Uma questão de “moeda”

Pedro Santana Lopes (PSL) vem criticando o PR Anibal Cavaco Silva (ACS) e não é de agora. Todos se lembrar, por exemplo, da recente “pancada” que PSL deu em ACS no discurso que proferiu no penúltimo congresso do PSD. A critica de PSL a ACS nada tem que ver com a questão da promulgação do casamento gay, esse foi só o último motivo que arranjou.

Todos nos lembramos da “boa e má moeda”, artigo de opinião no qual ACS criticava PSL em plena campanha para as Legislativas 2005. Por causa disto – e também por nunca o ter promovido a Ministro nos seus governos – PSL tem um problema pessoal com ACS (e vice-versa). Problema esse que recentementee também se tornou político, dadas as diferenças de pensamento entre os dois.

PSL está assim a vingar-se, fazendo ACS pagar “na mesma moeda”. Isso, aliado à vontade de se posicionar como futuro candidato (do PSD e do CDS) à PR.

O estranho é esta relação ter começado bem, ao ponto de ACS recomendar PSL no governo de Sá Carneiro, e de ter trabalhado de perto com ele nos seus governos. Nas famosas reuniões do “núcleo duro” (em que estavam ACS, EM, FN e JMDB) às tantas começou a participar também PSL, a pedido de ACS.

O Portugal que não quero (I)

Eram 23h30 e estava eu numa deserta área de serviço da A8. Chega um bruto Jaguar de onde sai um jovem com os seus 30 anos, vestido da forma mais parola que tenho visto. Aproxima-se do balcão, pede uma cerveja em lata e sai a alta velocidade.

Distorção da condecoração

Muito se tem criticado as condecorações que, como habitualmente, serão atribuidas pelo PR no dia 10 Junho. As críticas têm apenas uma direcção: o próprio PR. A maioria das opiniões reprova condecorações a certas e determinadas pessoas, e ataca Cavaco Silva colocando-lhe nas costas o ónus da nomeação. Importa portanto esclarecer o seguinte:

Estas condecorações pretendem “traduzir o reconhecimento da Nação e do Estado para com os cidadãos que se distinguem pela sua acção em benefício da comunidade. As ordens honoríficas destinam-se a distinguir os cidadãos que se notabilizarem por méritos pessoais, por feitos cívicos ou militares ou por serviços prestados ao País“.

Como se pode ler no site Ordens HonorificasA competência do PR para conferir agraciamentos pode ser exercida: a) por sua iniciativa; b) sob proposta do conselho de Ministros, do PM, ou dos Ministros; c) sob proposta dos conselhos das ordens […] as propostas devem ser fundamentadas e remetidas à Chancelaria das Ordens Honoríficas

Cada ordem tem portanto o seu conselho (composto por 8 vogais) e a esse competirá dar parecer sobre as propostas de agraciamento. Pode por isso dizer-se que o PR concede todos os graus, mas não é responsável por todas as propostas e respectiva aprovação.

Este ano há vários condecorados que geram consenso: João Salgueiro, Eunice Muñoz, Silva Peneda, Rosa Lobato Faria, Saldanha Sanches. Mas há outros que têm valido a quase “crucificação” do PR: Isabel Pires de Lima e Nunes Correia.

Ora, a propósito disto apraz-me dizer o seguinte: a) Sou contra este excesso de condecorações. Todos os anos os PR‘s concedem dezenas delas tirando-lhes, em minha opinião, valor e banalizando-as. b) É grave alguém servir-se destas altas distinções para manobras políticas eleitorais. Parece-me evidente que José Sócrates e o Governo fizeram de propósito ao sugerir a condecoração de 2 nomes que notoriamente têm má imagem na opinião pública (e inclusivamente foram criticados no seio do PS), para desta forma fragilizar o PR numa altura de pré-campanha para as Presidenciais 2011.

O futebol mudou muito…

O assunto é futebol, não estivessemos nós em ano (e mês) de campeonato do mundo. Mas é um futebol diferente, pelo menos não é igual ao futebol de que gosto e que estava habituado. É diferente dentro e fora do relvado.

Dentro do relvado, parece que já não se ganha jogos com esforço, trabalho de equipa e golos. Isto, a julgar pelas escolhas de Queiróz – que escolheu mais jogadores de propensão defensiva do que ofensiva para disputar o Mundial – e também pela falta de empenho e excesso de individualismo dos atletas.

Nas bancadas também tudo agora está mudado. Já não se ouvem os “aaahh” – quando o central corta um excelente passe do médio para o avançado – os “uuuhh” – quando o avançado falha o golo à boca da baliza – ou até o “goooolo” quando a bola toca as redes. Agora só se ouve o “pooohhh” das irritantes gaitas.

Além disso, é engraçado ver como são diversos os espectadores. Olhando para as bancadas só se vêem telemóveis e câmaras em riste para gravar o momento. É raro ver alguém a olhar para a bola, para o jogo. Está é tudo a gravar a imagem do CR7 ou do estádio ou do cenário. A maioria não está lá porque aprecia futebol, está para dizer que esteve.

Brincar aos mundiais, prostitutas e hóteis de luxo

A nossa selecção é a imagem do país e dos portugueses. Muito espectáculo, muito barulho, muito aparato e pouco trabalho, pouco esforço, poucos resultados. Enquanto outras selecções – que querem ser campeãs do mundo – estão concentradas a treinar, nós andamos a brincar aos mundiais.

Com as escolhas de Queiróz já não vale a pena perder mais tempo. Todos os dias a equipa tem jogadoresno estaleiro” e ainda não conseguiu fazer um treino com os 23 jogadores. A consequência é, a 3 semanas da competição, ainda não termos uma equipa base, entrosada e rodada. Vamos levar jogadores que não jogam há 3, 4, 5 meses e portanto não têm ritmo competitivo.

Além disto, em vez de os jogadores estarem focados no Mundial 2010 foram de férias: vê-se nas revistas que Liedson foi até ao Brasil, CR7 foi navegar para Saint-Tropez, etc. Como se não chegasse ainda andam todos em actividades lúdicas para distrair e desconcentrar ainda mais: homenagens a Madaíl na Câmara da Covilhã, programas de incríveis na TV, peladas com a criançada, enfim.

Pior do que tudo é que o típico portuga – aquele que acha que ser patriota é ter uma bandeira na janela ou na antena do carro, em vez de pagar os seus impostos e cumprir os seus deveres de cidadão – gosta deste espectáculo todo e acha que vamos ser campeões assim, sem trabalho.

É engraçado como no final de exibições paupérrimas (como a que fez a selecção contra Cabo Verde) o tuga diz que a selecção não vale nada. Mas depois basta ver umas imagens do João Garcia na visita ao estágio, ou umas fotos dos meninos a jogar paintball, para achar que “sim senhor, estamos fortes e vamos ser campeões“.

Alguns dizem-me que, se não gosto tenho bom remédio, não apoio. Mas não é bem assim. É que eu (e todos vós) estou a pagar 800 €/dia a estes meninos (que ainda por cima ganham entre 100.000 e 1.000.000 €/Mês nos seus clubes). E não só a eles. Estou a pagar para os Madaís e Cª iram para a África do Sul brincar aos hotéis de 5 estrelas, às prostitutas de luxo e aos jantares de 100€/cabeça.

O típico portuga

Depois da publicação das imagens em que se José Mourinho a despedir-se de Marco Materazzi lavado em lágrimas, pôde ler-se nos comentários às notícias muitas coisas. De entre elas, os típicos tugas…

“Lágrimas de crocodilo! É tudo encenado! Cada vez mais farto deste arrogante! Nem acredito que o Real Madrid contratou este pseudo-treinador, mas também têm lá um pseudo-jogador: o Reinaldo que não joga nada! Daqui a 2 anos, Jorge Jesus será o melhor treinador do mundo! Carrega Benfica!”

“Se o Mourinho desse uma bufa, os totós que o admiram e endeusam vinham logo para aqui a dizer que era uma bufa genial e a mais bem pensada de todas… santa paciência… povinho mediocre e pequeno mesmo.”

“Um português e um italiano,supostos machos latinos, ambos a ganhar milhões com a indústria do futebol.. Já não há decência?…”

“O Mourinho ganhou a Taça? E o que ganhou o jogador argentino Milito? Foi ele que saiu do autocarro e foi lá á frente fazer os 2 golos. Esse sim é que merece todo o mérito.”

“Mourinho nao ganhou nada para Portugal… Nao vejo país nenhum festejar, porque um treinador do país, treinou uma equipa estrangeira e ganhou. Porque razao os portugueses deveriam festejar?”

É também por aqui que se vê o porquê do nosso país estar neste estado, e ser governado por incapazes, incompetentes e corruptos. É que são estes imbecis (e acreditem que há muitos) que vão lá votar neles.

Desporto em tempos de crise, Mourinho e futebol

Já em diversas ocasiões tive oportunidade de criticar a inexistência de uma verdadeira política desportiva em Portugal. Neste país o desporto resume-se ao futebol, e é visto como um negócio. Em vez disso deveria ser visto como uma forma de a população se manter de boa saúde, ter uma vida saudável, e também de os jovens poderem crescer aprendendo os valores da exigência, do trabalho, do espírito de grupo e da competitividade.

Hoje, no blogue convidado do jornal Público, Colectividade Desportiva, o Prof. José Manuel Meirim (reconhecido especialista desportivo em Portugal) publicou um excelente artigo que deveria ser lido por todos, principalmente pelos responsáveis do governo, das federações e das associação desportivas. Entitulado Desporto em tempos de crise, de Mourinho e de futebol, pode ser lido aqui.

Diogo Vasconcelos – Fellow do think tank ResPublica

Há uns meses atrás, a propósito das eleições internas do PSD, eu falava de Diogo Vasconcelos e dizia: “num debate organizado pelo Psicolaranja, ouvi com imenso gosto o mandatário de JPAB, Diogo Vasconcelos. Posso dizer que fiquei muito impressionado pela positiva. É aquela atitude humilde, verdadeira, inteligente, positivista, inovadora, futurista que precisamos. É aquela nova linguagem que nos chama e que nos faz acreditar. É aquela maneira de ver as coisas, e a vontade de as fazer que nos pode tirar do pântano

Já que aqui por Portugal está tudo bem – segundo o Primeiro-Mentiroso… perdão Ministro está tudo uma maravilha. Já saímos da crise e temos as reformas todas já feitas, ou em curso – o Diogo vai colocar as suas capacidades ao serviço de sua Majestade. É mais um reconhecimento do mérito e das qualidades deste português, que a par de outros (como António Horta-Osório) são “aproveitados” pelos ingleses.

Para mim é evidente…

Depois de ler as respostas do Primeiro-Mentiroso, José Sócrates, às 74 perguntas feitas pelos partidos na Comissão Parlamentar de Inquérito ao negócio entre a PT e a TVI, apraz-me dizer o seguinte:

1 – Uma conclusão é evidente. Por causa do ódio de José Sócrates a Manuela Moura Guedes, não se realizou um negócio benéfico para as duas empresas (PT e TVI). Isto, por si só, é gravíssimo.

2 – Sócrates é Primeiro-Ministro de Portugal mas é sempre o último a saber de tudo. Todos sabiam da saída de J.E.Moniz e M.M.Guedes da TVI, antes de ser noticiado (provado nas escutas que Armando Vara entre outros próximos do PM sabiam. Até Joaquim Oliveira sabia), mas Sócrates diz que só soube pelas notícias. No mínimo estranho.

3 – Segundo José Sócrates, Governo “comunicar [à PT] oposição ao negócio” é completamente diferente de dar “instruções” ou “orientações” à PT sobre este ou outro negócios. Está bem abelha.

4 – Afinal Henrique Granadeiro (Chairman da PT) cometeu a “descortesia” (palavra dele) de deixar que o PM e o Governo apenas soubessem do negócio PT/TVI pelo site da CMVM. Note-se que primeiro disse o contrário e depois rectificou.

5 – Sócrates admite ter falado com Armando Vara (o amigo e não o vice-presidente do BCP) e com Pina Moura (o amigo e não o presidente da Media Capital) sobre a TVI, o Jornal Nacional 6ª feira e M.M.Guedes. Adoro estas duplas personalidades.

6 – Rui Pedro Soares admitiu ter usado abusivamente o nome de José Sócrates em conversas privadas ou profissionais, mas este não se importa e diz que nem tirou satisfações. O outro, do Freeport, era primo mas este…

7 – Engraçado como, tanto Sócrates como outros envolvidos, respondem categoricamente “Não” ao que sabem não ser passível de ser provado, e “Não me lembro” ao que pode eventualmente estar em escutas e afins. Memórias selectivas.

Wishfull thinking

Soube agora que a visita de José Sócrates à Venezuela, já anunciada por Hugo Chávez no seu twitter tem como objectivo convidar o Primeiro-Mentiroso português para seu Ministro da Informação e Propaganda.

Chávez quer, como bom ditador que é, imitar Saddam Hussein e criar o posto que foi ocupado no Iraque por Mohammed Saeed Al-Sahhaf. Ele que enquanto o aeroporto “Saddam Hussein” caía em poder das forças aliadas, anunciava de maneira petulante que os soldados invasores tinham sido sepultados nas areias do deserto pela brava Guarda Republicana e que portanto o aeroporto funcionava tranquilamente.

Por esta nenhum português esperava. Portugal e o seu povo podem vir a ser salvos por Hugo Chávez.