Madeira: Demagogia, sectarismo e partidarite

Ontem, no Telejornal da RTP, foi transmitida uma reportagem que pretendia provar os maus gastos do Governo Regional da Madeira liderado por Alberto João Jardim. Mostrava-se (e descrevia-se com tom indignado) a Marina sem barcos e o Fórum Machico com apenas 2 lojas ocupadas.

Desde logo se levantaram várias vozes na blogosfera e nas redes sociais – não só da esquerda (PS, PCP, BE) como também do CDS – contra a vergonha e o escândalo das obras feitas por Alberto João Jardim. Concluo que o sectarismo, a demagogia e a partidarite não têm limites.

Ainda ontem passei na Marina do Parque das Nações. Sabem como está? Vazia! Nem um barco! E assim tem estado desde sempre. Na mesma zona há dois espectaculares edifícios (que ficam entre o Teatro Camões e o Oceanário) completamente vazios! Mas o que interessa isso? Vergonha é a Marina da Madeira!

Também em Lisboa, e no mesmo Parque das Nações, vê-se a imponente pala do Pavilhão de Portugal. Pavilhão esse que está fechado há anos e serve agora de abrigo a indigentes. Pelo país fora muitos exemplos como os Estádios de Leiria, Aveiro e Algarve ou o Aeroporto de Beja. Mas o que interessa isso? Vergonha é o Forum Machico!

Aumento do IVA? Sofre o Tuga e é bem feito!

Quando se fala da possibilidade de o Governo aumentar o IVA logo começa a berraria acéfala. Uma coisa será certa e o Primeiro-Ministro já a referiu: a taxa normal do IVA não irá subir porque 23% já é demasiado.

O que o Governo prevê, é o que está acordado no Memorando de Entendimento. Passa por “Mover categorias de bens e serviços dos escalões reduzido e intermédio para os escalões mais altos do IVA“.

Claro que vários políticos demagogos e comentadores idiotas aproveitam logo para alardear com um “assalto injusto ao bolso dos portugueses“. Mensagem imbecil, mas que sabem ser fácil de passar e vender.

Sugiro a todos o seguinte: Na próxima vez que se deslocaram às compras no hipermercado, espreitem o carrinho das pessoas que passam. Vão poder constatar que a maioria estará cheia de produtos não essenciais.

O típico tuga leva carrinhos cheios de batatas fritas, bolachas, refrigerantes, doces, enlatados, congelados, revistas cor-de-rosa e um montão de coisas que não precisa, mas que está em promoção.

No outro dia estava ao pé do balcão do talho e à minha frente tinha 2 ou 3 pessoas. Curioso que nenhuma delas pediu bife para grelhar ou carne para assar. Pediam salsichas frescas, moelas e afins.

Da mesma forma, ao passar ao pé do balcão da peixaria, é habitual vermos o tuga a pedir sacos de camarão e outro tipo de mariscos e frutos do mar, como berbigão, mexilhão e afins, ao invés do peixe fresco.

Bem sei que há gente (eu sou um deles) que também gosta dessas coisas, mas no seu dia-a-dia compra pão, água, vinho, lacticínios, legumes, fruta ou produtos dietéticos/vegetarianos. Mas são uma minoria.

Confio que no Governo está gente com bom senso. E portanto não vai agravar produtos essenciais. Quem quiser a continuar a dar cabo da sua própria saúde, que pague mais. No final também gastará mais ao SNS.

Memória curta e falta de vergonha

Para que fique desde já claro, reprovo a todos os níveis o que AJJ fez. Esconder uma dívida da ordem dos milhares de milhões de euros é inqualificável. E nada o desculpará.

Passos Coelho – apesar de AJJ ser do PSD e estarem aí eleições Regionais – condenou claramente o sucedido dizendo que foi uma “irregularidade grave, sem compreensão” e já toma providências.

Custa no entanto ouvir críticas de certas pessoas que apoiaram, deram cobertura e foram coniventes com Sócrates. A memória dessas pessoas é curta, e também há muita falta de vergonha.

A esses senhores e senhoras relembro o seguinte: De 2004 a 2011, nos Governos PS/Sócrates, a Dívida Pública Portuguesa passou de 90.000 M€ para 160.000 M€. Aumentou portanto 70.000 M€!!

Relembro também que o ex-PM, José Sócrates, ajudado pelo seu Governo e pelo então Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, ocultou o défice real antes das Legislativas 2009.

Portanto, antes falarem em “buracos“, “défices” e “ocultações” pensem bem “o que fizeram no verão passado” e tenham vergonha na cara. Em política não vale, nem pode valer, tudo.

Para aqueles que colocam Jardim e Sócrates ao mesmo nível, digo apenas que o Governo Regional gastou o dinheiro em vias de comunicação, escolas, centros de saúde e infra-estruturas turísticas.

Já os últimos Governos de Portugal gastaram o dinheiro em Expo 98, CCB, Estádios de futebol, Auto-Estradas paralelas, PPPs, e outras brincadeiras tipo TGV e Aeroporto.

O comportamento de Jardim é reprovável mas foi consequência de outro ainda mais reprovável. O Governo (PS) da República usou o seu poder para fazer cair Jardim (cortando financiamento à Madeira).

Dívida da Madeira e o sinal dado por PPC

Alguém tem dúvida que, se Sócrates ainda fosse PM e se o Presidente do Governo Regional da Madeira fosse PS, esta questão da dívida era abafada?

Aliás, mesmo sendo Alberto João, às tantas também seria abafada. Talvez em troca de elogios como os que o Madeirense fez depois da tragédia de 2010.

O facto de o Governo Nacional ser da mesma cor partidária do Governo Regional, e o facto de estarmos em cima de eleições no arquipélago poderia levar a um branqueamento.

Mas Passos Coelho deu um grande sinal. Um sinal de transparência, seriedade, integridade e coragem. Era disto que precisávamos na política.

Alberto João Jardim, o alvo fácil

Por estes dias, e de novo por razões exclusivamente eleitorais e tactico-partidárias, o alvo é Alberto João Jardim. Tanta demagogia tem sido derramada por vários agentes políticos na comunicação “dita” social.

AJJ é naturalmente um alvo fácil. Isto porque se expõe demasiado. O que não é um defeito, é apenas a consequência de não ter medo de se mostrar tal e qual como é. Não é hipocrita ou falso. É verdadeiro.

AJJ diz tudo o que lhe vem à cabeça, o que numa sociedade como a portuguesa, é um handicap. É a sua maneira de ser, mas também advém do crédito e autoridade que foi acumulando ao longo de tantos anos.

É inquestionável que fez obra na Madeira. Tornou o arquipélago na região mais rica e desenvolvida do país. Por muito que custe, é por isso, e mais nada, que vence consecutivamente eleições com maioria desde 1978.

E é escusado dizerem que isso se deveu ao muito dinheiro que recebeu da UE. Também o Continente e os Açores receberam. O Continente desperdiçou-o em estádios, CCB, Auto-Estradas, Expo98, e os Açores é o que (não) se vê.

Uma coisa é certa, tal como a Santana Lopes (outro alvo fácil), não é conhecida a AJJ nenhuma fortuna pessoal, não lhe é conhecido nenhum luxo. É um homem simples que não enriqueceu à custa da política.

Além disso é um grande homem, um intelecto superior. Apesar de muitos acharem apenas que é um déspota, um homem tacanho na forma de agir, ele é inteligente e prova-o a cada dia que passa.

A imagem que o resto do país tem advém do facto de ser regionalista. Mas tal como Pinto da Costa no futebol, ele apenas usa o regionalismo como arma contra o centralismo de Lisboa. Os interesses, a maçonaria, etc.

AJJ é um grande político, como já há poucos, e uma das provas disso foi a intervenção que teve no 32º Congresso do PSD. Numa altura em que todos se preocupavam apenas com as internas, teve uma intervenção política ímpar.

Obviamente que, como qualquer outro governante, estando há tempo demais no lugar de Presidente do Governo, desenvolveu vícios. Usou também meios incorrectos e teve falta de ética em certas situações, para defender a sua posição.

Deverá e será avaliado e julgado pelos madeirenses, tal e qual como deve ser em democracia, nas próximas eleições regionais. É apenas e só isto. Que se saiba, a CRP e a Lei não têm dois pesos ou duas medidas para Governantes e ex-Governantes.

Benfica vs Man Unaite… Jesus tinha razão


Depois de ver o jogo de ontem tenho de reconhecer que Jorge Jesus, esse génio do futebol, tinha razão. Este Manchesta Unaite, perdão Manchester United, é o mais forte de sempre.

Ontem, quando ouvi essas declarações do treinador do clube de Lisboa, cheguei mesmo a gozar. Perguntei se Jesus não conhecia aquela equipa do final dos anos 90, que foi Campeã da Europa.

Publiquei o tweet irónico “Terão Schmeichel, Irwin, Johnssen, Stam, Neville, Giggs, Beckham, Yorke, Cole… jogado no Salgueiros?” Mas tenho de reconhecer, o 11 de ontem era muito mais forte.

Sir Alex Fergusson foi finório. Deu 8 ao Arsenal com as reservas para enganar, e depois veio à Luz com os titulares. Mas Jorge Jesus é mais esperto e inteligente e não foi na conversa.

O empate é um espectacular resultado para o clube de Lisboa. É que este Man Utd era mesmo o mais forte de sempre. Qual Charlton, Beckham, Ronaldo e afins, o 11 usado ontem dava 15-0 ao Arsenal.

PSD e as dificuldades de resistir à máquina

Já o disse várias vezes, apoiei Ferreira Leite e Aguiar Branco nas 2 últimas internas do PSD. Mas, depois de vencer, Passos Coelho surpreendeu-me pela positiva.

Aquando da constituição do Governo elogiei o facto de ter conseguido chamar excelentes independentes, mas critiquei ter cedido à máquina do partido em certas pastas.

Quando os partidos estão no Poder é muito mais fácil ceder à máquina partidária, mas é imperativo resistir. Afinal, foi essa mesma máquina (incompetente e corrupta) que nos trouxe até aqui.

Ao ver o programa das Jornadas Parlamentares do PSD fico desiludido. Numa altura em que o PSD lidera o Governo e precisa de mais e melhores ideias para nos tirar da crise, as jornadas serão inócuas.

Oradores e temas são os que mais interessam ao partido numa lógica puramente circunstancial. Não irão acrescentar nada ao trabalho do PSD na AR, em prol do país e dos portugueses.

Compare-se nomes dos oradores (sua qualidade e capacidade), líder parlamentar, presidente PSD e condição do partido, nas últimas 3 jornadas parlamentares. É fácil ver as diferenças.

Ano 2008
Líder Parlamentar – Paulo Rangel
Presidente PSD – Manuela Ferreira Leite
Condição PSD – Oposição
Oradores: António Borges, Henrique Neto, Maria José Nogueira Pinto, Jacques Attali

Ano 2009
Líder Parlamentar – JP Aguiar Branco
Presidente PSD – Manuela Ferreira Leite
Condição PSD – Oposição
Oradores: Alexandre Soares dos Santos, José António Salcedo, Paulo Pinto de Albuquerque, João Duque

Ano 2010
Líder Parlamentar – Miguel Macedo
Presidente PSD – Pedro Passos Coelho
Condição PSD – Oposição
Oradores: Manuel Villaverde Cabral, Ernani Lopes, Luís Campos e Cunha, Vitor Bento

Ano 2011
Líder Parlamentar – Luís Montenegro
Presidente PSD – Pedro Passos Coelho
Condição PSD – Governo
Oradores: Miguel Relvas, Pedro Santana Lopes, Marco António Costa, Paulo Simões Júlio

O meu 11 Setembro 2001

Em 2008 escrevi um post que descrevia o meu dia 11 Setembro 2001. Transcrevo-o aqui novamente. Nunca me hei-de esquecer desse dia. Já lá vão 10 anos. Nessa altura estudava na FEUP e estava em casa, no Porto.

Aviões desviados batem no topo do World Trade Center em Nova York, e no Pentágono em Washington. Um quarto avião despenha-se numa floresta na Pensylvania. As operações em Wall Street param. Todos os aeroportos são fechados e os voos cancelados pela primeira vez em todos os EUA. O exército americano fica em alerta total e o presidente George Bush fala à nação dizendo que “vamos apanhar os responsáveis e trazê-los à justiça”. Centenas de policias e bombeiros enviados para socorrer os trabalhadores do World Trade Center ficam soterrados com a queda das torres. Por todo o mundo este ataque á condenado.

7:58 a.m. – Voo 175 da United Airlines parte de Boston com destino a Los Angeles, com 56 passageiros, 2 pilotos e 7 hospedeiras. O Boeing 767 é desviado e levado para Nova York.

7:59 a.m. – Voo 11 da American Airlines parte de Boston com destino a Los Angeles, com 81 passageiros, 2 pilotos e 9 hospedeiras. O Boeing 767 é também desviado e levado para Nova York.

8:01 a.m. – Voo 93 da United Airlines, um Boeing 757 levando 38 passageiros, 2 pilotos e 5 hospedeiras, parte de Newark para São Francisco.

8:10 a.m. – Voo 77 da American Airlines parte de Washington para Los Angeles, levando a bordo 58 passageiros, 2 pilotos e 4 hospedeiras. O Boeing 757 é desviado logo após descolar.

8:46 a.m. – Voo 11 da American Airlines despenha-se contra a torre norte do World Trade Center. (Acordo uns minutos depois e ligo a CNN. Fico sem reacção, a minha irmã e tia estão em Nova York)

9:03 a.m. – Voo 175 da United Airlines despenha-se contra a torre sul do World Trade Center. (Se a preocupação era muita, desmesurou-se, multiplico-me em telefonemas que não chegam nem a casa, nem a Nova York)

9:21 a.m. – Todas as pontes e túneis que levam a Nova York são fechados. (Alguem já conseguiu falar com elas, estão bem. Estavam numa excursão fora de Manhattan.)

9:25 a.m. – Todos os voos, são obrigados a aterrar pela Administração de Aviação Federal. (O meu telefone não para de tocar. Todos os amigos que sabem, ligam a perguntar pela minha irmã)

9:45 a.m. – Voo 77 da American Airlines despenha-se contra o Pentágono. (Elas estão “presas” fora de Manhattan e estão a ser levadas para um motel)

10:05 a.m. – A torre Sul do World Trade Center cai. (Nem quero acreditar no que vejo. Nunca pensei que caíssem as torres. Alguns especialistas na TV diziam que era impossível)

10:10 a.m. – Voo 93 da United Airlines despenha-se numa floresta da Pensylvania. (Graças ao esforço e coragem de alguns passageiros que confrontaram os terroristas)

10:28 a.m. – A torre Norte do World Trade Center cai. (Foi o fim de um espectáculo horrível. Ver pessoas a atirarem-se das janelas… é o desespero)

(Depois de uns dias fora de Manhattan com a “roupa do corpo”, a minha irmã e tia voltaram ao hotel em Manhattan, e logo depois o retorno à Europa. Horas passadas e estavam em casa. Em Portugal. Fica o susto. E algo mais… tinham bilhete para subir ao World Trade Center na noite do dia 11. Tudo porque a minha tia já tinha estado em NY e tinha subido de dia)

Modas idiotas (IV)

Já anda aí mais uma moda idiota: os relógios de pulso digitais como os que se usavam nos anos 80. E não, não são aqueles pretos (alguns até tinham como inovação uma máquina de calcular integrada) são dourados e prateados.

O problema não é tanto o serem feios e mal jeitosos. O problema é o seu uso ser resultado de carneirismo. Algum radical de esquerda anti-consumismo (daqueles que estão sempre do contra) resolveu usar o relógio do pai, em vez do Swatchcomo os amigos.

Como a maioria do tuga (principalmente o mais jovem) é desprovido de personalidade, carácter e sentido crítico, foi logo atrás sem pensar. Julgou que assim se iria destacar por ser diferente, mas o resultado é que andam todos de igual.

Mário Soares, por qué no te callas – Parte II

Há cerca de um ano escrevi: “Respeito muito Mário Soares pelo papel que desempenhou na construção da democracia portuguesa” mas “Ele, melhor do que muitos, deveria saber que em política (como na vida) tudo tem o seu tempo“.

Acrescentei que: “Pelo percurso que teve já devia ter aprendido que os grandes homens da história souberam saír na altura certa. Saber o timming para se retirar e dar lugar aos mais novos é algo essencial para se saír pela porta grande“.

Depois de mais algumas considerações terminei: “É pena, porque assim ele está a perder o respeito que os portugueses tinham por ele. E além disso não está a contribuir em nada para que a política portuguesa se regenere e se credibilize“.

Há dias na Universidade de Verão, Soares demonstrou mais uma vez que tenho razão. O ex-PR está, como se customa dizer, chéché. Infelizmente aquela cabeça já só processa banalidades e demagogia. E a memória… foi-se!

Camilo Lourenço lembra bem. Soares diz que o Governo está demasiado preso ao acordo da Troika, mas foi no tempo dele como PM que estivemos mais subserviente ao FMI. Perguntaram-lhe o que faria de diferente: “Não sei. Não sou ministro. Eles é que estão no Governo“.

Ontem, mais uma cavadela, mais uma minhoca. Soares disse que O Ministro das Finanças “é um técnico de economia […] Mas é um político ocasional“. Caro Dr. Soares, foi exactamente por causa disso que chegamos ao estado em que estamos!

Chegamos a este ponto porque nos últimos 15 anos fomos liderados por políticos profissionais, sem qualquer qualificação técnica para ocuparem os lugares. Além do mais, não sendo “ocasionais” não tinham naturalmente qualquer tipo de sentido de missão.

De resto, em entrevista a Fátima Campos Ferreira, Soares disse que as medidas de austeridades deveriam ter “alguns limites”. Pena que não tenha pensado nisso em relação aos gastos do Governo PS/Sócrates, que defendia com argumentos de cabo de esquadra.