Ainda o TGV… e o Alfa?

Em Outubro 2008 escrevi: “Há alguns anos atrás, começou a ser feito um grande investimento no Pendular […] Compraram-se os comboios, investiu-se na melhoria das linhas e das estações, foram gastos milhões de euros! Com estas melhorias, no percurso Faro-Lisboa-Braga que tem a duração de aproximadamente 6 hrs, o Pendular consegue ultrapassar os 200 km/h em cerca de 1/6 do tempo! No restante percurso, anda com velocidades médias de 100 km/h.

Devemos então deitar fora este investimento de milhões de euros? Ou devemos continuar o investimento já iniciado […] para que o Pendular possa atingir a sua máxima performance? Países com dimensão média, como a Itália (Pendolino), a Grã-Bretanha, a Republica Checa ou a Suécia (X2000) seguiram por esse via e adoptaram comboios deste tipo!

Sugeri também, nessa altura, que visitassem este mapa confirmando que a maioria das linhas na Europa, tem capacidade inferior a 300 km/h. Até a viagem entre Moscovo e São Petersburgo (800 km) é feita a velocidades na ordem dos 200 km/h. O TGV só faz sentido em distâncias muito grandes, como atravessar toda a França ou toda a Espanha.

Em Abril 2009 o Ministro disse na RTP que era necessário haver 6 milhões passageiros/ano entre Lisboa e Porto para o TGV ser rentável. Neste momento existem 12 Alfa Pendular diários nesse percurso, cada um com cerca de 400 lugares. Se pensarmos que estão sempre lotados (a taxa de ocupação deve rondar os 60%, mas dou isso de barato) temos 1,8 milhões passageiros/ano.

Sem paragens entre Lisboa e Porto o TGV faria 1h30m. Mas sem paragens perdia pelo menos 1/3 dos passageiros (Coimbra, Aveiro). Se continuasse a fazer essas paragens aumentaria o tempo para 2h00m de viagem. O Alfa Pendular faz em 2h45m (e pode melhorar). E quanto aos preços, sabemos que o bilhete Paris-Londres (400 km) é cerca de 80€. Quanto seria o bilhete Lisboa-Porto… 60€, 50€? No Alfa o preço é de 28,50€.

Temos de ter prioridades. Já existe um Alfa (que pode ser melhorado) entre Lisboa e Porto, passando em Coimbra, Aveiro, VN Gaia ou Braga. Não era mais sensato investir em melhores linhas de mercadorias (para ajudar ao desenvolvimento económico) ou investir em linhas normais e decentes, para ligar outras grandes cidades – Vila Real, Castelo Branco, Viseu, Évora – aos grandes centros urbanos do litoral?

Modas idiotas (III)


É cada vez mais habitual vermos a juventude na rua a ouvir música. Mas há um raio de uma moda que é muito idiota e só pode ter partido de gente que não tem o mínimo de bom senso ou razoabilidade. É raro ver-se alguém com auscultadores normais… uns andam com auscultadores “king size” (desconfortáveis e de côr chocante), outros ouvem música sem auscultadores (como se os outros fossem obrigados a ouvir a sua música).

Porque perdeu o SL Benfica

Passados dias sobre o clássico FC Porto vs SL Benfica, as coisas já estão mais calmas e já se podem emitir opiniões mais ponderadas. Durante estes dias que se seguiram ao recital de futebol dado no Estádio do Dragão pelo FCP, milhões de palavras foram ditas e escritas. Como é hábito em Portugal, a maioria foi para apontar o que de negativo se fez ao invés de apontar o que houve de positivo.

Mais grave do que isso é ver que nem a imprensa desportiva parece ter conseguido ler o jogo tal como se exigia a alguém que se supõe ser entendedor da modalidade. Honra seja feita à excepção (que confirma a regra) que foi o Miguel Guedes, vocalista da banda Blind Zero e comentador no programa da RTP “Trio de Ataque” e da Antena 1 “Grandes Adeptos”.

É incrível ver como, no meio de tantos especialistas da bola – jornalistas, ex-treinadores, ex-jogadores, comentadores – não há ninguém que se interesse por, honestamente e com competência, analizar as incidências do jogo, das tácticas e dos desempenhos. O que importa (porque vende junto do povo estupidificado) é a acusação, a crítica destrutiva fácil e os casos.

Se querem ir aos erros de Jorge Jesus, e torná-lo bode expiatório da derrota, vão. Mas vão com seriedade. O erro não foi ter tentado travar o ponto forte (Hulk), mas não ter aproveitado o ponto fraco do FCP. Colocando Saviola em campo (em detrimento p.ex. de Salvio) o SLB poderia ter descontrolado o frágil Guarín, desiquilibrando o meio-campo do FCP ao nível defensivo e ofensivo.

Além disso, Saviola é móvel, rápido, criativo e não se dá às marcações (ao contrário de Kardec). Poderia assim, ter confundido os centrais do FCP, que estavam desapoiados devido a Sapunaro se encontrar ocupado com Coentrão, e Álvaro Pereira balanceado no ataque. Com Kardec no meio dos centrais, Salvio perdido, e o inconsistente Aimar no bolso do voluntarioso Guarín, sobrou apenas o pobre Coentrão.

O SLB não perdeu porque defendeu mal. Perdeu… 1º porque o FCP lhe é muito superior como colectivo; 2º porque o André Villas-Boas inovador e inteligente é superior ao Jorge Jesus retrógrado e tacanho; 3º porque, apenas com Coentrão, não tinha como atacar.

Fingem-se surpreendidos com aumento dos juros

Eu nunca duvidei das (in)capacidades dos nossos actuais especialistas – políticos, politólogos, economistas, financeiros, banqueiros, diplomatas – mas vejo que ainda há muita gente que duvida, mesmo com sinais tão evidentes.

O caso dos juros da Dívida Pública é flagrante, e um bom exemplo. Todos sabemos que os juros sobem porque tem aumentado o risco de a dívida não ser paga. Ou seja, os juros sobem porque quem compra a dívida desconfia que Portugal tenha capacidade para a pagar.

Neste momento a dívida portuguesa ultrapassa a riqueza produzida. Para que seja possível cumprir com o pagamento da dívida é necessário produzir mais, por forma a criar mais riqueza e ter mais dinheiro.

Praticamente todos aqueles especialistas concordaram que o OE 2011 era um orçamento mau, que apenas tinha o objectivo de corrigir o défice, e que a consequência das medidas tomadas era nova recessão.

Ora, se o OE 2011 não dá condições para criar empresas e emprego (antes pelo contrário) ou aumentar a competitividade da nossa economia, consequentemente não pode haver aumento da produção, da riqueza e, consequentemente, da capacidade para pagar a dívida.

Como podem então os tais especialistas ficar surpreendidos com o aumento dos juros da Dívida Pública? É fácil… não ficam. Eles andam é a enganar (mais uma vez) o povo fingindo-se surpreendidos e desculpando assim a sua manutenção no poder.

Nunca tive dúvidas, mas por vezes engano-me

Há umas semanas dizia-se que o problema do país era a viabilização do OE2011. Viabilizado o documento, os juros da Dívida Pública, que estavam pouco acima dos 5%, dispararam e ultrapassaram os 6.5%, um máximo histórico. Gorado o argumento do OE2011, o problema passou a ser a falta de interessados em comprar a Dívida Pública. Com o aparecimento da Venezuela e da China como potenciais interessados, os juros da Dívida Pública, que estavam nos 6,5%, subiram para perto dos 7% (o tal limite de Teixeira dos Santos para que fosse necessária a vinda do FMI).

Nesta altura só nos apraz perguntar: Mas será que entre tantos especialistas – políticos, politólogos, economistas, financeiros, banqueiros, diplomatas – ainda ninguém percebeu que o problema português é a falta de credibilidade e competência do Governo e principalmente do Primeiro-Ministro? A resposta é: Sim, já perceberam. E isso é que é grave nesta situação. Todos aqueles especialistas já perceberam qual é o problema, e sabem que a solução passa pela demissão deste PM e deste Governo PS, mas ninguém quer ousar falar nela.

Nova pergunta: Então se sabem, porque nem sequer a sugerem? A resposta é simples: Uns estão a agir cautelosamente para poderem obter bons resultados nas próximas eleições. Outros estão preocupados em não ferir susceptibilidades para se aguentarem (pelo menos o mais possível) nos seus belos empregos. Outros ainda, fazem parte da “pandilha” que nos trouxe a este estado de coisas e não se querem afundar com o Sócrates e o Governo.

Posto isto: Ainda alguém tem dúvidas de que o melhor teria sido chumbar o OE 2011? Ainda alguém tem dúvidas de que o melhor teria sido demitir o Governo? Ainda alguém tem dúvidas de que é inevitável o FMI vir a Portugal para colocar a governação e as finanças do país nos eixos? Eu nunca tive dúvidas, mas reconheço que por vezes engano-me.