Em Santo Tirso não se assumem responsabilidades

Há 8 meses atrás, o PSD Santo Tirso perdia as eleições Autárquicas. Uma derrota sem precedentes. A diferença para o PS foi de 5.000 votos.

A direcção do partido, liderada pelo auto-nomeado candidato à Câmara, fez de conta que nada se tinha passado. Não tirou ilações nem assumiu responsabilidades.

Este fim-de-semana, o PSD Santo Tirso perdia mais umas eleições, as Europeias. Desta vez coligado com o CDS/PP. Baixaram de 10.300 para 6.500 votos. O PS teve 9.700 votos.

Passaram já 3 dias sobre o acto eleitoral. Por esse país fora tiram-se consequências dos resultados. Em Santo Tirso, como sempre não há responsáveis.

A presidente do PSD anda desaparecida. Em silêncio absoluto. A ver se a poeira assenta e ela consegue passar incólume. No CDS idem aspas.

O mandatário da candidatura anda pelas redes sociais a “cavalgar” a situação no PS Nacional. Se ele se enxergasse olhava para a sua própria casa.

É que isto de ser mandatário é muito bonito quando se ganha e se vai buscar os louros. Mas quando se perde também se deve dar a cara e uma justificação.

Estar na política não é só pavonear-se em eventos sociais e políticos. É trabalhar, fazer escolhas e assumir responsabilidades por elas, perante os militantes e eleitores.

De resto é triste ver os militantes mais influentes e activos, também eles, todos em silêncio. A pactuar com esta desresponsabilização e este branqueamento.

Ao menos no PS Nacional haja quem tenha coragem de assumir diferenças, levantar a voz contra o fracasso da actual direcção e antever catástrofes.

Sim porque a derrota que por exemplo o mandatário do PSD prevê para o PS nas Legislativas de 2015, vai ser a mesma que, por este andar, ele vai ter nas próximas Autárquicas.

Algo que deveria ser fácil perceber já que, nas Autárquicas 2013, a derrota histórica apareceu, e não foi por falta de aviso ou premonição de alguns militantes.

O feriado do 25 Abril é patético e hipócrita

Artigo de opinião publicado na edição de Maio 2014 do jornal Notícias de Santo Tirso

O 25 de Abril de 1974 foi há 40 anos! Mas Portugal continua a ter um gigantesco lastro da revolução dos cravos, que impede o país de andar para a frente e se desenvolver. Uma âncora enorme e bem enterrada. Umas amarras ao passado que não permitem ao país conquistar o futuro.

O que se pretende festejar no feriado do 25 de Abril? Um sistema eleitoral conquistado em 1974? Só se for isso porque continuamos a não poder festejar a conquista da verdadeira Democracia, da verdadeira Liberdade, da verdadeira Justiça Social.

E os maiores culpados são os arlequins que neste dia fazem a maior festa. Os políticos que durante o ano inteiro, na sua maioria, tratam das suas vidinhas, neste dia falam de grandes valores na casa da democracia. A mesma que serve para os seus negócios e jogos partidários.

E qual a Liberdade que tantos bradam? Será Liberdade uma pessoa não poder ir sozinha ao Estádio da Luz com um cachecol do FC Porto (e vice-versa) para ver um jogo de futebol, sem correr o risco de ser insultada ou agredida?

Será Liberdade não poder saír de noite em segurança, sem correr o risco de ser assaltado, violado ou até assassinado? Será Liberdade não poder discordar do patrão, do director ou de qualquer outro superior hierárquico na empresa, sem correr o risco de ser ostracizado ou despedido?

Será Liberdade não conseguir emprego e ser discriminado por causa da idade, género, cor, religião ou deficiência? Será Liberdade um doente ir de Amarante ao Porto numa ambulância, em apenas 30 minutos e depois chegar ao Hospital São João e esperar horas num corredor?

Será Liberdade existirem meios de comunicação social controlados por governos, partidos políticos e outros interesses? Será Liberdade um homem matar (ou mandar matar) pessoas e não só ficar impune como, para além disso, ser condecorado e sustentado por aqueles que aterrorizou?

Será Liberdade milhões de portugueses trabalharem o ano inteiro e verem metade do seu rendimento ir para impostos, que depois são esbanjados por políticos irresponsáveis, ao invés de os ver investidos em Educação, Saúde, Justiça, Segurança?

E todos os anos é a mesma conversa quando se aproxima o feriado do 25 de Abril. Certos sectores querem apoderar-se da data e deixar o resto da sociedade portuguesa de fora, como se o tal dia da Liberdade fosse só deles. Como se fossem donos da tal Liberdade.

Ora, como bem disse a JSD há uns anos atrás “ se a liberdade tivesse dono, era uma ditadura“. O feriado do 25 de Abril é um dia em que não se trabalha. Um dia em que basicamente se comemora a altura em que se começou a ter direito a tudo, sem ter de se fazer nada por isso.

Um país que não celebra a conquista da sua própria independência (24 Junho 1128) e que deixou de celebrar a sua própria reconquista (1 Dezembro 1640), continua agarrado àquilo que foi apenas uma saudável mudança de regime, e que é agora, claramente, uma pedra na engrenagem.

Podem chamar-me o que quiserem, até fascista, pouco me importa. Sou um democrata incondicional e acho que os festejos do 25 de Abril de 1974 são arcaicos e estão obsoletos. Mais, este permanente saudosismo é patético e hipócrita.

Curiosidades políticas: Capucho e RAP

Tenho muita pena que, em certa medida, António Capucho se esteja a tornar no Mário Soares do PSD. Perdeu a noção e o bom senso. E não tem ninguém em casa que lhe diga que só se prejudica a si mesmo. Está a perder toda a credibilidade que conseguiu acumular numa grande carreira política.

Ainda me lembro de Francisco Louçã, há muitos anos no programa do Herman, dizer que nunca se iria tornar político. O mesmo fez demasiadas vezes Ricardo Araújo Pereira. São de facto todos iguais estes falsos moralistas de esquerda (e de direita, já que Paulo Portas fez o mesmo).

Rui Gomes da Silva, o protótipo da “elite” tuga

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Na minha opinião isto demonstra bem a estatura intelectual desta personagem.

Alguém que chegou a Ministro de Portugal, provando também assim o nível da política e dos políticos. Algo que tem como consequência a situação dramática actual do país.

Foi este senhor, também, um dos responsáveis pela queda de um governo de maioria (em 2004). Apenas mais uma das facadas no regime democrático português.

Eu, como português, sinto-me envergonhado quando vejo estas pessoas etiquetadas de “elite” do meu país.

Eu, se fosse adepto do Benfica, sentir-me ia envergonhado ao ver gente com tal responsabilidade dar tão mau exemplo e instigar o ódio no desporto desta forma.

Ódio esse que frequentemente termina em violência. Da qual o exemplo máximo são as mortes de adeptos em espaços desportivos.

Mas o que interessa isso a esta gente? Nada. Eles estão apenas preocupados em manter esta “imagem” que lhes permite ganhar dinheiro como comentadores, dirigentes e políticos influentes.

PSD 40 anos. Sá Carneiro sentiria vergonha

Hoje, 6 de Maio de 2014, o PSD faz 40 anos.

Sá Carneiro deu continuidade à sua luta por uma verdadeira democracia com a fundação do PPD em 6 de Maio de 1974.

Não conheci Sá Carneiro. Os meus pais e avós dizem-me que ele me pegou ao colo numa das visitas lá a casa.

Morreu quando eu tinha 3 anos. Mas o que ele defendia e idealizava politicamente ficou lá em casa, e foi cultivado.

Não tenho a menor dúvida que hoje Sá Carneiro estaria muito triste com aquilo em que o seu partido se tornou.

Creio mesmo que sentiria vergonha alheia por alguns dos dirigentes do PSD, e das suas atitudes e opções políticas.

E a coisa está de tal forma que por vezes me parece impossível recuperar o que foi o PPD/PSD de Sá Carneiro.

Na verdade, quem está mais perto dele, em termos de pensamento e acção política, é Rui Rio e Pedro Santana Lopes.

Dirão que não são perfeitos. Com certeza que não. Nem Sá Carneiro era. Mas regem-se por valores e princípios.

São homens com carácter e grande personalidade. E é também e acima de tudo isso que faz falta hoje em política e nos políticos.

O PSD Santo Tirso está moribundo

(Artigo de opinião publicado na edição de Abril 2014 do Jornal Notícicas de Santo Tirso)

Assaltado pela doença há já vários anos, o PSD Santo Tirso tem tido uma vida difícil e de sofrimento. Agora parece passar por uma fase de agonia antes de morrer definitivamente. O PSD Santo Tirso está moribundo.

Foi atacado por várias doenças: Conveniência, Cobiça, Avidez, Voracidade, Avareza, Vilania, Patifaria, Incompetência, Chico-espertice, Síndrome de Dunning Kruger. Tudo isto agravado por um fatal Cancro do Cacique.

Os sintomas estão à vista: Em Santo Tirso o PSD não vence uma eleição há anos. Seja ela de cariz local, regional ou nacional. Mesmo quando o PSD vence a nível nacional (ex: Legislativas 2011) perde em Santo Tirso.

As últimas eleições autárquicas pareciam ser o golpe final. A derrota estrondosa fazia antecipar “a morte do artista”. Ironia do destino, são os próprios vírus que o atacam a mantê-lo vivo, ligado às máquinas.

Por um lado é compreensível. Todos sabemos que os vírus invadem um corpo e se alimentam dele. No caso de esse corpo morrer, eles também provavelmente irão desaparecer. Pelo que lhes interessa manter vivo esse corpo.

Os sinais confirmam esta teoria, de que o PSD Santo Tirso só está vivo para os vírus se alimentarem dele. O website desapareceu, o perfil do Facebook idem, e a conta do Twitter vai soluçando mas não diz nada.

O mesmo se passa com a JSD Santo Tirso. O seu website/blog está inactivo há mais de 2 anos, a conta do Twitter há mais de 1 ano, e o perfil do Facebook só publica fotos dos seus dirigentes em Congressos e Conselhos.

Não se vê na imprensa ou em lugar algum uma intervenção política do PSD Santo Tirso, como partido. O que se vê, poucas vezes, são uns comunicados e umas notícias avulsas, publicadas em nome e interesse pessoal.

Mais uma confirmação de que o partido só vive para que os que se aproveitam dele possam ter do que se alimentar. Claro que a continuar assim, mais tarde ou mais cedo alguém irá sugerir a aplicação da eutanásia.

Vai daí, os vírus juntam-se todos de vez em quando e fingem um batimento cardíaco (leia-se Plenários e Eleições internas obrigatórias). Fazendo crer aos mais incautos que ainda há ali esperança de recuperação.

Um bom exemplo é o da última eleição, em que Andreia Neto assumiu a presidência. Colocando um risco nos recentes acontecimentos e dizendo que o acto “… é bem demostrativo da unidade do partido“.

Dizendo também, imagine-se, que essa unidade é “… em torno do projeto que orgulhosamente agora encabeço…” concluindo que isso lhes “… dá especial alento e motivação para cumprir os objetivos a que nos propomos“.

Sendo o objectivo continuar a alimentar-se de um corpo moribundo, sem dúvida que esta eleição ajudou. Ajudou a, como digo atrás, enganar os mais ingénuos. E a tentar fazê-los crer mais uma vez, que o PSD está bem vivo.

O cenário é tal que até vírus que já se pensavam extintos estão a voltar a aparecer. Gonçalves Afonso – que ainda há tempos dizia que Joaquim Couto era “uma figura passada e requentada e nada trará de novo” voltou ao activo.

Há 2 anos disse que se Couto fosse candidato o PSD teria “grandes hipóteses de ganhar“. Couto venceu, mas ainda assim Gonçalves Afonso não deixou fugir a oportunidade de ressuscitar e de se juntar ao banquete.

Quanto a unidade, Andreia Neto voltou a sublinhar numa das últimas edições do Jornal Entre Margens “Não há motivo algum para duvidar que o partido está unido“. Só se, para ela, o partido for o grupo de vírus que residem nele.

Caso contrário é muito difícil, até para os mais desatentos, acreditar na enorme falsidade que Andreia Neto proferiu. Há muitos motivos para duvidar que o PSD esteja unido. Alguns deles estão frequentemente escancarados nas páginas deste jornal.

FC Porto: Um pequeno e curto balanço da época.

Perdida a possibilidade de vencer o Campeonato, a Taça, a Liga Europa, ou até mesmo de garantir presença directa na Liga dos Campeões, está na hora de fazer um pequeno balanço. Os que sofrem de clubite dirão que o FC Porto ainda pode vencer a Taça da Liga. Eu lembrar-lhes-ei que até hoje, quando o Benfica a vencia, essa era a Taça da Cerveja.

Num clube que se pautou, nas últimas décadas, por ter uma defesa de betão, preferiu-se deixar sair (ou mandar embora por razões pessoais/políticas – leia-se, por serem representados pelo empresário X) jogadores experientes, de qualidade indiscutível e internacionais pelos seus países como Otamendi e Rolando. Ficou-se então com jovens inseguros e bisonhos como Reyes e Abdoulaye, apoiados por Maicon e Mangala que, por não terem concorrência à altura tornaram-se desleixados e displicentes.

Aliás, foi esta mesma razão que levou a que jogadores de qualidades técnicas e tacticas indiscutíveis (também eles internacionais pelo seu país) tivessem exibições paupérrimas. Falo de Alex Sandro e Danilo que dada a falta de concorrência e de profissionalismo ajudaram a tornar a defesa do FC Porto num buraco só. Bastava Fucile estar no plantel para fazer concorrência na lateral esquerda e na direita, aos dois brasileiros. Ele que, apesar da sua qualidade e da sua raça portista, foi dispensado incompreensivelmente.

Toda a gente que percebe de futebol sabe que é no meio-campo que está o motor (defensivo e ofensivo) de qualquer equipa. Não é por acaso que muitos especialistas dizem que é no meio-campo que se ganham jogos. Resolveu apostar-se em Herrera quando se tinha Castro – que vem demonstrando enorme qualidade por todos os clubes onde passa. Resolveu contratar-se o patrão (?) do meio-campo do Paços de Ferreira (!) e confiar-lhe a batuta do meio-campo, deixando Quintero de fora. Preferiu apostar-se em Licá e Kelvin (que em 5 épocas sacou 1 chouriço) e deixar-se fugir Iturbe ou Atsu.

No ataque morou o abono de família, Jackson Martinez, que praticamente sozinho segurou os lugares cimeiros da classificação e garantiu o 3° lugar final. Ele que, depois desta época horrível, não olhará para trás nem pensará duas vezes se no verão lhe apresentarem uma proposta para sair. Nem que seja para a Turquia ou para a Rússia (apesar de parecer que Inglaterra poderá ser o destino). Quaresma chegou tarde demais. Varela esteve completamente demotivado pela falta de qualidade da equipa.

E depois o erro maior, clamoroso, que foi a contratação de Paulo Fonseca. Já escrevi variadíssimas vezes, desde o início da época, sobre a sua incapacidade como líder, a sua incompetência com treinador de futebol, e a sua inabilidade como representante do FC Porto. Pinto da Costa não só cometeu esse erro por clara falta de clarividência (que está notoriamente a faltar-lhe nos últimos anos) como ainda por cima demorou a corrigi-lo por manifesta casmurrice e para defender interesses na luta interna pelo poder. Colocando os interesses pessoais e políticos à frente dos interesses do clube.

No meio disto tudo, os jogadores fracos e maus profissionais, tal como os treinadores incompetentes, e ainda os dirigentes corruptos… todos foram para a sua casa de luxo, nos seus automóveis desportivos ou de alta cilindrada, com dezenas ou centenas de milhares de euros nos bolsos. E os adeptos é que ficam a sofrer de tristeza e de vergonha. Mas é bem merecido porque na sua maioria – principalmente aqueles que se auto-entitulam verdadeiros adeptos, por irem ver os jogos ao estadio – não conseguem deixar de ser otários (ver dicionário).

Os carros de James Bond, 007

Hoje tive a oportunidade de visitar a exposição “Bond in Motion” no London Film Museum. Uma das melhores que vi até hoje. Como fã de James Bond, apreciador de automóveis e apaixonado por clássicos, não podia ter tido uma tarde de Sábado melhor.

Rolls-Royce Phantom III – Goldfinger – 1964

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Mercury Cougar XR7 – On Her Majesty Secret Service – 1969

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Ford Mustang Mach 1 – Diamonds are Forever – 1971

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Lotus Esprit S1 – The Spy Who Loved Me – 1977

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Citroen 2CV – For Your Eyes Only – 1981

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Renault 11 TXE – A View To a Kill – 1985

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Rolls-Royce Silver Cloud II – A View to a Kill – 1985

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Aston Martin V8 – The Living Daylights – 1987

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Aston Martin DB5 – Goldeneye – 1995

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BMW 750 IL – Tomorrow Never Dies – 1997

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BMW Z8 – The World is not Enough – 1999

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Aston Martin V12 Vanquish – Die Another Day – 2002

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Jaguar XKR –  Die Another Day – 2002

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Aston Martin DBS – Casino Royale – 2006

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Aston Martin DBS – Quantum of Solace – 2008

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O “messias” Hollande rende-se às evidências

Em França o défice aumenta, a dívida aumenta, o desemprego aumenta. O partido socialista perde copiosamente as autárquicas. O “messias” Hollande, referência dos socialistas (nomeadamente de AJ Seguro e do PS português), remodela o Governo e nomeia Manuel Valls como Primeiro-Ministro.

Valls é considerado um social-liberal. Fez parte da “La Deuxième gauche”, uma corrente dentro do PS francês alternativa à esquerda de François Mitterrand (o “mon amie” de Mário Soares). É considerado com sendo “a ala direita” do PS com inclinações para a social-democracia alemã e escandinava.

António Capucho e o paralelo com Santo Tirso

(Artigo publicado na edição de Março 2014 do jornal Notícias de Santo Tirso, e que também pode ser lido aqui)

António Capucho foi um destacadíssimo militante do PSD. A ele se devem muitas das vitórias do partido, que tiveram como consequência o trilhar de um novo rumo para um Portugal saído de décadas de Estado Novo. Alguns dizem mesmo que foi ele o “arquitecto” do sucesso da Aliança Democrática, tendo convencido Francisco Sá Carneiro (com factos, argumentos e números) que a vitória nas eleições de 1979, com maioria absoluta, só sería possível se fizesse um acordo com Diogo Freitas do Amaral (CDS) e Gonçalo Ribeiro Teles (PPM).

Foi Secretário-Geral e Vice-Presidente do PSD em momentos importantes da história do partido e do país. Foi Deputado na AR e um excelente Líder Parlamentar. Passou por 3 Governos e, apesar de 2 deles terem sido de má memória (AD com Pinto Balsemão e Bloco Central com Mário Soares), o seu papel no segundo Governo do PSD com Cavaco Silva foi muito importante. Depois veio uma relevante passagem pelo Parlamento Europeu (como Deputado e Vice-Presidente) e pela Câmara Municipal de Cascais onde deu 3 vitórias ao partido.

Este curriculum político e de serviço público era mais do que suficiente para, chegado aos 65 anos, sair da política pela porta grande como um dos grandes obreiros dos sucessos do PSD e um dos portugueses que mais contribuiram ao longo da sua vida de serviço público para o desenvolvimento de Portugal a todos os níveis: local, regional, nacional, europeu. Capucho acumulou um capital que lhe permitiria ser um importante militante de base do PSD (os verdadeiros donos do partido) e uma grande reserva intelectual do país.

Ao contrário do que alguns dizem, saber identificar a hora certa de sair de cena não é uma arte. Aquele que é sensato, racional e prudente sabe bem quando deve sair. Não porque tenha deixado de ser capaz, mas porque tem a consciência que a rotina atrai o conservadorismo e afasta a inovação. E que isso impede o desenvolvimento. Daí que, aquele que é bem intencionado e altruísta saiba que o correcto é dar o lugar a outros. Não necessariamente mais novos ou mais fortes. Mas com mentalidades novas, livres e vigorosas.

O risco de deixar passar a hora certa de sair de cena é acabar por incorrer nisso de uma forma impulsiva quando a insatisfação ou o desgaste já atingiram um nível tal que comprometem o bom senso. Foi isso que aconteceu a muitos políticos da nossa praça – dos quais Mário Soares é o exemplo mais evidente e, coitado, não tem em casa filhos com noção, que sejam capazes de pedir aos jornalistas que deixem de lhe colocar microfones na frente (já que pedir-lhe para se abster parece impossível). É isso que está a acontecer a António Capucho.

António Capucho tornou-se presunçoso, e porta-se agora como se fosse dono do partido, o único herdeiro de Sá Carneiro. Tal e qual como Mário Soares com o PS e a democracia portuguesa. Ora, o PSD não é dele nem tem de seguir o que ele diz. De qualquer maneira, o PSD sempre foi um partido democrata e pluralista! Capucho tem direito a dizer o que pensa sem ser ostracizado! E o processo da cessação da sua militância está claramente revestido de marginalização, de alguém que tem sido crítico do status quo. É isso que condeno!

Bem sei o que dizem os Estatutos do PSD. Mais, antes de começar a escrever este artigo, pedi esclarecimentos a dois amigos que integram o Conselho de Jurisdição Nacional (CJN), e que por isso tomaram parte na decisão. Portanto estou plenamente consciente de que chegada a queixa ao CJN, este desfecho era quase inevitável. “Não é uma sanção. É uma decorrência directa. O CJN não pode discutir a gradação da pena. Nestes casos os estatutos são claros”. Quase que concordo com o meu caro amigo, mas…

A verdade é que os Estatutos dizem “Cessa a inscrição no Partido dos militantes que se apresentem em qualquer acto eleitoral (…) na qualidade de candidatos , mandatários ou apoiantes de candidatura adversária da candidatura apresentada pelo PPD/PSD”. E se o CJN resolveu não aplicar a “decorrência directa” a militantes que manifestamente foram apoiantes de outras candidaturas (exemplo flagrante: Miguel Veiga apoiou Rui Moreira no Porto) também o poderia ter feito no caso de mandatários ou candidatos.

Muitos dos actuais decisores e dirigentes do PSD fizeram algo que para mim é detestável. Esconderam-se atrás de formalidades para poderem levar a cabo um processo de marginalização de alguém que lhes é incómodo. E esses são os mesmos que, quando lhes dá jeito, ultrapassam pela direita os Estatutos, as Regras e as Leis para se beneficiarem a si próprios. Aliás, os que agora se escudam nos Estatutos terão sido os que possivelmente mais vezes os contornaram no passado. Marcos Antónios à cabeça!

Mas esta discussão sobre a parte “jurídica” da coisa não é o cerne da questão. A verdade é que tudo tem início a montante. Tudo nasce de mais um vergonhoso processo de escolha de uma candidatura autárquica, em que a Comissão Política Nacional e a Comissão Política Distrital de Lisboa do PSD vetaram a candidatura de Marco Almeida à CM de Sintra, para forçarem a imposição do amigalhaço Pedro Pinto (uma das mais medíocres figuras do PSD) como candidato a Presidente daquela Autarquia em que o PSD vence desde 2001.

O dado mais relevante é que a candidatura de Marco Almeida tinha sido desejada e apoiada pelos militantes de base em Sintra, enquanto que a candidatura de Pedro Pinto foi imposta por quem tem o poder de decisão e se julga dono do partido. A consequência foi a vitória oferecida de bandeja ao PS, que apesar de ter um fraco candidato (o vira-casaca Basílio Horta) conseguiu sair vencedor. Ao apoiar Marco Almeida, António Capucho esteve portanto, em boa verdade, ao lado dos militantes de base do PSD e em dissonância com os déspotas.

Tudo isto é fácil de perceber para quem acompanhou de perto o processo de escolha do candidato autárquico do PSD em Santo Tirso. Também cá a opinião dos militantes de base foi desprezada pelos decisores, que naturalmente o fizeram propositadamente porque queriam auto-nomear-se candidatos nas listas autárquicas. Também cá a Comissão Política impôs não só um candidato – manifestamente fraco e indesejado – mas também um coligação absurda com um partido que não tem sequer representação no concelho.

Também cá os dirigentes do PSD se esconderam atrás das formalidades para justificaram as suas escolhas à revelia dos militantes. Também cá esses déspotas acabaram por sair derrotados nas urnas prejudicando o partido e o concelho. Também cá eles se apressaram a apresentar queixas aos Conselhos de Jurisdição para afastar aqueles que não os apoiaram. Também cá foram esses que, quando conveio, contornam os Estatutos (lembrar quando Alírio Canceles recuou para vogal da Comissão Política para contornar a limitação de mandatos, e poder ser presidente aquando das Autárquicas).

O mal é que este gente está tão cheia de si própria que nem sequer consegue discernir. Este tipo de episódios (o ostracizar e afastar de militantes que pensam pela própria cabeça, e de maneira diferente) é pior para o partido, para a democracia, para o país, e até para para eles.