O novo resgate e o Interesse Nacional

Aqueles que habitualmente vemos falar de “Interesse Nacional” e de como é importante colocar o “Interesse Nacional à frente de todos os outros interesses” são os mesmos que por estes dias bradam que Portugal precisará de novo resgate financeiro.

Sabem eles melhor do que nós que provavelmente o país precisará de nova ajuda. Não por culpa própria (por não cumprir MoU) mas por outra ordem de razões. E aproveitam agora para depois poderem dizer “eu bem avisei” e sair bem na “fotografia”.

Isto demonstra bem a falta de coerência dessas pessoas, que com este tipo de declarações, o que está a fazer é precisamente o contrário daquilo que apregoa. Estão a colocar a sua imagem e interesse à frente da imagem e interesse do país.

O que Portugal precisa neste momento é, não só de cumprir o MoU, como também passar uma imagem de credibilidade, seriedade. E não de estar já displicente, com os olhos postos em novo resgate. (Nota: Falo obviamente de Ferreira Leite, Silva Lopes, etc.)

Só um 4-0 na Luz lhes abrirá os olhos

Há cerca de um mês atrás eu escrevi: “O pior cego é aquele que não quer ver“. E o facto é que, mesmo depois de mais uma eliminação de competição, ainda há quem teime em manter os olhos fechados e não se cure da “Clubite Aguda”.

Digo isto porque, depois de mais uma derrota (palavra suave porque na realidade foi uma humilhação por 4-0), ainda há quem diga que a culpa não é de Vítor Pereira – o homem que ocupa o lugar de treinador do FC Porto.

Sobre o jogo de Manchester apenas duas achegas. Num jogo em que o FC Porto tinha de marcar mais de dois golos não houve avançados-centro. A 30 minutos do final Lucho Gonzalez jogava a avançado-centro com 3 extremos nas costas.

O FC Porto já foi eliminado da Liga dos Campeões, da Liga Europa e da Taça de Portugal. O campeonato não corre melhor. Mas Vitor Pereira ainda é treinador do FC Porto. E é apenas por causa da cegueira de grande parte dos adeptos.

A questão é que essa grande parte de adeptos apenas vive o clube com um objectivo: ganhar ao SL Benfica. E esses adeptos (que o clube não merece) só irão abrir os olhos quando perderem no Estádio da Luz por 3-0 ou 4-0.

É que nem sequer a derrota por 1-0 ou 2-1 os fará abrir os olhos. Porque a “Clubite Aguda” é tal que, como habitualmente, arranjariam uma expulsão ou um lance duvidoso na área para desculparem o desaire frente ao rival.

O problema é que depois de perder na Luz para o Campeonato, a época fica irremediavelmente perdida, e nem sequer a Taça da Liga (na qual o FC Porto disputará a meia-final também na Luz com o SL Benfica) salva um ano para esquecer.

O belo do serviço prestado pela CP

Como habitualmente aos domingos, no dia 27 Novembro 2011, fui apanhar o comboio que deveria sair de Porto Campanhã às 19h52 e chegar a Lisboa Santa Apolónia pelas 23h00.

Chegada a hora de partida ouviu-se nos altifalantes da estação a informação de que, devido ao colhimento de uma pessoa, o comboio chegaria com alguns minutos de atraso.

Passados os tais (poucos) minutos, o comboio ainda não tinha chegado e os passageiros foram informados de que o atraso afinal era de cerca de 50 minutos. Nova hora: 20h42.

O facto é que, às 20h42 o comboio não chegou, e nunca mais os passageiros foram informados de novo atraso. Mantendo-se na plataforma, com um frio de rachar.

A CP limitou-se a mudar a hora de partida no painel, sem aviso ou justificação aos passageiros. Sempre que se atingia a nova hora, aumentavam 2 minutos à hora de partida.

O comboio acabaria por chegar às 21h00 (70 min depois), e a viagem ao invés de demorar 3 horas e 8 minutos levou 3 horas e 35 minutos, chegando a Lisboa pelas 00h35.

O atraso foi portanto de 1 hora e 35 minutos. E dado que o comboio chegou depois das 00h00, não pude apanhar o autocarro habitual e tive de pagar um táxi até casa.

Por tudo isto, solicitei à CP o reembolso do diferencial entre o valor do táxi e o valor do bilhete de autocarro, bem como da parte do bilhete de comboio, a que tinha direito.

A saber (informação requisitada por mim previamente, e fornecida pela CP):
– Reembolso 50 % do bilhete, se duração viagem exceder em 60 min, tempo de viagem estabelecido.
– Reembolso integral do bilhete se duração viagem, exceder em mais de 50%, tempo de viagem estabelecido.

Enviei a reclamação por email no dia 29 Novembro 2011. Recebi a resposta 3 meses (!!) depois em 22 Fevereiro 2012. A CP diz não ter de me reembolsar pelo atraso.

Segundo a CP, não são da sua responsabilidade os atrasos que se devem à “Interrupção do serviço por ocupação da via por pessoas, animais, veículos ou coisas“.

Gosto especialmente do “coisas“. Se a CP não tivesse o monopólio do transporte ferroviário (de longo curso) em Portugal, de certeza que não iria destratar os passageiros desta forma.

O Governo não nos consegue tirar do buraco

Segundo os números disponibilizados o PIB português, ou seja, a riqueza gerada em Portugal é de 170.000 M€. A Dívida Pública ascende a 100% do PIB, ou seja, 170.000 M€. A Dívida Privada ascende a 200% do PIB, ou seja, 340.000 M€.

Portugal gera anualmente 170.000 M€, mas tem dívidas que ultrapassam 500.000 M€. Mais: nos últimos 20 anos, a média do défice das contas públicas tem sido de 5%. Anualmente o Estado gasta mais 8.500 M€ do que aquilo que produzimos.

Daqui se pode ver que o nosso problema financeiro não se resolverá com a venda da EDP (apenas 3.000 M€), com o corte de subsídios de férias e natal (apenas 1.000 M€), com a venda da REN (apenas 600 M€) ou com outras medidas recentes.

Não há dúvida que estas medidas são muito necessárias, mas infelizmente não suficientes. Portugal só sairá do buraco com mais trabalho, mais produtividade, mais competitividade, mais exportações. Mas isso não se faz por decreto.

Compete ao Governo criar condições. O que pode fazer é implementar reformas estruturais: Na Justiça, para criar confiança; Na Educação, para gerar conhecimento; Na Economia, para atrair investimento; Na Saúde, para melhorar o bem-estar.

O Governo está a fazer a sua parte (nalguns sectores bem encaminhada, noutros ainda com muito a percorrer), mas o resto compete a todos os portugueses. Como se pode ver pelos números acima, o problema não pode ser resolvido apenas pelo Governo.

Isto do Carnaval, vai acabar mal

Perante as dificuldades e a aplicação das medidas de austeridade, os portugueses estão sempre a exigir que o exemplo venha de cima. Hoje, o Governo deu várias vezes o exemplo.

O Governo tem dito aos portugueses que é preciso trabalhar mais, e por isso hoje o Governo trabalha e os funcionários públicos (que dele dependem directamente) também.

O Governo tem dito aos portugueses que é preciso ser coerente, e por isso hoje não deu tolerância de ponto, em linha com a medida decidida há dias de retirar alguns feriados.

O Governo tem dito aos portugueses que é preciso reconquistar o crédito internacional, e por isso queria que hoje a Troika não estivesse a trabalhar, enquanto os portugueses andavam a foliar.

Apesar disto, há muita gente contente pelo facto de muitas empresas e portugueses não estarem a trabalhar. Segundo eles isso prova o falhanço e a falta de autoridade do Governo.

Pois para mim só prova que os portugueses ainda não estão bem conscientes do que os espera. E de que as coisas ainda podem (e desta forma vão mesmo) piorar. Continuam irresponsáveis.

Neste país há indicações, directivas, leis (e outras coisas mais) dadas pelos Governos em funções. Há irresponsáveis que não as cumprem, e a culpa é da falta de autoridade do Governo?

Existe uma lei que obriga todos os cidadãos a pagar impostos. Quantos portugueses há que não os pagam? E a culpa é de quem? Do Passos Coelho? Queriam que ele enviasse o exército cobrar?

A desobediência da maioria dos portugueses a esta directiva de não fazer tolerência de ponto no dia de Carnaval só demonstra uma coisa: Para Portugal, as coisas podiam, e vão acabar mal.

Santo Tirso distingue Zeinal Bava, saiba porquê

No próximo dia 27 de Fevereiro, irá ter lugar na C.M. Santo Tirso uma cerimónia na qual o Engº Castro Fernandes irá presentear o Engº Zeinal Bava (CEO da Portugal Telecom) com a Medalha de Honra do Concelho.

O executivo socialista da CMST decidiu fazê-lo como consequência da decisão tomada pela PT, há uns anos atrás, de instalar em Santo Tirso um Call-Center de apoio ao cliente, que iria criar 1200 postos de trabalho qualificado.

A verdade é que foram criados pouco mais de metade dos postos de trabalho anunciados; esses postos são tudo menos qualificados; e além disso não albergam na sua maioria desempregados Tirsenses, como prometido.

Para além do mais, a instalação do Call-Center em Santo Tirso, foi tudo menos uma aposta pessoal de Zeinal Bava ou um objectivo bem definido da PT. Foi, isso sim, uma estratégia cozinhada por José Sócrates e pelo PS.

Ou será que alguém já se esqueceu da obscena promiscuidade entre PT e Governo Sócrates, da qual o caso mais mediático foi o que envolveu Rui Pedro Soares e o caso da compra da TVI pela PT, para calar Manuela Moura Guedes?

O cozinhado feito por José Sócrates e Zeinal Bava, permitia-lhe ter um enorme trunfo eleitoral em Santo Tirso, concelho marcadamente socialista. Com isso matava 2 coelhos de uma cajadada: Autárquicas e Legislativas 2009.

Sabendo disto, Castro Fernandes resolveu “encher chouriços” no extenso documento em que propunha a distinção. Discorrendo sobre o percurso académico e profissional de Zeinal Bava, com se isso por si só fosse suficiente.

Sei perfeitamente que não é por acaso que se chega a CEO de uma empresa da dimensão da PT, mas também sei que Zeinal Bava não é o que querem fazer dele. É bem mais fácil ter sucesso numa empresa monopolista.

Tal como uma boa parte dos Presidentes de Câmara do país, tal como uma boa parte da bancada socialista na AR, tal como uma boa parte dos empresários portugueses, Castro Fernandes continua a viver a ilusão socrática.

Esta insistência de Castro Fernandes e da CMST em continuar a viver tempos “cor-de-rosa” poderá sair cara a Santo Tirso. Se o concelho não fizer o quanto antes o trabalho de casa, arrisca-se a ficar irremediavelmente para trás.

Goodbye Lisbon, hello London!

Recebi há dias uma proposta para trabalhar em Londres e… aceitei. Era algo que procurava há cerca de um ano, e que desejava desde o início da minha carreira profissional. Assim, a partir de meados de Março, a minha vida passará a ser no Reino Unido. O meu desejo por uma experiência profissional no estrangeiro, […]

Opinião: Ano novo! Vereação nova!

Ano Novo, vereação nova. Na viragem do ano o executivo da Câmara Municipal foi remodelado. Luís Freitas saiu da equipa de Castro Fernandes, Ana Maria Ferreira assumiu as funções de vice-presidente e o lugar em aberto foi ocupado por José Carlos Ferreira (o 6º da lista do PS nas autárquicas 2009).

A CMST disse em comunicado que Luís Freitas solicitou a renúncia ao mandato por imperativos de ordem pessoal. Já estamos habituados. Na política, seja qual for o verdadeiro motivo, o que vem a público são sempre os motivos pessoais. Mesmo que as reais razões sejam por demais evidentes.

A verdade é que já cheira a eleições. As Autárquicas 2013 são daqui a 20 meses e é preciso começar a preparar terreno para um combate mais complicado que o habitual. Castro Fernandes está impedido pela lei de se recandidatar e o seu substituto tem de ser “lançado” com a devida antecedência.

Se restam dúvidas quanto a isto, basta ter em conta o facto de o Presidente da CMST (que gosta pouco de abrir mão seja do que for) ter delegado em Ana Maria Ferreira várias competências, ao nível das obras e serviços públicos, aquisição de bens imóveis e serviços, e outros contratos administrativos.

Além disso, no mesmo comunicado, refere a CMST que à nova vice-Presidente competirá também “substituir o Presidente nas suas faltas ou impedimentos legais“. Ou seja, Ana Maria Ferreira terá funções e poderes que nenhum outro vice-Presidente desta CMST alguma vez sequer sonhou ter.

Como consequência desta jogada política – que afasta um dos mais apreciados, respeitados e competentes vereadores, por interesses puramente partidários – entra para a equipa José Carlos Ferreira, militante activo do PS Santo Tirso, também conhecido por ser cunhado de Castro Fernandes.

Não se conhece ao novel vereador um percurso político, o que até abona a seu favor. É professor de Educação Física, o que lhe pode valer uma genica extra. Lecciona, como o próprio diz no Facebook, numa “escola sem Pavilhão Gimnodesportivo“, pelo que estará habituado a trabalhar em dificuldades.

O que se deseja é que José Carlos Ferreira possa fazer mais do que os seus antecessores. O que se lhe exige é que trabalhe para os Tirsenses e não para o partido. Pede-se que responda perante a população e não perante o seu cunhado/presidente. É muito importante que tenha sentido de missão.

Numa pesquisa rápida pela internet, ficamos a saber que a sua paixão é o Poker e que o seu sonho é participar num European Poker Tour. Mas esperemos que nos próximos 20 meses a sua paixão sejam todos os Tirsenses, e que o seu sonho seja tornar Santo Tirso num concelho melhor.

No seu blogue, José Carlos Ferreira escreveu um dia: “quero levar muito longe o Poker Português, e necessito claramente do apoio de toda a comunidade“. Falhou. Mas nesta fase pede-se apenas que tente levar longe Santo Tirso, e se assim fizer terá o apoio de toda a comunidade Tirsense.

Sejam quais forem os pelouros atribuídos, o desejo é que aplique mais os conhecimentos que adquiriu na Universidade do Porto (quando se licenciou em Educação Física), e não tanto os que terá adquirido na Universidade Independente (quando lá estudou “Gestão e Administração de SADs”).

Desejam-se na sua actuação, menos erros do que aqueles (ortográficos e de sintaxe) que deu num curto texto que escreveu para o pokerpt.com, confundindo “há cerca de” com “acerca de“… “há muito que anunciava” com “à muito que anunciava” ou “há 3 semanas atrás” com “à 3 semanas atrás“.

FC Porto: O pior cego é aquele que não quer ver

Lembro-me bem de, aqui há umas semanas atrás, ter desistido de falar mais sobre o problema do FC Porto desta temporada: o seu treinador, Vítor Pereira. No seio dos adeptos de futebol escasseia a razão e o discernimento. Prolifera o que eu chamo de “Clubite Aguda”. Doença em que os sintomas são: emoção, sectarismo, seguidismo e cegueira.

Apesar dos factos e argumentos apresentados, não consegui convencer um Portista de que o treinador teria de ser demitido. Não rebatiam os meus factos, nem apresentavam contra-argumentos. Limitavam-se ao “estamos em 1º… estamos em todas as frentes… ainda não perdemos”. Na verdade não havia clarividência suficiente para ver que era uma questão de tempo.

Não foi por falta de aviso. Lembro-me de, em algumas saudáveis discussões, ter dito isso mesmo. Quando fomos eliminados da Liga dos Campeões, num grupo acessível. Quando fomos eliminados da Taça, em Coimbra, com uma exibição paupérrima. Quando perdemos a liderança do Campeonato, em Alvalade, contra uma equipa claramente inferior.

Agora, já não estamos na Liga dos Campeões, já não estamos em todas as frentes, já não estamos em primeiro, já nem sequer estamos invíctos. Na Liga Europa temos um obstáculo chamado Manchester City. Resta a Taça da Liga, competição com a qual até há bem pouco tempo, a maioria dos portistas gozava. Mas ainda haverá alguns com cara de pau para se agarrará a ela.

Vou abster-me de voltar a falar das capacidades técnico-tácticas e de liderança de Vitor Pereira. Apenas dizer que nem José Mourinho, nem André Villas-Boas arriscariam resultados (até porque o seu futuro depende deles) para ajudar a branquear esquemas de dirigentes que resolvem fazer “negócios da china” (falo obviamente de Danilo).

O que dizer da permanente aposta em Maicon a defesa direito, tendo no plantel Fucile e Sapunaru? Um, titular da selecção do Uruguai, 4ª classificada no Mundial 2010 e vencedora da Copa América 2011. Outro, considerado ainda há semanas o melhor jogador de futebol da Roménia. Foi nítida a colocação de outros interesses, à frente dos interesses desportivos.

O pior cego é aquele que não quer ver. E a “Clubite Aguda” toldou a visão da maioria dos adeptos Portistas. Agora, talvez acordem. Mas tal como eu disse, e escrevi, pode ser tarde demais.

Sobre o #PL118, um pedido de esclarecimento

Caso o PL118 (que saiu da “barriga de aluguer” de Gabriela Canavilhas) avançasse, o dinheiro que seria extorquido aos portugueses iria para a SPA – Sociedade Portuguesa de Autores, e serviria para pagar a quem?

Iria a SPA distribuir esse dinheiro por autores como Zé Cabra, Homens da Luta, Carolina Salgado, e outros que escrevem pérolas literárias, como por exemplo “A queda de um anjo” sobre o Renato Seabra?

E os autores que noutros tempos fizeram obras de arte, mas que agora já não fazem? Também receberiam? É que de repente lembrei-me das Antilook (girls band formado por Luísa Beirão, Rute Marques ou Evelina Pereira).