#Autárquicas2013 Tal como os políticos profissionais

♦ A forma pausada de falar, sí-la-ba a sí-la-ba, tal como os políticos profissionais.

♦ As palavras caras para embelezar o discurso vazio, tal como os políticos profissionais.

♦ As expressões jurídicas para encher o discurso redondo, tal como os políticos profissionais.

♦ Os clichés vazios “novo rumo… novo paradigma… novo futuro“, tal como os políticos profissionais.

♦ O vício da mãozinha estendida a endireitar o microfone, tal como os políticos profissionais.

♦ O “passar a mão pelo pêlo” dos camaradas (4 minutos de agradecimentos!), tal como os políticos profissionais.

♦ O enfatizar do lugar que ocupa como deputada na AR (três vezes!), tal como os políticos profissionais.

♦ O encaixar do slogan da campanha no discurso para colorir a oratória, tal como os políticos profissionais.

♦ O tratar o candidato por “tu” para simular sentimento e realismo, tal como os políticos profissionais.

♦ O criticar o adversário político sem nenhum argumento consistente, tal como os políticos profissionais.

Foi isto, Andreia Neto – a brilhante deputada Tirsense na Assembleia da República – na apresentação de Alírio Canceles – o brilhante candidato do PSD e do PPM à CM de Santo Tirso. Ver o discurso na íntegra aqui.

Tudo como se quer, em política neste país. Muito lugar-comum. Muita hipocrisia. Muito teatro. Muito fingimento. Nenhuma ideia. Nenhuma solução. Nenhuma medida concreta. Nenhum conteúdo. Nenhuma substância.

Portanto, “Nada de novo, no reino da Dinamarca“, tal como escreveu William Shakespeare, em Hamlet.

E agora PSD Santo Tirso?

A táctica do líder do PSD Santo Tirso para as Autárquicas 2013 era simples: adiar ao máximo a escolha do candidato para depois, em cima da hora, se escolher a ele mesmo. Note-se que estamos a apenas 10 meses das eleições e o principal partido ainda não tem candidato. Pouco ético (e a política sem ética é uma vergonha, como disse Sá Carneiro) mas legítimo.

Legítimo porque venceu as eleiçōes locais e lhe cabe a ele, como Presidente, indicar o candidato. Legítimo porque durante 4 anos trabalhou praticamente sozinho (por opção própria) no partido e na vereação. Legítimo porque nesta altura já nenhum outro consegue a presença no terreno que ele juntou ao longo do mandato.

Mas essa táctica era baseada no pressuposto de que Castro Fernandes não seria mais candidato, e o PS teria um candidato ao nível do líder do PSD, ou seja, fraco! Esperava que o Poder lhe caísse no colo. Mas tudo isso mudou com a chegada de Joaquim Couto e a sua recente vitória nas primárias, que o coloca como candidato (fortíssimo) do PS.

O líder do PSD Santo Tirso é fraco mas não é parvo. Sabe que não terá hipótese de vitória. Será que agora muda de táctica e escolhe outro candidato, para evitar ser humilhado nas urnas? Não surpreendia. Já noutras alturas demonstrou covardia. Irá agora fugir novamente, e escolher algum “boneco” para ser cilindrado por Joaquim Couto?

Durante anos (desde 2006) o líder do PSD fez tudo para ser ele o candidato nas Autárquicas 2013. Usou colegas militantes, afastou adversários internos, ludibriou estatutos, trabalhou o cacique, autopromoveu-se na internet atrás do anonimato e de nomes falsos. Mas desde que Joaquim Couto venceu já se ouve dizer que ele poderá indicar outro para ser candidato.

E será que, se o tentar fazer, haverá algum “palerma” que caia na “esparrela”? Zé Pedro Miranda foi um dos nomes que vieram à baila. Duvido que se deixe enganar. Ele sabe que sairia derrotado. Ainda é novo e pode fazer muito mais por Santo Tirso, juntando capital político para daqui a 4 anos ser candidato à CMST e vencer tranquilamente.