Opinião: Santo Tirso volta a divergir do resto do país

Artigo de opinião que escrevi para a edição de Julho 2011 do jornal “Notícias de Santo Tirso”.

No passado dia 5 Junho os Portugueses foram chamados novamente às urnas. Num momento crucial para o futuro do país, esperava-se uma baixa abstenção, mas infelizmente quase metade dos portugueses optou mais uma vez por se demitir do seu dever de votar. Depois não se poderão queixar já que, como dizia Aristóteles: “O preço a pagar por não te interessares por política, é seres governado pelos teus inferiores”.

Em Santo Tirso, ao fazer uma análise às Legislativas 2011, há várias questões que posso e devo abordar. A primeira, é o local de voto na freguesia sede de concelho; A segunda, os resultados obtidos por PS e PSD, e a sua comparação com os totais nacionais; A terceira, o facto de Santo Tirso ter visto eleita uma deputada da terra; A quarta, as votações de CDS e CDU; A quinta, o resultado do BE. Mas vamos por partes.

É no mínimo absurdo que as mesas de voto da freguesia de Santo Tirso tenham voltado à Escola Tomaz Pelayo. Na São Rosendo é tudo térreo, evita-se a subida de escadarias enormes (principalmente para os mais idosos) e as confusões nos corredores. Soube que era vontade de Zé Pedro Miranda continuar no “Ciclo” mas Castro Fernandes quis voltar à “Industrial”. Compreende-se. Queria mostrar a obra que ainda há dias tinha sido inaugurada por Sócrates.

Mas se o Presidente da CMST julgava que com isso conseguia mais votos saiu-lhe o tiro pela culatra. Pelo visto muita gente ficou escandalizada. Várias pessoas se interrogaram como era possível tanto luxo num tempo de grande dificuldade. De facto é impossível esquecer que há, por esse país fora, escolas a funcionar em contentores e pré-fabricados. Mas Sócrates gastou milhões em Santo Tirso, concelho em que Castro Fernandes que lhe arrebanha tantos votos.

Quanto aos resultados o panorama foi o mesmo dos últimos anos. A abstenção baixa, se comparada com a nacional (34% vs 41%), é talvez a única boa notícia que os eleitores Tirsenses trouxeram. Porque a má, lá continuou a ser a mesma: o PS (não o PS em si, mas o de José Sócrates) venceu novamente no concelho, mesmo depois de lhe ter tirado a urgência, a maternidade, os serviços e a indústria. Mesmo depois de o ter colocado como campeão do desemprego.

Este resultado é também da responsabilidade do PSD local. Não conseguir capitalizar a “onda laranja” nacional, averbando mais uma derrota no concelho, só está ao alcance dos mais incapazes. Apesar da conjuntura favorável o PSD perdeu novamente em Santo Tirso (até mesmo na freguesia da candidata a deputada!). E nem sendo o único partido local, com uma candidata em lugar elegível, conseguiu bater o desgastado PS de Sócrates e Castro Fernandes.

Apesar dos maus resultados do PSD no concelho, foi eleita à AR, uma deputada natural de S. Martinho do Campo. Este poderá ser um motivo de satisfação, já que ela poderá (e deverá) defender os interesses da região, mas também de Santo Tirso, junto do poder legislativo de Lisboa. Não obstante a sua inexperiência, deseja-se que aprenda rápido, não se deixe apanhar pela “teia partidária” e trabalhe bem em prol do país e do seu concelho.

Ao contrário do que escreveu o PSD na edição de Maio deste jornal, o curriculum de Andreia Neto não é “invejável”. Longe disso. É quase vazio a nível político e profissional (o que não é necessariamente mau, e é normal dada a sua juventude). Mas deverá estar assim livre de “vícios” e isso é uma vantagem. Se ela me permitisse um conselho, diria para se juntar, e tomar o exemplo, de outros jovens deputados como Duarte Marques, Luís Menezes ou Francisca Almeida.

Com mais de 3500 votos, o CDS-PP aumentou a sua votação em cerca de 350 votos. Este facto não é com certeza alheio ao bom trabalho realizado pela equipa de Ricardo Rossi (novel Presidente do CDS-PP Santo Tirso) e às várias visitas que Paulo Portas e os candidatos pelo círculo do Porto fizeram ao concelho. Frequentes as presenças de João Almeida e Michael Seufert entre outros. Foi assim, com trabalho local, que a nível nacional os centristas conseguiram subir.

Resultado semelhante teve a CDU. Com aproximadamente 2250 votos, aumentou a sua votação em cerca de 250 votos. Este bom resultado tem de ser imputado essencialmente à estrutura local do PCP. Apesar de ser admissível que tenham ganho alguns descontentes do PS e do BE, o facto é que as votações da CDU vêm aumentando mesmo em alturas boas dos seus concorrentes directos. Em 2009 tiveram 1800 votos nas Autárquicas e 2000 nas Legislativas.

Já o BE foi uma desilusão local. Com cerca de 1700 votos, perdeu metade dos que tinha alcançado há 2 anos. Isto, apesar de ser o primeiro acto eleitoral em que o partido tinha uma estrutura activa no concelho. Nem o trabalho de Andreia Sousa, nem as visitas de altas individualidades (Francisco Louçã, Luís Fazenda, João Semedo, João Teixeira Lopes) foram suficientes para segurar os eleitores fartos da utopia e demagogia do discurso bloquista.

Em jeito de conclusão, Santo Tirso volta a estar em divergência com o resto do país. Quando a maioria dos Portugueses reconhece (ainda que tarde) que a governação socialista foi um desastre, a grande parte dos Tirsenses volta a dar a vitória ao PS (e maioria à esquerda). Este “bater no ceguinho” é consequência do voto inconsciente, pela amizade e pelo compadrio. Quando, pelo contrário, devia ser fruto de uma análise mais profunda e ponderada da realidade.

Comunicação “dita” social dos lobbies de milhões

Artigo de opinião que escrevi para a rúbrica “Zona 7” do Sovolei:

Em pleno século XXI, e num país que se diz integrado na União Europeia, custa-me ver certo tipo de coisas da comunicação “dita” social. Ela, que tantas vezes serve para denunciar (e bem) certos tipos de discriminação e sectarismo, é a primeira a fazer exactamente o mesmo, em relação a certas pessoas, entidades, sectores, temas, assuntos ou questões.

A comunicação “dita” social generalista ocupa muito do seu tempo com futebol mas não dá qualquer importância a outros desportos. O que se vê na RTP-2 uma vez por semana é apenas por obrigação de serviço público, e o que se vê na SIC uma vez de 2 em 2 meses é apenas o aproveitamente de ódios e rivalidades entres alguns imbecis adeptos dos grandes clubes.

Nenhum dos canais de televisão ou dos jornais de tiragem nacional generalistas dedica um minuto ou uma linha ao Voleibol, o 2º desporto mais praticado em Portugal, logo a seguir ao futebol. Já os jornais desportivos, uns dedicam a esta modalidade 50 linhas por semana, outros nem isso sequer. No entanto, dedicam páginas inteiras ao Golf e às Apostas, por exemplo.

O que causa esta minha revolta foi há dias ter visto no Telejornal da RTP, em horário nobre, uma notícia sobre a Selecção Nacional Masculina de Voleibol, que disputa a Liga Mundial 2011. Os menos atentos perguntarão porque estou então revoltado? É que a notícia só apareceu porque a comitiva ficou retida num aeroporto devido a uma nuvem provocada por um vulcão.

Ou seja, nem antes, nem durante, nem depois da notícia, foi feita alguma referência ao facto de a Selecção estar a disputar uma das mais importantes competições mundiais. Nem sequer foi dito que nessa altura estava na luta pela qualificação para a fase final, por ter já conseguido importantes vitórias sobre selecções bem mais cotadas e poderosas.

É incrível como pôde a mais antiga e importante estação de televisão de Portugal, dar uma notícia sobre o facto de uma Selecção Nacional estar retida por causa de uma catástrofe (e isso sim é que interessa para as audiências), sem sequer se ter dignado a saber o que ali fazia. O mesmo aconteceu quando essa mesma Selecção venceu a Liga Europeia em 2009.

No fim-de-semana que passou, estiveram em Portugal – numa “clinic” na praia de Canidelo em V.N. Gaia – Larissa e Juliana. As duas brasileiras são as melhores atletas de sempre do voleibol de praia, com vários títulos de Campeãs Mundiais, o mais recente conquistado há bem pouco tempo. Não houve um orgão de comunicação “dita” social que divulgasse isto.

Mas não tenho dúvida que, se aterrasse amanhã, no aeroporto de Lisboa, do Porto, de Faro, ou até de Beja, a namorada do Cristiano Ronaldo, iriam estar lá para a ver chegar todas as televisões, jornais e revistas. Os mesmos que, no(s) dia(s) seguinte(s) iriam encher minutos e páginas a fio com reportagens e imagens sobre coisas que não interessam nem à própria.

É esta a comunicação “dita” social que temos em Portugal. Uma comunicação “dita” social que foge ao seu dever principal (e também a sua razão de existir) de informar, preferindo ser veículo de divulgação de interesses e de lobbies milionários. Sim, porque o Futebol é isso mesmo, apenas um negócio que dá milhões a muita gente, porque de desporto já tem muito pouco.

PS continua a toada da vitória/derrota mediática

Todos sabem, que nesta altura em que vão apertar as dificuldades, é extremamente importante que o Governo PSD-CDS tenha também (e pelo menos) o apoio do PS. Algo que à partida estaria garantido pelo facto de os socialistas terem assinado o MoU que Portugal fez com o FMI-BCE-UE.

Mas por enquanto (digo “por enquanto” porque estou esperançado que com Assis/Seguro eleito, isto acabará) os factos que se vão sucedendo indicam que o PS já rasgou o compromisso e continua numa toada de irresponsabilidade, com foco apenas nas vitórias/derrotas mediáticas na comunicação social.

Afinal de contas, não é algo que possa surpreender muito, já que a nova bancada do PS na AR foi toda escolhida “a dedo” por José Sócrates, Pedro Silva Pereira, e os seus acessores da máquina partidária (os tais Andrés Figueiredos e afins). Mas esperava-se alguma contenção.

O chumbo do nome de Fernando Nobre para PAR teve apenas e só o objectivo de, na comunicação social daquele dia e do dia seguinte, aparecer como derrota de PPC. E foi exactamente o mesmo que se passou com a infantilidade da demissão dos Gov. Civis, depois de PPC ter dito que não nomearia novos.

Tanto numa como noutra situação, os socialistas apenas estiveram preocupados em fazer parecer que PPC tinha faltado à sua palavra. De uma, dizendo que Fernando Nobre seria o seu PAR, e sendo obrigado a recuar. E de outra, dizendo que não nomearia Gov. Civis, sendo obrigado a nomear.

FCP vs PSD… novamente agridoce

Esta é já a segunda vez esta semana que tenho um sentimento agridoce. Mas se da última vez envolvia apenas o Governo PSD, desta vez envolve o Governo PSD e o FC Porto.

Passos Coelho e André Villas-Boas estavam, para mim, no patamar mais alto da consideração, do respeito e da confiança. Hoje, enquanto um assinava o outro rescindia.

Só tenho, ainda assim, de desejar aos dois a melhor sorte do mundo. Espero sinceramente que ambos tenham sucesso e consigam cumprir os objectivos a que se propõem.

É duplamente importante para Portugal, que PPC e AVB consigam vencer as dificuldades que se lhes apresentarão pela frente. Obviamente, nas devidas proporções.

Um governo com sabor agridoce

Ao conhecer o novo Governo tive um sentimento agridoce. Isto porque, se por um lado me agradaram muito algumas escolhas, outras desiludiram-me na mesma proporção. Apesar de tudo, penso que o saldo é positivo (aliás, muito positivo) porque as boas escolhas estão nas pastas cruciais.

Os nomes de Vitor Gaspar (Finanças), Álvaro Santos Pereira (Economia), Paulo Macedo (Saúde) e Nuno Crato (Educação) são tão surpreendentes quanto agradáveis. Em 4 pastas chave, Passos Coelho consegue ir buscar 4 grandes “técnicos”. Era isso o necessário e essencial nestes sectores.

E se alguns acham que serão Ministros frágeis por não serem “políticos”, eu penso que essa poderá ser uma vantagem. Ao invés de estarem preocupados em agradar a interesses, lobbies ou ao povo, irão com toda a certeza concentrar-se nos problemas do país e trabalhar em prol do mesmo.

As questões políticas que poderão ser levantadas no âmbito destas 4 pastas, deverão ficar a cargo do Primeiro-Ministro, que deverá dar aos Ministros cobertura total. Só assim poderá garantir que terão o espaço e as condições necessárias para implementar as políticas que se impõem.

Do lado do CDS espera-se que Paulo Portas tenha nos Negócios Estrangeiros, tão bom ou melhor desempenho do que teve na Defesa. Portas é um “político” competentíssimo, e por isso escolhe, e bem, pastas para as quais é necessário e suficiente ter capacidades estritamente “políticas”.

Os outros dois nomes centristas – Pedro Mota Soares (Segurança Social) e Assunção Cristas (Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento) – são duas agradáveis surpresas. Mostraram bom trabalho nos respectivos sectores. Têm capacidades políticas, e acima de tudo parecem ser competentes.

Para o final fica a parte má. Não estava à espera que Passos Coelho cedesse à “máquina” do partido. Era um forte e importante sinal que tinha dado. E para piorar são nomes tão fracos e pouco consensuais como Paula Teixeira da Cruz (Justiça) e Miguel Relvas (Assuntos Parlamentares).

Estas duas figuras “de proa” (vá-se lá saber porquê) do PSD são daquelas que, a cada 5 minutos em que aparecem na televisão em representação do partido, tiram 100 votos. Em cada frase proferida, na defesa de qualquer política, tiram credibilidade à mesma, por melhor que seja.

Já Miguel Macedo (Administração Interna) está uns furos acima. Mas está nitidamente conotado com a máquina partidária, e isso por si só já é mau. Se Passos Coelho o colocasse nos Assuntos Parlamentares, seria compreensível, dadas as funções recentemente desempenhadas.

Sei que os Assuntos Parlamentares e Administração Interna não são duas pastas fulcrais, mas a entregá-las ao “militantes”, preferia que Passos Coelho tivesse escolhido nomes mais reputados e credibilizados, como Marques Mendes, Fernando Negrão, Nuno Magalhães ou Nuno Melo.

FC Porto: as vitórias da Organização e Competência

Em Setembro 2009 escrevi, sobre os clubes desportivos: “Os maiores não são os que têm o maior estádio de futebol nem os que têm o maior número de sócios. Os maiores nem sequer são os que têm maiores orçamentos ou contratos de publicidade […] Os maiores clubes são os que conseguem vencer em todas as frentes“.

O FC Porto é hoje o maior e melhor clube em Portugal porque vence – e vence frequentemente – em todas as modalidades. É um verdadeiro clube grande e eclético. Em 2010/2011 o FC Porto foi campeão nacional em todas as modalidades colectivas em que participa: Futebol, Andebol, Basquetebol e Hóquei em Patins.

E venceu mais títulos em muitas delas e em vários escalões. No futebol venceu 4 títulos no escalão sénior (um deles europeu), mas também foi campeão nacional em Juniores A e Juniores C, por exemplo. Conquistou também o título em modalidades como o Bilhar, em que foi o melhor em masculinos e femininos.

Este sucesso é feito da conjugação de muitos factores e variáveis, mas há um que se destaca e que penso ser o mais importante: Organização. Até os atletas, que normalmente são mais dados às emoções e às condições de trabalho, reconhecem que a Organização é o ponto forte deste FC Porto.

Além disso, há uma outra característica que é essencial para se fazer parte da estrutura, principalmente em cargos de lideranças e responsabilidade: Competência. Apesar de existir a ideia que o FC Porto é uma “família” onde impera o nepotismo, o facto é que só entra quem tem comprovadas capacidades.

#e2011pt Um Governo com 10 + … 26

A dada altura da campanha, Passos Coelho disse que estava “preparado para construir um Governo com não mais do que 10 ministros” mas advertiu para o facto de falar “da possibilidade do PSD ter uma maioria absoluta e poder responder por esse resultado“.

Penso que mesmo com a coligação PSD-CDS será possível e desejável manter esta vontade. Para dar o exemplo na contenção de custos, porque algumas junções de ministérios fazem todo o sentido e também no sentido de implementar algumas reformas no sistema.

Penso que nos 10 Ministérios deveriam manter-se 7:

  • Finanças e Administração Pública;
  • Economia, Inovação e Turismo;
  • Obras Públicas, Transportes e Telecomunicações;
  • Defesa Nacional;
  • Negócios Estrangeiros;
  • Saúde;
  • Trabalho e Segurança Social.

Os outros 3 Ministérios deveriam ser as seguintes fusões:

  • Justiça e Administração Interna;
  • Agricultura, Pescas, Ambiente e Ordenamento do Território;
  • Educação, Ensino Superior, Ciência e Tecnologia.

Sob o gabinete do Primeiro-Ministro, deveriam esta as Secretarias-de-Estado:

  • Juventude e Desporto;
  • Cultura;
  • Presidência;
  • Assuntos Parlamentares.

Com estas minhas contas, chego ao número de 10 Ministros e 26 Secretários-de-Estado (versus 10 + 25 que falava Passos Coelho), como sendo necessários e suficientes para a governação do país. Sendo que muito trabalho deverá ser confiado às Direcções-Gerais.

#e2011pt Jovens deputados em que deposito confiança

O resultado das Legislativas 2011 foi acima de tudo uma vitória de Portugal. Foi uma vitória do PSD e de Passos Coelho. Mas foi também uma vitória da JSD e da Juventude portuguesa. Efectivamente o que está em causa é o futuro desta, que foi quase hipotecado por Sócrates e pelo PS.

Ontem tive a oportunidade de me encontrar casual e fugazmente com o Duarte Marques (Presidente da JSD) e de lhe dar os parabéns pela vitória. Esta também é uma vitória dele. Mas mais do que isso, esta é a oportunidade para trabalhar e mostrar o que vale. Confio na sua capacidade e trabalho.

Confio que o Duarte saberá defender os interesses da Juventude junto do Primeiro-Ministro e dos Ministros do Governo. Quiçá não poderá ele ser parte desse mesmo Governo e influenciar por dentro as políticas que são necessárias direccionar para os Jovens portugueses e o seu futuro.

Além do Duarte Marques, a minha confiança está depositada também no Luís Menezes, na Francisca Almeida e na Joana Barata Lopes, todos eleitos deputados pelo PSD. O Luís e a Francisca já provaram o seu valor na última legislatura, a Joana (Presidente JSD Lisboa) deverá tomar-lhes o exemplo.

No cenário que se avizinha, penso que será essencial a colaboração de todos eles com outros de igual valor, nomeadamente os jovens deputados do CDS/PP Michael Seufert (Presidente JP) e João Almeida (ex-Presidente JP). A ajuda de deputados jovens do PS, PCP e BE não deverá ser descartada.

Esta é um momento crucial para definição do futuro, que depende essencialmente da capacidade dos jovens. Portugal é competitivo na mão-de-obra qualificada e para isso há que dar condições para a aposta na qualificação dos Jovens. Além disso, medidas para o combate ao desemprego jovem precisam-se.

#e2011pt Cumpriu-se o meu desejo

Não fiz apostas nem previsões, tinha apenas um desejo e manifestei-o à hora do almoço: “Quero vitória do PSD. PS nos 28%. CDS forte. PCP e BE juntos abaixo dos 15%. Gostava de ver 1 ou outro deputado de outros partidos“. Apenas na última (e mais difícil) parte do desejo falhei.

Estou portanto muito satisfeito com os resultados das Legislativas 2011, apesar dos números da abstenção. Para mim, ao serem divulgados, foram a primeira derrota da noite. Num momento tão importante para o país, quase metade dos portugueses se demitiram do seu dever de voto.

Depois destes resultados muita coisa haverá para dizer, e será dita pelos principais opinion makers, mas há algo que eu gostava de ver “esmiuçado”. Gostava de ouvir os responsáveis pelas empresas de sondagens falar do empate técnico que persistiu durante toda a campanha.

De resto, olhando para os resultados abaixo, as tendências são evidentes. O PS desce à custa dos maus governos de Sócrates. O PSD cresce pela afirmação como alternativa. O CDS sobre por força da coerência e alteração de estratégia. BE perde para o PCP por causa da demagogia barata.

Legislativas 2011: PS – 28,10%, PSD – 38,60%, CDS – 11,70%, CDU – 7,90%, BE – 5,20%
Legislativas 2009: PS – 36,56%, PSD – 29,09%, CDS – 10,46%, CDU – 7,88%, BE – 9,85%
Legislativas 2005: PS – 45,03%, PSD – 28,77%, CDS – 7,24%, CDU – 7,54%, BE – 6,35%

Ontem foi o dia da mudança, e hoje é o 1º dia do resto das nossas vidas. Estou satisfeito, mas tenho pena que este desejo não se tenha cumprido nas Legislativas 2009. Perdemos mais 2 anos. Caímos na ajuda externa. Mas o povo “só ouve nas orelhas“. Mais vale tarde do que nunca.

Comícios: a tradição já não é o que era

Ontem voltei a marcar presença num comício do PSD. Foi o comício de encerramento das Legislativas 2011, no Largo do Carmo em Lisboa, com Pedro Passos Coelho como candidato do PSD. Penso que a minha última vez tinha sido no enorme comício do Porto nas Legislativas 2002 quando o PSD venceu as eleições com Durão Barroso.

Confesso que para além de ter querido, neste momento importante, mostrar o apoio ao PSD e a Passos Coelho, fui também com a vontade de voltar a experimentar a alegria e adrenalina que sentia nas dezenas de comícios em que participei no final dos anos 80, durante os anos 90 e no início do século XXI. Mas, saí de lá insaciado.

Há 3 factores que são essenciais para um bom comício partidário. Um deles, e talvez o mais importante, não desiludiu e correspondeu ao que esperava: Pedro Passos Coelho, Fernando Nogueira e Fernando Nobre (entre outros) fizeram bons discursos. Daqueles com conteúdo e que conseguem empolgar uma plateia.

De qualquer forma, os outros 2 factores ficaram aquém das expectativas. Havia muita gente, a praça estava cheia. Mas as pessoas não demonstravam alegria e interesse. Muitos iam e vinham dos cafés com cervejas e bifanas na mão. Outros conversavam, e muito poucos estavam atentos ao que se passava no palco.

Por último a animação, que por tradição estava a cargo da JSD, falhou redondamente. Talvez por isso agora se contratem speakers. Os jotinhas dividem-se em 2 grupos: os adolescentes que aparecem de t-shirt laranja e apenas querem “festa” e os jovens universitários que vestem calça e blazer e se vão mostrar (tendo em vista futura carreira política).

Não tenho dúvida que isto se passa em todos os partidos, mesmo nos mais pequenos e mais novos. De qualquer forma admito que se note mais nos grandes partidos, nos partidos do poder. De há uns anos para cá tem sido esta a tendência, que a meu ver, empobrece também a democracia e a sua qualidade.

Há uns anos atrás, numa rentreé política na Barra de Aveiro, ao jantar, antes do comício, Durão Barroso dizia à mesa que os comícios acabariam por deixar de fazer sentido. Eu discordo. Haja políticos com qualidade e competência, e as pessoas ganharão vontade de os seguir para todo o lado.

Quem participou e se lembra dos comícios do PSD (com Sá Carneiro, Cavaco Silva, Freitas do Amaral e outros) nos anos 80-90 sabe que é isso que mobiliza as pessoas.