Os cúmplices de Andreia

Estou curioso por saber se, no próximo plenário do PSD Santo Tirso, Andreia Neto vai continuar a imitar Alírio Canceles. Imitou-o na forma como assaltou o PSD Santo Tirso, ao auto-nomear-se candidata à Câmara, nas práticas ignóbeis que utilizou na campanha eleitoral, e no resultado final. A ver vamos se também tem a falta de vergonha para, no balanço, culpar outros pela sua derrota histórica.

Em 2013, os bodes expiatórios foram eu próprio e o Carlos Valente. Mas desta vez, parece-me que “os louros” poderão cair todos na minha pessoa. Já que o Carlos – para mim, incompreensívelmente – resolveu desta vez colocar-se ao lado de uma candidata e uma candidatura que fez exactamente o mesmo que o levou em 2013 a romper com o candidato e a Comissão Política do PSD de então.

Mas o Carlos Valente é apenas um dos que fizeram parte desta hecatombe. Outros têm também a sua quota parte de responsabilidade, ao compactuar e colaborar com esta candidatura que teve um desfecho vergonhoso. Pimenta de Carvalho, José Pedro Miranda ou João Abreu são algumas das pessoas que os militantes gostavam de ouvir.

Mas há outros, verdadeiros cúmplices da ignomínia que foi esta candidatura e esta campanha. Os estrategas, os principais peões do jogo politico-partidário, os líderes do cacique, os cultivadores da facção, os instigadores do ostracismo. Os que, com Andreia, planearam e executaram o plano de assalto ao Poder pelo Poder, desprezando os valores do partido e da política.

Esses também têm nome. Altino Osório e Pedro Hugo Almeida à cabeça, entre outros. Ajudados por um grupo de gente intelectualmente menor (que nem merece menção) e pelos inocentes da JSD. São aqueles os que, muito provavelmente, já estão a pensar na forma de vir apanhar os cacos, apresentando-se como opção de futuro, como se nada tivessem a ver com o que se passou.

Serão estes que, sem qualquer pudor ou vergonha na cara, se irão apresentar muito em breve aos militantes como alternativa. Para continuar o jogo partidário e a luta pessoal pela conquista de lugares e poder na administração local, distrital ou nacional – apenas e só para proveito próprio e dos que os rodeiam.

E há mais. Muitos outros que não sendo tão activos, foram também coniventes. Falo de militantes como Gonçalves Afonso, Paulo Ferreira ou Rui Baptista. Três ex-Presidentes do PSD/JSD Santo Tirso, que também vimos apoiar e aplaudir esta candidatura inquinada, e que devem uma explicação aos militantes.

A tradição pede aos militantes e simpatizantes do PSD para esperarem sentados pelas explicações dos responsáveis pelos resultados. Posição essa (a sentada) aliás, da qual era bom que se levantassem, da próxima vez que haja eleições para a Comissão Política Concelhia do PSD. Só assim poderão ajudar a garantir que o PSD possa ser altenativa em 2021.

Andreia conseguiu fazer história

A noite eleitoral não desiludiu. E o expectável não deixou de acontecer. Em particular em Santo Tirso, o meu concelho, onde é preciso dar valor ao desempenho de Andreia Neto e do actual PSD Santo Tirso. Prometeu fazer história, e fez mesmo. Não era fácil fazer pior do que Alírio Canceles há 4 anos atrás. Andreia conseguiu, e teve o pior resultado de sempre do PSD, em Santo Tirso.

A diferença

O PS de Joaquim Couto venceu categóricamente, com uma vantagem de mais de 7.500 votos! Recorde-se que a diferença em 2013 (Alírio Canceles) foi de 5.000 votos. Em 2009 (João Abreu) tinha sido de 2.700 votos. Em 2005 (João Abreu) ficou-se pelos 2.300 votos. E em 2001 (David Assoreira) foi de 3.300 votos.

Diferença de votos PS vs PSD (desde que Santo Tirso perdeu as freguesias da Trofa):

  • 2005 – João Abreu – 2.300 votos
  • 2009 – João Abreu – 2.700 votos
  • 2001 – David Assoreira – 3.300 votos
  • 2013 – Alírio Canceles – 5.000 votos
  • 2017 – Andreia Neto – 7.500 votos

A conclusão que se tira é que se em 2013 o PSD Santo Tirso não tivesse dado um tiro no pé (a jogada política entre Andreia e Alírio, para este ser candidato à Câmara e aquela a deputada), e tivesse dado continuidade ao trabalho feito desde 2001, talvez a história fosse hoje outra. Creio que teria sido possível vencer, com ou sem João Abreu a cabeça de lista.

Os votos

Em termos de votos líquidos, o PS conseguiu no Domingo 22.454 votos, enquanto que PSD e CDS-PP coligados tiveram 14.868. Ou seja, quando comparado com as últimas eleições, o PS subiu 4.500 votos, enquanto que os seus adversários se ficaram pela mesma votação, conseguindo apenas mais 400 votos do que em 2013.

Joaquim Couto obteve um resultado muito expressivo, ultrapassando os 50% e surpeendendo muita gente (inclusivé eu próprio). O PS venceu com uma vantagem de 18% – que tinha sido de 13% em 2013, 7% em 2009, 5% em 2005 e 8% em 2001.

Diferença de percentagem dos PS vs PSD (desde que Santo Tirso perdeu as freguesias da Trofa):

  • 2005 – João Abreu – 5%
  • 2009 – João Abreu – 7%
  • 2001 – David Assoreira – 8%
  • 2013 – Alírio Canceles – 13%
  • 2017 – Andreia Neto – 18%

Os números da abstenção, votos nulos, e votos brancos (que desceram), bem como a votação da CDU e Independentes (que também desceram) mostram bem de onde vieram os votos de Joaquim Couto. Os Tirsenses, muitos deles indecisos ou cépticos em 2013, resolveram ir às urnas premiar o Partido Socialista.

As freguesias

Mas a derrota não é só para a Câmara. E torna-se ainda mais pesada se olharmos aos resultados nas diversas freguesias do concelho. O PSD apenas venceu 2 (Agrela e Monte Córdova) das 14 freguesias. O PS venceu 10. As outras 2 foram conquistadas por independentes (Água Longa e Vilarinho).

Em 2013 o PSD e Alírio Canceles tinham perdido as juntas de freguesia de Além Rio, Vila do Campo e Santo Tirso (União). Pois Andreia Neto conseguiu um feito pior, ao perder Reguenga e Vila das Aves – uma freguesias dominada nas últimas décadas pelo PSD – mesmo tendo Carlos Valente do seu lado.

A conclusão

Os resultados estão à vista e os números não mentem. As práticas ignóbeis de gente egoísta, arrogante, inculta e ignorante; de gente inepta, inapta e incompetente politicamente; resultaram numa inversão do bom trabalho feito até 2009. Ferindo profundamente o PSD Santo Tirso e liquidando qualquer hipótese de mudança na liderança dos destinos do concelho.

Pouco importa agora isso. É tempo de voltar para o conforto da capital do império e dos corredores da Assembleia da República. Onde se fazem fortunas e se convive com o poder de “Lesboa”. E onde ainda há trabalho para fazer, pregando os últimos pregos no caixão de Portugal, e no destino dos Portugueses.

Reflectir… sobre a Faraó de S. Martinho

“Dia de Reflexão”. A lei impõe. Neste dia, toda e qualquer atividade que vise directa ou indirectamente promover candidaturas é proibida.

Na verdade, este dia é uma “reflexão” da sociedade portuguesa, porque espelha aquilo em que o país e as suas instituições, supostamente democráticas, se tornaram.

O legislador, ou seja, a Assembleia da República, ou seja, os deputados criam e aprovam leis que tomam os portugueses por imbecis, e aplicam à força certos comportamentos.

Como se os portugueses não tivessem capacidade intelectual, e precisassem de ser protegidos, por estas sumidades, das mensagens de campanha no dia anterior às eleições.

Os deputados (entre outros políticos) – salvo raríssimas excepções – sofrem de um desvio cognitivo, de nome “Dunning Kruger effect“, sobre o qual escrevi em 2012!

Um desvio em que indivíduos incompetentes sofrem de uma superioridade ilusória. Avaliam excessivamente as suas capacidades, e não reconhecem as capacidades dos outros.

Em Santo Tirso, a deputada Andreia Neto apresenta-se como candidata a Presidente da Câmara. Ela que também faz parte desse grupo que sofre do “Dunning Kruger effect“.

O desvio é tal que num jantar de mulheres, leiloou os seus brincos e ofereceu uma réplica a todas as convidadas. Qual Cleópatra!!… Mas o que fez a “Faraó de S. Martinho”?

Em mais de 6 anos na Assembleia da República, não se conhece à deputada Andreia Neto nenhuma iniciativa relacionada com o concelho de Santo Tirso!

O mais próximo foi um Voto de Saudação (da autoria de todos os partidos) à Atleta Sara Moreira em Março de 2013, por esta se ter sagrado Campeã da Europa dos 3000m.

A deputada Andreia Neto apresentou projectos de lei/resolução acerca da atividade de guarda-noturno, Camarate, IC35, material de guerra do Irão, ou porto da Póvoa de Varzim.

E entretanto teve tempo de viajar, às custas dos impostos dos portugueses, para Bruxelas, Paris, Genebra ou Amã (na Jordânia). Não consta que tenha ido visitar Tirsenses emigrados.

É esta mesma Andreia (deputada na Assembleia da República, eleita pelos Tirsenses e eleitores do distrito do Porto) que agora quer assaltar o lugar de Presidente da Câmara.

Não me leve a mal. Porque não tenho absolutamente nada pessoal contra a Andreia. Tenho sim, e muito, contra a sua actividade e forma de estar na política.

Repito: vou votar, mas não voto “nesta” gente!

 

Vou votar, mas não voto “nesta” gente!

As eleições Autárquicas 2017, tal como qualquer outra eleição, são demasiado importantes para que fiquemos em casa. O estado do país e da política exige que todos os portugueses vão às urnas para fazer ouvir a sua voz. Eu vou fazer 1.300 kilometros (num vôo de quase 2 horas e meia) para votar.

Platão, filósofo grego, disse um dia: “O preço a pagar por não te interessares por política, é seres governado pelos teus inferiores“. E nada é mais verdade nos tempos que correm. A razão principal para Portugal estar moribundo é os portugueses terem deixado que gente menor tomasse conta do poder.

Ora o meu voto nestas Autárquicas 2017 será, acima de tudo, contra aqueles que querem assaltar o poder para se servirem dele. E que para isso utilizam tácticas ignóbeis.

Eu, como militante do PSD, em Santo Tirso, tenho vergonha naquilo que o meu partido se tornou, a nível local, na última década. Assaltado por gente intelectualmente desonesta e incapaz, que cedeu a discursos e práticas baixas, desprezíveis e vergonhosas. Com a cumplicidade e conivência de alguns que sempre considerei decentes.

Um exemplo flagrante: Acho absolutamente miserável, que a candidata da coligação PSD/CDS “Por Todos Nós”, acompanhada por vários candidatos e dirigentes partidários, se intrometa no passeio anual dos Séniores Tirsenses a Fátima (um local sagrado!) para tentar subornar os idosos do concelho.

Isso mesmo. Subornar. Tentar “corromper com dádivas ou promessas“, tal como diz o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Foi isso que Andreia e a sua entourage fizeram ao distribuir panfletos e promessas de que “para o ano vamos a Santiago de Compostela“.

Senti vergonha alheia. E confesso que não queria acreditar. Não acreditei no que me disseram familiares, nem mesmo amigos que estiveram em Fátima. Mas “caí de rabo” quando vi uma fotografia no Facebook com a candidata empunhando o panfleto que tinha a promessa bem explícita .

Mas de facto, essa está em linha com todas as outras. Promessas vazias ou inviáveis. Que significam pouco, e não passam de um conjunto de palavras para discursos redondos de campanha eleitoral. E que nada têm de estratégico, realista ou execuível. Servem apenas para comprar votos.

Esta forma de agir, aliada a uma forma de fazer política que se tornou moda, e que é extremamente perigosa. Uma forma populista e que pretende incitar os instintos mais básicos e irracionais da natureza humana.

Uma forma de fazer política que levou ao poder tantos políticos fracos que – no mínimo por ignorância, mas muitas vezes intencionalmente e por pura corrupção – destruiram instituições, concelhos, regiões e países. Esbanjando dinheiro e deixando a “conta” para o povo pagar.

Uma forma em que se adopta teorias e ideologias político-sociais de extremo. Como por exemplo o de apelar ao voto apenas porque a candidata é mulher, justificando que com isso se faria história. Absolutamente ridículo e torpe.

Nunca, em nenhuma situação, uma pessoa é mais ou menos que outra por ser Homem ou Mulher. A nível político, profissional, ou qualquer outro, o género não qualifica ou desqualifica ninguém. Esse argumento é interesseiro e indigente.

Vou votar. Com toda a certeza e convicção. Mas não voto “nesta” gente. Não voto “neste” PSD. E espero que os Tirsenses, nestas eleições, façam o mesmo. Para bem deles, do seu futuro, de Santo Tirso, até do país.

A megalomania de Andreia

Ainda a campanha eleitoral não tinha começado e já se ouviam as típicas promessas estapafúrdias, daqueles candidatos que tomam os eleitores por parvos. Em Coimbra prometeu-se um aeroporto internacional, na Guarda uma moeda nova para o concelho, e em Santo Tirso a construção de um novo Parque Empresarial (desta vez em Água Longa).

Santo Tirso tem uns quantos Parques Empresariais, que mais parecem cidades fantasma, e em que infelizmente há poucas ou nenhumas empresas dignas desse nome. Mas a candidata da coligação “Por Todos Nós” quer gastar o dinheiro dos impostos dos Tirsenses, em mais uma obra megalómana.

O erro de Andreia Neto é o de muitos outros autarcas do país. Acham que se atrai ou cria empresas assim. Ora nenhuma empresa digna desse nome se estabelece num concelho só porque há um “Parque Empresarial” ou uma “Zona Industrial”. Tal como não se atrai investimento só porque há uma “Incubadora”. É preciso mais, muito mais.

Para além disso, a promessa do Parque Empresarial em Água Longa tem mais pontos de integrrogação. Esta semana recebi um email de um Tirsense atento e interessado – que mora em Água Longa e é Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto – no qual apontava algumas razões para o projecto ser inviável.

1. A promessa referia que o parque teria 750 mil m2 de área. Ora o Professor diz, e bem, que este espaço poderia alojar várias centenas de empresas. E que se olharmos aos números de empresas no Concelho, em particular de empresas criadas ou atraídas nas últimas décadas, facilmente se percebe que este é um número descabido e irrealista.

2. Segundo o Professor, a área onde Andreia propõe a construção do Parque Empresarial é protegida. Pelo que o projecto iria destruir 150 hectares de mancha florestal em reserva ecológica. Ora, só por pura hipocrisia a candidatura pode ter no seu programa eleitoral um capítulo dedicado ao Ambiente e Sustentabilidade, no qual se lê: “A sustentabilidade ambiental e a consequente melhoria da qualidade de vida será uma prioridade“.

3. Por fim o Professor coloca a questão do trânsito. Sendo que os habitantes das freguesias do Vale do Leça já hoje sofrem com o trânsito da N105, repleta de camiões (principalmente depois da abertura de um entreposto da Jerónimo Martins) o que seria se, por um milagre, este projecto fosse para a a frente.

Este Tirsense atento, morador de Água Longa, termina dizendo que só por falta de conhecimento destas freguesias Andreia Neto pode fazer este tipo de promessas. Já que não quer acreditar que a candidata pretenda intencionalmente prejudicar as populações do Vale de Leça.

Eu diria mais e diferente. Estou convencido que Andreia Neto é inteligente o suficiente para saber que esta é uma promessa irrealista e estapafúrdia. E que o projecto é inviável e insustentável. Mas pretende fazer os Tirsenses de parvos usando discursos redondos do tipo: “uma localização privilegiada, a 20 minutos do Porto de Leixões, do Aeroporto Internacional Francisco Sá Carneiro, da Exponor, e a 30 minutos do Centro de Congressos da Alfândega do Porto“.

Ora, se Andreia Neto quer saber de algo nesta área que é de facto de valor, leia a notícia do Expresso de há umas semanas: Hotelar recupera Fábrica Rio Vizela e deixe-se de megalomanias. Já chega de políticos que nos tomam por parvos e não têm noção nenhuma de estratégia, gestão, planeamento, ou interesse público.

“O dinheiro é do PS”

Foi em 2009, aquando das eleições autárquicas, que Elisa Ferreira (à data candidata do PS à CM Porto) disse que o dinheiro que a CM Porto, liderada por Rui Rio, tinha gasto a recuperar bairros sociais, era do Estado, e portanto do PS.

Eu sei que já passaram 8 anos. Mas depois de tantas provas, principalmente entre 2005 e 2011 nos Governos liderados por José Sócrates, ainda há dúvidas de que o dinheiro, principalmente o do Estado, é do PS? 

Há para aí uma indignação nos últimos dias sobre onde pára o dinheiro das doações para as vítimas dos incêndios do Pedrogão Grande. Dizem que é algo como 1,5 milhões de €. Ainda há dúvidas?

O primeiro-ministro veio dizer que a RTP é que pode esclarecer. Portanto o dinheiro saiu dos bolsos dos portugueses para a RTP, uma empresa do Estado. E o dinheiro do Estado, como sabemos, é do PS.

Daqui a uns anos, se ainda houver país e sistema de justiça, talvez venhamos a descobrir que António Costa também tinha amigos (tipo Ricardo Salgado ou Carlos Santos Silva) que estavam sempre prontos a dar a mão ao próximo.

Ponte-Concorde Aérea Coimbra Beja

A ver se nos entendemos. 

Da última vez que lá estive, Coimbra tinha uma estação de Autocarros que era uma vergonha, uma estação de Comboio praticamente desactivada, e outra – que apesar da importância a nível ferroviário – continua a parecer um apeadeiro. 

Mas o candidato do PS quer fazer um aeroporto. Talvez para fazer a ponte-Concorde aérea entre Coimbra e Beja.

Se este senhor – provavelmente mais um viúvo de José Socrates – tiver mais de 1,000 votos tenho de assumir que os eleitores de Coimbra estão loucos, e têm aquilo que merecem.

Contorcionismo Político

Li no Observador de hoje: “Miguel Albuquerque refere que a monitorização das árvores faz parte da área da autarquia e não do Governo Regional “Eu, como presidente do governo, assumo as minhas responsabilidades. Quem tem outras de jurisdição, tem as suas”.

Isto não soava tão mal se o Miguel Albuquerque não tivesse sido presidente da Câmara do Funchal durante quase 2 décadas! – entre 1994 e 2013.

Acho absolutamente incrível a forma como os actuais políticos da nossa praça se apressam a fugir às suas responsabilidades, políticas e de outra natureza.

Também acho muito curiosa a habilidade que todos eles demonstram a sacudir a água do capote, em exercícios de contorcionismo dignos do Cirque do Soleil.

Como o Miguel Albuquerque, outros (com o primeiro ministro António Costa à cabeça) foram politicamente responsáveis pela morte de 64 pessoas no Pedrogão, mas passados 2 meses sobre essa tragédia, não se vislumbra nem um pingo de vergonha, nenhum sinal de mea culpa, ou a mais pequena aceitação de responsabilidade.

Uma vergonha de país, este Portugal, governado por gente menor, a caminhar a passos largos para o abismo. E desta vez, sem retorno.

Cacique. Primeira razão pela qual Portugal está moribundo

Alguns ainda se deixarão surpreender por notícias como a que o Observador (e bem) publicou hoje: Carrinhas, listas e cacicagem. Todos os detalhes da guerra pelo poder no PSD/Lisboa

Outros, já não só, não se deixam surpreender como admitem o cacique como práctica corrente e, ainda pior, como prática aceitável e incontornável.

Já muito escrevi neste blog sobre caciques. E sobre aqueles que o praticam. Nomeadamente no PSD Santo Tirso – que é o exemplo que conheço mais de perto.

Um exemplo foi o de Abril de 2014, onde num artigo para um jornal local escrevi que o PSD Santo Tirso teria sido “atacado por várias doenças” nomeadamente um “fatal Cancro do Cacique“.

Esta é, na minha opinião, a primeira razão pela qual Portugal está moribundo, e a caminho do abismo. Que acabará, mais tarde ou mais cedo, em forma de ditadura (comunista ou fascista).

E é, porque o estado do país se deve em muito à má estratégia, às más políticas, às más decisões, tomadas pelas pessoas que estão à frente do governo de Portugal.

Não só as que estão no Governo da República mas também aquelas que estão nos lugares de liderança de outros orgãos (políticos, empresariais, judiciais), nomeados pelos primeiros.

Esses que na esmagadora maioria dos casos, emergiram dos partidos políticos, nos quais a única forma de chegar às lideranças e lugares de decisão, parece ser o tal cacique.

Da maneira como os partidos estão organizados, são os tais que promovem e controlam os caciques, que decidem quem será o candidato à Junta, à Câmara, à Assembleia da República.

E serão depois os mesmos a decidir quem será o nomeado para a Direcção Geral, o Governos Civil, a CCDR, e muitas outras instituições e orgãos que governam o país.

A verdade é que não há cacique sem “carneiros”. Se quem promove e controla o cacique tem falta de carácter, o que dizer daqueles que se deixam levar em carrinhas para votar.

Esses são, para mim, tão maus ou piores. É preciso ser-se muito invertebrado para deixar que outros pensem pela sua própria cabeça. Para se vender por “um prato de lentilhas”.

Da mesma forma, aqueles que são coniventes com o cacique, ou que se aproveitam dele sem “sujarem” as mãos, são também gente muito pouco recomendável.

É também por isso que sempre defendi, que a responsabilidade do estado do país não é exclusiva dos políticos. Mas de todos os portugueses. Nomeadamente dos acima mencionados.

Mas também daqueles que se deixam vencer por estas práticas e estas pessoas. Aqueles que, ao saber do cacique, desistem de lutar e deixam a coisa acontecer. Também esses são culpados.

É por isso que, apesar de me doer muito, nunca deixei de me fazer ouvir, e de agir. Não só a nível nacional, mas acima de tudo na minha localidade, em Santo Tirso.

Candidatei-me várias vezes contra os caciques. Perdi sempre. Testemunhei os autocarros. Dei de caras com muitos “carneiros”. Provei a desfaçatez e falta de vergonha de quem promove e controla os caciques.

Tenho muita pena que o meu partido, o de Francisco Sá Carneiro, se tenha tornado nisto. E é por isso que não apoio candidatos que, tenho a certeza, sairam deste lamaçal.

A velocidade do poder. Do cheque ao nariz do prostituto

Aproximam-se as eleições, e começa a ser ainda mais evidente a pobreza de espírito que reina na nossa sociedade. Aquela que, aliada à falta de valores e princípios, bem como à falta de vergonha, tem vindo a corroer um país já de si esfrangalhado.

Alguns dirão que a política e os políticos de hoje são o corolário do “país que temos“. Discordo. Para mim são o espelho do “país que somos“. Uma selva, onde impera apenas uma lei: a do mais forte (leia-se, a do poderoso e do endinheirado).

A campanha para as eleições Autárquicas começa sempre com apelos e afirmações de que “somos diferentes” e “vamos fazer diferente” – nos dias que correm, isto significa que vamos puxar ao sentimento, ao afecto, ao humanismo (marcelices!).

Mas não tarda a que a realidade bata à porta, fazendo ver que isso não ganha eleições em países do terceiro mundo (como Portugal!). Vai daí, a vergonha é lançada borda fora, e a suinísse (sim, de suíno, de porco) começa em todo o seu esplendor.

Claro que tudo isto não era possível sem o essencial contributo de todos. Os políticos para comprar, têm de comprar alguém. Para corromper, têm de corromper alguém. A corrupção não se faz só com corruptores, mas também com corrompidos.

Santo Tirso, o meu concelho, não foge à regra. Lá, o corruptor passa de “Zé Ninguém” a “Benfeitor” à velocidade a que o cheiro a poder chega de um cheque ou um maço de notas, ao nariz do corrompido (ou neste caso, do “Prostituto“).

Esta é uma sociedade podre e pobre de espírito. Com pessoas e instituições – algumas delas centenárias, e muitas lideradas por gente pouco recomendável e sem escrúpulos – que se vendem por “um prato de lentilhas“.

Tudo isto, num absoluto desrespeito por quem nelas confia, para quem elas contribui, e de quem delas depende. Sim, porque quem lidera (momentâneamente) instituições, não é dono destas, e não se pode esquecer daqueles que serve.

Um exemplo, que conheço bem, e admiro. E que não tem nada que ver com o caso que critico acima. Quem lidera a ASAS não se pode esquecer dos princípios e valores que contribuiram para a sua criação, e daqueles que a fundaram.

Não se pode esquecer daqueles que, todos os dias, desde o dia da sua abertura, contribuiram para o seu propósito e crescimento. Não se pode esquecer daqueles que todos os meses pagam as suas quotas, ou recebem os seus merecidos salários.

Não se pode esquecer, acima de tudo, daqueles que dependem da ASAS para poder ter uma vida. Sim, só isso. Uma oportunidade de vida. As crianças, neste caso, que não têm, infelizmente uma família. E que precisam da ASAS para vingar.

Felizmente a ASAS, e quem a tem liderado, tem sido uma instituição exemplo. E é também por isso que sou associado. Desejo que assim continue. Se bem que temo. Porque já vi, ao longo dos anos, outras instituições serem “assaltadas”.

Quem lidera instituições desta (e de outra) natureza tem obrigatóriamente de se lembrar disto. E ter uma imensurável integridade. Não se pode vender ou deixar corromper por quem quer que seja. Muito menos por estes políticos que agora nascem do chão.

Eu, tenho vergonha alheia, de certas instituições do meu concelho. E é por estas e por outras, que não sou associado. Não vou contribuir para que gente pouco recomendável se aproveite delas para promoção pessoal. Era só o que faltava.