A crise é de valores

No dia 30 de Abril 2009, o Paulo Colaço convidou-me para escrever um artigo como convidado do Psicolaranja. Disse-me que poderia escrever sobre o que bem entendesse, desde que o tema fosse actual (à data). Assim o fiz e escrevi sobre a Crise de Valores. Passado um ano, e depois de os portugueses terem sido chamados a 3 eleições, parece-me que essa crise se agravou. Transcrevo aqui o que escrevi para nova relfexão:

Pelo que vemos hoje, o combate político irá centrar-se nas qualidades pessoais dos candidatos: integridade, honestidade, seriedade, carácter, educação, postura, etc. Infelizmente, no cenário político actual, impera a avaliação destas coisas, em vez do debate de ideias, ideais, estratégias, planos de acção, medidas e soluções.

Todos sabemos que o povo prefere ouvir falar do acessório, mais do que do essencial. Mas o facto é que os políticos de hoje “se puseram a jeito”. Não faltam escândalos de corrupção, compadrios e afins, que todos sabemos serem verdade. Até porque, por vezes, esses casos se passaram connosco ou com alguém próximo, não é preciso tribunais para o provar.

Além disso, a maioria dos políticos de hoje é hipócrita. Regem-se por aquele velho ditado “Olha para o que eu digo, não para o que eu faço”. Todos são a favor da ética, da transparência, da verdade. Mas depois não a praticam. Aliás, muito pelo contrário.

Para melhorar a política, é importante haver sentido de missão no desempenho dos cargos. É essencial, que os políticos coloquem, de uma vez por todas, os interesses colectivos á frente dos interesses pessoais.

Temos de voltar à política que existiu nos primeiros 20 anos após o 25 Abril 1974, quando as pessoas confiavam nos políticos, consequência dos seus bons desempenhos e da sua preocupação real com o país. Com isso, as pessoas com mais capacidade não fugiam da política, e portanto não deixavam lugar vago aos mais incompetentes, interesseiros e vigaristas.

Além do sentido de missão – que por vezes, ainda se vê em alguns (poucos) políticos – é preciso haver coragem. Alguns até têm capacidade, mas falta-lhes a coragem política para implementar medidas. Dizem-se todos muito determinados e decididos, mas depois é o que se vê.

Tal como dizia Pedro Lomba há uns tempos no DN: “Fazer de Portugal um sítio governável implica actuar sobre as causas que há 10 anos nos impedem de crescer. Que valor pode ter um Governo de maioria absoluta, que se mostra incapaz de afrontar os problemas essenciais do País? A estabilidade depende dessa coragem e não das maiorias absolutas.”

Também muito importante, é manter o respeito pelos cargos públicos. Chega a ser chocante, o desrespeito dos políticos de hoje pela posição que ocupam. Por exemplo, José Sócrates, aquando da ida do coro do Colégio Militar, a São Bento cantar as janeiras, disse que agradecia e fazia votos de querer voltar a vê-los no próximo ano, no mesmo local. Ora esta afirmação – proferida nestas circunstâncias – mais do que partidária, é de um baixo cariz eleitoralista e demonstra desrespeito pelo cargo que ocupa.

Além do respeito pelos cargos, há também que lembrar o respeito pelas instituições. A utilização partidária e egocêntrica, de algumas instituições, por parte de alguns governantes é incrível. Tudo serve para ser utilizado a seu bel-prazer sem olhar a meios nem a consequências, desde que sirva os seus interesses (veja-se o recente caso do vídeo sobre o Magalhães, utilizado num tempo de antena do PS).

Há uma tendência para, quem está no poder, ir tomando conta de todos os sectores. Os partidos colocam os seus boys nos lugar-chave, e chamam a si o controlo de bancos, empresas e projectos de interesse estratégico e estruturante (como o Porto de Lisboa, o TGV, o Aeroporto ou a 3ª travessia do Tejo).

E depois, todas essas pessoas que gravitam á volta do poder de Lisboa, também contribuem para a degradação da democracia. Principalmente porque lhes falta carácter e dignidade.

Todos os dias vemos, por diversas vezes, pessoas a prestar-se a cenas indiciadoras de posturas de uma subserviência e de uma bajulação demasiado evidente. Tentando assim colher a sua parte dos “lucros”, obter favores, empregos ou cargos.

Infelizmente a política de hoje em dia está num estado lastimável. Toda ela é orientada para os interesses pessoais em detrimento dos reais interesses do país. E depois, em anos eleitorais, baseia-se em propaganda, principalmente nos média. (Montam-se espectáculos que mais parecem circos, onde se fazem promessas que, como de costume, não se vão cumprir).

Nisto, também os média têm uma grande responsabilidade. Um dos grandes problemas do cenário político português, são os meios de comunicação “dita” social. Eles que deveriam ser o veículo de transporte, da mensagem real entre governantes, partidos e eleitorado.

Ou seja, a política está mal, muito mal. A ligação entre ela e o povo está pior ainda. Como vamos nós sobreviver a isto? Mergulhados que estamos numa crise financeira, económica, social… mas principalmente numa crise de valores…

PEC – Programa Enganar Cidadão

O tão esperado PEC, que muitos pensariam ser a solução para os nossos problemas, apenas traz mais do mesmo. Medidas que sacrificam a classe média, que atacam demagogicamente os ricos (para inglês ver), que desprezam ainda mais os desprotegidos e que no final pouco ou nada adiantam para que se coloque as contas públicas em ordem. Senão veja-se…

Os funcionários públicos perderão poder de compra (e o congelamento dos salários não está colocado de parte), a redução das deduções fiscais na saúde e educação comportarão um encapotado aumento de impostos, e as SCUTS vão ser portajadas.

A demagogia continua ao criar-se uma taxa de 45% no IRS que incidirá sobre os rendimentos superiores a 150 mil €/ano, e colocando as mais-valias conseguidas através de vendas mobiliárias tributadas a 20%. Além disso, também as mais-valias obtidas com operações realizadas num período superior a um ano serão tributadas. Mais demagogia na redução de 40% das verbas para a Lei de Programação Militar.

Os pensionistas cujo valor da reforma é superior a 22500 €/ano vão pagar mais impostos e o desemprego será superior a 9% durante os próximos quatro anos.

A confirmação de que estas medidas de pouco ou nada adiantam, vem com o anúncio de que o TGV (essa obra estratégica e impreterível segundo Sócrates durante a campanha eleitoral) vai ser adiado, e que o Governo (que tanto atacou MFL com as receitas extraordinárias) pondera pôr à venda as suas participações nos CTT, EDP, REN, TAP, GALP e seguros da CGD.

Razão tem Pedro Santos Guerreiro no Jornal NegóciosQualquer leitor de jornal percebe à primeira de que forma vai pagá-lo. Mais impostos, menos apoios sociais, menos salários no Estado” […] “As taxas dos impostos não aumentam, mas a razia nas deduções fiscais vai acabar pôr a classe média a pagar mais IRS no fim do ano” […] “A carga fiscal sobe e, pelo meio, atacam-se incentivos errados” […] “O PEC português foi construído à porta fechada, dispensando o acordo dos partidos, dos sindicatos e dos patrões” […] “os países afectados pela crise nos mercados internacionais estão a construir uma história (redução salarial na Irlanda, corte do subsídio de férias na Grécia, aumento da idade de reforma em Espanha)“… e nós estamos assim.

Agressividade 1-0 Ruptura

Pode-se dizer que José Pedro Aguiar-Branco (JPAB) venceu o debate com Paulo Rangel (PR) por uma margem bem maior do que aquela que Passos Coelho (PPC) conseguiu e isto deveu-se principalmente a dois factores. O primeiro, a agressividade (no bom sentido) de JPAB que surpreendeu PR e tornou-o nervoso e intranquilo. O segundo, o desmantelamento da “ruptura” que JPAB conseguiu fazer melhor do que PPC afirmando que PR diz querer romper mas depois recusa substituição do governo ou demissão do PGR, que fala em ideias de ruptura que já estavam no programa do PSD às legislativas 2009, ou até que chama ruptura a propostas que foram de Elisa Ferreira.

Nervoso e intranquilo PR tentou colar JPAB a PPC, sabendo que estava a ser desonesto intelectualmente, o que não lhe ficou bem. Tal como não ficou, ter dito que na campanha para as europeias não achou que o tema da asfixia democrática fosse relevante (para se demarcar da campanha das legislativas) parecendo esquecer-se que ainda há pouco tempo levou o tema ao PE. Alguma importância deveria ter.

Mas uma coisa é verdade, e PR tem razão, até agora só se falou das suas propostas. Seria desejável que se falasse das dos outros dois candidatos, mas o facto é que poucas ou nenhuma apresentaram em concreto. Aguarda-se pelo congresso. No entanto houve uma coisa que me ficou no ouvido, e que me parece importante, JPAB afirmou que apostará na regionalização como forma de descentralizar.

Foi escusada a comparação de experiência política ou do tempo que cada um tem de militância. Rangel tem razão – e tanto JPAB como PPC deveriam saber isso melhor do que ele – quando diz que o PSD sempre tratou todos por igual. É um partido inter-classista e plural, onde velhos e novos são tidos em conta pelas suas capacidades e não pelo nº do seu cartão de militante.

Mas se isso não cai bem a JPAB ou PPC, também não vi com bons olhos PR ter dito que JPAB não teria estado de acordo com a sua indicação para cabeça de lista às europeias. JPAB sempre teve um comportamento exemplar, de solidariedade e apoio. Inclusivamente, como lembrou, foi coordenador da campanha.

Sobre o Governo, os dois estiveram bem. Concordo com PR quando diz que o tema “moção de censura” beneficia o jogo que o PS quer jogar, de fugir às responsabilidades e vitimizar-se. Gostei da explicação de JPAB, como ninguem ainda o tinha feito, do porquê do PSD ter deixado passar o OE2010, além de que atacou impecavelmente e sem demagogias o PS e Sócrates.

Quanto a Ana Lourenço, repito o que disse: fraca, mal preparada e com perguntas desinteressantes. Nenhuma questão sobre programas ou estratégias, apenas perguntas tipo cocktail molotov para pegar fogo ao debate. É horrível a forma como não consegue ligar uma resposta à pergunta seguinte, a irritação e incapacidade para moderar, os jeitos e o olhar. Quem tem dúvidas aprecie bem a senhora e compare logo de seguida com Judite de Sousa. É como água do vinho.

Ouçam o ancião

Há cerca de um ano atrás dediquei 3 posts do meu antigo blogue a Soares dos Santos. Disse que “Soares dos Santos não é um milionário. É um homem humilde, trabalhador e sério. Um empresário com visão e sucesso. Preocupado com a crise em Portugal […] Não deve nem teme o poder ou o corporativismo, não lambe as botas ao governo“. Ao melhor estilo portuga, alguns perguntaram-me se eu sabia o que ele fazia nas suas empresas (fazendo alusão aos boatos de exploração. Tal como existem sobre a Sonae, com a qual trabalhei e nada senti).

A prova veio passados 13 dias quando, depois de já ter falado sobre a crise e o governo, falou ainda melhor sobre as medidas que tomará na sua empresa. Primeiro, abrirá mão das reservas que fez para prevenir um ano de prejuízos. Depois, deixará de pagar dividendos. Em seguida, diminuirá salários de administração e quadros. No final, negociará cortes de horário e salários. Só se, todas estas não forem medidas suficientes, avançará para despedimentos.

Duas semanas volvidas, o empresário exemplo (como lhe chamei) vem explicar o porquê de Portugal não conseguir atraír investimento estrangeiro que lhe permita recuperar a frágil situação económico-financeira: “Na Polónia estivemos sobre ataque por causa de problemas laborais e a justiça funcionou, o que nos deu um conforto brutal. Sei as regras do jogo, posso fazer planos a 5 anos” e mostrava-se preocupado também com a situação social “Preocupa-me principalmente no Norte, o desemprego

Quem tinha dúvidas sobre a capacidade e a honestidade deste senhor foi agora surpreendido pela notícia anunciando que a Jerónimo Martins vai pagar 12,5 M€ em bónus a trabalhadores. O grupo vai dar um bónus extra aos trabalhadores efectivos (20 mil dos quais em Portugal) gastando 12,5 M€. A bonificação é de 250 € por cada empregado. A administração ficará fora das actualizações salariais para 2010.

Este é um homem sério que sabe o que diz e apenas fala quando é estritamente necessário. Tal como Belmiro de Azevedo, não se rende ou vende ao mediatismo. E quando ele diz que “a instabilidade [política do país] resulta em não haver Governo” era bom que todos ouvissem. Para que todos entendam, ele faz um desenho: “Como é que o Governo tem tempo para pensar? Nós, responsáveis, quadros que estamos aqui e outros, não andamos permanentemente na rua a visitar lojas. Não é a nossa função. A nossa função é pensar nos problemas e debatê-los

Remoque 1-0 Ruptura

Olhando ao padrão dos debates em Portugal, Pedro Passos Coelho (PPC) esteve melhor do que Paulo Rangel (PR). Apenas e só porque conseguiu, a espaços, jogar mais baixo. Como que, num pontapé de canto, dar aquelas cotoveladas no estômago do adversário sem que o árbitro veja.

Os seus apoiantes dirão que PPC foi astuto e inteligente, aproveitando os pontos fracos de PR, ao lançar aquelas farpas do “sou militante há 30 anos“, “eu não li livros, estive lá“, etc. Para mim isso não passa de jogo baixo. Quem tem um programa credível não precisa destes remoques para ganhar terreno.

Além de que PPC repetiu várias vezes que “esteve lá” com Cavaco e Sá Carneiro, mas disse que estes não romperam, ao invés, geraram consensos. PPC demonstra assim que, se esteve lá, estava desatento. E PR apesar de estar no PSD há menos tempo, sabe mais da sua história. Sá Carneiro e Cavaco romperam e forte com o partido e com o país.

Lembre-se que Sá Carneiro rompeu até com o seu partido abandonando-o temporariamente, para depois voltar em grande e chegar a 1º ministro. Cavaco também rompeu com o PSD de Balsemão, para depois ser aclamado presidente e chegar a 1º ministro. Como chefes do Governo romperam com a história recente (dessa altura) do país e viraram Portugal para o futuro.

Para já não sou apoiante de PR (quero ver equipas e programas antes de decidir o voto) e não quero comparar a ruptura de PR à ruptura de Sá Carneiro ou Cavaco. Mas o facto é que PR tem razão ao dizer que o PSD venceu quando rompeu com o establishment.

Quanto ao debate de ideias pouco há para dizer. A certa altura PPC e PR tentaram, e bem, direccionar o debate para aí. PPC puxou para a economia (tema que lhe é favorável) e PR para a educação (na qual se sente à vontade), mas depressa a fraca e gótica (toda de preto com aquele crucifixo?!) Ana Lourenço desviou para confronto pessoal, porque é o que dá audiências em Portugal.

Bluetooth, Rei da Dinamarca


Bluetooth foi o cognome de Harald Gormsson, rei da Dinamarca entre o ano de 958 e 970. Este rei ficou conhecido por ter conquistado e unificado todos os países nórdicos. Daí vem o nome da tecnologia hoje utilizada para unificar, num só protocolo de comunicação, vários dispositivos (telefones, computadores, auriculares, etc.)

O auricular bluetooth veio permitir aos condutores poderem falar ao telefone sem que isso interferisse na condução do automóvel, reduzindo assim o risco de acidente. Esta tecnologia pode assim, além de facilitar a comunicação, salvar algumas vidas.

Desde há muitos anos que fico revoltado quando vejo pessoas a falar ao telefone sem auricular ao mesmo tempo que conduz. É uma irresponsabilidade e um perigo, para não dizer que é proibido (e as multas são caras). Fico principalmente indignado com uma certa “classe”… a “classe” de pessoas que anda em automóveis topo de gama.

Hão-de reparar, tal como eu, que 90% das pessoas que andam em automóveis que custam acima de 50.000 €, além de estarem permanentemente ao telefone enquanto conduzem, nunca têm auricular. Eu pergunto, têm dezenas de milhares de € para comprar automóveis, e não têm 20 € para um auricular?

Que raio de gente pseudo-rica, mal educada, irresponsável, pretensiosa, arrogante e estúpida. Pobres de espírito.

Ninguém escolhe família. Mas os amigos…

Mais escutas vieram a público. José Sócrates não é ouvido em nenhuma delas. Quero acreditar que nas 11 que o envolviam, e que foram entregues ao Presidente do STJ, não houvesse nada de criminoso. Mas se assim era, porque demorou tanto a avaliação das mesmas? Não se compreende. E por ter havido eleições legislativas pelo meio, é legítimo que todos desconfiem que o atraso foi propositado.

Partindo do princípio que José Sócrates nada tem que ver com estes planos (que envolvem TVI, RTP, PT, MEO, TagusPark, Refer, Luís Figo, DN, JN, Lusa, etc.) fico sem perceber qual os motivos e os objectivos que levaram Rui Pedro Soares, Paulo Penedos, Armando Vara, João Carlos Silva, José Thomati, etc a fazer tais diligências, a engendrar tais planos, a corromper e influenciar à custa de dinheiros que não eram seus.

Segundo consigo perceber pelas declarações do PM e da sua guarda pretoriana, o problema não é José Sócrates ser um homem sem carácter, sem principios e sem valores. O problema não é sequer José Sócrates ser um mau governante ou um político corrupto. O problema é que José Sócrates está com azar nos familiares (estes ninguém pode escolher) e amigos (estes todos podem escolher) que tem.

1 – A propósito do caso Freeport, Sócrates é inocente e tem o azar de um primo abusador ter utilizado o seu nome e cargo para obter contrapartidas financeiras.

2 – A propósito do caso Face Oculta, Sócrates é inocente e tem o azar de uns amigos abusadores terem utilizado o seu nome e cargo para obter… apoios para a candidatura do mesmo Sócrates às legislativas 2009.

Caramba… agora fiquei confundido. Então os amigos de Sócrates arriscam a própria pele – corrompendo e influenciando com dinheiros públicos ou de accionistas de empresas privadas – e têm como objectivo beneficiar Sócrates (que de nada sabe) em vez de se servirem a eles mesmos? Que raio de gente esta… nem para eles são bons… ou então, a versão de Sócrates está mal contada, o PM está mesmo envolvido como cabecilha, e o procurador do MP mais o Juíz de Instrução de Aveiro têm toda a razão.

A seguir vem o “Lelo Marmelo”


Fernando Nobre vai apresentar a sua candidatura à Presidência da República. Faz ele muito bem. Atrás dele virá com a mesma intenção Manuel João Vieira.

Ou então, a intenção deste anúncio de Fernando Nobre é desviar as atenções das borradas que o Governo tem feito. Ou então, a intenção desta candidatura é mesmo derrotar Manuel Alegre.

O lado positivo das eleições no PSD

Avizinham-se tempos em que vários militantes do PSD vão dar motivos para que a comunicação “dita” social e a opinião pública possam fazer trovas burlescas e satíricas do partido. Digo isto porque estou convencido que o combate pela liderança do PSD será feito pela negativa.

Maquiavel dizia em O Príncipe que havia duas formas de fazer campanha política. Uma delas era dizer bem de si, e a outra era dizer mal do adversário. Temos hoje implantada em Portugal uma única forma de fazer campanha política, e que vai de encontro à 2ª opção ditada por Maquiavel.

Os responsáveis por este estilo de fazer campanha são os políticos que temos tido nos últimos 15 anos. Como estes foram políticos incompetentes, nada mais lhes restava em campanha do que dizer mal do adversário, já que nada tinham para dizer bem de si próprios. Guterres iniciou este estilo e Sócrates aprofundou-o e tornou-se mestre.

A campanha interna no PSD começou há umas semanas, e para já o que tenho visto não me agrada. Têm sido quase nenhuns os militantes que tenho ouvido a dizer bem do seu candidato, ou do programa deste. A maioria apenas tem “blasfemado” os adversários.

Acho que devem ser apontados os aspectos negativos dos candidatos – afinal de contas precisamos de ver o que há de positivo, e também o que há de negativo em cada um, para que possamos fazer uma análise equilibrada – mas tudo tem limites. E para sermos honestos devemos falar verdade.

Vou ser diferente daqueles que tenho ouvido/lido e aponto a seguir alguns pontos positivos de 3 dos 4 candidatos a líder do PSD:

José Pedro Aguiar Branco
1 – É deputado na Assembleia da República
2 – Tem experiência de combate com Sócrates c/ líder parlamentar
3 – É um homem íntegro, responsável, exigente, leal e respeitador
4 – Não é conotado com nenhuma das facções do partido
5 – Demonstrou ter sentido de Estado na gestão de dossiês
6 – Tem experiência governativa como Ministro

Paulo Rangel
1 – É reconhecidamente um homem inteligente, determinado e lutador
2 – Tem experiência de combate com Sócrates c/ líder parlamentar
3 – Já venceu, pelo PSD, umas eleições disputadas a nível nacional
4 – Pouco ligado à “máquina” partidária (pouco tempo de militante)
5 – A sua figura e retórica são convidativas e persuasivas
6 – Tem experiência governativa como secretário de Estado

Pedro Passos Coelho
1 – Conhece a história e a dimensão cívica do PSD
2 – Não está ligado a governos PSD do passado
3 – Teve a oportunidade de ver de perto como trabalhava Cavaco Silva
4 – Tem background de gestão de recursos e pessoas
5 – Tem boas ideias sobre economia em geral
6 – Conhece diversas áreas do mercado empresarial

Interesses (pess)o(nacion)ais

Não vale a pena fazer mais considerações às actuações do primeiro-ministro, dos governantes, dos altos representantes da justiça, dos administradores das grandes empresas, dos banqueiros, dos reguladores, das autoridades. Está tudo visto… há muito tempo. Como dizia Lobo Xavier na “Quadaratura do Círculo“, não é preciso ler escutas para saber o que se passa.

O que interessa agora, chegados a este ponto, é que Portugal não pode continuar assim. Liderado por este bando de homens gananciosos, arrogantes, corruptos, incompetentes, incapazes e sem carácter. Passamos por uma grave crise económica, financeira, social e de valores. E este Governo tem de ser demitido para termos algumas hipóteses de recuperar.

Qualquer coisa é melhor do que isto. Mas pelos vistos, mais uma vez, os responsáveis – aqueles que elegemos para tomarem conta do nosso futuro e para nos representarem nos orgãos da democracia – colocam os seus interesses pessoais e corporativos à frente dos interesses nacionais.

1 – O PR Cavaco Silva não demite o governo porque pensa nas eleições de Janeiro 2011. Não tenho a mais pequena dúvida que, se as eleições presidenciais tivessem sido em Janeiro 2010, este Governo já estava no olho da rua.

2 – O PSD não apresenta uma moção de censura porque tem medo de ser acusado de provocar uma crise política – a somar à crise social, económica e financeira – e de assim se ver fragilizado numas futuras eleições.

3 – O CDS também não o faz porque não quer passar a imagem de desestabilizador. Tem-se esforçado por manter a atitude politicamente correcta que lhe deu os 12%. Aposta na mesma táctica para subir no próximo acto eleitoral

4 – O PCP e o BE, por muito que digam mal de Sócrates, preferem ter lá o PS do que abrir a porta para um governo PSD ou uma coligação PSD-CDS. Ainda têm o trauma da direita e esquerda. Algo que nos dias de hoje, para mim, já não existe.

Ou seja, todos zelam pelos seus próprios interesses. Mas esquecem-se do superior interesse de Portugal. Esquecem-se que adiar a queda deste governo para 2011 é dar a Portugal e aos portugueses mais 2 anos de atraso. Tempo esse que poderá ser definitivamente fatal.