A emigração e a memória curta do PS

Ainda a propósito deste tema, recordo o post que escrevi em Abril 2011, quando o Governo era o do PS de Sócrates…

Uma pessoa minha conhecida – licenciada e desempregada (depois de nos últimos 2 anos ter estado com contratos semestrais, trimestrais e mesmo mensais) – foi notificada pelo Centro de Emprego para estar presente numa sessão de esclarecimento.

A sessão tomou lugar num auditório e reuniu dezenas de desempregados daquele concelho. Imagino que outras sessões tenham tido lugar antes e também depois, cobrindo o universo dos desempregados que estão inscritos naquele e noutros Centros de Emprego.

Essa sessão foi ministrada por uma funcionária do IEFP que, como é habitual, parecia que estava a falar para atrasados mentais. O tema abordava os “Como, quando, onde e porquê” de um emprego em outros países da UE (pelo visto tem apoio da Eures).

Aos presentes foi dito onde poderiam procurar oportunidades de trabalho no estrangeiro, e em tom de “depois não digas que não avisei” alertou-se para o facto de ser importante verificar as condições do contrato, seguros saúde, segurança social, subsídio alimentação, etc.

Foi também dito que, em caso de chegarem a acordo com a empresa, deveriam ter atenção ao nível de vida no país de acolhimento, ao preço dos alojamentos, à possibilidade de levar também a família, etc.

Finalmente, ensinaram a forma de criar um CV em formato europeu (novo formato europass) e também foi indicado um site que facilita a tradução desse mesmo CV para outras línguas estrangeiras.

Educação, Alunos e Professores… na Finlândia


A Finlândia tem 5,4 milhões de habitantes e é o 8º maior país, em área, da Europa. O seu PIB é de aproximadamente 150.000 M€. Na última década cresceu em média 3% e a sua dívida pública é de 45% PIB. Em 2010, tal como noutros anos, teve um superávite nas suas contas públicas. O seu rating continua AAA, apesar da crise que assola a Europa.

A Finlândia tem um sistema de Educação muito pouco ortodoxo, que foi recentemente relevado por um site americano. Desde que, há 40 anos, implementou reformas na Educação, tem estado consistentemente no topo dos rankings internacionais. Como o conseguiram? Implementaram um modelo que vai em sentido contrário de todos os outros, não é orientado para a avaliação.

O site americano expõe alguns dados sobre esse sistema de Educação:

– O currículo nacional contém apenas orientações gerais
– Não há qualquer tipo de avaliação nos primeiros 6 anos de escola
– Apenas existe um exame padrão, e obrigatório, que tem lugar aos 16 anos
– A diferença entre bons e maus alunos é a mais pequena do Mundo
– As crianças não começam a escola antes dos 7 anos
– As crianças raramente tem exames ou trabalhos de casa até serem adolescentes
– As aulas de ciência são limitadas a 16 alunos, para que todos possam realizar as experiências práticas
– 30% das crianças recebe ajuda extra durante os primeiros 9 anos da escola
– 66% dos alunos ingressam em Universidades (mais alta taxa da Europa)
– 93% dos alunos terminam o liceu
– 43% dos alunos ingressam em Escolas Profissionais
– A escola é 100% subsidiada pelo Estado
– O número de professores (para 600.000 alunos) é o mesmo que na cidade de Nova York (1.100.000 alunos)
– Todos os professores têm mestrado
– Os professores são seleccionados do top 10% dos licenciados
– O salário médio dos Professores é de 22.000€/ano

Claro que tudo isto, na minha opinião, só é possível porque os Finlandeses são um povo educado, civilizado e honesto. Os políticos preocupam-se com a população, as classes preocupam-se com o sector e os pais preocupam-se com os alunos. Ninguém se preocupa apenas consigo próprio.

Nota: Os bold’s são meus

Para haver equidade… Portagens no IC19

Desde dia 8 Dezembro que estão em funcionamento portagens nas ex-SCUT A22 (Algarve), A23 (Beira Interior), A24 (Beira Alta e Trás-os-Montes) e A25 (Beira Litoral e Interior), que levantaram violentos protestos de (alguns) populares.

Sou por princípio apologista do princípio do utilizador-pagador. Aceito no entanto que haja excepções em certo tipo de situações. Como por exemplo em auto-estradas que servem zonas mais desertificadas do país (praticamente todo o interior).

Mas valores mais altos se levantam. Portugal está de tal forma endividado que não tem por onde fugir. A situação económica e financeira é de tal ordem que não se pode dar a luxos. E por mais que custe, há que taxar o que é supérfulo.

A correcção da asneira de PS/Guterres começou na zona mais afectada pela crise e pelo desemprego, o Norte do país. Portagens foram instituídas, e bem, na A4, A17, A28, A29, A41 e A42. Bufou-se, mas paga-se.

Muito se fala em equidade, de Norte a Sul e Ilhas, da Esquerda à Direita, de sector em sector. E por isso é com justiça que se vêem chegar as portagens às restantes SCUT. Mas não chega. Ainda há mais para taxar.

O IC19 vai de Sintra a Lisboa, e todos os dias suporta cerca de 100.000 automóveis. É provavelmente a estrada mais congestionada do país, com mais acidentes e trânsito mais intenso. Porque não taxar este percurso?

Dirão que não é uma auto-estrada e não pode ser taxada. Eu respondo que tem 3 faixas em permanência e 4 faixas em alguns troços. Dirão que milhares o utilizam para ir trabalhar. Eu sugiro que usem transportes públicos.

Ao taxar o IC19 com portagens gerava-se receita para os cofres do Estado. Também para isso contribuia o aumento da utilização de transportes públicos. Diminuia-se a poluição (dos gases de escape) e também a dependência do petróleo.

Ninguém mandou alguém emigrar…

Todos, principalmente os elementos dos partidos da oposição, querem que o Governo apresente soluções para os portugueses. Uma das classes que mais tem exigido soluções é a dos professores. São dezenas de milhar que estão no desemprego. Tudo porque se abriu cursos e formou professores como se não houvesse amanhã, sem se assegurar que havia onde colocá-los.

Pedro Passos Coelho sugeriu uma solução. Algo pertinente. Não serve! Logo vieram os arautos dizer que o PM não acredita em Portugal e nos Portugueses. Disseram que o PM tinha “mandado” os portugueses emigrar, e que isso era vergonhoso. Ora, em primeiro lugar, o PM não “mandou” ninguém sair de Portugal, e em segundo lugar só somos “cidadãos do mundo”, quando convém.

Questionado sobre se aconselharia os professores no desemprego a sairem da sua zona de conforto e procurarem emprego em Angola, Passos Coelho disse que o poderiam fazer não só em Angola, e não só na área da Educação. Nada mais verdadeiro. Agora, conhecendo o seu povo, os seus adversários e a comunicação “dita” social, o PM podia ter sido mais cuidadoso.

O que ele deveria ter feito era apenas sugerir tal coisa quando tivesse (pelo menos) um princípio de acordo de cooperação com os PALOP. Obviamente que isso também não seria suficiente para calar os arautos da oposição. Mas nessa altura, poderia retorquir, pedindo ao PS e restante oposição, que então achasse solução interna para 30.000 professores desempregados.

Se eu nasci numa aldeia do interior, onde apenas há um café e um mercado, mas sonhei e esforcei-me para ser um advogado de sucesso, tenho de sair de casa para cumprir o sonho. Se sempre sonhei ser carpinteiro, mas na minha vila só há negócio para um (e já existia o Zé Tábuas) então tenho de sair para vingar. Não há volta a dar. A vida e a realidade são mesmo assim.

#FCPorto Vítor Pereira a mim não convence…

O FC Porto mais uma vez venceu, mas a mim não convenceu. Sou e serei crítico de Vítor Pereira, até ao dia que ele deixar o cargo de treinador principal, para o qual manifestamente não tem competências (como sejam Carisma, Liderança, Visão, Inovação). Deixo abaixo os comentários que fui fazendo no Facebook, ao longo do jogo:

Ao intervalo: “Contra equipas fortes, em que dividimos a posse de bola, e em que um contra-ataque ou um ataque rápido podem fazer a diferença, até faz sentido que joguemos com 3 avançados móveis, para confundir as marcações. Mas num jogo em que claramente estamos a dominar, e que estamos permanentemente no meio campo do adversário, nomeadamente no último terço do terreno, com inúmeros lances de perigo criados, é imprescindível ter um ponta-de-lança. Um homem golo. Vítor Pereira mostra que é um homem de receita única. Achou uma equipa que ganha, e não lhe mexe, independentemente do adversário. Como se o futebol fosse uma coisa estática e as equipas fossem todas iguais. O nulo ao intervalo não surpreende portanto.

Ao intervalo: “Entretanto o árbitro é o que se sabe. Dos piores da liga, mas claramente dos mais mediáticos. Principalmente por causa de episódios como o da “peitada” ao adjunto do Sporting, e por namorar com uma “pitinha”. A dualidade de critérios é inacreditável. E atenção que naõ falo de dualidade entre equipas. É incrível como Duarte Gomes muda de critérios de 5 em 5 minutos, para ambas as equipas. No caso, o FCP pode queixar-se mais, porque o penalti sobre Belluschi (a besta que falhou um golo oferecido) é mais do que evidente.

Ao intervalo: “Nos últimos anos o nosso flanco direito foi temido, muito por causa dos laterais que eram “ajudas” de grande nível para os médios/extremos. Fucile (titular da selecção do Uruguai) e Sapunaru (melhor jogador romeno da actualidade) foram alternando nesse lugar. Ora chegou Vitor Pereira e quem joga? Maicon… um central que mesmo na posição de origem por vezes tremia.

Ao intervalo: “Uma palavra para Fernando. Quem sabe não esquece. O médio do FC Porto é um “animal” a recuperar bolas. Voltou à boa forma e está de regresso o “polvo”. Mas há que notar algo. No início da temporada passada, quem se lembra da 1ª promessa de AVB? Disse que ia tornar Fernando mais ofensivo. O facto é que o médio aparecia mesmo muitas vezes na cabeça da área a rematar, e dentro dela a finalizar. E isso não impedia que pudesse desempenhar o trabalho defensivo com grande qualidade. E agora? Com Vítor Pereira? Voltou à posição 6-quieta. Joga ali atrás a recuperar e ponto! Ou seja, desperdiça-se capacidades do recurso.”

Ao intervalo: “Alguém, claramente mais inteligente do que eu, me explique porque saiu James Rodrigues e ficou em campo Djalma. O colombiano mexeu muito na 1ª parte teve nos pés e ofereceu algumas oportunidades. Djalma andou desaparecido nos últimos 15 minutos. Que lógica tem isto?

Aos 60 min: “Os comentadores da TVI estão muito surpreendidos com o facto de o Pedro Martins não alterar equipa depois da expulsão. É fácil… porque ele vê que, mesmo contra 10, o FC Porto não está mais perigoso. E ele acha que consegue segurar o jogo com estes jogadores. Acreditem que ele só irá mexer quando sentir que pode vencer o jogo. Ou seja, quando nos últimos 10-15 minutos o Porto estiver desesperado (se não marcar até lá) por marcar, e descuidar a defesa. Aí virá o contra-ataque do Marítimo, a mando de Pedro Martins.

Aos 80 min: “O FC Porto só não perde o jogo (num contra-ataque depois dos 75 min como eu tinha dito) porque o Danilo Dias acerta na barra… mas ainda há quem ache que este Vitor Pereira é treinador para o FC Porto.

Aos 85 min: “Valha-nos o talento e a vontade de vencer dos jogadores. Bem Fernando e Belluschi no golo de Rodriguez (seja bem vindo de volta). Bem Hulk e falha do Marítimo (sem jogador ao 1º poste) no 2º golo.

Aos 90 min: “As substituições são de treinador básico. Vê-se a jogar com 10 mete um ponta de lança, vê-se empatado a 20 min do fim tira lateral e mete avançado, em desespero tira sacrificado a lateral para meter mais lenha… isto é digno dos anos 80.

O mais pesado legado de José Sócrates

O legado mais pesado que José Sócrates deixou não foi a dívida ou o défice das contas públicas. Foi antes a cultura política. A forma desonesta e irresponsável de fazer política, sem sentido de Estado, ignorando a realidade e desprezando as pessoas.

Durante 6 anos foi cultivada uma forma de estar que descredibilizou por completo todo e qualquer actor político. Para se desempenhar cargos políticos era preciso ter capacidade de spin, ser-se exímio na arte do remoque e do insulto. Ter uma enorme cara-de-pau.

Infelizmente este tipo de “doença” não se ficou só pelo PS, mas propagou-se a todos os partidos. Mas sendo o PS a origem da “infecção” é normal que os mais afectados/infectados estejam e continuem por lá. Pedro Nuno santos, João Galamba, Pedro Silva Pereira são os maiores exemplos.

Erradicar esta forma de estar e de fazer política é algo que vai demorar tempo. Não creio que tenha que demorar uma geração, mas vai demorar e custar. Mas a solução é simples. Basta que o cidadão se interesse e participe mais na política, elegendo gente decente.

10 anos de uma grande viragem política

Faz hoje 10 anos que o país passou por um dos momentos políticos mais marcantes da sua história. No dia 16 Dezembro 2001 o PSD vencia de forma clara as eleições Autárquicas, levando mesmo à queda inesperada do Governo do PS liderado por António Guterres, que viria a ser sucedido pelo PSD e Durão Barroso.

Contra todas as expectativas e sondagens, o PSD venceu 159 dos 308 municípios portugueses. Sublinhar as vitórias surpreendentes em concelhos chave como Lisboa, Porto, Sintra, Cascais ou Coimbra. Era eleitos Pedro Santana Lopes, Rui Rio, Fernando Seara, António Capucho e Carlos Encarnação.

Passados 10 anos nota-se que todos estes concelhos chave evoluíram imenso, excepto um. É inegável que Porto, Sintra, Cascais e Coimbra beneficiaram da competência e continuidade dos seus presidentes de câmara. Já Lisboa, ficou a meio caminho, com a saída de Pedro Santana Lopes.

Valores e deveres mais altos se levantaram, e Pedro Santana Lopes foi chamado ao cargo de Primeiro-Ministro. Episódios menos claros de quem ficou na CML levaram à queda do executivo liderado por Carmona Rodrigues e precipitaram a eleição de António Costa, que se mantém até hoje.

Se Pedro Santana Lopes tivesse ficado na liderança dos destinos da autarquia nos últimos anos, talvez se visse algo mais em Lisboa e por Lisboa…

Ver para crer… A obra de Pedro Santana Lopes em Lisboa (2002-2004)

Serviço público (?!) na Antena 1

A Antena 1, estação de rádio pertencente à RTP, tem um programa semanal que se chama “O esplendor de Portugal“. Naquela hora, Rui Pêgo e os seus 3 convidados permanentes lançam “um olhar particular sobre Portugal e os portugueses“.

Desconheço por completo os 3 comentadores. Quem são, o que fazem, em que acreditam, que capacidades lhes são reconhecidas. Apenas sei que um é espanhol, o outro italiano e a única mulher, sensata e de voz doce, é portuguesa.

O que ali se houve da boca dos dois “estrangeiros a residir em Portugal” são as maiores bojardas. Bêbadas de demagogia e desonestidade intelectual. Tendo por base a mais pura ignorância e o mais extravagante desfaçatez.

Várias vezes comentei no twitter/facebook as coisas que lá ouvia, à 5ª feira. Hoje apeteceu-me dedicar-lhe um post no blogue. São absolutamente inacreditáveis as coisas que esta gente, paga com o dinheiro dos nossos impostos, diz.

Rui Pêgo questionou os comentadores sobre a construção da Barragem do Tua que servirá milhares de pessoas, e o facto de o Alto Douro Vinhateiro correr o risco de ser desclassificado como património mundial.

O imbecil espanhol disse: “A barragem é da EDP. Se não se vendesse a EDP – coisa de animais, de chimpanzés – achava que era mais importante a barragem. Mas se for para vender e dar dinheiro aos alemães prefiro o património“.

Já o chéché italiano disse: “Que interessa o património se as pessoas não têm água para lavar a cara e para beber” […] “Se vai destruir um campo muito bonito, tem de se ter isto em conta, mas é fácil, faz-se a barragem mais para lá”.

Eu não sabia que em Itália a água das barragens servia para lavar a cara e beber, ou que lá se conseguia deslocar “mais para lá” uma barragem (das mais complexas obras de engenharia). Ignorava que em Espanha há o hábito de insultar o próximo e de ser sectário.

É isto o serviço público? Gostaria de ouvir sobre isto alguns jornalistas da estação, que tenho em boa conta. Como Natalia Carvalho, Susana Barros ou Maria Flor Pedroso.

Chegou o 4G. Mas o que é isso?

A 4ª geração móvel chegou a Portugal. O leilão de espectro rendeu 370 M€ aos cofres do Estado. Optimus, TMN e Vodafone foram os únicos operadores a adquirir frequências.

Para quem é leigo no tema em questão eu faço uma pequena introdução. A 4G (ou LTE) vai permitir velocidades de transmissão de dados na ordem das centenas de Mbps (Megabit por segundo)

O LTE (Long Term Evolution) é o padrão de redes de comunicação móveis utilizado na 4G. Esta nova tecnologia de rádio permite velocidades de download e upload enormes.

Recordemos:

  • 1G (Analógico) – 2.4 Kbps
  • 2G (GSM) – 9.6 Kbps
  • 2,5G (GPRS) – 40 kbps
  • 3G (UMTS) – 1 Mbps
  • 3,5G (HSDPA) – 7.2 Mbps
  • 4G (LTE) – 100 Mbps

O 4G vai trazer menor latência, maior eficiência e performance no acesso a serviços de banda larga. Desta forma, cada vez mais a rede móvel se irá equivaler à rede fixa.

Como curiosidade dizer que o 4G (LTE) foi criado em 2004, teve os seus primeiros testes bem sucedidos em 2007, e é comercializado (na Noruega e na Suécia) desde 2009.

Esta tecnologia será com toda a certeza rapidamente adoptada pelos utilizadores em Portugal, cada vez mais rendidos aos tablets e smartphones. Será mais caro o equipamento do que os tarifários.