Se a introdução de “Primárias” na proposta de alteração dos Estatutos do PSD me agrada muito, o mesmo já não posso dizer das quotas para mulheres nos órgãos internos.
Desde a aprovação da Lei da Paridade pelo Governo PS/José Sócrates que sou contra esta menorização da mulher. Como se ela não fosse capaz de ser escolhida pelo mérito.
E se em teoria esta regra é parva e injustificada, na prática é imbecil e deturpada. Partilho convosco um episódio passado na escolha dos deputados para as Legislativas 2011.
A semanas das eleições falava ao telefone com um amigo sobre a lista de deputados do distrito. Dizia-me que a ordem tinha ficado um pouco diferente por causa da Lei da Paridade.
Questionei-o sobre quem eram as mulheres escolhidas, e perante os nomes que me deu fiquei surpreendido e desiludido. Perguntei: “Há tantas mulheres de valor, porquê essas?”.
Uma era amante de um Presidente de Câmara. Ele queria não só oferecer-lhe uma vida melhor, mas também ter um “ninho do amor” em Lisboa, sem quaisquer preocupações.
Outra andava metida na cama com um membro da distrital (com peso na decisão da escolha dos deputados) e logicamente teria ultrapassado outras hipotéticas candidatas.
Outra ainda – jovem com boa figura, casada e com filhos – era o alvo seguinte daquele membro da distrital. Este preparava-se para, após a nomeação para lugar elegível, “cobrar o favor”.
Isto demonstra bem a forma como, em alguns casos, são feitas as listas. Mostra com tem sido utilizada a Lei da Paridade. E revela o “aptidão” de algumas das escolhas femininas na AR.
Não quer isto dizer que não haja mérito nas mulheres deputadas pelos vários partidos. Aprecio várias: Cecília Meireles, Francisca Almeida, Ana Drago, Heloisa Apolónia, Maria de Belém.
O facto é que nenhuma mulher de mérito precisa de Leis da Paridade para ser escolhida. E a igualdade de direitos só é possível se homens e mulheres se regerem pelas mesmas regras.
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