Sócrates na SIC: Entrevista ou Tempo de Antena?

A entrevista de José Sócrates ontem na SIC, foi uma repetição daquela que já tinha feito com Ana Lourenço em Junho de 2009. Lembre-se que nessa altura o PM vinha de uma entrevista na RTP com Judite de Sousa, em que ficou tão à rasca que até insultou a jornalista.

O que a SIC transmitiu ontem pareceu um tempo de antena e não uma entrevista. Isto porque Ana Lourenço fazia perguntas excelentes para Sócrates discorrer sobre o que lhe convinha, e dava-lhe liberdade para o fazer durante largos minutos sem interrupção, mesmo quando mentia descaradamente.

Por falar em mentir, das duas uma, ou Ana Lourenço estava muito mal preparada e não conhecia os temas, ou então não teve coragem (ou ordem?!) para confrontar Sócrates com várias mentiras e incoerências que este proferiu durante todo o programa.

Pude no entanto rir um pouco com algumas das tiradas do líder do PS. A certa altura Sócrates disse “Não estou agarrado ao poder” e logo de seguida “para mim a consequência de uma crise política é que o país não se pode comprometer com parceiros internacionais“. Demitir-se? Nunca!

O Primeiro-Mentiroso… perdão, Ministro é tão cara de pau que diz partilhar o sofrimento dos manifestantes. Eu gostava de saber o que é que ele tem em comum: também está desempregado? também trabalha a recibos verdes? também ganha o ordenado mínimo?

Para terminar em grande, Ana Lourenço dá a novidade do acordo com os camionistas. Essa não lembrava a ninguém, mesmo que estivessemos a ver o canal “Sócrates TV” com Sócrates a ser entrevistado pelo próprio Sócrates. Porque não puseram José Gomes Ferreira como entrevistador?

À atenção de Super Dragões, Juve Leo e No Name Boys

Portugal é um país livre, onde quem não se quer manifestar é agredido ou bloqueado por aqueles que se manifestam.

E como recompensa para esses – que passam 2 dias a apedrejar cidadãos nas estradas –  o Governo cede às (in)justas pretensões.

Por estes dias… o que está a dar é ser camionista. Talvez não seja mal pensado que o resto do país comece à pedrada… na porta de São Bento.

Sócrates vai-se demitir?!

Há uns anos, o meu avô contou-me uma vez uma história (que disse ser verdadeira) de um senhor que todos os dias ia ao quiosque, olhava para a 1ª página do jornal, voltava-o a pousar na banca, e ia-se embora.

O dono do quiosque achava aquilo muito estranho, além de que lhe fazia espécie o senhor nunca comprar o jornal. Um dia ganhou coragem e aproximou-se do senhor para o abordar:

– “O senhor desculpe. Todos os dias o vejo aqui. Olha a 1ª página do jornal, pousa-o e vai embora. O que procura?
– “Eu procuro a Necrologia.
– “Mas o senhor sabe que a necrologia não vem na 1ª página, mas sim nas últimas?
– “O morto que procuro vem de certeza na 1ª página.

Isto passou-se nos anos 60, e a morte que o senhor procurava era a de Salazar. Ora eu há muito que estou como ele, já não compro jornais ou vejo telejornais, a não ser que me digam que Sócrates se demitiu.

Para quem acredita no futuro, e quer contribuir

Já por mais de uma vez elogiei, aqui no meu blogue, o Diogo Vasconcelos. Um homem que – ao contrário do que estamos habituados nos responsáveis políticos ou empresariais portugueses – não está sempre a olhar para trás, mas olha permanentemente para a frente.

Este sábado que passou, deu uma entrevista à revista NS do jornal DN. Essa entrevista é de leitura obrigatória para todos aqueles que – ao contrário do típico portuga – ainda têm alguma esperança num futuro melhor, e acima de tudo estão disponíveis para fazer algo por isso.

Deixo aqui alguns trechos da entrevista, mas aconselho a leitura integral

Em Where good ideas come from, Steve Johnson tenta encontrar essa resposta. E conclui que as boas ideias surgem quando diferentes intuições se confrontam. Como criar ambientes propícios a que tal aconteça? Um bom método é criar espaços para que gente com formações diferentes se encontre

[para ter sucesso] Entrar num mercado em crescimento, onde seja possível fazer algo de verdadeiramente novo. Saber explicar a novidade em poucos segundos. Escolher uma boa equipa, começar pequeno, controlar bem os custos e a tesouraria. Escolher clientes exigentes. Não é um sprint, é uma maratona.

Vale a pena planear. Os planos quase nunca se cumprem, mas ajudam a arrumar ideias, a identificar pontos francos, erros e objectivos.

Há dois tipos de inovação, a incremental e a radical. A primeira é fazer cada vez melhor, mais com menos recursos. A Europa é boa nisso. A segunda, significa inventar o futuro. Aqui, os americanos dominam.

Os programas de investigação europeus – cada vez mais burocráticos – favorecem as grandes empresas de hoje e ignoram as grandes empresas de amanhã. A prioridade europeia devia ser uma nova vaga empreendedora

Nenhum país é, à partida, demasiado pequeno ou periférico. Veja-se a Holanda, a Suécia, a Dinamarca: são países pequenos mas abertos ao mundo, com empresas líderes em múltiplos sectores, um ambiente favorável ao empreendedorismo e uma cultura de rigor, de aposta permanente na ciência, na inovação e na criatividade.

Estudar não é uma forma de obter emprego, é uma actividade indispensável e uma atitude permanente numa sociedade do conhecimento.

Não tenho direito a emprego nem ele é para toda a vida. Se não está disponível, devo poder criar o meu emprego. Quanto ao governo, o que tem feito é piorar a situação: massacra os recibos verdes com impostos, regulamenta até ao limite os estágios, não facilita a contratação nem reduz os custos do emprego para as empresas. Sem perspectivas de emprego, ou os desempregados criam o seu emprego ou emigram. A opção mais fácil para os mais qualificados e mais jovens é emigrar.

Democracia e/é participação

Artigo de opinião que escrevi para a edição de Março 2011 do jornal Notícias de Santo Tirso:

Cerca de 37 anos após o 25 de Abril de 1974, Portugal vê-se confrontado com uma questão muito séria e preocupante: a perda de qualidade da sua democracia. Sabemos que este não é um problema de agora, mas vem-se agravando, e começa a ganhar dimensões preocupantes.

A democracia deve ter como principais intérpretes pessoas capazes e competentes, mas essas pessoas afastam-se cada vez mais da vida pública. Hoje, os políticos são permanentemente confrontados com suspeições sobre o seu comportamento, e revelam um desprezo atroz pelos seus eleitores.

A democracia faz-se de participação – é assim desde os tempos da Grécia antiga, onde foi inventada – mas os cidadãos estão alheados da política, os eleitores afastam-se cada vez mais dos partidos (de onde obrigatoriamente têm de sair os governantes) e, a cada acto eleitoral, cresce a abstenção.

A degradação da democracia é, por isso, responsabilidade de eleitos mas também de eleitores. Dizia Aristóteles que “o preço a pagar por não te interessares por política, é seres governado pelos teus inferiores”. Esta é uma verdade cristalina, que está facilmente à vista no nosso país.

Todos temos, nesta altura, de ocupar o nosso lugar na democracia portuguesa. Deixarmos de lado as futilidades e dedicarmos algum (ainda que pouco) tempo à participação. Seja ela política ou cívica, todos temos o dever de participar na democracia portuguesa.

Se queremos continuar a viver numa democracia – onde somos livres e temos igualdade de oportunidades – temos de fazer algo para contribuir. Doutra forma cairemos novamente no erro de deixar que uma ditadura de esquerda ou de direita se instale. São essas as únicas alternativas.

Não precisamos de fazer esforços físicos, financeiros, mentais ou despender muito do nosso tempo para que a nossa participação seja valiosa. Basta que tenhamos princípios, valores e ética nos comportamentos que vamos tendo no dia-a-dia. Premiemos o mérito e a competência.

Para que a nossa participação valha a pena, basta que combatamos o laxismo, o facilitismo e a permissividade. Que condenemos a falta de exigência, de ética e de moral com que alguns titulares de cargos públicos e políticos nos presenteiam todos os dias.

Ao contrário do que muitos pensam, a participação não obriga à filiação em partidos políticos. Ainda que, apesar de tudo, seja importante que muitos (e bons) o façam, para evitar que esses partidos sejam “assaltados” por gente medíocre e com más intenções (o que, infelizmente, tem acontecido).

Volto a fazer aqui o mesmo repto: Nesta altura de grande dificuldade, todos devem sair da comodidade dos seus lares e participar. Sob pena de, caso não o façam, estarem a ser coniventes com o status quo que levará o país à ruína, e ao fim do regime democrático.

Polícias: Abuso ou Défice de autoridade?

Este país está a cair no abismo. Todos os dias a democracia é golpeada e caminha-se a passos largos para a anarquia. Depois disso, só Deus sabe o que poderá acontecer. Ou entramos numa espiral de mortes e miséria, ou sobe ao poder um qualquer ditador de esquerda ou direita.

E os sinais mais fortes disto não são a degradação das Finanças (dívida pública, déficit das contas), ou da Economia (falta de competitividade), ou mesmo do Estado Social (desemprego, pobreza). É a degradação da Educação, da Saúde, da Justiça e da Segurança.

No que concerne a esta última, veja-se como diariamente a comunicação “dita” social enxovalha as autoridades, transmitindo imagens, reportagens e notícias parciais, que passam a imagem de uma autoridade que abusa da força e reprime as liberdades.

Nos últimos tempos tivemos o caso dos sindicalistas detidos à porta de S. Bento, o caso do indivíduo da Arrentela que foi detido e acabou no hospital, o caso dos adeptos do Sporting em Alvalade, ou o caso do recluso de Paços de Ferreira.

Mas alguém de bom senso acredita mesmo no que passam os média? Que os polícias são um bando de mentecaptos que batem na população por puro prazer? Ou será que os mentecaptos são os desordeiros, criminosos, e membros de claques de futebol?

A mim – que me tenho como uma pessoa razoável, com olhos na cara e cabeça para pensar – ninguém me demove da ideia que esses mentecaptos é que ultrapassam os limites da lei, obrigando a polícia a carregar e a efectuar detenções, para repor a ordem.

As autoridades são hoje desrespeitadas principalmente porque a Tutela se demitiu das suas funções, deitando ao abandono milhares de homens e mulheres que juraram dar a vida para defender o próximo, fazer cumprir a lei e manter a ordem.

Desde há uns 20 anos para cá, que o Ministério da Administração Interna não sai em defesa das suas polícias (o mesmo se passa com o Min. da Defesa e os Militares). Para cumprirem o seu dever, as polícias presisam de se sentir também protegidas.

A Segurança é um assunto sério de mais para estar nas mãos de incompetentes, sem capacidade de liderança e que não são respeitados. O Ministro Rui Pereira já deveria ter sido demitido. Aliás, nem devia ter sido nomeado.

Educação Sexual vs Educação Cívica

Não vou perder tempo a fazer juízos de valor em relação à situação actual da Educação. É evidente ao estado a que chegou a Escola deste país. Culpa, em primeira instância, do Ministério da Educação.

Por estes dias a Ministra, Isabel Alçada, deu mais uma prova da sua incompetência ao mostrar a “sua disponibilidade para apreciar as propostas” de uma campanha contra a homofobia nas escolas.

Mais uma vez, e a meu ver, as prioridades do Governo, do PS, do ME e da Ministra estão totalmente viradas de pernas para o ar. Foram as aulas de Educação Sexual e agora é isto.

Ao invés de andarem a brincar com pormenores que em nada contribuem para o bom futuro dos jovens, e se querem mesmo colocar em prática algo decente, que apostem na re-introdução da Educação Cívica.

Nesta altura, e mais do que nunca, é preciso incutir nos jovens princípios e valores que serão muito importantes na sua vida. Isto porque não viverão isolados, mas em sociedade.

É necessário ensinar-lhes (já que cada vez mais pais se demitem) o respeito pelo próximo. Os seus direitos, deveres, liberdades e garantias. A importância de respeitar a lei e a autoridade.

Também não seria tempo perdido ensinar-lhes (ainda que por alto) o sistema eleitoral e a organização do Estado. Deverão desde pequenos conhecer os órgãos que regem as suas vidas.

Ganhou totoloto e teve final infeliz

Em meados dos anos 80 um amigo meu ganhou o Totoloto. O prémio foi de cerca de 100.000 contos (500.000 €). Naturalmente que, se comparado com o euromilhões pode parecer pouco, mas recorde-se que nessa altura o dinheiro valia mais. Por exemplo, havia automóveis que custavam menos de 1.000 contos.

Ele não tinha grandes qualificações, nem especialização profissional, pelo que a foi aconselhado a investir nisso mesmo e também a poupar. A qualificação garantia-lhe emprego no futuro próximo e sucesso a médio prazo. A poupança dava-lhe segurança no futuro mais longínquo.

Como qualquer bom portuga deslumbrado, inconsciente e sem formação (não necessáriamente académica, mas de vida), esse meu amigo – que ainda era um jovem – borrifou-se nos conselhos dos mais sábios (julgando que agora não precisava de ninguém) e começou a desbundar o dinheiro.

Não comprou nada que lhe fizesse realmente falta ou que fosse um bom investimento. O que fez foi comprar uma casa em frente à praia, um carro descapotável, um rolex e roupa de marca. Além disso perdeu-se em jantaradas, saídas à noite e putaria. Resumindo, começou a “armar-se aos cágados”.

Pouco tempo depois viu que o montante da sua conta vinha diminuindo, e que o dinheiro gasto ou parado não se multiplicava. Ficou preocupado e mudou de estratégia. Começou a gastar a crédito (ou fiado) “encostado” à sua reputação de “rico” e bom pagador.

Com o pouco que lhe sobrava poderia ter feito investimentos seguros que lhe garantissem retorno, mas ao invés resolveu tentar ganhar dinheiro de forma rápida e fácil. Comprou computadores e telemóveis com o objectivo de os vender mais caros e multiplicar o dinheiro.

A coisa correu mal porque, como comprou à pressa não o fez pelo melhor preço. Além disso as dívidas que já tinha eram em montantes tais, que um lucro pequeno nas vendas não era suficiente. Queria vender caro, mas ninguém comprava caro.

Um familiar sugeriu-lhe pedir ajuda aos pais. Recusou. Além de orgulhoso e casmurro, tratou mal a família e tinha agora vergonha de pedir ajuda. Entretanto o pouco dinheiro que restava ia-se esvaindo no dia-a-dia, na manutenção do carro e afins.

Passado algum tempo a situação tornou-se insustentável. Foi obrigado a vender tudo o que tinha ao desbarato, e nem sequer conseguiu pagar as dívidas que tinha. Entrou em depressão, tentou matar-se, foi internado e agora vive com uma pensão, em casa dos pais.

Foi um final infeliz.

Legenda:
Amigo = Portugal
Totoloto = Fundos da União Europeia
Casa de praia = Estádios Euro 2004
Carro descapotável = Expo 98
Rolex e roupa = Benesses de políticos e boys
Jantaradas = Isso mesmo, para políticos e boys
Saídas à noite = Isso mesmo, para políticos e boys
Putaria = Isso mesmo, para políticos e boys
Computadores e Telemóveis = TGV e Aeroporto
Pais/Família = FMI, Alemanha, etc.

O perfil do político medíocre

É um clichê dizer que os políticos estão descredibilizados, mas esta é também uma realidade nua e crua. Infelizmente a política está repleta de gente medíocre, e o expoente máximo disso é a pessoa que lidera os destinos do país.

O político medíocre preocupa-se mais em combater (hipotéticos) adversários internos – alguns nem o querem ser, são apenas fantasmas – do que a lutar contra os verdadeiros adversários que estão no exterior.

O político medíocre tem mais vontade de denegrir os que têm as mesmas ideias e ideologias, e portanto o podem substituir – em caso de mau desempenho – do que atacar (politicamente) os adversários de outros partidos.

O político medíocre passa mais tempo a arranjar motivos para se manter no lugar depois de falhar, do que a trabalhar para merecer ficar nas funções que lhe foram confiadas pela população.

O político medíocre quer ficar no poder não pelo mérito, não por ser o melhor, mas pela inexistência de alternativa, por ser o único a cumprir os mínimos ou a ter vontade/disponibilidade para lá estar.

O político medíocre preocupa-se mais em comprar votos e arrebanhar apoiantes, do que em conseguir conquistá-los ou convencê-los a segui-lo com trabalho, competência e liderança.

O político medíocre usa – tal como disse Maquiavel – o caminho mais fácil do desgaste do adversário, ao invés de apresentar capacidades, soluções, propostas e projectos que convençam os votantes.

O político medíocre tem a convicção e os tiques dos déspotas e ditadores. Acha que “quem não está com ele está contra ele”, como se numa sociedade de um país desenvolvido e integrado no século XXI só existissem dois lados.

O político medíocre rodeia-se normalmente de gente incapaz e sem personalidade, para que nenhum deles consiga aspirar ao seu lugar, e para que cumpra as suas ordens sem questionar.

O político medíocre sofre de complexos de inferioridade e afasta todos aqueles que tenham mais competências. Razão pela qual nunca consegue apresentar propostas e soluções credíveis.

O político medíocre rege-se pelo ditado “se não consegues vencer, junta-te a eles” ao invés de se esforçar pela luta das suas convicções, dos seus princípios, dos seus valores ou das suas ideias.