A mesma “receita”


Depois da derrota do PSD nas legislativas, alguns responsáveis laranjas apressaram-se a pedir a demissão de Manuela Ferreira Leite e da sua CPN. Os líderes das 2 maiores distritais foram os que mais se ouviram, Carlos Carreiras (que apoiou Santana Lopes nas eleições 2008) e Marco António Costa (que é apoiante de Passos Coelho).

Estes 2 grandes responsáveis do PSD defendem que (apesar das vitórias nas Europeias e Autárquicas) a actual liderança não tem condições de continuar, e que o partido precisa de uma renovação geracional. Dizem que há gente que está à tempo demais no partido.

Lembro o que CC disse depois de saber a composição das listas para a AR, nas quais não estava: “…esta incoerência entre os valores o que se diz e aquilo que se pratica“. É triste que CC se esqueça que na mesma entrevista disse: “Se os resultados (de Lisboa) não cumprirem os objectivos estabelecidos há quase 1 ano não preciso que me empurrem: eu próprio sairei pelo meu pé“. Como diz o ditado: “Olha para o que eu digo, e não para o que eu faço” . MAC voltou a candidatar-se a presidente da CPD Porto, e CC voltou a candidatar-se a presidente da CPD Lisboa.

CC preferiu esquecer-se que perdeu as eleições em Lisboa e em Oeiras. Perdeu 2 vereadores em Vila Franca Xira e 1 na Azambuja e Lourinhã. Foi ultrapassado pelo PS em Sobral Monte Agraço e pelo PCP em Odivelas. Manteve-se em Cascais e Sintra.

MAC preferiu esquecer-se que perdeu as eleições na Trofa (!!) e em Sto Tirso. Perdeu 1 vereador na Póvoa Varzim, em Vila do Conde, em Paços Ferreira e em Baião. Perdeu 2 vereadores em Matosinhos. Ganhou Felgueiras e manteve-se em V.N.Gaia e Porto.

Ora, há quanto tempo são, MAC e CC, presidentes das respectivas distritais? E não são estes senhores que querem os louros das vitórias nos seus distritos? não terão eles responsabilidades também no resultado das legislativas? Dito isto, não seria coerente que MAC e CC aplicassem a si próprios e às suas CPDs a mesma “receita” que querem para MFL e a CPN?

(e o mal é que isto se aplica também a muitos presidentes de concelhias e núcleos de freguesia espalhadas pelo país. Eu conheço 2 exemplos bem de perto. Um no distrito do Porto e outro no distrito de Coimbra)

Novos Tempos, Novos Desafios, Novas Ideias


Fui esta noite, com muita expectativa, para a 1ª das conferências organizadas pelo Instituto Francisco Sá Carneiro, subordinadas ao tema “Novos Tempos, Novos Desafios, Novas Ideias” que servirão para pensar o futuro do PSD e de Portugal. Os oradores eram Francisco Pinto Balsemão, José Manuel Fernandes e Miguel Morgado.

Balsemão esteve muito bem na sua intervenção. Lembrou a natureza do PSD. Apesar de ser o mais velho, foi o que mais ideias lançou no sentido de pensar um futuro melhor. Propôs medidas para a justiça e educação, falou de reformas nas mais variadas áreas de governação, e até deu a sua opinião sobre temas tão actuais como o ambiente ou as novas tecnologias. Terminou lembrando que, tal como Sá Carneiro, os reponsáveis políticos do PSD devem ser diferentes (“mais do mesmo, ainda que melhor executado, não nos leva a lado nenhum“) e devem reger-se por valores (“só se serve bem o PSD, se se servir bem Portugal“).

JM Fernandes e M Morgado foram, para mim, uma desilusão. O que disseram foi um lugar-comum. Falaram das lutas internas nos partidos, da dependência das pessoas do Estado, da demasiada intervenção deste na sociedade, dos boys que se apoderam do aparelho de Estado, da descentralização de poderes. Enfim, nada que não saibamos já todos. Disseram que se devia romper com este passado e mudar a maneira de organização, os programas, etc. Ou seja, contributo para o debate? nenhum. Para piorar, Morgado disse que o PSD devia definitivamente virar à direita pois era essa a sua identidade, igual à do CDS.

Ora, esta gente (supostamente) intelectualmente superior, vem dizer que devemos fugir para a frente (ou para a direita) e romper com o passado. Pois eu não concordo. Dizer que é necessário mudar programas e adaptá-los aos novos tempos não é novidade nenhuma. Qualquer pessoa com um mínimo de bom senso percebe que isso é necessário, já que vivemos num mundo diferente, globalizado.

É certo que devemos ter novos desafios e novas ideias, mas precisamos de nos agarrar aos antigos valores e aos velhos principios. A ética, a moral, a transparência, a verdade, a coragem, a dignidade, a responsabilidade. O sentido de missão, o respeito pelos cargos públicos e pelas instituições.

Também aproveito para deixar uma opinião quanto à organização destas conferências. Ser o melhor aluno do curso, tornar-se prof ou ser convidado para leccionar noutro país, prova apenas que se é bom na teoria. E nem o estilo despistado e despenteado (do tipo génio), a utilização de palavras caras ou a citação permanente de pensadores faz de alguém um ser intelectualmente superior, com resposta para tudo, ou dono da razão.

As soluções que o IFSC procura para Portugal são de ordem prática, e para isso precisa de convidados com provas dadas desse ponto de vista. Gente que estudou, que investigou, mas que também criou, trabalhou, geriu e fez crescer com sucesso. Pessoas com a visão, a capacidade, a reputação e o sucesso de José António Salcedo ou Rogério Carapuça.

Se além disto, o IFSC quer também discutir soluções para o partido, não ponha a falar sobre esse tema, pessoas que não conhecem a estrutura. Que não estão interessados em saber como se organiza o PSD. Para esses, o partido são os Passos-Coelhistas, os Ferreiristas, os Cavaquistas, os Marcelistas… Mas o partido não é isso, é a C.P. Núcleo ou a C.P. Concelhia, são as bases!! Mas que interessa isso aos media? nada!! O Zé presidente do núcleo ou o Manel presidente da concelhia não vendem jornais. Que sabem então estes jornalistas/comentadores sobre o partido? Não quero esta gente a “pensar” o meu PSD.

O país das tristes maravilhas

Um fim-de-semana prolongado espectacular. Está tudo maravilhado com o sucesso da Cimeira Ibero-Americana e com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa. José Sócrates, o nosso PM, é o maior !!

Entretanto, no que nos diz respeito, o desemprego já ultrapassou os 10% (e vai continuar a subir), o défice vai atingir os 8% (e não sei se ficará por aqui), as pensões vão cair 1,65%, os impostos vão aumentar. Mas José Sócrates continua a ser o maior !!

Este é o Portugal que conhecemos, um país de tristes maravilhas.

Para ler e reler…

A excelente entrevista de António Barreto ao jornal i de hoje:

Sobre a política e os políticos: “Porque se fala tanto, há cinco ou seis anos, de um crescendo da propaganda política? Porque a vontade não é que as pessoas participem, mas que se limitem a subscrever, e passivamente. Se se quiser participação, há que respeitar as pessoas, dando-lhes conhecimento, informação e manifestando respeito pelas opiniões contrárias. Participar é isso. Quando não se quer que as pessoas participem faz-se propaganda: exigindo obediência ou impassibilidade“.

Sobre a asfixia democrática na sociedade: “Prefiro, acho que é mais grave. Em Portugal quase toda a gente depende do Estado, do governo, das instituições públicas oficiais, dos superiores, dos empregadores. Não há verdadeiros focos de independência. Depende-se de muita coisa: do alvará, de ter autorização, de ser aceite, da boa palavrinha do bom secretário de Estado que diz ao bom banqueiro que arranje uns bons dinheirinhos para fazer o investimento. A dependência é enorme. Não é asfixia, uma vez mais, é dependência. As pessoas têm receio pelo seu emprego, pelo seu trabalho, pelo trabalho da família. Conheço algumas que até têm receio de falar…”

Sobre o país: “Entre 1960 e 1995 houve uma verdadeira cavalgada: fomos o país que mais cresceu e se desenvolveu na Europa, com uma mudança demográfica completa, outra nos costumes, algo de absolutamente fantástico! De repente chegámos a 90 ou 95 e percebemos que não tínhamos inovado nem criado muito… Fizemos auto-estradas – qualquer país com um cheque na mão as faz -, mas não fizemos novas empresas, novos projectos, novos produtos. E perdemos muito do que tínhamos: demos cabo da floresta, demos cabo da agricultura, demos cabo do mar. Três coisas imperdoáveis, três erros históricos. E não sei se ainda é possível voltar a prestar atenção à floresta, à agricultura, ao mar…”

Conclusões: “Se não houvesse a Europa e se ainda houvesse Forças Armadas, já teríamos tido golpes de Estado. Estamos à beira de iniciar um percurso para a irrelevância, talvez o desaparecimento, a pobreza certamente. Duas coisas são necessárias para evitar isso. Por um lado, a consciência clara das dificuldades, a noção do endividamento e a certeza de que este caminho está errado. Por outro, a opinião pública consciente. Os poderes só receiam uma coisa: a opinião dos homens livres“.

Aguentem-se à bronca

Quanto custará disfarçar os números do desemprego? Mesmo que isso signifique dizer que é 9,5% em vez de 10%…

55 Milhões de € por ano.

É por estas e por outras que se fala tanto em ser inevitável subir os impostos. Que maravilha. O povo tem aquilo que merece. Deixaram Sócrates no governo, agora aguentem-se à bronca.

Não é viável, mas era mais do que justo

PS e PSD chumbam proposta: reforma com 40 anos de descontos não é viável

Não é viável, estou de acordo, mas era mais do que justo. E não é viável porquê? por causa das asneiras que PS e PSD fizeram nos últimos 15 anos. Diga-se que 13 desses foram governados pelo PS e apenas 2 pelo PSD.

Curioso também nesta notícia, ver que já há deputados do PS a admitir que está à vista a ruptura da Segurança Social. Algo que os governantes do PS teimam em não aceitar como um cenário mais do que evidente, dentro de alguns anos.

PSeuDo-Elites vs PSeuDo-Elites?

Na entrevista dada hoje ao jornal i, Marco António Costa não se conteve, mais uma vez.

MAC tem toda a razão quando diz que “Há pessoas no PSD que ainda não perderam o vício de acharem que pertencem a uma certa aristocracia política… deve marcar a vida interna do partido“. Existe de facto uma pseudo-elite em Lisboa que continua a querer mandar no partido.

E para essa pseudo-elite vale tudo para se manter no poder. Até “comer os próprios filhos”. Por isso concordo com MAC quando ele diz que “Ela [MFL] não merece o que lhe está a ser feito, por algumas pessoas que a empurraram para que fosse líder do partido e que neste momento já estão preocupadas em arranjar um sucessor

Mas como sempre MAC dá uma no cravo e outra na ferradura. Mais uma vez tem o atrevimento de tentar pressionar Rui MacheteApenas pretendo que o presidente da mesa do congresso pondere estes factos, que alteram objectivamente a decisão de não serem marcadas eleições directas no partido… deverá assumir as responsabilidades decorrentes do cargo que ocupa“. Não me parece que MAC tenha autoridade alguma para pressionar um histórico do partido.

Se MAC está tão preocupado com o futuro do partido, o melhor contributo que pode dar, para já, é conter-se nas críticas e lutas internas. Se MAC está apenas preocupado em deitar abaixo as pseudo-elites de Lisboa, para colocar lá outras pseudo-elites, então vai no bom caminho.

Visão, Capacidade, Reputação, Sucesso

No seguimento do post anterior, deixo ficar aqui os vídeos da brilhante participação de Rogério Carapuça (fundador e Presidente da Novabase) no “Prós e Contras” de 26 Out 2009:

1ª parte
2ª parte

E repito também a não menos brilhante participação de José António Salcedo (fundador e CEO da Multiwave Photonics) nas Jornadas Parlamentares do PSD em 23 Nov 2009:

1ª parte
2ª parte

Isto é que são homens com visão e capacidade, gestores conceituados, empresários com sucesso. Quem dera que algum dia Portugal os chamasse (e a outros que por aí andam) para governarem o país.

Para ver e rever…

Hoje, em vez de perder o meu tempo a ver o “Prós e Prós” na RTP, sobre mais um assunto que apenas me deprime (caso Face Oculta), resolvi aproveitar para ver a brilhante participação de José António Salcedo nas Jornadas Parlamentares do PSD. Salcedo é amigo pessoal da minha família e foi o melhor professor que tive na faculdade. É um génio e um grande empresário.

José António Salcedo é fundador e CEO da Multiwave Photonics e esta sua intervenção deveria ser vista e revista por todos aqueles que estão à frente dos destinos do país, por todos os que estão à frente das empresas, por todos os cidadãos que têm a responsabilidade de dar um futuro a Portugal.

Deixo aqui alguns excertos da intervenção, para levantar um pouco o véu:

O Estado deve num extremo legislar, no outro fiscalizar e no centro ser catalizador e pouco interventor

Criar uma malha de PME onde os empresarios criam produtos e serviços amarrados à sua massa cinzenta porque só aí é que está valor acrescentado

A India envia 100.000 estudantes por ano para universidades americanas, e 95.000 regressam, a China tem uma política semelhante […] Portugal importa serventes da construção civil para as obras públicas

Sistema de ensino tem de ser exigente, baseado no mérito e na experimentação. Não pode ser simulado, baseado em modelos sociológicos e pedagógicos inventados dentro do ME

Devemos afastar o Estado das intervenções executivas na economia, e temos exigir que fiscalize e puna os crimes

O ensino superior não deve ser um direito de todos, deve ser um privilégio, para aqueles que têm capacidade para lá estar

O dinheiro do Estado não é público, é nosso !!