TGV: Ler, lembrar, reflectir, pensar, confirmar, julgar

Chegou o anúncio de que o Governo irá suspender mais um dos troços do TGV. Depois do Porto-Vigo e do Lisboa-Porto, é agora a vez do Lisboa-Poceirão. Já só falta o troço Poceirão-Caia.

Sobre este assunto já falei várias vezes, e há muito tempo. Primeiro, em Outubro 2008, questionei sobre o porquê de não se continuar a investir no Alfa Pendular em vez de partir para o TGV e depois, em Abril 2009, questionei sobre os critérios apresentados pelo governo na escolha dos percursos, da estratégia e do retorno.

Sendo assim, não me vou repetir. Convido-os apenas a ler ou reler os meus posts e também a…
… Relembrar o que Manuela Ferreira Leite disse na campanha para as legislativas 2009
… Reflectir sobre o porquê de muitos de vós não terem votado PSD
… Pensar se não teria sido melhor votar PSD
… Confirmar que José Sócrates anda – com 1 ano de atraso – a fazer tudo o que vários vaticinavam
… Julgar se o mundo está sempre a mudar de 15 em 15 dias
… Questionar a capacidade deste governo e deste Primeiro-Ministro

Claro que já de seguida virão os socratianos (como o João Galamba) dizer que o TGV não foi cancelado, foi adiado por 6 meses. Como se o problema da dívida portuguesa, ou a crise económica, fosse desaparecer nessa janela curta de tempo.

Enfim. É gente desonesta intelectualmente, sem carácter ou personalidade, que mentiu aos portugueses. Gente que apesar destas trapalhadas todas não tem um pingo de vergonha na cara, e ainda vem com uma enorme cara de pau tentar atirar mais areia aos olhos dos portugueses.

Rui Rio: Seriedade e bom senso

Rui Rio continua a cotar-se como o melhor político português. Sem espectáculos montados, sem sede de protagonismo e sem alardes continua a zelar pelo bem público e a servir a população do Porto (e de Portugal) com sentido de missão.

Depois desta, e desta, aqui está mais uma prova da arte de bem governar. Tal como diz o ditado popular “O exemplo vem de cima” e Rui Rio não se esquece disso. Em tempo de crise toma medidas acertadas e assertivas: “A Câmara Municipal do Porto reduziu 20% os salários dos seis administradores remunerados nas quatro empresas municipais“.

Benfica: argumentos de cabo de esquadra

Sou adepto do FC Porto e penso que não há dúvidas nenhumas de que é o melhor clube em Portugal. Não é o maior, é o melhor. Simplesmente porque desde o 25 de Abril 1974 (quando se acabou o “clube do regime”) vem vencendo muito mais do que qualquer outro. E vence em todas as frentes: Futebol, Hóquei, Andebol, Basquetebol, Atletismo, Bilhar, etc.

De qualquer forma não sou faccioso ao ponto de negar o SL Benfica como um grande clube português. É de facto o maior, não o melhor. Por todo o historial de vitórias e conquistas, e pelo nº de adeptos o Benfica é um grande clube e além disso uma grande instituição.

Tenho por isso pena que de há uns anos para cá, o Benfica seja liderado por um analfabeto que não sabe sequer falar. Um homem que não consegue articular duas palavras e construir uma frase com sentido. Quando fala tenta utilizar palavras difíceis e só saem patacoadas. É uma vergonha.

Qualquer pessoa com o mínimo de inteligência e bom senso, percebe que aquele homem não tem categoria nem capacidade para liderar e gerir tamanha instituição. Mas infelizmente no futebol o sectarismo e a clubite tolda a vista da maioria.

Como é possível que a maioria dos Benfiquistas – entre os quais alguns dirigentes que são destacadas figuras da vida pública e privada – não tenha vergonha do comunicado lançado ontem, que tenta desculpar as más exibições da equipa de futebol (como se só essa modalidade existisse no clube) com argumentos de cabo de esquadra.

A desonestidade intelectual dos dirigentes do Benfica chega ao cúmulo de se aproveitar do descrédito a que Laurentino Dias (por causa do Caso Queirós) foi votado nestes dias, para lançar também sobre ele algumas das culpas da incapacidade de Jorge Jesus e .

Poder Político 10-0 Poder da Sociedade

Mais um excelente editorial do Pedro Santos Guerreiro no Jornal de Negócios. Desta vez a propósito do ranking que o diário elaborou com os 25 mais poderosos da economia portuguesa (Curiosamente, há 5 semanas, vaticinei Ricardo Salgado como o 1º e acertei).

De entre várias considerações interessantes que o director do jornal faz, relevo as seguintes, que considero as mais importantes:

“há um movimento que é desconhecido dos nossos poderosos: o do poder que vem da sociedade. Das pessoas. Não são escolhas políticas, nem herdeiros, nem falsos predestinados de lobbies financeiros e empresariais. São poderosos não por causa disso mas apesar disso – ou mesmo contra isso […]

[…] nada é mais inquietante do que a incapacidade de renovar elites, de desafiar a estrutura de poder instalada, de mudar esta economia de século XX que se arrasta em 2010. Portugal é Ptolomeu num mundo Galileu. Teremos sempre poderosos. Mas, assim, nunca o seremos.”

Carlos Cruz: Incoerência, má fé e cobardia

Ao contrário de muita gente – principalmente da esmagadora maioria dos comentadores da comunicação dita social – não tenho qualquer problema em afirmar que Carlos Cruz (CC) é culpado. Perguntam-me se conheço o processo para o afirmar? Não, não conheço! Pura e simplesmente acredito na justiça, nos juízes, nos tribunais. Aliás, mais motivos tenho para acreditar que CC é culpado depois de todo o circo que ele montou nos últimos dias à volta do processo.

Inicialmente CC referiu que queria manter reserva para não prejudicar a investigação, e que confiava plenamente na Justiça. Disse que a verdade acabaria por vir à tona e ele seria ilibado. Ora, saída a sentença que dá como provados 2 crimes (O que não invalida que tenha cometido outros. Simplesmente não foram provados) vem CC aproveitar-se da sua influência nos média para descredibilizar os tribunais. Diga-se que neste caso a RTP, televisão pública (!!), tem tido uma atitude vergonhosa de favorecimento descarado.

Se CC estivesse de facto inocente conseguiria prová-lo. Ou, no mínimo, a acusação não conseguiria provar os crimes pelos quais CC foi acusado. Como Sá Fernandes não tem factos para provar a inocência do seu constituinte, ou factos para desmontar a acusação e as provas, vem agora ameaçar lançar 200 nomes na praça pública. A isto chama-se “Desespero”.

Repare-se que CC disse estarem entre os 200, vários políticos e ex-políticos, jogadores e ex-jogadores de futebol, apresentadores, etc. Salientou que há várias figuras públicas. Ou seja, CC quer meter medo, principalmente aos políticos (que sabe terem influência sobre a Justiça… atente-se ao caso Freeport e Face Oculta) para tentar, a reboque deles, conseguir que o caso seja “bem embrulhado e deitado ao fundo do mar”.

Com esta atitude CC vai apenas demonstrar o quanto é incoerente, mal intencionado e cobarde. Vai fazer exactamente aquilo de que se queixa. Ou seja, lançar para a confusão nomes que não têm ligação ao caso, e outros que se provou não terem nada que ver com o assunto. Vai lançar na lama figuras públicas inocentes que provavelmente verão o seu bom nome beliscado, e quiçá vidas e carreiras destruídas.

O des(prezo)porto nacional

Tal como digo na minha apresentação sou um adepto do desporto. Obviamente que desde criança o futebol preenchia grande parte dessa paixão, mas logo na juventude aprendi a apreciar outras modalidades quando fui atleta federado de Andebol e Ténis. Continuei a gostar muito de futebol mas comecei a detestar a “bola”, ou seja, a “espuma dos dias” à volta do futebol. Além disso tomei consciência da sua realidade: a falta de respeito, de civismo, de moral, de ética. A corrupção, o compadrio, a promiscuidade. Tenho por isso vindo a “desligar” do futebol e dedicar-me mais a outras modalidades como o voleibol.

Tenho por isso dedicado mais tempo a pensar nas modalidades ditas amadoras, no quão importante são para o desenvolvimento da sociedade (em particular da juventude) e no desprezo a que são votadas por parte dos responsáveis governativos de hoje. Preocupa-me sobremaneira o facto de os sucessivos Governos darem apenas e só atenção ao Futebol, que ainda por cima, é hoje mais um negócio do que um desporto (pensando bem, talvez seja mesmo essa a razão de tal atenção).

Ao contrário do futebol as outras modalidades praticadas em Portugal passam por imensas dificuldades, numa altura de crise económica e financeira em que se se torna extremamente dificil captar apoios, investimentos ou patrocínios. Consequentemente vários clubes fecham as portas, deixando milhares de pessoas sem possibilidade de desenvolver a sua actividade física, desportiva e competitiva.

Ao contrário do futebol as outras modalidades ainda podem ser uma mais valia para a sociedade. Enquanto que no “desporto rei” se cultiva a inveja entre clubes, a falta de fair-play, o ódio entre adeptos, a importância apenas do dinheiro, a imagem, o compadrio… nas outras modalidades ainda se cultiva o espírito de grupo, de sacrifício, a solidariedade, o esforço, o trabalho, o mérito, a carolice, a amizade.

Mesmo havendo tantos motivos para apostar e investir nas modalidades ditas amadoras, dedicando pelo menos tanto tempo a elas como ao futebol, os responsáveis governativos parece que não vêem ou não querem ver esta situação (e o pior cego…). Os sucessivos Secretários de Estado do Desporto têm-se focado apenas no futebol, e até imiscuido em assuntos que não lhe dizem respeito, tendo por consequência resultados catastróficos. Mas ultimamente parece haver um objectivo comum e indisfarçável: querem, à saída do Governo, conquistar lugar nas estruturas do futebol.

Temos provas de que há atletas de várias modalidades tão ou mais talentosos que os do futebol. Atletas esses que podem elevar bem alto o nome de Portugal, tornar-se modelos da juventude e contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e rica. Mas insistimos em deixar cair esses atletas, desperdiçando assim um capital que eles nos podem oferecer. Temos, nas mais diversas modalidades, imensos atletas com potencial para crescer e estar entre os melhores. Infelizmente não têm condições para evoluir, nem oportunidades para se mostrar. Tudo por falta de aposta e investimento (financeiro e humano), todo ele canalizado para o futebol.

Laurentino Dias, profissional da política (Licenciado em Direito, deputado desde 1987), é o actual Secretário de Estado do Desporto, que tem passado os seus mandatos preocupado com o futebol. Algo que se torna evidente com a intromissão indevida no Caso Carlos Queirós, que nada tem que ver com desporto. No entretanto, várias atrocidades são cometidas na gestão das outras modalidades e nada se ouve ou vê do responsável máximo pelo desporto em Portugal. Vejamos o que se passa em 3 das modalidades mais praticadas.

No ténis (20.000 atletas federados), alterou-se recentemente o regulamento das bolsas de apoio à alta competição, obrigando os atletas a participar no Campeonato Nacional, sob pena de perda de 40% do subsídio do Estado. Ora, é natural que os melhores jogadores nacionais não estejam presentes. É até um bom sinal pois significa que estão a lutar pelos rankings internacionais, competindo no estrangeiro e levando longe o nome do país. Além disso estão a fazer pela vida em torneios com prize money (ao contrário do Camp. Nacional que não tem prémios).

No atletismo (15.000 atletas federados), a respectiva Federação aprovou recentemente um novo regulamento do Campeonato Nacional de Clubes, que pelo visto viola regras comunitárias. Além do mais foi aprovado em cima do início da temporada, altura em que já vários clubes tinham contratos firmados com atletas para 2010/2011. O novo regulamento pode acabar com vários clubes e baixar o nível competitivo nacional. Isto, aliada à diminuição das já pequenas bolsas de alta competição, terá repercussões no futuro da modalidade.

No voleibol (40.000 atletas federados), a própria Federação despreza a modalidade. A gestão é feita segundo uma estratégia pessoal de poder e não tendo em vista o desenvolvimento dos intervenientes. Todos os anos há clubes das principais divisões que desistem da competição e outros que fecham as portas. Muitos tiram financiamento à formação de jovens para segurar a equipa sénior, hipotecando aos poucos o futuro. O campeonato cada vez tem menos participantes e a competitividade diminui, baixando por consequência o nível de competências.

Ultimamente as modalidades ditas amadoras têm conseguido conquistas internacionais que orgulham todos os portugueses. Conquistas essas que deviam envergonhar os futeboleiros que ganham milhões e não se esforçam nem metade. Os clubes e a selecção de Hóquei continuam a ser potências mundiais. O Sporting CP venceu a Taça Challenge em Andebol. O SL Benfica foi Campeão Europeu de Futsal. Treinadores de Basket lusos (Luís Magalhães, Mário Palma) dão cartas no Campeonato do Mundo. Vanessa Fernandes, Naide Gomes e Nélson Évora conquistam medalhas nos mundiais de Atletismo e nos Jogos Olímpicos. A atleta letã, Ineta Radevica, do FC Porto sagrou-se Campeã Europeia do salto em comprimento. A selecção masculina de Voleibol fez história ao conquistar a Liga Europeia.

Tudo isto contrasta com os casos “Saltillo” e “Queirós”, com os socos de João Pinto, Sá Pinto e Scolari, com os resultados dos recentes Euro 2008 e Mundial 2010 (mesmo com individualidades fantásticas e prémios astronómicos, a selecção de futebol desiludiu). E nem os bons resultados dos idos Euro 2004 e Mundial 2006 salvam o futebol, porque isso deve-se apenas e só ao trabalho de um homem insigne: José Mourinho. Ele que montou no FC Porto a espinha dorsal de uma selecção que jogava de olhos fechados.

Selecção: Causas da derrocada

Depois do empate veio a derrota. Merecida, diga-se. Ao contrário do jogo com o Chipre, Portugal não teve oportunidades de golo flagrante e tremeu sempre que a Noruega se aproximava da baliza de Eduardo. Este evidentemente afectado pelos 4 golos sofridos no Sábado. A Noruega deixou claramente Portugal dominar na posse de bola, para jogar em contra-ataque (depois de ver o Chipre não era dificil decidir estratégia).

As causas da selecção portuguesa sofrer tantos golos em tão poucos jogos? A ausência de um médio defensivo de raíz, vulgo trinco, para dobrar nos contra-ataques e destruir em ataque continuado (que falta faz Pepe…); A inexperiência/má forma dos defesas laterais (Sílvio ainda não tem estofo e entrosamento, Miguel é vergonhoso); A falta de solidariedade dos extremos no processo defensivo (Quaresma e Nani não defendem, ponto!).

As causas para toda esta instabilidade à volta da selecção portuguesa? A falta de liderança de Gilberto Madaíl (não se percebe o porquê de continuar agarrado ao cargo); A existência de um cancro no balneário (Amândio de Carvalho devia ter sido varrido em 86 mas continua por lá); A falta de capacidade, competência e respeito de Laurentino Dias, Secretário de Estado do Futebol (Sim, porque as outras modalidades são desprezadas. Só futebol interessa. Quiçá pensa seguir percurso de Hermínio Loureiro).

Prós & Prós na RTP

Ontem sintonizei a RTP para ver o programa Prós & Prós… perdão… Prós & Contras (P&C). Fi-lo porque apenas tenho 4 canais e, apesar de achar incrível e inacreditável a forma parcial como Fátima Campos Ferreira (FCF) trata os assuntos, prefiro ouvir um debate a ver telenovelas.

Pelo painel de comentadores e convidados suspeitei do desfecho do programa. Não me enganei. O P&C de ontem teve 3 objectivos: 1 – Descredibilizar ainda mais a justiça, os juízes e o Min. Público; 2 – Dar tempo de antena a Carlos Cruz (CC) para se defender na opinião pública; 3 – Lançar suspeitas para cima das vítimas com o intuito de as desacreditar.

Ao contrário do que disse a apresentadora, as figuras do palco foram meticulosamente escolhidas. Marinho Pinto (MP) teria a missão de lançar mais lama para cima da justiça e dos juízes. José Manuel Fernandes e Daniel Oliveira seriam aqueles que, sem conhecimentos de direito e do processo, falariam da “espuma” que tanto agrada ao típico tuga, mas que não leva a lado nenhum. Rui Rangel sería a desculpa perfeita para dizer que estava lá o contraditório.

No meio de tantas coisas desinteressantes (formalidades do processo, etc.) que se discutiram e de tantas coisas interessantes que passaram ao lado do debate (deixadas passar propositadamente por FCF), o saldo final diz-nos que apenas duas pessoas puderam usufurir do tempo de televisão em prime time: MP e CC.

Umas das mais execráveis figuras mediáticas dos dias de hoje, MP, começou por (sem conhecimento do processo) dizer que as penas do caso Casa Pia foram “brutais”. Eu pergunto: então e os crimes cometidos foram o quê? O bastonário dos advogados aproveitou para prosseguir a sua jihad contra a justiça e os juízes, prestando um péssimo serviço ao país. Além disso, ao ouvi-lo, parecia que as vítimas é que eram os arguidos do processo e vice-versa.

Independentemente de ser culpado ou inocente, foi uma vergonha o que FCF fez deliberadamente pelo amigo CC. Mas ele ainda se queixou da comunicação social intoxicar a opinião pública. Parecia tudo combinado para o espectador não suspeitar, mas para alguém com dois dedos de testa era impossível disfarçar. CC falou mais do que os 4 comentadores e muito mais do que qualquer outro convidado.

Além do mais CC não teve de se cingir às perguntas de FCF. Falou à sua vontade e até teve direito a algo inédito neste e noutros programas: a certa altura FCF perguntou-lhe se ele queria questionar a vítima presente! A falta de vergonha nesta altura era uma coisa extraordinária, e o objectivo do programa era mais do que evidente.

Depois deste P&C a direcção da RTP (Canal de rádio e televisão público) só pode tomar uma atitude: afastar FCF do programa e dos ecrãs de televisão. Pelo menos temporariamente. Doutra forma a direcção da RTP é conivente com favorecimento descarado a CC no processo Casa Pia e pode até fazer crescer outras suspeitas.

Há quem já diga que a teoria de CC (de que os miúdos só envolveram figuras públicas – como ele ou Herman José – para mediatizar o caso) beneficia suspeitos próximos de Sócrates e do PS. Este seria então o motivo de a televisão pública (já em outras alturas usada e abusada pelo Governo) ter favorecido desta forma o ex-apresentador.

Coisas de que tenho a certeza (III)


Costumava-se chamar “pé de chinelo” a alguém que não tinha educação, não tinha maneiras, não sabia estar, a alguém pobre. O povo português não está na miséria, longe disso, mas somos sem dúvida um país de pés de chinelo. Agora, no sentido literal.

Estou cheio de ver gente – homens e tudo! – que além de ser pobre (neste caso, de espírito) anda na rua de chinelas de enfiar o dedo (havaianas, chipas, como lhe queiram chamar).

É uma falta de gosto incrível…

Coisas de que tenho a certeza (II)


Nas telenovelas portuguesas há sempre uma família rica e uma pobre. A família rica tem sempre uma empresa onde trabalham membros da família pobre. A filha dos ricos apaixona-se sempre pelo filho dos pobres e esse amor é proibido. O pai rico é sempre arrogante, infiel e corrupto. A mãe rica é sempre infeliz. As empregadas domésticas da família rica andam sempre de uniforme. O filho dos ricos é sempre pródigo e o dos pobres é sempre um marginal. Este não é, nem de perto nem de longe, o padrão da sociedade portuguesa. Mas é este o padrão que “vende” na TV.