António Capucho e o paralelo com Santo Tirso

(Artigo publicado na edição de Março 2014 do jornal Notícias de Santo Tirso, e que também pode ser lido aqui)

António Capucho foi um destacadíssimo militante do PSD. A ele se devem muitas das vitórias do partido, que tiveram como consequência o trilhar de um novo rumo para um Portugal saído de décadas de Estado Novo. Alguns dizem mesmo que foi ele o “arquitecto” do sucesso da Aliança Democrática, tendo convencido Francisco Sá Carneiro (com factos, argumentos e números) que a vitória nas eleições de 1979, com maioria absoluta, só sería possível se fizesse um acordo com Diogo Freitas do Amaral (CDS) e Gonçalo Ribeiro Teles (PPM).

Foi Secretário-Geral e Vice-Presidente do PSD em momentos importantes da história do partido e do país. Foi Deputado na AR e um excelente Líder Parlamentar. Passou por 3 Governos e, apesar de 2 deles terem sido de má memória (AD com Pinto Balsemão e Bloco Central com Mário Soares), o seu papel no segundo Governo do PSD com Cavaco Silva foi muito importante. Depois veio uma relevante passagem pelo Parlamento Europeu (como Deputado e Vice-Presidente) e pela Câmara Municipal de Cascais onde deu 3 vitórias ao partido.

Este curriculum político e de serviço público era mais do que suficiente para, chegado aos 65 anos, sair da política pela porta grande como um dos grandes obreiros dos sucessos do PSD e um dos portugueses que mais contribuiram ao longo da sua vida de serviço público para o desenvolvimento de Portugal a todos os níveis: local, regional, nacional, europeu. Capucho acumulou um capital que lhe permitiria ser um importante militante de base do PSD (os verdadeiros donos do partido) e uma grande reserva intelectual do país.

Ao contrário do que alguns dizem, saber identificar a hora certa de sair de cena não é uma arte. Aquele que é sensato, racional e prudente sabe bem quando deve sair. Não porque tenha deixado de ser capaz, mas porque tem a consciência que a rotina atrai o conservadorismo e afasta a inovação. E que isso impede o desenvolvimento. Daí que, aquele que é bem intencionado e altruísta saiba que o correcto é dar o lugar a outros. Não necessariamente mais novos ou mais fortes. Mas com mentalidades novas, livres e vigorosas.

O risco de deixar passar a hora certa de sair de cena é acabar por incorrer nisso de uma forma impulsiva quando a insatisfação ou o desgaste já atingiram um nível tal que comprometem o bom senso. Foi isso que aconteceu a muitos políticos da nossa praça – dos quais Mário Soares é o exemplo mais evidente e, coitado, não tem em casa filhos com noção, que sejam capazes de pedir aos jornalistas que deixem de lhe colocar microfones na frente (já que pedir-lhe para se abster parece impossível). É isso que está a acontecer a António Capucho.

António Capucho tornou-se presunçoso, e porta-se agora como se fosse dono do partido, o único herdeiro de Sá Carneiro. Tal e qual como Mário Soares com o PS e a democracia portuguesa. Ora, o PSD não é dele nem tem de seguir o que ele diz. De qualquer maneira, o PSD sempre foi um partido democrata e pluralista! Capucho tem direito a dizer o que pensa sem ser ostracizado! E o processo da cessação da sua militância está claramente revestido de marginalização, de alguém que tem sido crítico do status quo. É isso que condeno!

Bem sei o que dizem os Estatutos do PSD. Mais, antes de começar a escrever este artigo, pedi esclarecimentos a dois amigos que integram o Conselho de Jurisdição Nacional (CJN), e que por isso tomaram parte na decisão. Portanto estou plenamente consciente de que chegada a queixa ao CJN, este desfecho era quase inevitável. “Não é uma sanção. É uma decorrência directa. O CJN não pode discutir a gradação da pena. Nestes casos os estatutos são claros”. Quase que concordo com o meu caro amigo, mas…

A verdade é que os Estatutos dizem “Cessa a inscrição no Partido dos militantes que se apresentem em qualquer acto eleitoral (…) na qualidade de candidatos , mandatários ou apoiantes de candidatura adversária da candidatura apresentada pelo PPD/PSD”. E se o CJN resolveu não aplicar a “decorrência directa” a militantes que manifestamente foram apoiantes de outras candidaturas (exemplo flagrante: Miguel Veiga apoiou Rui Moreira no Porto) também o poderia ter feito no caso de mandatários ou candidatos.

Muitos dos actuais decisores e dirigentes do PSD fizeram algo que para mim é detestável. Esconderam-se atrás de formalidades para poderem levar a cabo um processo de marginalização de alguém que lhes é incómodo. E esses são os mesmos que, quando lhes dá jeito, ultrapassam pela direita os Estatutos, as Regras e as Leis para se beneficiarem a si próprios. Aliás, os que agora se escudam nos Estatutos terão sido os que possivelmente mais vezes os contornaram no passado. Marcos Antónios à cabeça!

Mas esta discussão sobre a parte “jurídica” da coisa não é o cerne da questão. A verdade é que tudo tem início a montante. Tudo nasce de mais um vergonhoso processo de escolha de uma candidatura autárquica, em que a Comissão Política Nacional e a Comissão Política Distrital de Lisboa do PSD vetaram a candidatura de Marco Almeida à CM de Sintra, para forçarem a imposição do amigalhaço Pedro Pinto (uma das mais medíocres figuras do PSD) como candidato a Presidente daquela Autarquia em que o PSD vence desde 2001.

O dado mais relevante é que a candidatura de Marco Almeida tinha sido desejada e apoiada pelos militantes de base em Sintra, enquanto que a candidatura de Pedro Pinto foi imposta por quem tem o poder de decisão e se julga dono do partido. A consequência foi a vitória oferecida de bandeja ao PS, que apesar de ter um fraco candidato (o vira-casaca Basílio Horta) conseguiu sair vencedor. Ao apoiar Marco Almeida, António Capucho esteve portanto, em boa verdade, ao lado dos militantes de base do PSD e em dissonância com os déspotas.

Tudo isto é fácil de perceber para quem acompanhou de perto o processo de escolha do candidato autárquico do PSD em Santo Tirso. Também cá a opinião dos militantes de base foi desprezada pelos decisores, que naturalmente o fizeram propositadamente porque queriam auto-nomear-se candidatos nas listas autárquicas. Também cá a Comissão Política impôs não só um candidato – manifestamente fraco e indesejado – mas também um coligação absurda com um partido que não tem sequer representação no concelho.

Também cá os dirigentes do PSD se esconderam atrás das formalidades para justificaram as suas escolhas à revelia dos militantes. Também cá esses déspotas acabaram por sair derrotados nas urnas prejudicando o partido e o concelho. Também cá eles se apressaram a apresentar queixas aos Conselhos de Jurisdição para afastar aqueles que não os apoiaram. Também cá foram esses que, quando conveio, contornam os Estatutos (lembrar quando Alírio Canceles recuou para vogal da Comissão Política para contornar a limitação de mandatos, e poder ser presidente aquando das Autárquicas).

O mal é que este gente está tão cheia de si própria que nem sequer consegue discernir. Este tipo de episódios (o ostracizar e afastar de militantes que pensam pela própria cabeça, e de maneira diferente) é pior para o partido, para a democracia, para o país, e até para para eles.

Zeca Mendonça: Obviamente demito-o

Uma imagem vale mais do que mil palavras. O que o assessor de imprensa do PSD, fez é bem visível nas imagens que as televisões mostraram.

Zeca Mendonça pontapeou propositadamente e com toda a intenção um repórter. É indesculpável e inadmissível. Não é digno do Partido Social Democrata.

Esta atitude, num país decente, em que houvesse um mínimo de dignidade, seria imediatamente seguida de um pedido de demissão do próprio, ou um anúncio do Presidente do PSD.

Não interessa nada se até se dão bem (imaginem se não dessem), se pediu desculpa e o reporter aceitou. É uma questão de princípio e de exemplo.

Já vi alguns militantes do PSD a defenderem o Zeca. Por motivos óbvios de clubite, que normalmente tolda o bom senso e o discernimento.

Até jornalistas! Por talvez se darem bem com ele e conseguirem “furos”. Esquecem é que ao branquear estas atitudes pode acontecer-lhes o mesmo, noutros locais.

Podem dizer o que quiserem do Zeca. Até montarem reportagens – como foi o caso há pouco tempo numa revista – sobre o seu heroísmo e dedicação ao PSD.

Eu, estive com ele várias vezes. Sempre o achei rude e arrogante. Digam o que quiserem. Foi a minha experiência. Eu que estava sempre acompanhado de uma das figuras maiores do PSD (imaginem se não estivesse).

Fosse eu presidente do partido e… a) aconselhava-o a pedir desculpas públicas e demitir-se… ou b) obviamente, demitia-o.

O barrete serviu, ao apoiante de Alírio

(Artigo publicado na edição de Fevereiro 2014 do jornal Notícias de Santo Tirso, e que também pode ser lido aqui)

Marcelo Rebelo de Sousa é uma das pessoas mais inteligentes que o país mediático conhece. E, como tal, percebeu a mensagem e enfiou a carapuça. A verdade é que nem sequer era preciso ser muito perspicaz para auferir o que estava implícito no texto que Pedro Passos Coelho publicou descrevendo o perfil do seu candidato a Presidente da República.

Sempre apreciei muito as capacidades intelectuais de Marcelo Rebelo de Sousa. E pensei muitas vezes que ele poderia ser uma mais valia para o PSD e para Portugal, no campo da política (já o é como distinto advogado e professor universitário). Marcelo ganhou um capital e um crédito ímpares junto dos portugueses pela sua clarividência, sagacidade e liberdade de pensamento.

Mas a certa altura a ambição de ser Presidente da República levou-o a tornar-se num populista. Algumas vezes até, um demagogo. A preocupação em agradar a gregos e a troianos, rendendo-se ao politicamente correcto, estragou a sua imagem. A partir desse momento damos por nós a concordar plenamente com muito do que ele diz, e também muitas vezes a discordar profundamente.

E é precisamente isso mesmo que se espera de um “catavento de opiniões”. É como a lógica do relógio parado: está sempre certo duas vezes por dia. Isso fez com que a maioria daqueles que seguiam “religiosamente” o seu comentário ao Domingo (fosse na TVI ou na RTP), de repente deixassem de ir à sua “missa”. Deixaram de o ouvir, ou de acreditar no que dizia.

Para isso contribuiu muito o facto de deixar de ter critério naquilo que dizia, que aconselhava, que apoiava. Um pouco como nos livros que sugeria – a certa altura já ninguém acreditava que ele lia aquela montanha de livros todas as semanas – descredibilizou-se em actos do tipo daquele em que apoiava Alírio Canceles como candidato do PSD à CM Santo Tirso.

Para além do mais sempre foi um covarde eleitoral. Diz-se disponível para todo e qualquer cargo partidário ou político (ainda há bem pouco tempo, na queda de Ferreira Leite, se disponibilizou para ser presidente do PSD e candidato a Primeiro-Ministro), mas na hora “H” coloca sempre uma condição: “clima de unidade”. Quer sempre vencer por falta de comparência.

Marcelo sempre teve medo de ir a votos, de ir à luta. Sempre teve receio do combate eleitoral. Só aceita ser candidato quando tem a certeza de que vence. Foi presidente do PSD quando mais ninguém o queria ser – entre 1996 e 1999 nos “anos de ouro” do PS. Desde então apresentou-se várias vezes mas acabou sempre por recuar por não haver o tal “clima de unidade”.

O Professor nunca fará o que Manuel Alegre fez. Não por se preocupar com o partido ou, como diz, achar que não faz sentido dividir o eleitorado social democrata, mas porque sabe que dessa forma nunca vencerá, correndo mesmo o risco de ser “eliminado” na 1ª volta. O medo de perder é mais forte do que o “dever de consciência” ou do que o suposto sentido de missão.

Mas desengane-se quem acha que Marcelo se auto-afastou definitivamente. Ele sabe perfeitamente que Passos Coelho pode perder as Legislativas de 2015. E nesse caso, chegados a 2016, o presidente do PSD pode ser alguém que, mediante as circunstâncias, prefira o candidato Marcelo ao candidato Durão Barroso. Mas nessa altura outro “problema” se levantará, o outro forte candidato a candidato, que anda por aí.

Nota: Entretanto o XXXV Congresso Nacional do PSD aconteceu e o que escrevi confirmou-se. Marcelo apareceu a reposicionar-se como candidato presidencial (e conseguiu) e Santana Lopes “respondeu à letra”.

Votar contra nos congressos do PSD

Confesso que não segui o XXXV Congresso Nacional do PSD como queria, ou como me é habitual, com toda a atenção. Por falta de tempo, por falta de vontade, por dificuldade em aceder aos canais de notícias a partir do estrangeiro.

Mas vi algumas notícias, e consegui assistir a algumas das intervenções mais importantes – em directo nas rádios, no site do congresso ou mesmo em vídeos posteriormente publicados em sites de partilhas de vídeo (p.ex. Youtube).

Nada de muito relevante se passou. Os congressos servem cada vez mais para ratificar o nome do líder – Sim, o nome. Porque a estratégia pouco imteressa – e para distribuir os lugares de mais ou menos poder nos órgãos partidários.

Já não se ouvem intervenções políticas de fundo sobre o rumo do partido e do país. Já não se ouvem criticas às políticas do Governo, ou às propostas caso se esteja na oposição. Apenas se vêem tentativas de posicionamento pessoal.

E depois passa-se a correr sobre a apresentação das Moções e Propostas Temáticas, que ao invés de trazerem estratégias e propostas políticas para o partido e para o país, servem apenas para ajudar ao tal posicionamento pessoal.

A prova disso é que ninguém as lê. O que fica bem demonstrado pela votação das mesmas. São todas aprovadas. Ninguém vota contra. Mesmo que nelas estejam escritas as maiores barbaridades. Coisas que, por vezes, vão contra a matriz do partido.

Recordo-me dos dois congressos da JSD em que fui delegado. O XVI Congresso (Setembro 2002, Póvoa de Varzim) e o XVIII Congresso (Dezembro 2004, Fundão). Li com atenção todas as Moções e Propostas Temáticas. Votei contra algumas.

Não me esquecerei dos olhares dos delegados que se sentavam à minha volta. Pasmados, com cara de quem pensa “Mas o que é que estás a fazer? Isto não se vota contra! Somos todos do PSD!“. Pois, mas para mim a política não é futebol.

A “febre” por Rui Rio

O meu artigo de opinião, publicado na edição de Janeiro 2014 do Jornal Notícias de Santo Tirso:

Ao contrário do que muitos pensam, alguns dizem e outros tomam como válido, a política não é um jogo táctico onde se luta pelo Poder. Não é uma batalha de ideologias onde se tenta levar a melhor sobre os adversários. Não é uma luta em que uns estão de um lado e outros estão do outro, e quem não está comigo está contra mim. Não é um sistema em que o mais forte tem logicamente que ser mais beneficiado – a isso chama-se selva e não política. Na política não se pode querer responsabilizar sempre quem está no Poder e desculpabilizar a oposição. A política não é algo abstracto.

Nesse sentido, e como venho dizendo há muitos anos, Rui Rio é o melhor político da actualidade – no verdadeira sentido da palavra “político”. É competente na organização, na liderança, na administração dos assuntos públicos. É honesto, responsável, íntegro, rigoroso, exigente, de grande carácter e personalidade. Não tenta iludir os eleitores, cumpre a sua palavra e as suas promessas. Não cede a interesses pessoais, partidários ou corporativos. Tem sentido de missão e como objectivo último, na sua acção, o bem estar geral da população (estando plenamente consciente que nunca conseguirá agradar a todos).

Nos últimos 12 anos, sem grandes espectáculos, sem grande alarde, e sem sede de protagonismo, Rui Rio foi zelando pelo Porto e servindo os portuenses. Mais do que isso, em certas ocasiões saiu mesmo em defesa do Norte – região trabalhadora e tantas vezes desprezada pelo poder de Lisboa. Rui Rio fez no Porto um trabalho quase sempre invisível. Apenas porque o que ele faz não interessa aos meios de comunicação “dita” social de maior tiragem. É que a seriedade, a exigência, o rigor ou o trabalho não vendem. Só se falava em Rio quando havia polémica (Bolhão, Rivoli, etc.). Rio disse “O esforço da CM Porto tem sido investir onde é mais necessário, e não onde se consegue mais popularidade politica e mediática“.

Rui Rio nunca ficou em silêncio quando o dever o chamava a dar opinião. Mesmo que ela atingisse o seu próprio partido, a sua própria região, o seu próprio país ou mesmo as suas instituições. Fê-lo sempre com um discurso coerente e firme, sempre de forma convicta e frontal, sem medo das palavras ou do que a comunicação “dita” social poderia retirar delas. E fê-lo sempre de forma respeitosa, nunca populista ou demagógica. Foi talvez o único que, após uma crítica negativa, apresentava uma alternativa ou solução viáveis. Nunca se deixou levar pela espuma dos dias ou pela pressão da opinião pública e publicada.

Conheci Rui Rio há 14 anos. Partilhamos o mesmo hotel (Hotel Montebelo) no Congresso do PSD de Viseu em que Durão Barroso venceu a liderança do PSD, tendo-a disputado com Santana Lopes e Marques Mendes. Acima de tudo tive a oportunidade de o ouvir enquanto discutia a política, o país e o partido com o meu avô – durante o jantar, ou no bar do hotel acompanhado de um café ou um digestivo. Fiquei logo com a impressão de que era um homem imbuído do tal sentido de missão que eu tinha aprendido ser fundamental, e que era desinteressado e honrado, com comportamento exemplar.

A sua acção nos últimos anos veio comprovar o que previ (não o que professei mas o que supus ou imaginei). Daí que por diversas vezes o tenha dado como exemplo, o tenha defendido e até sugerido para liderar o PSD e o país. Sem surpresa estive quase sempre isolado. A maioria não gostava de Rui Rio. Achava-o arrogante, altivo, cinzento, chato. Preferia o “circo” montado por “políticos” que, no fundo, iludiam as pessoas com máscaras de humildade, com discursos mentirosos e com realidades fantasiosas. O resultado está à vista: Portugal na bancarrota, os portugueses afundados em austeridade, e um futuro negro à vista.

Ao contrário do que muitos pensam, alguns dizem e outros querem fazer crer, estou convencido que Rui Rio nunca teve ambição de ser nada – aliás o próprio já o disse as mais variadíssimas vezes. As suas acções nunca tiveram aquela segunda intenção que é usual ver nos “políticos”: a de se manter no Poder a tudo o custo, ou a de se posicionar para o futuro. Eu sei que, para quem está habituado a Sócrates, Costas, Marcelos, Marques Mendes e afins, é difícil acreditar. Mas não são todos iguais. E estou convencido de que Rui Rio não é, definitivamente, igual a estes ou outros que passaram pelas cadeiras do Poder, e tanto mal fizeram ao país.

Claro que eventos como os recentes – de uma vaga de fundo por Rui Rio, para suceder a Passos Coelho como presidente do PSD e Primeiro-Ministro – não ajudam a acreditar que ele está “inocente”. Porque – como é habitual nos “políticos” profissionais – há sempre a ideia de que é o próprio que está por detrás dos “testas de ferro” a orquestrar a sua ascenção ao Poder. Estou convencido que não. Quero acreditar que Rui Rio nada tem a ver com esta repentina “febre” à sua volta. Estou convicto que esta “febre” está assente em duas razões:

1) Os “tubarões” do PSD e do mundo empresarial ligado ao centro-direita estão a ver o tapete a fugir-lhes em 2015. Com as medidas que Passos Coelho e o seu Governo têm tomado começa a parecer evidente que o PSD irá perder as Legislativas 2015. A acontecer, esses “tubarões” perdem a sua influência, o seu Poder e a colher para continuarem a comer da gamela do Orçamento de Estado. Vai daí resolvem virar-se para aquela que lhes parece a única opção viável para continuarem a servir-se depois de 2015. Passos já deu o que tinha a dar, viram-se para Rio.

2) Os portugueses chegaram a um estado de desespero tal que já duvidam daquilo em que acreditaram nos últimos 20 anos. Aliás, muitos estão já definitivamente convencidos que andaram mesmo a eleger os políticos errados. Já deram conta que o país não vai sair do buraco com homens demagogos, populistas e mais interessados no seu umbigo e na luta partidária. Vai daí viram-se para aquele sobre o qual tem havido professias de que será o “messias” – o habitual “sebastianismo” português, tantas vezes visto e revisto ao longo das últimas décadas.

Estou em crer que Rui Rio não se deixará levar por esta “vaga de fundo”. Mas naturalmente, como homem responsável que é, e tendo um profundo sentido de missão, não se irá demitir das suas responsabilidades. Mas apenas se o país (e não um grupo de “notáveis”) o chamar a governar e, acima de tudo, lhe der as condições ideais para tal – não falo em maiorias no parlamento, mas uma mudança profunda de mentalidades.

PSD Santo Tirso, mais um plenário à socapa

Soube agora que vai haver plenário do PSD Santo Tirso, na próxima 6ª feira, dia 22 Novembro. Fui confirmar pesquisando o “Povo Livre” no arquivo do site do PSD.

Sou militante – activo – há quase 15 anos. Em minha casa há mais 5 militantes. Um deles há quase 20 anos. Outro, não fosse a “limpeza” no tempo do MRS, era desde 1974. Ninguém recebeu convite. Nem por email!

Outros militantes que conheço receberam convite e tomaram conhecimento. É este o pluralismo e a espírito democrático de quem lidera o partido no concelho.

Gostaria de ter uma explicação. Se o Presidente, Alírio Canceles, não tem a hombridade necessária para a dar, esperava ao menos ouvir dos vices Manuel Mirra e Carlos Pacheco, ou do Presidente do Plenário João Abreu.

Quando dá jeito clama-se para que todos os militantes se envolvam e estejam presentes. Quando não dá jeito, publica-se apenas no “Povo Livre” (que naturalmente ninguém lê), à socapa.

Depois – se houver alguém como eu que se queixe – como bons políticos profissionais, escondem-se atrás do que diz os estatutos (publicar no “Povo Livre”) como se no séc. XXI um email não fosse o mínimo exigível para dar conhecimento.

Na recente campanha autárquica o slogan era “Todos por Santo Tirso”. Ora bem, todos… menos aqueles que não interessam. Os que não estão connosco, os que pensam diferente.

Talvez seja o medo do que alguns militantes possam dizer no ponto 1 da ordem de trabalhos: “Análise dos resultados das eleições Autárquicas“. Uma vergonha é o que é. O PSD Santo Tirso continua nas mãos de déspotas.

P.S.(D.) – Poucos minutos depois de ter publicado este post, falei com o Presidente do Plenário João Abreu, que me abordou. Fico satisfeito por ainda haver alguém digno ligado à estrutura do PSD Santo Tirso. Tenho pena que ele não tenha explicação para esta situação ou que, mesmo que quisesse, possa fazer algo para a corrigir.

P.S.(D.) – Ontem, depois de tanta polémica levantada por este post, o PSD Santo Tirso apressou-se a partilhar a convocatória para o plenário nas redes sociais. No desespero, o presidente Alírio Canceles até enviou convites a pessoas que já nem sequer são militantes (!!) Esta manhã eu próprio já tinha um email. Com medo de que alguém pudesse tocar no assunto no plenário, toca de divulgar que é para depois terem argumento de defesa.

Mário Soares, por qué no te callas – Parte V

Muita gente se tem insurgido contra a Carta Aberta a Mário Soares que a JSD publicou ontem. Pois eu dou os meus parabéns à JSD e ao seu presidente, Duarte Marques.

Já não há paciência nem desculpa para as intervenções de Mário Soares. Há muito que ultrapassaram os limites da demagogia, do populismo e da total irresponsabilidade.

Alguém tinha de o dizer! E por isso parabéns á JSD. Apenas discordo do penúltimo parágrafo da Carta Aberta. Mário Soares daria uma melhor contributo ao país se… estivesse calado!

Quanto ao “Porque não te calas?“, que muitos acharam demasiado violento, acho que é apropriadíssimo. Aliás, eu próprio escrevi 4 posts com o mesmo título, o primeiro deles há mais de 2 anos atrás.

Mário Soares, por qué no te callas
Mário Soares, por qué no te callas – Parte II
Mário Soares, por qué no te callas – Parte III
Mário Soares, por qué no te callas – Parte IV

Francisco Sá Carneiro, um político insígne

Há 32 anos atrás morria o PM de Portugal, Francisco Sá Carneiro, na queda do avião que o levaria a um comício no Porto no âmbito das eleições presidenciais. Infelizmente sou obrigado a acreditar de que não se tratou de um acidente. Foi sim algo premeditado, mas que se dirigia ao Ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa.

Passadas mais de três décadas o processo prescreveu e já nada há a fazer para castigar os hipotéticos criminosos. Infelizmente ainda há, neste país, forças ocultas que conseguem esconder, tanto os responsáveis que ainda estão vivos, como outros que já morreram (alguns deles não há muito anos).

Sá Carneiro foi um político insígne em Portugal. Foi uma referência não só como político mas também como líder e como homem. Era íntegro no verdadeiro sentido da palavra. Tinha um comportamento ética e moralmente correcto, era decente, sério, vertical e honrado.

O fundador e primeiro líder do PSD era um político implacável. Frontal, responsável e com sentido de Estado. Foi eleito deputado á Assembleia Nacional anos antes de 74 e lá lutou, ás claras, pela liberdade e pela igualdade. Não se escondeu. Deu a cara pelos valores e ideais em que acreditava.

Depois do 25 Abril 74 fundou o PPD e contra todas as expectativas teve um sucesso assinalável. As pessoas chegavam à sede e pediam para se inscrever no “partido do Sá Carneiro”. A adesão foi massiva e rápida. O seu trabalho foi reconhecido pelo povo em 79 quando foi eleito Primeiro-Ministro.

Sá Carneiro livrou Portugal de uma hipotética ditadura militaro-comunista e pugnou sempre pelos valores da liberdade, igualdade e solidariedade. Foi amado e odiado, mas nunca ignorado ou desprezado. Foi sempre respeitado.

Não fosse a tragédia de há 32 anos atrás e por certo Portugal seria hoje um país diferente. Não tenho dúvidas. No entanto, a sua convicção, a sua acção e a sua forma de estar foram suficientes para mudar definitivamente o rumo de Portugal.

Voltei a ser “considerado” pelo PSD Sto Tirso

Passados muitos anos voltei a receber emails da Comissão Política de Secção do PSD Santo Tirso. Foi na 5ª feira passada, dando conta do próximo plenário de militantes no próximo dia 7 Dezembro.

Fico na dúvida quanto à razão pela qual eu, militante há 13 anos, voltei a ser considerado pela Comissão Política liderada por Alírio Canceles, que há muito ostraciza quem tem opinião diferente.

Talvez tenha sido pelas sucessivas denúncias que tenho feito. Talvez tenha sido pelo facto de agora viver em Londres e não poder ser incómodo, por me ser impossível estar presente e obstar ou dar a minha opinião.

Curioso é o facto de numa nota pública o presidente da Comissão Política ter dito que não tinha conhecimento do meu endereço de email quando ele está por todo o lado, incluindo nas listas de militantes.

Para os menos atentos (ou considerados) o plenário terá lugar no C.C. Galáxia e não na sede do C.C. Carneiro Pacheco. É que pelo visto o PSD Santo Tirso tem novo poiso. Mesmo sem ter dado conhecimento aos militantes.

Não sei o que se passou. A Comissão Política, como é hábito, não deu explicação aos militantes. Mas suspeito que o senhorio da loja do C.C. Carneiro Pacheco se tenha fartado, depois de tantos anos sem receber rendas.

O PSD Santo Tirso… já nem sede tem!

Entre as lideranças de Joaquim Couto e Castro Fernandes passaram 30 anos de governação socialista em Santo Tirso. E nesse período de tempo, o concelho passou de um dos mais produtivos de país ao campeão da desertificação, da perda de serviços e do desemprego.

Logicamente que ninguém se atreverá a dizer que estes resultados não são responsabilidade das políticas, das (in)capacidades e da visão (ou falta dela) do PS de Santo Tirso e dos seus líderes. O país e o mundo mudaram, mas há aqui culpas socialistas.

Curioso é que mesmo perante estas evidências os Tirsenses sempre preferiam manter o PS ao leme dos destinos do concelho. Nem sequer a habitual lógica da alternância – quando as coisas correm menos bem – se aplicou nesta terra de gente inteligente. E porquê?

Porque nunca houve uma verdadeira alternativa. Porque os Tirsenses nunca acreditaram nos outros partidos. Porque nunca houve uma liderança e um projecto credível apresentado em sucessivas eleições. E como diz o ditado, mal por mal que fique o que lá está.

Aqui o PSD Santo Tirso tem enormes responsabilidades. O maior partido português, partido do poder local, com matriz social-democrata, nunca conseguiu convencer os Tirsenses de que era capaz de fazer melhor (e quão fácil era!… e é!) do que o PS Santo Tirso.

E quando seria de esperar que o PSD Santo Tirso aprendesse com os seus erros e fosse evoluindo, aconteceu precisamente o contrário. O PSD Santo Tirso perdeu a sua matriz, o seu intelecto, a sua capacidade crítica e pasme-se agora até perdeu a sua casa.

É triste mas parece ser verdade. O PSD Santo Tirso está tão moribundo que já nem sede tem. A ser verdade, onde se reunem os orgãos legítimos e eleitos do partido como a Comissão Política? E onde se reunirá o orgão máximo, o plenário dos militantes de base?

Parece definitivamente adquirido que os orgãos eleitos do partido são apenas formalidades estatutárias, e que os militantes apenas servem para votar no dia das eleições. As decisões e estratégias são discutidas em núcleo duro e o poder é quase unipessoal.

Sucessivas lideranças e comissões políticas dedicaram-se ao jogo político-partidário lutando pelos interesses pessoais e de facção. Isso afastou os militantes e os Tirsenses. Os resultados estão à vista. Localmente, um partido destruído e descredibilizado.

Não é este o meu PSD e não creio também que seja este o PSD dos fundadores e de outros destacados militantes que tanto contribuiram no passado. Espero que depois de bater no fundo, e de limpa a casa, esses e outros tenham força para o levantar novamente.