
No dia seguinte ao funeral do meu Avô – depois de ter estado com centenas de amigos e conhecidos, e ter recebido centenas de telefonemas, SMS, emails, e mensagens nas redes sociais – estive a ler os telegramas dirigidos à minha Avó e à família. Uns mais formais, outros mais sentidos.
Foram muitos os que escreveram estas mensagens. Presidente da Comissão Europeia, da República, da Assembleia da República, do Governo Regional da Madeira. Primeiro-Ministro, Ministros, ex-Ministros. Presidentes de Câmaras Municipais. Presidente do BES, do Santander, do Millennium BCP.
Poucos me comoveram como o telegrama do João Fernandes, que partilho aqui e transcrevo: “Os meus mais sentidos pêsames para toda a família neste momento tão triste. Perdi o meu melhor amigo da minha vida. Nunca vou esquecer este momento tão triste que fica marcado no meu coração“.
O Sr. Fernandes era polícia e foi nomeado segurança pessoal e motorista do meu Avô quando ele estava no Governo. Ele elevou a um patamar quase inatingível o significado e o valor de “Lealdade”. O Avô saiu do Governo em 1990 mas o Sr. Fernandes continuou a visitar-nos com regularidade.
Todos sabiamos o quanto ele gostava do Avô e espero que ele saiba o quanto gostamos dele. É um homem simples, bom e bem intencionado, respeitado e respeitável, amigo do seu amigo. É quase como se fosse da família. Estive com ele, e vi que esteve presente no velório e no funeral, visivelmente emocionado.
Bons tempos passei com ele naquela época (anos 80). Tinha 8, 9, 10 anos e ao domingo o Avô gostava de ficar em casa. O Sr. Fernandes levava-me (e ao primo Eurico) às Antas ver o FC Porto. Nos tempos mortos dos outros dias jogava futebol connosco na garagem e divertia-nos com histórias.
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