Santo Tirso: Autarcas a olhar para o seu umbigo

A Reforma da Administração Local, inscrita no Memorando de Entendimento (MoU) com a Troika, arrisca-se a ser mais uma a ficar adiada, contribuindo para que o status quo se mantenha e que o país continue a caminhar para um caminho sem retorno.

Segundo o que foi acordado no MoU, esta reforma deveria ter sido concluída em Julho 2012 estando dessa forma em vigor antes das Eleições Autárquicas de Outubro 2013. A verdade é que, chegados a Outubro 2012, o Governo ainda não a implementou.

De qualquer maneira penso que, mais tarde ou mais cedo, ela será implementada. Se não for pela necessidade será pela obrigação. Daí achar muito importante que o Poder Local lhe dê a atenção que merece, a bem do futuro da população e do país.

Em Santo Tirso, depois de se terem organizado vários eventos sobre o tema para “inglês ver”, discutiu-se ontem (com quase 1 ano de atraso) na Assembleia Municipal o assunto. O acontecimento serviu para medir o nível dos autarcas que elegemos.

Para além de servir para medir a qualidade dos nossos autarcas, serviu também para perceber que tipo de interesses defendem. E esses, fica bem patente, não são os da população mas os seus próprios. Dos seus cargos e benesses, bem como dos seus “grupos”.

A CM Santo Tirso, pela mão do Presidente Castro Fernandes, propôs a manutenção das 24 freguesias, o que foi aprovado por maioria. Ou seja, os autarcas querem que tudo fique exactamente como está e nem sequer se dão ao trabalho de pensar/discutir o assunto.

Note-se que muitas Juntas de Freguesia nem sequer enviaram qualquer posição à Assembleia Municipal, mas depois os seus presidentes declararam-se contra qualquer fusão de freguesias e votaram favoravelmente a proposta da CMST. É o poder unipessoal.

Curioso também ver Castro Fernandes e Marco Cunha (Presidente da Junta) dizerem que ninguém veio dizer quais as freguesias que se deviam fundir. Ora senhores! O objectivo é mesmo esse! Serem vocês, que conhecem território e população, a decidir!

Preocupados em perder os “tachos”, os autarcas Tirsenses recusaram fazer parte do processo da Reforma. Arriscam-se portanto (como eu já disse antes) a ter uma reorganização feita por alguém que, num gabinete de Lisboa, não conhece a realidade do concelho.

Muita pena me dá ver concelho e freguesias de Santo Tirso lideradas por esta gente. Alguns deles até contaram com a minha ajuda para serem eleitos. E agora desiludem-me, e a milhares de Tirsenses, demitindo-se das suas funções e olhando apenas para o seu umbigo.

No meio de tanta cacofonia e defesa dos próprios interesses salva-se a intervenção sensata do presidente da JSD local, Rui Batista: “Se optarmos por esta estratégia garantidamente que vem aqui alguém para agregar ou extinguir freguesias“.

Sobre este tema, atempadamente dei o meu contributo e escrevi no jornal “Notícias de Santo Tirso” os seguintes artigos de opinião:

– Dezembro 2011: A reforma do Poder Local
– Janeiro 2012: Santo Tirso de 24 para 4 freguesias

Santo Tirso: 3 M€ gastos na Incubadora de Moda

Há umas semanas, num post sobre a Fundação Santo Thyrso eu escrevia “ainda ninguém percebeu de onde veio, e para onde foi, a Incubadora de Moda tão publicitada pelo Presidente da Fundação [e da CM Santo Tirso], Castro Fernandes

A verdade é que estava mesmo curioso para saber algo da “famigerada” IMOD e por isso fui pesquisar. O primeiro local de pesquisa foi o portal BASE, onde estão todos os contratos públicos, suas características e detalhes.

A pesquisa retornou 12 contratos feitos pelo adjudicante “Município de Santo Tirso” cujo objecto do contrato estava relacionado com a “IMOD – Incubadora de Moda e Design“. 11 desses 12 contratos foram feitos por Ajuste Directo.

Como pode ser confirmado abaixo, já foram gastos quase 3 Milhões de Euros. Para ser mais preciso, cerca de 2.700.000 €, num espaço temporal de menos de 1 ano. E ainda não se vê nada de concreto, muito menos qualquer tipo de resultado.

IMOD – Incubadora de Moda e Design – Requalificação de Nave Industrial
2.385.767,15 €
Lucio da Silva Azevedo & Filhos, S.A.

Conceção, desenvolvimento e candidatura ao Programa Europeu para Cultura 2007-2013 de projeto de cooperação em rede para o IMOD
72.500,00 €
Quartenaire Portugal – Consultoria para o Desenvolvimento, S.A.

Prestação de assessoria à Câmara Municipal de Santo Tirso para implementação e gestão da Incubadora IMOD – Inovação Moda e Design
64.473,00 €
Fundação de Santo Thyrso

Conceção da Imagem Corporativa da Candidatura IMOD
27.500,00 €
C.I.F.A.D. – Centro de Investigação e Formação em Artes e Design, Lda

Elaboração de projeto de execução das especialidades de estabilidade, processos construtivos, projeto de abastecimento de água, projeto de drenagem de águas residuais e de águas pluviais e projeto de arranjos exteriores do edifício denominado Incubadora de Negócios Criativos – IMOD Inovação, Moda e Design
24.862,00 €
PEDRO ARAÚJO & NAPOLEÃO, LDA

Elaboração do projeto de execução de arquitetura da Incubadora de Negócios Criativos – IMOD Inovação, Moda e Design
24.800,00 €
Luís Manuel Machado Macedo

Elaboração das especialidades de Instalações e equipamentos elétricos, projeto de telecomunicações/ITED, projeto de instalações de segurança contra intrusão e contra incêndio e projeto de AVAC relativas ao projeto da Incubadora de Negócios Criativos – IMOD Inovação, Moda e Design
24.400,00 €
Rodrigues Gomes & Associados – Consultores de Engenharia, S.A

Fiscalização da execução da obra denominada iMOD – Incubadora de Moda & Design – Requalificação de Nave Industrial
22.230,00 €
Luís Manuel Machado Macedo

Elaboração do projeto RSECE, incluindo Declaração de Conformidade Regulamentar (DCR), do projeto de execução da obra denominada Incubadora de Negócios Criativos – IMOD Inovação, Moda e Design
14.400,00 €
SE – Serviços de Engenharia, Lda

Elaboração do Plano de Prevenção e Gestão de Resíduos de Construção e Demolição, Plano de Segurança e Saúde em fase de projeto, Mapas de Medições e Orçamento Gerais, Caderno de Encargos Geral e Coordenação Geral do projeto de execução relativo à obra denominada Incubadora de Negócios Criativos – IMOD Inovação, Moda e Design
13.988,00 €
ACANTO – António Sá Machado, Arquitectos e Engenheiros, Lda

Aquisição de tecidos para cortinas – IMOD
8.250,00 €
Gierlings Velpor – Veludo Portugês, S.A.

Aquisição de equipamento de som e multimédia – IMOD
6.706,00 €
Machado & Andrade, Lda.

Com este post pretendo apenas dar a conhecer aos Tirsenses mais distraídos, o “porquê”, o “como” e o “onde” é gasto o seu dinheiro, o dinheiro dos seus impostos.

E a pergunta que se impõe neste momento é: Que retorno dará esta incubadora? Ela é viável? Terá impacto na economia local/nacional? É prioritária nesta altura?

Fundação Santo Thyrso pronta a ser fechada

Foi no início do mês de Agosto que o Governo PSD/CDS anunciou a intenção de fechar algumas dezenas de fundações público-privadas, depois de terminado o processo de avaliação que o próprio Governo solicitou à Inspecção Geral de Finanças.

Uma delas foi a Fundação de Santo Thyrso, criada em 2006 com o objectivo de gerir um Centro de Incubação de Base Tecnológica que supostamente pretendia “contribuir para a promoção da Inovação, do Empreendedorismo e a criação de Emprego Qualificado“.

Pretendia também apoiar “a criação de negócios inovadores” que contribuissem “para o rejuvenescimento, modernização e competitividade do tecido económico” local e nacional, e também apoiar “o crescimento e projecção externa dessas iniciativas“.

O alvo dizia serem “Jovens altamente qualificados […] Spin-offs académicos e empresariais […] Projectos inovadores de base científica e tecnológica resultantes da cooperação entre Universidades e empresas“. Mas a verdade é que o que se vê está muito longe disto.

Senão vejamos: Das 9 empresas instaladas na incubadora, uma delas cria websites, outra recolhe resíduos e foi explicitamente “concebida para colaborar com câmaras, empresas e associações municipais“, outra ainda fabrica móveis “intemporais“.

Existem ainda a Santo Tirso TV (que promove o que se faz no concelho com apoio da CMST), três empresas representantes de marcas, uma com interessante descrição mas website inactivo, e finalmente uma outra que não parece existir (única referência é no website da incubadora).

Ora, a meu ver, nada disto corresponde a “Inovação“, “Empreendedorismo“, “Ciência“, “Tecnologia” ou emprego “Altamente qualificado“. E ainda ninguém percebeu de onde veio, e para onde foi, a Incubadora de Moda tão publicitada pelo Presidente da Fundação, Castro Fernandes.

Sim porque Castro Fernandes, Presidente da CM Santo Tirso, é ao mesmo tempo Presidente da Fundação, do Conselho Executivo e do Conselho de Fundadores. Para além de ser ele quem nomeia o Conselho Fiscal, orgão que tem o papel de fiscalizar a actividade da Fundação.

Parece metira, mas é verdade. Parece caricato, mas é a realidade. Castro Fernandes sente-se, qual semi-deus, omnipresente e omnisciente. E ainda ficou muito ofendido quando, a propósito, um deputado da AM o comparou a um governante absolutista e autocrático.

Mas a falta de moralidade, de ética e de transparência não acaba aqui. A Fundação é detida em parte pela CM Santo Tirso e por duas empresas que trabalham nos ramos que mais interesses têm no poder local e corrompem as autarquias: Imobiliário e Construção.

Que contribuição podem dar estas empresas ao nível da “Inovação“, da “Ciência e Tecnologia” ou do emprego “Altamente qualificado“? E porque será que o website da Fundação apenas apresenta contactos e não faz refêrencia a visão, valores, âmbito, objectivos, actividades ou resultados?

É também incompreensível que outras entidades do concelho (a empresa imobiliária é do Marco de Canavezes) não façam parte da Fundação. Como a Associação Comercial e Industrial ou empresas de projecção nacional/internacional instaladas há muitos anos em Santo Tirso.

Perante tudo isto, Castro Fernandes ainda acha que tem o direito de se insurgir contra a avaliação da IGF dizendo que vai recorrer aos tribunais. E para além disso falta à verdade na comunicação social nacional, dizendo que a Fundação não recebeu financiamentos públicos.

Como bem apontou o PSD Santo Tirso, a CM Santo Tirso (Presidida por Castro Fernandes) deu à Fundação de Santo Thyrso (Presidida pelo mesmo Castro Fernandes) 50.000 € em ajuste directo. E que se saiba, dinheiro da Câmara é dinheiro público, dos nossos impostos.

O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. Foi isto que aconteceu à Fundação de Santo Thyrso. Parece ter sido criada com segundas intenções, aparenta ter sido gerida de forma conveniente, e falhou claramente os seus objectivos. Razões de sobra para ser fechada.

Reviravolta no PS de Santo Tirso

Há precisamente 1 mês atrás eu escrevia que as eleições internas no PS Santo Tirso eram um passo decisivo para Joaquim Couto. Perdendo, o ex-Presidente da CMST não teria mais possibilidade de ser nomeado candidato nas Autárquicas 2013, como pretendia.

O facto é que Joaquim Couto perdeu mesmo para o seu arqui-inimigo Castro Fernandes. O actual Presidente da CMST, viu-se na obrigação de voltar a disputar a concelhia para retirar a possibilidade de Joaquim Couto poder controlar o processo autárquico.

Mas quem diria que uma reviravolta atiraria por terra o que vaticinei. Este sábado, disputava-se a liderança do PS Porto entre José Luís Carneiro e Guilherme Pinto. O Presidente da Câmara de Baião não só venceu como baralhou as contas em Santo Tirso.

A lista que apoiava José Luís Carneiro, encabeçada por José Pedro Machado (dissidente do PS de Castro Fernandes), venceu a lista apoiante de Guilherme Pinto, encabeçada por Ana Maria Ferreira (que seria provavelmente escolhida por Castro Fernandes em 2013).

O que aconteceu é mais significativo do que possa parecer. Em 589 votantes (15% de abstenção) José Pedro Machado venceu com 303 votos contra 286 de Ana Maria Ferreira. Este será o mesmo universo que em Outubro escolherá o candidato nas Autárquicas 2013.

Segundo sei, os estatutos do PS dizem que o vencedor nestas “Primárias” de Outubro terá de ser o candidato autárquico. Mesmo que a Comissão Política local assim não o deseje. Pelo que a “entourage” de Castro Fernandes tem muito com que se preocupar.

Se Ana Maria Ferreira (vice-Presidente da CMST e elemento mais próximo de Castro Fernandes) perdeu a eleição para José Pedro Machado (que manifestamente não tem o mesmo peso político) o que dizer se, em Outubro, tiver de se defrontar com Joaquim Couto.

Quem pensava que, no que toca às Autárquicas 2013, as coisas no PS Santo Tirso estavam resolvidas (e eu era um deles) enganou-se. Muita água ainda vai correr sobre a ponte, e para isso muito contribuiu José Luís Carneiro e o surpreendente José Pedro Machado.

Santo Tirso é lindo. Esta é a realidade?

Santo Tirso é lindo, Santo Tirso é lindo. Esta é a realidade. Santo Tirso é lindo, Santo Tirso é lindo. É a mais bela cidade“. Dois versos que me ensinaram a cantar quando fui caloiro na UTAD, universidade que nesse ano de 1996 tinha já uma grande “comunidade Tirsense”.

E de facto, nessa altura, Santo Tirso ainda tinha algum do seu encanto (obviamente incomparável com o que me dizem ter tido nos primeiros 3/4 do século XX) mas de qualquer forma já se faziam sentir os efeitos de algum declínio na sua qualidade de vida.

Na verdade, em tempos, Santo Tirso foi um dos concelhos mais importantes do país, na medida em que alojava grandes indústrias (nomeadamente têxteis e metalomecânicas). Chegou mesmo a ser o concelho que mais contribuía (em proporção) para a produtividade nacional.

A cidade e o concelho produziam riqueza, a Economia efervescia, a Cultura vivia um estado salutar, o Desporto trazia resultados e alegrias. Estavam disponíveis diversos Serviços (Escola, Hospital, Telefones, Electricidade, Seguros, Banca, etc). O que se chama “qualidade de vida”.

Mas nos últimos anos Santo Tirso vem experienciando dificuldades, consequência de factores externos mas também internos. A crise do sector têxtil, a desagregação da Trofa, e mais recentemente a crise financeira Nacional, vieram retirar a Santo Tirso algum do seu encanto.

E Santo Tirso não se soube reinventar. Aqui incluo não só quem teve de liderar os seus destinos, mas também a população. Não se soube adaptar aos novos tempos e aos novos cenários. Ao invés de lutarem por mais, os Tirsenses iam contentando-se com o pouco que lhes deixavam.

Recordo-me que nos últimos anos a derradeira justificação para considerar que “Santo Tirso é lindo” era a Segurança. Dizia-se que ainda se podia sair de casa (de dia e de noite) à vontade, ainda se podia descansar quando os filhos (crianças e adolescentes) andavam na rua.

Chegados a 2012, o que podemos dizer sobre isso? Tiroteios no Largo da Feira e carros incendiados na Rua Ferreira de Lemos. Notícias que dão conta de um “gang Tirsense” que assassinou um ourives em Viana do Castelo. Jovens detidos, julgados e condenados pelo tráfico de droga.

Escrito num icónico local Tirsense: “A vila de Santo Tirso, de pequenina tem graça. Tem um chafariz no meio, que dá de beber a quem passa“. Pois infelizmente a vila (entretanto promovida a cidade) perdeu a sua graça e já nem o chafariz tira a sede a quem passa. Seja da terra ou forasteiro.

Se os Tirsenses querem mudar este estado de coisas, se querem desviar o rumo em direcção ao caminho certo, terão de tomar o destino nas suas mãos. Como? Participando activamente na sociedade Tirsense. Ao nível Político, Cultural, Desportivo, Económico, Social.

Só desta forma poderão aspirar a ter novamente a qualidade de vida que tinham antigamente, potenciada por outras tantas coisas boas que o século XXI nos trouxe.

Mais um “órgão de comunicação social” em Sto Tirso

Ao que parece, nasceu há umas semanas, um novo “órgão de comunicação social” em Santo Tirso. Chama-se Santo Tirso Jornal e é um jornal online. Tal como é exigível nos dias que correm, está presente no Twitter e no Facebook.

Sempre que aparece um novo órgão de comunicação social a minha vontade é saudar, mas a verdade é que perante o histórico e as circunstâncias, a minha vontade é ser cuidadoso, para não dizer que me apetece já suspeitar.

Que circunstâncias são essas? Ora, pela amostra, as notícias são desfavoráveis ao actual executivo da Câmara Municipal, desfavoráveis ao PS Santo Tirso, e favoráveis ao PSD Santo Tirso. O que nos leva ao histórico.

Que histórico é esse? Num passado não muito longínquo outro jornal, com a mesma linha editorial, nasceu meses antes de umas eleições. Chamava-se Santo Tirso Hoje e “desapareceu” pouco depois da vitória do PS nas Autárquicas 2009.

Existem mais equivalências. Tanto o Santo Tirso Hoje como o Santo Tirso Jornal, não têm rosto. O que a meu ver, por si só, não abona nada em favor da credibilidade e transparência que um órgão de comunicação social deve ter.

Mas existem diferenças. Se o Santo Tirso Hoje tinha um dono (Editirso – Publicidade, Marketing e Comunicação, Lda) o Santo Tirso Jornal inovou e não tem. Presume-se portanto que seja um projecto meramente pessoal.

Ao longo do tempo, temos vindo a assistir ao nascimento e morte de vários “projectos pessoais” deste tipo, que parecem pertencer sempre à mesma pessoa. Não seria mais facil assumir-se, dar a cara, e lutar pelas suas ideias?

A verdade é que não me agrada nada esta tentativa de utilização encapotada de órgãos de comunicação social para cumprir objectivos políticos pessoais. E penso que muito menos deve agradar aos verdadeiros jornalistas.

Autárquicas 2013: Passo decisivo para Joaquim Couto

Joaquim Couto apresentou esta semana a sua candidatura à Comissão Política Concelhia do PS. Órgão que já tinha liderado entre 1988 e 2003. Este é o terceiro passo na – já há muito planeada, e desejada – candidatura autárquica em 2013.

O plano foi bem engendrado. O primeiro passo foi o regresso à militância de base activa em Santo Tirso, depois de muitos anos afastado. O segundo foi a criação do grupo de política, reunindo alguns dissidentes do consulado de Castro Fernandes.

Este terceiro passo, as eleições internas, é um passo decisivo e complicado de dar. Isto porque não depende só da vontade de Joaquim Couto, mas também da capacidade de mobilização da sua equipa e do voto dos militantes socialistas Tirsenses.

Para além disso, do outro lado, está um adversário de “peso”. Castro Fernandes não esconde a aversão pelo seu ex-amigo e está pronto para voltar a assumir a concelhia do PS, apenas e só para evitar que o seu ex-N° 1 consiga lá chegar.

Isto, depois de em 2010 ter passado o testemunho a Rui Ribeiro. Um homem politicamente inapto, que disse não querer ser um boneco nas mãos de um ventríloquo político. E na verdade não foi. Nem isso conseguiu ser. Simplesmente não existiu.

Obviamente que Rui Ribeiro não seria capaz de fazer frente a Joaquim Couto e manter a concelhia na entourage de Castro Fernandes, e por isso vem o “one man show” em socorro para evitar que o arqui-inimigo ganhe o Poder no seu feudo.

Joaquim Couto foi presidente da CMST entre 1982 e 1999, e depois disso esteve “ao serviço” do PS. Foi nomeado Governador Civil do Porto (1999 a 2002) e depois escolhido para lugar elegível nas listas de deputados às Legislativas 2005.

Em 2009 Joaquim Couto teve de retribuir ao PS estas nomeações, e predispôs-se a ser esmagado por Luis Filipe Menezes nas autárquicas 2013, como candidato à Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. Resultado: 63% vs 25%.

A verdade é que Joaquim Couto fez um trabalho positivo em Santo Tirso, e as andanças pelo Porto (Governo Civil) e Lisboa (Assembleia da República) permitiram-lhe acumular ainda mais experiência política.

Sabe-se que Joaquim Couto é bem visto por vários sectores da sociedade Tirsense, e é querido de uma grande parte da população. Em especial os funcionários da CMST, que apesar de não o poderem manifestar, preferem Couto a Fernandes.

E Joaquim Couto não esconde também o seu sentimento. Disse à Lusa “é necessário dar um safanão, uma refrescadela e uma reforma profunda no PS [de Santo Tirso]“. Numa mais do que óbvia alusão à liderança de Castro Fernandes.

Se Joaquim Couto vencer, será com toda a certeza candidato a presidente da CMST (e a vitória do PS nas Autárquicas 2013 estará mais perto). Se perder, ainda tem outra opção: a (ainda não descartada) candidatura independente.

E essa, a candidatura independente, poderia até ser ainda melhor para ele e para a vida democrática do concelho. Seria com toda a certeza agregadora de várias sensibilidades políticas (e outras) Tirsenses.

Santo Tirso distingue Zeinal Bava, saiba porquê

No próximo dia 27 de Fevereiro, irá ter lugar na C.M. Santo Tirso uma cerimónia na qual o Engº Castro Fernandes irá presentear o Engº Zeinal Bava (CEO da Portugal Telecom) com a Medalha de Honra do Concelho.

O executivo socialista da CMST decidiu fazê-lo como consequência da decisão tomada pela PT, há uns anos atrás, de instalar em Santo Tirso um Call-Center de apoio ao cliente, que iria criar 1200 postos de trabalho qualificado.

A verdade é que foram criados pouco mais de metade dos postos de trabalho anunciados; esses postos são tudo menos qualificados; e além disso não albergam na sua maioria desempregados Tirsenses, como prometido.

Para além do mais, a instalação do Call-Center em Santo Tirso, foi tudo menos uma aposta pessoal de Zeinal Bava ou um objectivo bem definido da PT. Foi, isso sim, uma estratégia cozinhada por José Sócrates e pelo PS.

Ou será que alguém já se esqueceu da obscena promiscuidade entre PT e Governo Sócrates, da qual o caso mais mediático foi o que envolveu Rui Pedro Soares e o caso da compra da TVI pela PT, para calar Manuela Moura Guedes?

O cozinhado feito por José Sócrates e Zeinal Bava, permitia-lhe ter um enorme trunfo eleitoral em Santo Tirso, concelho marcadamente socialista. Com isso matava 2 coelhos de uma cajadada: Autárquicas e Legislativas 2009.

Sabendo disto, Castro Fernandes resolveu “encher chouriços” no extenso documento em que propunha a distinção. Discorrendo sobre o percurso académico e profissional de Zeinal Bava, com se isso por si só fosse suficiente.

Sei perfeitamente que não é por acaso que se chega a CEO de uma empresa da dimensão da PT, mas também sei que Zeinal Bava não é o que querem fazer dele. É bem mais fácil ter sucesso numa empresa monopolista.

Tal como uma boa parte dos Presidentes de Câmara do país, tal como uma boa parte da bancada socialista na AR, tal como uma boa parte dos empresários portugueses, Castro Fernandes continua a viver a ilusão socrática.

Esta insistência de Castro Fernandes e da CMST em continuar a viver tempos “cor-de-rosa” poderá sair cara a Santo Tirso. Se o concelho não fizer o quanto antes o trabalho de casa, arrisca-se a ficar irremediavelmente para trás.

Opinião: Ano novo! Vereação nova!

Ano Novo, vereação nova. Na viragem do ano o executivo da Câmara Municipal foi remodelado. Luís Freitas saiu da equipa de Castro Fernandes, Ana Maria Ferreira assumiu as funções de vice-presidente e o lugar em aberto foi ocupado por José Carlos Ferreira (o 6º da lista do PS nas autárquicas 2009).

A CMST disse em comunicado que Luís Freitas solicitou a renúncia ao mandato por imperativos de ordem pessoal. Já estamos habituados. Na política, seja qual for o verdadeiro motivo, o que vem a público são sempre os motivos pessoais. Mesmo que as reais razões sejam por demais evidentes.

A verdade é que já cheira a eleições. As Autárquicas 2013 são daqui a 20 meses e é preciso começar a preparar terreno para um combate mais complicado que o habitual. Castro Fernandes está impedido pela lei de se recandidatar e o seu substituto tem de ser “lançado” com a devida antecedência.

Se restam dúvidas quanto a isto, basta ter em conta o facto de o Presidente da CMST (que gosta pouco de abrir mão seja do que for) ter delegado em Ana Maria Ferreira várias competências, ao nível das obras e serviços públicos, aquisição de bens imóveis e serviços, e outros contratos administrativos.

Além disso, no mesmo comunicado, refere a CMST que à nova vice-Presidente competirá também “substituir o Presidente nas suas faltas ou impedimentos legais“. Ou seja, Ana Maria Ferreira terá funções e poderes que nenhum outro vice-Presidente desta CMST alguma vez sequer sonhou ter.

Como consequência desta jogada política – que afasta um dos mais apreciados, respeitados e competentes vereadores, por interesses puramente partidários – entra para a equipa José Carlos Ferreira, militante activo do PS Santo Tirso, também conhecido por ser cunhado de Castro Fernandes.

Não se conhece ao novel vereador um percurso político, o que até abona a seu favor. É professor de Educação Física, o que lhe pode valer uma genica extra. Lecciona, como o próprio diz no Facebook, numa “escola sem Pavilhão Gimnodesportivo“, pelo que estará habituado a trabalhar em dificuldades.

O que se deseja é que José Carlos Ferreira possa fazer mais do que os seus antecessores. O que se lhe exige é que trabalhe para os Tirsenses e não para o partido. Pede-se que responda perante a população e não perante o seu cunhado/presidente. É muito importante que tenha sentido de missão.

Numa pesquisa rápida pela internet, ficamos a saber que a sua paixão é o Poker e que o seu sonho é participar num European Poker Tour. Mas esperemos que nos próximos 20 meses a sua paixão sejam todos os Tirsenses, e que o seu sonho seja tornar Santo Tirso num concelho melhor.

No seu blogue, José Carlos Ferreira escreveu um dia: “quero levar muito longe o Poker Português, e necessito claramente do apoio de toda a comunidade“. Falhou. Mas nesta fase pede-se apenas que tente levar longe Santo Tirso, e se assim fizer terá o apoio de toda a comunidade Tirsense.

Sejam quais forem os pelouros atribuídos, o desejo é que aplique mais os conhecimentos que adquiriu na Universidade do Porto (quando se licenciou em Educação Física), e não tanto os que terá adquirido na Universidade Independente (quando lá estudou “Gestão e Administração de SADs”).

Desejam-se na sua actuação, menos erros do que aqueles (ortográficos e de sintaxe) que deu num curto texto que escreveu para o pokerpt.com, confundindo “há cerca de” com “acerca de“… “há muito que anunciava” com “à muito que anunciava” ou “há 3 semanas atrás” com “à 3 semanas atrás“.

Esclarecimento aos militantes PSD de Santo Tirso

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Há dias escrevi a 2ª carta aberta aos militantes PSD de Santo Tirso. Tal como noutros posts sobre o mesmo tema, recebi vários comentários de um “Luís Filipe Monteiro”. A táctica foi a mesma, entrada de mansinho, para depois partir para o insulto.

Não sou de fugir a qualquer tipo de discussão. Não sou de desrespeitar a opinião diversa. Nem sou de insultar o próximo. Daí, parti para uma tentativa de discussão saudável, com troca de argumentos e factos. Que utopia a minha! Não foi possível.

O tal senhor “Luís Filipe Monteiro” não rebateu um (um único!) facto que apresentei. Não apresentou um (um único!) argumento para sustentar sua opinião. Limitou-se ao remoque, à acusação sem fundamento, e ao insulto. Algo que não me surpreendeu.

Os insultos e as acusações recebidas deixaram-me curioso. Quem seria esta criatura? Que razões teria para se fazer “advogado do diabo” (a actual liderança do PSD)? E que mal lhe teria feito para me insultar de forma tão vil e tão mentirosa?

A plataforma do WordPress, onde está alojado este blogue, permite-nos ver o IP de quem comenta. O IP deste senhor era 194.65.122.241. Fui fazer o track ao IP e constatei que estava registado em nome do Instituto Emprego Formação Profissional.

Ora quem conhecemos nós, que trabalha no Instituto Emprego Formação Profissional? Pois é, esse mesmo! Alírio Canceles! O actual presidente do PSD Santo Tirso, escondeu-se atrás de um nome fictício com o intuito de se defender e de me insultar.

Isto demonstra bem a falta de carácter e de coragem deste senhor. Ele que se diz tão íntegro e corajoso. Que se arroga da exclusividade da defesa das boas práticas e do cumprimento das regras. Afinal vem apenas confirmar o que tenho escrito.

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