Santo Tirso Jornal, esse “jornal” independente

Para quem ainda tinha dúvidas de que o Santo Tirso Jornal era um projecto pessoal de Alírio Canceles para se auto-promover e auto-elogiar na campanha à CM Santo Tirso, as dúvidas continuam a desfazer-se.

Atente-se aos textos (e mesmo à fotografia) publicados em duas notícias do Santo Tirso Jornal e também publicados (em documento timbrado) na recem criada página do candidato no Facebook.

Artigo no Santo Tirso Jornal sobre visita ao Hospital
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Artigo no Santo Tirso Jornal sobre concurso de ideias
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Artigo na página do Facebook sobre visita ao Hospital
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Artigo na página do Facebook sobre concurso de ideias
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Como se pode ver os textos são exactamente os mesmos, bem como a fotografia utilizada para ilustrar o encontro com o director do Hospital.

Ou seja, parece que os artigos escritos neste meio de comunicação social são utilizados como comunicados oficiais do partido na campanha eleitoral!

Mas com toda a certeza ainda há gente que terá o descaramento de vir aqui dizer que é coincidência. Coincidência os textos serem cópias integrais.

Todos… menos alguns… por Santo Tirso

O slogan da campanha de Alírio Canceles à Câmara Municipal de Santo Tirso não podia ser melhor… “Todos por Santo Tirso“… Com a particularidade de o Todos estar a negrito/bold.

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Ora eu creio que, o que o candidato quererá dizer é Todos… menos o Luís Melo, o Carlos Almeida Santos, o Carlos Valente, o Adelino Moreira, o Carlos Oliveira, o Joaquim Fernandes…

… menos todos aqueles que queriam o Zé Pedro Miranda como candidato, os Avenses e os Campenses que estão ao lado dos seus Presidentes de Junta…

… menos os socialistas, comunistas, centristas, bloquistas, independentes, sociais-democratas e todos os Tirsenses que não me apoiam nesta luta pessoal pelo assalto ao Poder.

Basicamente o Todos é aquela meia dúzia que está às ordens de sua excelência o “Querido Líder”, sem questionar.

Sporting Clube de Portugal ou Futebol Clube de Portugal?

Vi em diferido, no site da RTP, o debate entre os candidatos a Presidente do Sporting CP, e posso dizer que estou indignado. Foi 1 hora e 30 minutos de debate a falar de Futebol, num clube reconhecidamente eclético.

Dizem mesmo que o Sporting CP é um dos clubes do mundo com mais títulos em todas as modalidades – e para isso com toda a certeza a sua equipa de Futebol foi a que contribuiu menos – e o debate gira apenas á volta do Futebol.

Em 1 hora e 30 minutos de debate, falou-se de modalidades (no geral) durante 3 minutos. O moderador pediu mesmo “respostas telegráficas” sobre o assunto. Nenhuma medida ou estratégia foi transmitida ou abordada.

Naqueles 3 minutos em que se falou de modalidades, todos os candidatos se centraram na construção de um pavilhão, e dois deles fixeram promessas vagas de criar duas modalidades. A saber, ciclismo e voleibol.

Considero isto um insulto para os milhares de atletas, treinadores, dirigentes e funcionários que trabalham diáriamente nas mais variadas modalidades, com condições em nada comparáveis com quem está no Futebol.

Atletas, treinadores, dirigentes e funcionários esses, que com muito sacrifício pessoal e profissional (porque na sua maioria são amadores ou semi-profissionais) enriquecem todos os anos o palmarés do clube com títulos.

É inacreditável que num debate de 1 hora e 30 minutos não haja um (nem um!) candidato que se digne a dedicar algum do seu tempo a falar da parte mais valiosa do clube, as modalidades. Que são a alma do Sporting CP.

Eu, se fosse atleta, treinador, dirigente, funcionário ou apenas sócio do clube, garantidamente não votaria em nenhum destes senhores. E também não compreenderia como há gente das modalidades que aceita fazer parte das suas listas.

A Turquia como exemplo?

Há cerca de 15 anos atrás a Turquia passou pela maior depressão económica da sua história. A crise económica e financeira destruiu o país. Passada década e meia, a imagem de uma Turquia falida foi substituída por um exemplo de estabilidade política e económica. De uma país desenvolvido com uma das economias mais fortes e em mais desenvolvimento do mundo.

A Turquia é hoje um dos principais produtores mundiais de produtos agrícolas, têxteis, automóveis, navios, materiais de construção, eletrodomésticos e electrónica de consumo. O sector privado tem cada vez mais peso na economia, apesar do Estado ainda ter o controlo de parte da indústria, banca, transportes e comunicações.

A maioria dos cidadãos turcos ainda se lembram de bancos falidos, empresas fechadas, milhões de desempregados, e do país a ser obrigado a vergar-se ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Depois disso, mais empresas foram à falência, mais pessoas ficaram desempregadas e houve manifestações nas ruas. O país passava por uma situação muito difícil.

Durante a crise financeira o sector bancário esteve no centro da crise. Muitos bancos foram absorvidos pelo Estado e alguns banqueiros foram presos. Mas aparentemente a crise fez bem ao sector. Levou à execução de reformas, a fecho de bancos cujo funcionamento era pouco claro, e a tomadas de decisão essenciais para enfrentar problemas económicos.

A crise foi um marco para a Turquia, pois levou a reformas radicais em todos os sectores da sociedade e do Estado. Mas isso só foi possível sobre a tutela de partido único, depois de as mais variadas coligações terem falhado no Governo e na recuperação do país. O partido único foi a garantida de estabilidade política e económica.

Mas a verdade é que a recuperação só veio depois de o programa de assistência (de 3 anos) proposto pelo FMI ter falhado. Os bancos eram como agiotas, o Governo não conseguia fazer as reformas necessárias, e não ouvia os empresários. Alguns dizem que a maior falha foram as políticas paternalistas do FMI e o facto de o Ministro das Finanças ser um “agente” seu.

No fim de contas, a Turquia reergueu-se sozinha. O povo turco meteu mãos à obra, fez sacrifícios, e lutou pelo seu futuro. Em menos de duas décadas conseguiu transformar o país. Em Dezembro passado Pedro Passos Coelho visitou a Turquia e disse que a deveriamos tomar como exemplo. Será que se referia a isto?

José Sócrates volta. Venha daí essa democracia musculada

O regresso de José Sócrates a Portugal, para ser comentador de política da RTP demonstra três coisas:

  1. José Sócrates não tem vergonha na cara e tem um grande descaramento;
  2. A ala socrática do PS planeia voltar em breve a assaltar o Poder (no partido e no país).
  3. A RTP (TV pública!) continua a ser um joguete nas mãos dos partidos políticos.

E o facto de tentarem sublinhar que “Sócrates não receberá qualquer remuneração” ainda mais indica ao que ele (e a sua pandilha) vêm. Esta gente não “trabalha” de graça. E isso ficou bem patente ao longo dos anos em que governaram Portugal.

Com o país na bancarrota (sim porque o governo não vai conseguir salvar Portugal, e o pior ainda está para vir), as pessoas no desemprego e as famílias no desespero, será o momento ideal para aparecer uma “democracia musculada” (aka Ditadura).

E que melhor “querido líder” poderá Portugal ter do que José Sócrates? Bem falante, sobranceiro q.b., charmoso (lembram-se de ter sido eleito dos mais sexy do mundo?). E amigo de todos os outros désputazinhos deste mundo. Da América Latina ao Médio Oriente.

Se houvessem muitos destes, Portugal seria bem diferente

Já por várias vezes escrevi aqui sobre Rui Rio. Defino-o como o melhor político português. Alguém que está na política para servir e não para se servir. Um homem íntegro, sério, honesto, humilde, corajoso. Sem sede de protagonismo e sem alardes zelou durante 12 anos pelo bem público, servindo a população do Porto (e do Norte) com sentido de missão, de forma competente, e cumprindo as suas promessas.

Tal como o próprio disse em 2010, o “Esforço da CM Porto” foi o de “investir onde é mais necessário, e não onde se consegue mais popularidade politica e mediática“. Daí que a requalificação dos bairros sociais (onde vive 20% da população do Porto) tenha sido uma prioridade, e a revitalização da baixa da cidade tenha sido também cumprida. Defendeu-as sempre com um discurso coerente e firme.

No entretanto, entre outras coisas, combateu lobbys e corrupção, e reduziu em 20% os salários dos administradores remunerados nas 4 empresas municipais. Nunca se deixou levar pela espuma dos dias ou pela pressão da opinião pública e publicada. Denunciou situações irregulares e ilegais, dando o corpo às balas na praça pública e em vários processos em tribunal (muitos dos quais acabaria por vencer).

Nunca ficou em silêncio quando o dever de cidadão ou de Presidente da CM Porto o chamava a dar opinião. Mesmo que ela atingisse o seu próprio partido, a sua própria região, o seu próprio país ou mesmo as suas instituições. Fê-lo sempre de forma convicta e frontal, mas também respeitosa. Nunca populista ou demagógico. Foi sempre dos poucos que após uma crítica negativa apresentava alternativa ou solução.

Vai deixar a CM Porto após as eleições Autárquicas 2013, e que melhor maneira de sair – confirmando tudo o que escrevi sobre ele – do que deixando “um saldo positivo na Câmara do Porto“, uma “dívida da autarquia não chega aos 5% do orçamento“, um “prazo de pagamento a fornecedores nos 40 dias“, Isto depois de ter dispensado “a linha de crédito para ajudar as autarquias a saldar as dívidas“.

Mas naturalmente que a maioria do povo português não gosta. Acha Rio arrogante, altivo, cinzento, chato. E continua a preferir Mários Soares, Dias Loureiros, Isaltinos Morais, Josés Sócrates, Jorges Coelhos, Miguéis Relvas, Fátimas Felgueiras, Valentins Loureiros, e afins. Pelo que não é de admirar que Portugal esteja nesta situação e,  pior do que isso, dela não vá sair a bem.

O melhor artigo de opinião de sempre, a propósito do Man Utd vs Real Madrid

A partida de há uns dias atrás entre Manchester United e Real Madrid deu muito que falar. O Man Utd vencia por 1-0 quando Nani foi expulso. Após esse lance, o Real Madrid recuperou para 2-1 e passou a eliminatória.

Muito se disse e escreveu sobre o árbitro Turco. A opinião pública e publicada portuguesa, movida pela habitual inveja, e na ânsia de criticar Mourinho, Cristiano Ronaldo e companhia, alinhou pelo mesmo diapasão.

No dia seguinte, li no The Guardian, um dos melhores artigos de opinião sobre futebol. Que serve para este jogo, mas também para muitos outros que se passam no futebol, em todos os países onde é o desporto rei.

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Ténis é a solução para o desemprego Tirsense!

“Excelência e rigor na agenda de Alírio Canceles na visita ao Ginásio“… É tão divertido ver Alírio Canceles a escrever sobre ele próprio. Que se dane a ética e a moral, o Santo Tirso Jornal serve mesmo é para que Alírio se possa auto-elogiar e auto-promover.

E depois deste tiro de partida, prevê-se que o caminho até às eleições seja hilariante.

Senão vejamos as primeiras declarações de Alírio como candidato oficial do PSD Santo Tirso à CMST: “coloquem o ténis do Ginásio na rota nacional da modalidade que, sob a minha liderança, a autarquia cá estará para vos oferecer a cobertura para o campo de que tanto precisam“.

Diz o Jornal que “Para Alírio Canceles, trata-se de recompensar a organização não só pelo crescimento que então num âmbito nacional dariam àquele desporto, como também de criarem sinergias com a população, trazendo muito mais pessoas ao concelho e assim dinamizarem o comércio, restauração e hotelaria“.

Ora, em primeiro lugar dizer o seguinte. Espero que no programa eleitoral de Alírio (se é que vai haver um) venha bem explícito – para que todos os Tirsenses saibam, mesmo os que vivem longe do centro da Cidade e nunca frequentaram o GCST) que o dinheiro dos seus impostos vai servir para OFERECER a cobertura dos courts de Ténis do GCST.

Em segundo lugar dizer que, como todos sabemos, o Ténis é modalidade rainha a nível local, regional e Nacional. E por isso, o seu desenvolvimento no GCST vai arrastar multidões que dinamizarão a economia local. Assim, com o investimento no ténis do GCST, Alírio prevê criar milhares de postos de trabalho.

Brilhante! Como é que nunca ninguém pensou nesta solução tão simples para os problemas de desemprego e de contracção da economia no concelho?

De resto, Alírio Canceles disse querer mudar o concelho e alterar o seu rumo, e o jornal escreve que isso ficou bem vincado na visita ao GCST, afiançando em nome pessoal, que a cedência de instalações por parte da CMST sera mantida caso ele seja eleito Presidente da CMST. Algo que, espero, deverá estar também no programa eleitoral.

Ora, esta é que é a mudança que os Tirsenses e o concelho necessitam. Ou seja, que a CMST continue a “enterrar” dinheiro dos nossos impostos no FC Tirsense, CD Aves, GCST e outros. E digo “enterrar” porque contráriamente ao que deveria, ao que é legal, e ao que é saudável, o dinheiro não vai para o desenvolvimento do desporto nas camadas jovens, mas para pagar ordenados aos atletas das equipas séniores.

Ou seja, o foco continua a não estar no desenvolvimento socio-cultural, físico, mental, dos jovens do concelho através do desporto. O foco continua a estar no esbanjamento de dinheiro em ordenados e outras despesas, para que alguns adultos (muitos, nem sequer Tirsenses) possam brincar e viver à custa de competições desportivas séniores. Competições essas onde, como todos sabemos, prolifera a corrupção e se cultiva o desprezo dos valores do fair-play, trabalho em equipa, respeito pelo próximo e pelas regras.

Mas que grande mudança que Alírio pretende implementar…

O tuga, Lincoln e… “Olha para o que eu digo, não para o que eu faço”

Talvez tenha sido pelo sucesso mediático do filme “Lincoln” que alguém se lembrou de publicar nas redes sociais um texto que supostamente é da autoria do 16° presidente dos EUA. Como é hábito em Portugal, o tuga desatou a partilhar à labúrdia.

O texto é a carta de Abraham Lincoln para o professor de um dos seus filhos, onde lhe pede que se esforce por ensinar valores como a seriedade, a integridade, a humildade. Como se o típico tuga soubesse o que eles são e alguma vez os tivesse respeitado.

Numa sociedade que cultiva o desleixo e a incúria, em que se quer trabalhar pouco, em que se tenta ganhar nas lotarias, no euromilhões, no Casino, e nos Reality Shows, o tuga partilha: “ensine-o que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada“.

Numa sociedade que cultiva a clubite, o troçar dos mais fracos e dos menos capazes, o ficar aziado quando se perde, mas sobretudo o esfregar na cara do adversário quando se ganha, o tuga partilha: “Ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória“.

Numa sociedade selvagem que se rege pela lei do mais rico e do mais poderoso, em que não se respeita a lei, em que se atropela o próximo para se chegar mais acima, o tuga partilha: “explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa“.

Numa sociedade em que poucos pensam pela própria cabeça, e a maioria dos que o fazem e têm uma ideia diferente da percepção geral preferem calar-se para não serem postos de parte, o tuga partilha: “ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos“.

Numa sociedade em que a moda é o driver de toda e qualquer decisão, onde a grande maioria luta apenas para ter o mesmo que o seu vizinho do lado, o tuga partilha: “ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram“.

Numa sociedade cada vez mais descrente em Deus (seja ele de que Religião for) e completamente desacreditada das suas próprias capacidades para dar a volta por cima, o tuga partilha: “Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si“.

Só prova que o típico tuga tem, neste momento, a situação que merece. Está a sofrer as consequências da má gestão de políticos que tinham discursos bonitos mas faziam exactamente o contrário. Pois como se vê, o tuga faz exactamente a mesma coisa.

E o pior é que julgam que enganam alguém….

Portugal retrocede civilizacionalmente

O desenvolvimento de uma sociedade e do Mundo tem de ser feito a todos os níveis. Ele não pode ser só económico ou tecnológico. Tem de ser cultural e intelectual também. Sem estes, aqueles de nada servem.

Em Portugal parece que uma parte da população não evoluiu. Esteve adormecida e desligada da realidade enquanto lhe deram a “droga verde” (dinheiro) e agora acordou para protestar à boa maneira do século passado.

Discursos inflamados e declarações incendiárias. Manifestações espontâneas ou organizadas, desrespeitosas e violentas. Ameaças de golpes políticos e militares. Tentativas de assasínio de carácter e censura.

Tudo isto é um regresso ao passado, um retrocesso civilizacional. Qualquer dia estão a fazer como na Idade Média, levando homens à praça para serem enforcados ou decapitados. Isto é puramente primitivo.

Já nada justifica a ignorância, o conhecimento de um único ponto de vista, a crença numa só verdade, a fé cega, a falta de informação, o raciocínio desestruturado, ou a falta de dados para formar opinião.

Já não é aceitável que haja quem ache que a violência (verbal, física ou psicológica) e a força podem ser solução, ou que extremismos resolverão os problemas de uma sociedade pluralista e diversificada.

A evolução obriga a diferentes comportamentos, diferentes abordagens, diferentes atitudes e diferentes formas de luta. Não só usando as novas tecnologias e as redes sociais para juntar pessoas à volta de uma causa, ou para se fazer ouvir (e tem-se visto o enorme poder do Twitter, Facebook, Blogosfera neste campo) mas principalmente para aproveitar as infindáveis fontes disponíveis na internet, à distância de um click, para se informar, cultivar, aprender a pensar pela própria cabeça, e deixar de ser um carneiro guiado por gente com mente enviesada e claramente de má-fé.