Governo “prostitui-se” para pagar dívida

Até agora eram França e Alemanha, entre outros, que nos davam dinheiro e permitiam que vivessemos acima das nossas possibilidades. Era mau porque tínhamos uma dependência financeira, mas ao menos sabíamos que lidavamos com gente de bem, que tem bom senso, valores e princípios. Sempre é melhor depender do patrão honesto do que do patrão déspota. É que um é solidário e o outro, numa mudança de humor, despede-nos.

Deparamo-nos neste momento com o Governo português a “baixar as calças” a países como Angola, Venezuela e China. É engraçado e até irónico que nesta altura do campeonato – em pleno século XXI e pertencendo ao grupo de países do denominado 1º mundo – o Governo de Portugal venha agora “prostituir-se” junto de países do denominado 2º e 3º mundo, na ânsia de conseguir algum dinheiro para pagar as suas dívidas e não morrer de fome.

Alguns perguntarão “qual é o problema?“. Para começar é uma questão de princípio. Não acho correcto que o Governo português ande de braço dado com ditadores (mais ou menos camuflados). Todos sabemos que Angola, Venezuela e China são países que têm falsas democracias, onde as eleições são manipuladas. São países onde a repressão e miséria do povo contrasta com o livre arbítrio e a luxuosa vida dos seus líderes.

Por outro lado sabemos (e temos provas recentes) que as acções destes países dependem do humor e vontade de um homem só, o que por si só é péssimo. Podemos ter a sorte de num dia o “Querido Líder” acordar bem e estar disposto a ajudar-nos, como o azar de no dia seguinte ele acordar chateado, com um notícia qualquer que saiu na comunicação social portuguesa (e que não abona a seu favor), e cortar a ajuda que prometeu.

Sócrates faz escola… no PS (II)

Ao visitar os sites das Câmaras Municipais podemos encontrar a habitual mensagem do Presidente da autarquia. Santo Tirso não foge à regra, e na área reservada ao tema, o site da CM de Santo Tirso tem um exercício a que os políticos nos têm habituado. Ou seja, o que lá escreveu o Engº Castro Fernandes não é mais do que a descrição de um concelho que só existe na sua imaginação. O concelho côr-de-rosa, a par do país côr-de-rosa tantas vezes desenhado pelo seu chefe, José Sócrates.

Na mensagem do presidente podemos ler que “Santo Tirso prossegue a sua inequívoca trajectória rumo ao futuro“. Ora se pensarmos que há cerca de 30 anos atrás – altura que coincide com a subida do PS ao poder local – Santo Tirso era um concelho com o dobro da população e o dobro da área, não vemos esse futuro risonho. Se pensarmos que Santo Tirso era um dos concelhos que mais produzia para o país, mercê da sua muita e competente indústria (nomeadamente têxtil e metelomecânica), duvidamos da trajectória que foi percorrida.

Castro Fernandes diz que existe uma “permanente aposta na criação de cada vez melhores condições de vida” para os Tirsenses. Ora se pensarmos que com uma aposta forte o concelho perdeu o Hospital novo, a maternidade e a urgência 24h no Hospital velho, a dependência da EDP, o Cine-Teatro, e outros serviços, o que seria se não tivesse havido aposta. Se em pleno século XXI continuamos em perigo de saúde pública – devido ao facto de mais de metade do concelho não ter sistema de saneamento e água canalizada – dá que pensar no que seria, se não fosse a tal aposta.

Diz o presidente da CMST que está “a construir um município mais bonito, mais verde e mais desenvolvido“. Apetece perguntar se o município mais bonito contempla mamarrachos como o prédio em ruínas numa das principais entradas da cidade. E será que na parte do município mais verde, se refere por exemplo à construção de prédios em massa, na zona do Picoto, sem sequer se acautelar (conforme exige a lei) os respectivos jardins? Quanto ao mais desenvolvido, basta dizer que no último ranking do Indicador de Desenvolvimento Municipal (estudo efectuado pela Municípia, SA) estavamos em 306º lugar entre 308 concelhos.

No entanto sou obrigado a concordar com o que Castro Fernandes diz mais à frente: “estamos a revolucionar o conceito de viver em Santo Tirso“. Isso está, com toda a certeza! Há uns anos os Tirsenses viviam desafogados, sossegados, em segurança, tinham emprego e estavam em família. Agora vivem no desemprego, preocupados, agitados e longe dos familiares. Se querem ter futuro têm de o procurar nos concelhos vizinhos ou ainda mais longe. É uma revolução no conceito de viver, sem dúvida alguma.

Imitanto os políticos a que estamos habituados o presidente da CMST diz ainda que “Santo Tirso está a crescer e a mudar para melhor“. É no mínimo revoltante, ouvir o Engº Fernandes proferir estas palavras. A “crescer” só se for o desemprego, já que população, indústria, juventude, cultura e serviços estão todos a diminuir a olhos vistos. A “mudar para melhor” só se for a vida de alguns iluminados (com cartão de militante) que à custa de bons empregos (pagos com o dinheiro dos nossos impostos) vão subindo na vida.

OE2011.. Cai por terra principal argumento

Há várias semanas que venho defendendo o chumbo do OE2011, a mudança de Governo e até a vinda do FMI. Também vinha afirmando que a viabilização do OE2011 com base no argumento de “é para acalmar os mercados internacionais” era absurdo. A prova disto mesmo está nos acontecimentos dos últimos 2 dias (depois da viabilização do OE2011). Os juros da dívida Portuguesa sobem para máximos históricos.

Repito o que tenho dito ultimamente: o problema de Portugal não é a aprovação de um qualquer Orçamento de Estado, mas sim a credibilidade (ou, melhor dizendo, a falta dela) do Governo e da classe política em geral. Será que vamos fazer algo para mudar este estado de coisas? Ou vamos simplesmente esmorecer e deixar que os socialistas do PS (Partido Socratiano) afundem o país?

Governo de iniciativa Residencial

Reflectindo sobre a situação do país, o que mais me preocupa neste momento não é a aprovação de um qualquer orçamento. O que tem ocupado o meu pensamento é a pergunta “Quem nos pode tirar deste buraco?” visto que os que se perfilam não me parecem capazes?

Um governo de iniciativa presidencial é escolhido pelo Presidente da República e, assim sendo, um governo de iniciativa Residencial é escolhido pelo presidente cá de casa. Ora como vivo sozinho, fui eleito com 100% dos votos, e por isso aqui vai o meu Governo:

Primeiro-Ministro: Rui Rio
Ministro da Economia: António Borges
Ministro das Finanças: Luís Campos e Cunha
Ministro da Saúde: Leonor Beleza
Ministro da Justiça: António Lobo Xavier
Ministro do Trabalho e Seg. Social: José Silva Peneda
Ministro da Defesa: Paulo Portas
Ministro da Educação e Ensino Superior: Marcelo Rebelo de Sousa
Ministro da Cultura: Pedro Santana Lopes
Ministro da Administração Interna: Nuno Melo
Ministro das Obras Públicas e Transportes: João Cravinho
Ministro da Ciência e Tecnologia: José António Salcedo
Ministro do Ambiente: Carlos Pimenta
Ministro dos Assuntos Parlamentares: Luís Marques Mendes
Ministro da Juventude e Desporto: Carlos Coelho
Ministro da Presidência: Nuno Morais Sarmento
Ministro da Inovação: Diogo Vasconcelos

A política é feita para pessoas e por pessoas. Por isso importa discutir também – além das estratégias, das políticas e dos rumos – essas mesmas pessoas. Desafio-vos portanto a comentarem, sugerirem ou fazerem correcções ao “meu governo”, ao qual podem faltar ministérios por exemplo (Espero que os próprios, se por aqui passarem, não se sintam mal com a escolha).

Venha daí o FMI

Há umas semanas atrás, muita gente achava que o PSD deveria negociar com o Governo tendo em vista a aprovação do OE2011. Depois dos acontecimentos dos últimos dias, esses já partilham da opinião de António Nogueira Leite: abster-se na votação, deixar Sócrates e o Governo enterrarem-se, fazer com que o povo sinta no bolso. Objectivo: quando tudo estive na “merda” socorrer-se-ão do PSD.

Discordo por completo das duas posições. Discordo da primeira porque só um louco poderia pensar que o mesmo Governo que nos trouxe até aqui, de repente se iria tornar responsável e competente por forma a cumprir e executar o OE2011. Discordo da segunda porque não temos mais tempo a perder, podemos ainda cair mais fundo (os juros da dívida continuam a subir), e há muita gente – cerca de 9 milhões de pessoas – que não votou PS, não tem culpa disto e não merece sofrer.

Logo na 1ª semana de Outubro, e portanto antes das negociações, disse que Portugal estava em “fase Tiririca: Pior do que tá não fica. Tenho consciência que a nível económico, financeiro e social as coisas ainda vão piorar, mas politicamente não podiamos estar pior. Temos um governo incapaz, incompetente, descredibilizado, pouco sério ou honesto, e que gera desconfiança no exterior“.

Daí ter defendido desde logo o chumbo do OE2011. E quando me acenavam com o fantasma da crise política afirmei não ter “medo do fantasma […] mesmo com o argumento de só poder haver eleições daqui a 8 meses“. Até porque o “sistema político que temos permitia que se arranjasse um novo sem eleições“. Fosse ele qual fosse “Ou o PS se torna um partido responsável e arranja outro PM e outro executivo, ou então o PR deve chamar outros partidos para formar governo […] Tanto dá, desde que não tenha pelo meio Sócrates, Silvas Pereiras, Santos Silvas, Teixeiras dos Santos e afins

Ora, se as diversas entidades do Estado estão a pensar em eleições e não avançam para o encontro de uma nova solução – e aqui incluo o PR, com reserva visto que convocou o Conselho de Estado para amanhã, e sabe-se lá se não poderá aí decidir algo importante – que venha então o FMI. E neste caso, faz-me espécie que, mesmo os mais radicais, estejam cépticos.

Precisamos urgentemente – para termos uma consolidação verdadeira das contas públicas – de acabar com certas coisas em que nenhum partido terá coragem de mexer. Desde as benesses dos (demasiados) políticos, aos institutos públicos e empresas municipais que empregam os boys, passando pelas obras megalómanas como o TGV que dão negócio às empresas amigas do Governo, e terminando em todos os subsídios desnecessários que se atribuem sem critério.

Com o FMI cá dentro todas as medidas que se impõem serão tomadas. E mesmo que sejam impopulares, o Governo em funções que as implementará terá sempre a desculpa do “foram eles que mandaram“. Além disso há algo que poderia ser bom para a população: com o FMI a ditar as regras poderia ser possível não aumentar tanto a carga fiscal, já que as medidas insidiriam mais na parte da despesa.

Quem é afinal o mau da fita?

Sabemos que de há uns anos para cá, mais precisamente desde 1995, os créditos tornaram-se uma banalidade, ao ponto de servirem não só para comprar coisas “essenciais” como casa ou automóvel, mas também para satisfazerem caprichos como férias no estrangeiro, consolas, telemóveis topo de gama, etc. Esta maneira de utilizar o crédito foi colocada em prática pelo Governo socialista e irresponsável de António Guterres.

Uma ocasião contaram-me história de um conhecido meu. O homem trabalhava, o seu salário não era por aí além, mas dava perfeitamente para suportar a mensalidade ao banco, pelo apartamento. Mas ele gostava muito de viver de aparências e vai daí, em 1998 resolveu comprar um automóvel cabriolet, endividando-se ao banco uma outra vez. Ficou um pouco apertado de dinheiro, mas aguentava-se.

A vida era porreira, os amigos achava-no um máximo, as miúdas olhavam e sorriam quando passava no seu cabrio, e nada fazia imaginar que em casa deixara de comer bife e peixe para passar a comer salcichas e atum enlatado. Pouco importava, isso ninguém via. Tal como não viam que as roupas que usava já não eram de marca, mas sim contrafeitas.

Em 2004, em plena época de explosão das tecnologias de informação, decidiu que não podia ficar para trás dos amigos e tinha de comprar um PC. Foi a uma loja de informática, fez um crédito daqueles na hora, e saiu de sorriso na cara e com um portátil impecável debaixo do braço. Ele tinha noção que as coisas iam ficar complicadas, mas pensou que com o subsídio de férias e natal endireitava as coisas.

Mas isto não foi suficiente, porque afinal de contas os amigos também tinham, como ele, acesso aos créditos e apareciam também todo os dias com gadgets novos. Estavamos em 2008 e resolveu então dirigir-se a uma loja de telecomunicações e comprar um iPhone. Obviamente que não tinha disponíveis 900€ para o pagar e portanto voltou a fazer um novo crédito.

Nesta altura o seu ordenado já era totalmente consumido por créditos e, se queria comer, não tinha dinheiro para honrar os compromissos com os bancos. Em 2010 o azar bateu-lhe à porta: descobriu que tinha uma doença e precisava de tratamentos, além de ter de ser operado. Foi ao seu banco pedir dinheiro para pagar as despesas de saúde, mas o gerente do banco recusou o crédito.

Desesperado dirigiu-se a um amigo que era bancário, e pediu-lhe encarecidamente que o ajudasse. O amigo disse que lhe arranjava o crédito, mas os juros que lhe apresentou eram altíssimos. Perdeu a cabeça saiu à rua e, aos berros, injuriou o amigo e o gerente do banco até não poder mais.

… no meio desta história, quem é afinal o mau da fita?

Legenda:
Homem = Governo português
Apartamento = Centro Cultural Belém
Automóvel cabriolet = Expo 98
PC Portátil = Euro 2004
iPhone = TGV, Aeroporto
Doença = Crise económico-financeira
Gerente do banco = Bancos estrangeiros
Amigo = Mercados financeiros

Sugestão para resolução da morosidade na justiça

Um relatório diz que para a Justiça portuguesa recuperar o trabalho que tem pendente, precisava de mais 430 dias de trabalho. Nada mais fácil de resolver: peça-se aos funcionários da justiça (desde a sra. da limpeza até ao Juíz) para, no próximo ano de 2011, não tirarem férias. 

Acham o pedido descabido? No 1º ano de trabalho eu não tive férias e no 2º apenas tirei 5 dias. Cheguei a ter 46 dias de férias acumulados. Não morri, nem fiz um grande sacrifício. Obviamente que as pessoas precisam de descanso, porque o corpo e mente o exigem. Mas para isso é que servem os fins-de-semana, os feriados, e as tolerâncias de ponto.

No entanto precisam de um incentivo? Eu também resolveria isso num instante: Aos funcionários que não tirassem férias para despachar trabalho nos tribunais, seria anulado o corte no salário e seria perdoado o aumento de impostos previsto para 2011. Não tenho dúvidas que, para o Estado e para o país, compensava mais ter os tribunais desentupidos.

Mas fala-se em 430 dias. Seria suficiente a medida em 2011? Claro que sim. Afinal de contas o mesmo relatório diz que somos o país da Europa com maior número de funcionários dos tribunais, juízes e advogados por habitante. Além do mais, diz também o relatório, que são os mais bem pagos da Europa.

Era um grande serviço que prestavam ao país, e ao mesmo tempo repunham a imagem de credibilidade da Justiça Portuguesa, que bem precisa depois de ter sido chamuscada com os casos Casa Pia e Freeport, entre outros.

O burlão e os lorpas

Em todos os países do mundo há burlões, e Portugal não é excepção. A verdade é que além dos burlões tem também de haver lorpas para que a burla seja consumada. E diga-se, também os há… muitos.

Há dias tive conhecimento de uma burla mirabolante. Um casal novo pensava em ter um filho, mas queria garantir que tinha condições para o fazer e dar-lhe uma vida condigna. Como a vida está difícil pensaram bem e resolveram poupar algum dinheiro antes de partir para a aventura de ser pais.

Os 2 recebiam pouco e tinham as despesas correntes para pagar, mas resolveram fazer um sacrifício pelo filho desejado e começaram a meter num banco 25% do que ganhavam. O gerente de conta disse-lhes que ia investir o dinheiro num produto sem risco e que garantia um aumento da poupança. Ficaram maravilhados e deram autorização.

Passados uns tempos foram saber como estava a sua poupança e foram surpreendidos com a notícia de que “a coisa tinha corrido mal” e que já só tinham metade do dinheiro investido. Ficaram preocupados, mas o gerente disse que era uma questão conjuntural e que “a coisa ia melhorar”, garantindo a recuperaração. O casal acreditou no gerente e nem sequer reparou no seu carro novo.

Obviamente que sem surpresa, passados uns meses, a notícia ainda era pior: o dinheiro tinha desaparecido todo. Inocente, o jovem casal não sabia o que fazer, e desesperado voltou a acreditar no bem falante gerente, que lhes pediu mais dinheiro para, agora com outro produto, recuperar o perdido e ainda ir buscar lucros. Mais uma vez anuiram e voltaram a não reparar no pormenor do relógio Breitling que o gerente trazia no pulso.

Algumas semanas volvidas, alertado por alguns amigos, o casal foi ao banco confrontar o gerente com a coincidência de o seu dinheiro desaparecer à medida que o próprio gerente ia aparecendo com sinais exteriores de riqueza. Apanhado com a boca na botija, o gerente disse que se o denunciassem corriam o risco de nunca mais recuperar o dinheiro.

Dirigiram-se então à direcção do banco. Esta, com medo que o caso saísse a público e que destruísse a imagem do banco, resolveu encobrir a situação dizendo que realmente corriam o risco de ficar mesmo sem o dinheiro. Aconselharam o casal a não denunciar o caso e esperar que o dinheiro se recuperasse.

… Como diz muitas vezes o meu avô… “Enquanto houver lorpas

Legenda:
– Casal = Povo português
– Banco = Estado português
– Gerente = José Sócrates
– Poupança = Impostos
– Aumento da poupança = Educação, Saúde, Justiça, Emprego
– Carro novo = TGV
– Relógio breitling = novo aeroporto
– Direcção do banco = barões da política, comentadores, banqueiros
– Não denunciar o caso = aprovação do OE 2011.