Ao contrário do que poderia ser espectável (por se tratar de uma recandidatura) Cavaco Silva conseguiu mobilizar os portugueses e partiu para uma campanha “à antiga”. Teve comícios e jantares com milhares de pessoas, fez arruadas e visitas onde arrastou muita gente que empunhava bandeiras, e entoava cânticos pelo seu nome. Ouvi no início da década, numa rentrée na Barra de Aveiro, Durão Barroso dizer que “esta coisas dos comícios e jantares vai acabar“. Pelos vistos não vai, e ainda bem.
Cavaco foi o melhor PM em 37 anos de democracia, e foi um bom PR se comparado com os anteriores. Mas se como PM nunca governou a pensar em reeleições, já como PR agiu diversas vezes por forma a assegurar o 2º mandato. Tentou sempre não ferir susceptibilidades nos seus possíveis eleitores, da esquerda moderada à direita, tal como já haviam feito os seus 3 antecessores. De qualquer forma, nunca colocou em causa os interesses nacionais.
O mesmo já não se pode dizer da sua postura entre 1996 e 2006. Essa talvez tenha sida a pior altura do percurso de Cavaco Silva. Colocou várias vezes o seu interesse à frente do interesse do país e do partido que sempre lhe foi leal (e o levou a ser o que hoje é). Não se poderá apagar dos registos, entre outros, o artigo da boa e da má moeda que seria decisivo no derrube do Governo liderado por Pedro Santana Lopes.
Mas hoje, deparamo-nos com um cenário complicadíssimo (económico, financeiro e social) e não temos margem de erro. Hoje mais do que nunca é preciso eleger como PR um homem com sentido de Estado. Um homem moderado, responsável, sensato, exigente e rigoroso com o cumprimento das contas públicas. Um homem com crédito a nível nacional, mas sobretudo a nível internacional. Uma garantia de estabilidade política.
Cavaco Silva parece ser, de longe, o único dos 5 candidatos que reune estas condições.
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