso.

Isto acontece porque os Tirsenses encontram melhores condições de vida noutros concelhos, e abandonam Santo Tirso. Principalmente os casais mais jovens. Aqueles que têm filhos em idade de frequentar as escolas do 1º Ciclo – Ensino Básico, que agora encerram.

Curioso é ver como o executivo camarário é um cego que não quer ver. Apesar de todas as evidências, a Câmara Municipal de Santo Tirso gastou nos últimos anos, centenas de milhares de euros, dos nossos impostos, nestas escolas que agora fecham.

Há tempos, num infomail sob o título “Educação, uma prioridade” a CMST divulgava os investimentos feitos no parque escolar que agora fecha: 254.000€ na ampliação da EB1 de Redundo; 157.000€ na beneficiação da EB1 da Rechã; 50.000€ na beneficiação da EB1 da Costa.

Três exemplos de escolas que vinham a perder alunos, e que naturalmente teriam o seu destino traçado, dadas as políticas educativas anunciadas pelos últimos 4 governos. Ainda assim a CMST desperdiçou quase meio milhão de euros em obras.

Diga-se que esse dinheiro dava para pagar (contas da própria CMST no programa de Acção Social Escolar) a alimentação de todos os alunos, ou metade do transporte escolar durante um ano inteiro. Dava para pagar livros, material escolar, prolongamento de horários e prémios de mérito durante 2 anos.

Então porque desperdiçou a CMST tanto dinheiro? Para atirar areia aos olhos dos pais dos alunos? Se o executivo tivesse capacidade e visão, teria antecipado e prevenido estes fechos, criando condições para que os alunos frequentassem outros estabelecimentos.

Seria bom que todos os alunos e pais, que agora se deparam com uma mudança brusca e inesperada, tivessem tido condições para uma transferência mais suave e planeada. A CMST podia ter avisado e preparado todos, ao invés de ir prometendo o que sabia que não ia cumprir.

Opinião: Santo Tirso mal na fotografia

Artigo de opinião que escrevi para a edição de Agosto 2011 do jornal “Notícias de Santo Tirso”.

Foram recentemente divulgados os resultados do Censos 2011. Existem vários tipos de estatística sendo que a que pretendo abordar é uma mais genérica, mas que consegue reflectir muitos outros números. Os resultados que abordarei são inequivocamente consequência das políticas levadas a cabo por cada concelho.

Mais uma vez Santo Tirso não aparece bem na fotografia. O nosso concelho perdeu população e foi mesmo o único, no conjunto de concelhos que fazem parte desta região. Famalicão, Paços de Ferreira, Valongo e mesmo os jovens concelhos da Trofa e de Vizela ganharam entre 2% e 10% de população. A Maia ganhou mesmo mais de 10%.

Se havia dúvidas quanto à responsabilidade desta perda de população em Santo Tirso, elas ficam desfeitas. Se poderíamos pensar que se deveu ao desmantelamento de várias grandes empresas (principalmente do sector têxtil) na região, desenganemo-nos. Todos os nossos vizinhos ganharam população, e nós perdemos.

Nem sequer podemos desculpar-nos com o factor “interioridade”. Isto porque somos um concelho do litoral, e a nossa localização é invejável. Estamos a 30 km de Porto, Braga ou Póvoa de Varzim/Vila do Conde. Somos servidos pela auto-estrada A3, pelo Aeroporto Francisco Sá Carneiro ou pelo Porto de Leixões.

Aliás, existem concelhos bem mais interiores que ganharam população, como Vila Verde e V.N. Poiares (+2% a 10%), Lousã (+10%) ou Condeixa (+12%). Conheço bem Vila Verde, que acompanho desde que em 1997 fui apoiar José Manuel Fernandes à presidência da autarquia. Venceu, e até 2009 fez um trabalho invejável.

Quanto a V.N. Poiares, Lousã e Condeixa não conhecia, mas curiosamente visitei essa zona no passado mês de Julho. É evidente como o poder político local soube aproveitar o facto de se encontrar a 15 km de Coimbra, a 30 km da Figueira da Foz e de Pombal e de também ser servido por um acesso à auto-estrada A1.

Há quem se possa atrever a dizer que o facto de estarmos perto de dois grandes centros urbanos é a causa da perda. Ora, Mafra fica a 20 km de Sintra e a 40 km de Lisboa, é servida por auto-estradas, e mesmo assim foi o concelho que mais cresceu em Portugal continental. Aumentou em 41% a sua população.

O Presidente da C.M. Mafra, entrevistado pelo jornal semanário Expresso, justificou este resultado positivo com a as apostas que fez a autarquia. O Eng.º Ministro dos Santos diz que a evolução se deve à aposta em infraestruras de Educação, Rede Viária, Segurança, Ambiente e Desporto. Um bom exemplo.

Eu apenas acrescentaria que também é necessário atrair investimento. Atrair empresas que criem emprego e desenvolvam a economia local. Exemplos desses podem também ser vistos se olharmos para os concelhos aqui ao lado, como Paços de Ferreira ou Maia. Só assim, o nível de vida pode aumentar para os Tirsenses.

Está claro que o nosso falhanço teve vantagens para outros. Não foram só os concelhos limítrofes que cresceram, e para quem perdemos população. Todos nós também temos amigos e familiares que “emigraram” para concelhos como Vila do Conde (+2% a +10%), Matosinhos (+2% a +10%) ou Braga (+10% a +20%).

Espera-se que no próximo Censos 2021 Santo Tirso possa aparecer como um dos campeões da evolução, mas para isso é necessário que em 2013 os destinos do concelho mudem de mãos. Este PS de Castro Fernandes terá de ser afastado e substituído por outra equipa. Mas essa terá de ser capaz de responder aos desafios do futuro.

Opinião: Santo Tirso volta a divergir do resto do país

Artigo de opinião que escrevi para a edição de Julho 2011 do jornal “Notícias de Santo Tirso”.

No passado dia 5 Junho os Portugueses foram chamados novamente às urnas. Num momento crucial para o futuro do país, esperava-se uma baixa abstenção, mas infelizmente quase metade dos portugueses optou mais uma vez por se demitir do seu dever de votar. Depois não se poderão queixar já que, como dizia Aristóteles: “O preço a pagar por não te interessares por política, é seres governado pelos teus inferiores”.

Em Santo Tirso, ao fazer uma análise às Legislativas 2011, há várias questões que posso e devo abordar. A primeira, é o local de voto na freguesia sede de concelho; A segunda, os resultados obtidos por PS e PSD, e a sua comparação com os totais nacionais; A terceira, o facto de Santo Tirso ter visto eleita uma deputada da terra; A quarta, as votações de CDS e CDU; A quinta, o resultado do BE. Mas vamos por partes.

É no mínimo absurdo que as mesas de voto da freguesia de Santo Tirso tenham voltado à Escola Tomaz Pelayo. Na São Rosendo é tudo térreo, evita-se a subida de escadarias enormes (principalmente para os mais idosos) e as confusões nos corredores. Soube que era vontade de Zé Pedro Miranda continuar no “Ciclo” mas Castro Fernandes quis voltar à “Industrial”. Compreende-se. Queria mostrar a obra que ainda há dias tinha sido inaugurada por Sócrates.

Mas se o Presidente da CMST julgava que com isso conseguia mais votos saiu-lhe o tiro pela culatra. Pelo visto muita gente ficou escandalizada. Várias pessoas se interrogaram como era possível tanto luxo num tempo de grande dificuldade. De facto é impossível esquecer que há, por esse país fora, escolas a funcionar em contentores e pré-fabricados. Mas Sócrates gastou milhões em Santo Tirso, concelho em que Castro Fernandes que lhe arrebanha tantos votos.

Quanto aos resultados o panorama foi o mesmo dos últimos anos. A abstenção baixa, se comparada com a nacional (34% vs 41%), é talvez a única boa notícia que os eleitores Tirsenses trouxeram. Porque a má, lá continuou a ser a mesma: o PS (não o PS em si, mas o de José Sócrates) venceu novamente no concelho, mesmo depois de lhe ter tirado a urgência, a maternidade, os serviços e a indústria. Mesmo depois de o ter colocado como campeão do desemprego.

Este resultado é também da responsabilidade do PSD local. Não conseguir capitalizar a “onda laranja” nacional, averbando mais uma derrota no concelho, só está ao alcance dos mais incapazes. Apesar da conjuntura favorável o PSD perdeu novamente em Santo Tirso (até mesmo na freguesia da candidata a deputada!). E nem sendo o único partido local, com uma candidata em lugar elegível, conseguiu bater o desgastado PS de Sócrates e Castro Fernandes.

Apesar dos maus resultados do PSD no concelho, foi eleita à AR, uma deputada natural de S. Martinho do Campo. Este poderá ser um motivo de satisfação, já que ela poderá (e deverá) defender os interesses da região, mas também de Santo Tirso, junto do poder legislativo de Lisboa. Não obstante a sua inexperiência, deseja-se que aprenda rápido, não se deixe apanhar pela “teia partidária” e trabalhe bem em prol do país e do seu concelho.

Ao contrário do que escreveu o PSD na edição de Maio deste jornal, o curriculum de Andreia Neto não é “invejável”. Longe disso. É quase vazio a nível político e profissional (o que não é necessariamente mau, e é normal dada a sua juventude). Mas deverá estar assim livre de “vícios” e isso é uma vantagem. Se ela me permitisse um conselho, diria para se juntar, e tomar o exemplo, de outros jovens deputados como Duarte Marques, Luís Menezes ou Francisca Almeida.

Com mais de 3500 votos, o CDS-PP aumentou a sua votação em cerca de 350 votos. Este facto não é com certeza alheio ao bom trabalho realizado pela equipa de Ricardo Rossi (novel Presidente do CDS-PP Santo Tirso) e às várias visitas que Paulo Portas e os candidatos pelo círculo do Porto fizeram ao concelho. Frequentes as presenças de João Almeida e Michael Seufert entre outros. Foi assim, com trabalho local, que a nível nacional os centristas conseguiram subir.

Resultado semelhante teve a CDU. Com aproximadamente 2250 votos, aumentou a sua votação em cerca de 250 votos. Este bom resultado tem de ser imputado essencialmente à estrutura local do PCP. Apesar de ser admissível que tenham ganho alguns descontentes do PS e do BE, o facto é que as votações da CDU vêm aumentando mesmo em alturas boas dos seus concorrentes directos. Em 2009 tiveram 1800 votos nas Autárquicas e 2000 nas Legislativas.

Já o BE foi uma desilusão local. Com cerca de 1700 votos, perdeu metade dos que tinha alcançado há 2 anos. Isto, apesar de ser o primeiro acto eleitoral em que o partido tinha uma estrutura activa no concelho. Nem o trabalho de Andreia Sousa, nem as visitas de altas individualidades (Francisco Louçã, Luís Fazenda, João Semedo, João Teixeira Lopes) foram suficientes para segurar os eleitores fartos da utopia e demagogia do discurso bloquista.

Em jeito de conclusão, Santo Tirso volta a estar em divergência com o resto do país. Quando a maioria dos Portugueses reconhece (ainda que tarde) que a governação socialista foi um desastre, a grande parte dos Tirsenses volta a dar a vitória ao PS (e maioria à esquerda). Este “bater no ceguinho” é consequência do voto inconsciente, pela amizade e pelo compadrio. Quando, pelo contrário, devia ser fruto de uma análise mais profunda e ponderada da realidade.

Opinião: É disto que o meu povo gosta

Artigo de opinião que escrevi para a edição de Junho 2011 do jornal “Notícias de Santo Tirso”

No passado dia 25 Abril 2011, depois dos festejos do Dia da Liberdade, José Sócrates deslocou-se mais uma vez a Santo Tirso. Sinceramente, já perdi a conta às vezes que cá veio. Este parece ser um terreno fértil para a sua permanente campanha eleitoral.

Mas aproveito para deixar um comentário aos festejos. Sou um democrata incondicional mas acho que os festejos do 25 de Abril são arcaicos e estão obsoletos. Enquanto não soltarmos estas amarras do passado não conseguiremos conquistar o futuro.

Em vez de estarmos permanentemente a viver (com saudosismo) o 25 de Abril de 1974, devíamos trabalhar e lutar para podermos viver (com felicidade) o 25 de Abril de 2011, 2012… 2050. É que além do mais somos todos uns hipócritas.

O que festejamos é um sistema eleitoral conquistado em 25 de Abril de 1974, mas continuamos a não poder festejar a conquista da verdadeira democracia, liberdade e justiça social. E os maiores culpados desta situação são os arlequins que nesse dia fazem a maior festa de todas.

Os políticos que durante 364 dias “comem o sono” e “tratam das suas vidinhas”, vêm nesse dia falar de grandes valores na “casa da democracia”. Por sinal, aquela que desrespeitam, e em que se insultam uns aos outros durante o resto do ano.

Mas voltemos à visita do Primeiro-Ministro. Sócrates foi recebido com um “banho de multidão” e com cânticos “Sócrates amigo, o povo está contigo”. Em todas as visitas de Sócrates pelo país, se ouvem apupos e descontentamento. Em Santo Tirso ouvem-se “vivas” e “obrigados”.

Diz quem lá esteve que a máquina do PS é incrível. Se as centenas de pessoas que receberam Sócrates eram efectivamente Tirsenses (e não figurantes pagos como noutras ocasiões) concluo que têm aquilo que merecem. Um concelho à imagem de Sócrates, com 20% de desemprego.

Um concelho sem urgência e maternidade no hospital, sem empresas, sem serviços, sem sistema de saneamento, sem água canalizada. A quem foi amputada uma perna (a Trofa) e com a população envelhecida e os jovens a fugir, mesmo para os concelhos limítrofes.

Por este andar, o concelho de Santo Tirso arrisca-se a deixar de o ser, se tivermos em conta que uma das medidas da “Troika” impõe a redução de freguesias e autarquias. Às tantas ainda vamos ver parte do concelho juntar-se a Guimarães, outra a Famalicão, outra ainda à Trofa (!?).

Infelizmente em Santo Tirso há uns pobres de espírito que à conta de terem um “tachito” camarário fazem o que for preciso para agradar o “chefe”. Nem que isso implique dar “vivas” ao homem/partido que destruiu o concelho e levou o país à falência.

Depois há os outros que, por meia dúzia de tostões se deixam levar. Como diz o ditado “com papas e bolos se enganam os tolos”. Esses, são comprados com as ofertas dos cabazes de natal, com o espumante e bolo-rei na passagem de ano, ou com a aparição fugaz na “Praça da Alegria”.

Além disso são iludidos com feiras das tasquinhas, do melão, do livro, do artesanato, etc. Com concertos “de borla” que custam centenas de milhares de euros à CMST (ou seja, a todos nós). Enfim… como dizia o outro “é disto que o meu povo gosta”.

Enquanto estas pessoas (que continuam a dar maiorias ao PS de Castro Fernandes e de José Sócrates, nas Autárquicas e Legislativas) continuarem a preferir a festa ilusória à efectiva qualidade de vida, nada mudará no concelho, ou no país. Dia 5 de Junho há nova oportunidade.

Opinião: São estes os partidos que temos

Artigo de opinião que escrevi para a edição de Maio 2011 do jornal “Notícias de Santo Tirso”

O país está mergulhado numa crise financeira, económica, social e de valores sem precedentes. Mas neste pequeno país as diferenças entre regiões são muito grandes (mercê do centralismo). A crise chega mais a uns do que a outros. Santo Tirso tem o azar de estar na primeira metade. O concelho definha com elevada taxa de desemprego, o fecho das empresas, a degradação da qualidade de vida e a fuga da população.

O que se pede aos políticos a nível nacional neste momento, é o mínimo que se pode pedir aos políticos locais. Estes estão mais perto da população e as suas acções podem afectar mais directamente as pessoas. Exige-se sempre, mas numa altura destas ainda mais, que sejam responsáveis, sensatos, sérios e abdiquem dos seus proveitos pessoais, corporativos e partidários em favor dos interesses dos Tirsenses.

Infelizmente, em Santo Tirso, as forças partidárias com relevância estão completamente alheadas das necessidades dos cidadãos e perdem o seu tempo numa guerrilha mesquinha digna de gente sem estatura moral para sequer ser vogal suplente de uma Associação Recreativa. Mas pior do que isso é que essa guerrilha não tráz vantagens a qualquer um deles. Trata-se apenas de uma medição constante de egos de gente menor.

Se atentarmos ao que se passa nas reuniões de Câmara (em que participam os Vereadores) e às reuniões de Assembleia Municipal (em que participam os deputados) vemos que não se trata de absolutamente nada que traga valor acrescentado aos Tirsenses. O que se vê é uma permanente troca de insultos e remoques entre PS e PSD que envergonha qualquer cidadão que assista e nada tenha que ver com o assunto.

Não contentes com as “peixeiradas” que fazem nos dois órgãos mais importantes e solenes da autarquia, os dirigentes de PS e PSD vêm para a praça pública – nomeadamente na comunicação social – estender mais ainda essa vergonhosa “troca de galhardetes” que apenas interessa à entourage que paira à volta das Comissões Políticas na ânsia de arranjar um “tachito” em funções camarárias.

Há mais de 10 anos que não se ouve ou vê PS e PSD a apresentar propostas, soluções, estratégias ou rumos a dar a Santo Tirso. Um concelho cada vez mais, e preocupantemente, moribundo. Do lado do PSD a táctica tem sido o ataque pessoal ao Presidente da CMST, Castro Fernandes, insultando-o de ditador, e acusando de despotismo, nepotismo, sectarismo, altivez, prepotência e arrogância.

O que é certo, é que na altura de apresentar factos que corroborem essas acusações, o PSD não tem tido mais nada a dizer a não ser que o PS quebra regras procedimentais nas reuniões de Câmara e de AM. Chega a ser patética a quantidade de vezes que, nas notas à imprensa, se vê o PSD a referir-se à “alínea x) do número 495 do artigo 127º da lei 68-B/2003 de 22 de Outubro“, como se alguém soubesse ou estivesse interessado nisso.

Por seu lado o PS, que mais parece uma empresa unipessoal de Castro Fernandes, tem também pouco sentido democrático já que não faculta documentos à oposição, não responde às perguntas que lhe fazem e, se puder, nunca leva a discussão propostas do PSD. Além disso, a única coisa que faz é a gestão corrente (ao sabor eleitoral) da autarquia, faltando-lhe claramente uma estratégia política e um rumo para o concelho.

De resto, o PS Santo Tirso e Castro Fernandes, copiam bem a estratégia do PS Nacional e de José Sócrates. Vitimizam-se dos insultos e acusações da oposição, distribuem muita propaganda por todo o concelho através de outdoors e publicações pagas com os dinheiros da CMST, e vão estando presentes em toda e qualquer festa ou evento organizado pela CMST ou por outras entidades Tirsenses.

No meio disto tudo há um facto indesmentível. PS e o PSD vêm fazendo isto mesmo há anos, e o PS venceu as autárquicas 2009 com maioria. Nestas circunstâncias, a democracia confere-lhe poder para governar. Isto pode custar muito à oposição mas o facto é que os Tirsenses continuam a preferir este PS e este Castro Fernandes. Assim, não faz sentido o PSD acusar o líder socialista de usar a maioria em seu favor.

O voto dos Tirsenses voltou a ser bem claro: aumentou a votação no PS (21.427 em 2009 vs 20.964 em 2005) e diminuiu a votação no PSD (18.700 em 2009 vs 18.671 em 2005). Desta forma, Castro Fernandes está a usar a maioria que a população lhe quis dar, e não pode ser acusado de a usar. É isto a democracia. Foi isto que as pessoas quiseram: mais PS e menos PSD, porque confiam mais neste PS do que neste PSD.

É inegável que o estado funesto a que chegou Santo Tirso é em grande parte responsabilidade da falta de capacidade e visão do executivo PS e do Presidente da CMST. Muito pode ser feito por Santo Tirso. Tome-se como exemplo Maia, Famalicão e Paços de Ferreira. E só o PSD pode alterar o rumo das coisas. Mas para isso tem de mudar de atitude, apresentando propostas, elaborando uma estratégia, e elevando a discussão política.