Coisas de que tenho a certeza (III)


Costumava-se chamar “pé de chinelo” a alguém que não tinha educação, não tinha maneiras, não sabia estar, a alguém pobre. O povo português não está na miséria, longe disso, mas somos sem dúvida um país de pés de chinelo. Agora, no sentido literal.

Estou cheio de ver gente – homens e tudo! – que além de ser pobre (neste caso, de espírito) anda na rua de chinelas de enfiar o dedo (havaianas, chipas, como lhe queiram chamar).

É uma falta de gosto incrível…

Coisas de que tenho a certeza (II)


Nas telenovelas portuguesas há sempre uma família rica e uma pobre. A família rica tem sempre uma empresa onde trabalham membros da família pobre. A filha dos ricos apaixona-se sempre pelo filho dos pobres e esse amor é proibido. O pai rico é sempre arrogante, infiel e corrupto. A mãe rica é sempre infeliz. As empregadas domésticas da família rica andam sempre de uniforme. O filho dos ricos é sempre pródigo e o dos pobres é sempre um marginal. Este não é, nem de perto nem de longe, o padrão da sociedade portuguesa. Mas é este o padrão que “vende” na TV.

Coisas de que tenho a certeza

Depois de mais uma viagem comprida para o sul do país (Algarve), ainda por cima numa altura de muito trânsito (mudança de quinzena), cada vez tenho menos dúvidas que… Foram arrancadas – dos manuais do código da estrada – as páginas que têm a regra mais elementar de como conduzir numa auto-estrada: “é obrigatório andar na faixa mais á direita

O Portugal que não quero (VI)

Somos, sem dúvida alguma, o país do chico-esperto. Isso vê-se em todo o lado. Na escola, no hospital, no comércio, nos serviços, na estrada, no trabalho, na praia, no restaurante, nos negócios, na política…

Chegamos a um ponto em que a chico-espertice é de tal ordem que a maioria elegeu (e re-elegeu), para colocar aos comandos do destino do país, um grupo da melhor estirpe dos chico-espertos.

Depois… claro… já não nos podemos admirar com notícias destas.

O Portugal que não quero (V)

O típico tuga vive de aparências e também gosta muito de se “armar aos cágados”. Gosto de ver concursos na TV e, sozinho em casa, testar os meus conhecimentos. Quase sempre o apresentador pergunta aos concorrentes o que fariam com o prémio. Recorrentemente a resposta – perante quantias na ordem dos 5.000 a 20.000 € – é: “fazia uma viagenzinha e oferecia um jantar aos amigos“.

Perante isto eu pergunto: viagenzinha?! Jantar?! Com 5, 6, 10 mil €?! … Mas esta gente faz o quê? Viagens à Lua? Jantares de entrada, sopa, prato e sobremesa de caviar, regado com Chateau Lafitte de 1787? Haja paciência para tanta imbecilidade.

O Portugal que não quero (IV)

Um presidente de junta de um concelho que conheço bem, cometeu um crime ambiental mandando arrancar uns carvalhos, devastar um eucaliptal e até destruir uns plátanos na sua freguesia. Foi naturalmente “condenado” pela população, mas já não havia nada a fazer.

Para limpar a face pensou mais tarde plantar umas árvores mas, para não cometer nova asneira, resolveu consultar alguém. Depois do que fez, ninguém ligado à área florestal o apoiaria e por isso virou-se para uma jovem recém-licenciada em Arquitectura Paisagista, que era moradora na freguesia e estava desempregada.

Vai daí o xôr Presidente prometeu-lhe um emprego em troca de um parecer favorável à nova plantação. Mas entretanto soube que a Portucel/Soporcel oferecia árvores para plantação. Assim sendo, oferecidas por tão credível empresa, achou que já não precisava da inocente menina, desprezando-a. De qualquer forma não deixou de espalhar que tinha consultado a “especialista”.

Estado de qual Nação?

Por definição, uma Nação é um território onde vive um Povo. E esse Povo fala a mesma língua, tem os mesmos costumes, hábitos e tradições. O Povo tem consciência nacional e uma religião. Mas acima de tudo, uma Nação é a união das pessoas que formam este Povo e que, por sua determinação e convicção, quiseram viver colectivamente.

Hoje, se a língua ainda nos une tudo o resto nos separa. Há uns tempos atrás tinhamos os mesmos hábitos e costumes, mas agora isso não acontece, fruto de toda a informação que trazemos das nossas visitas ao estrangeiro ou que vamos buscar através da internet. Há uns anos atrás partilhavamos tradições e respeitavamos as do vizinho, mas agora radicalizamos posições e fazemos guerra.

Sobre religião não vale a pena falar muito. Os últimos tempos têm mostrado como muita gente não se contenta em borrifar-se para ela, como além disso tenta “criminalizar” quem tem uma. A consciência nacional não existe. Hoje, ninguém tenta perceber as diferenças, compreender os seus direitos e deveres, ou respeitar os direitos do próximo.

Nos dias que correm a única coisa que partilhamos é mesmo este pequeno território. Mas apesar de tudo conseguimos andar sempre “aos empurrões” tentanto “levar a melhor” sobre o espaço do outro. Pergunto: queremos mesmo viver colectivamente? ou somos apenas uma cambada de egoístas que tem “Nacionalidade: Portuguesa” no Bi?

Somando tudo isto, ao estado do Estado, ao estado do Governo, ao estado da Economia, ao estado das Finanças, ao estado da Saúde, ao estado da Educação, ou à grave crise social e de valores por que passamos… creio que o Estado da Nação (se é que ela existe) é muito preocupante.

O Portugal que não quero (III)

Depois da vergonhosa participação da selecção nacional no campeonato do Mundo de futebol (tanto na qualificação como na fase final) veio Gilberto Madaíl dizer que a equipa cumpriu o objectivo mínimo, que foi eliminada contra uma equipa teoricamente superior e congratulou-se também pelos desaires precoces de França e Itália.

Eu pergunto: isto é atitude de um verdadeiro líder? A atitude deste senhor é o exemplo do que há de pior neste país. O típico portuga também só trabalha para os mínimos, resigna-se com a derrota e fica contente com o mal dos outros, para desculpar o seu falhanço.

Dizemos que metade da população vive à custa de subsídios do Estado, mas esquecemo-nos que muitos dos que têm emprego vivem à custa do “subsídio” da empresa. No seu dia-a-dia, o típico portuga não se esforça para trabalhar mais e melhor, para trazer valor acrescentado à empresa, para conquistar novos patamares e novas vitórias.

Assim sendo, fazendo apenas os serviços mínimos, este ser quase acéfalo só está a trabalhar para levar o ordenado (subsídio) ao final do mês. Não contribuindo em nada para um país melhor e em crescimento.

O Portugal que não quero (II)


Restaurante sobre o rio Tejo, esplanada e por do sol. Um copo de sangria, uns deliciosos amuse bouche e uma bela companhia. Bom ambiente, sossegado e distinto. Todos pareciam desfrutar o maravilhoso cenário.

Eis senão quando entram 2 gays com uma amiga. Sentaram-se e começou o espalhafato: berros, gargalhadas, faltas de educação e de civismo. Pela maneira como todos olhavam de lado para essa mesa era fácil de notar que o início de noite estava estragado.

O Portugal que não quero (I)

Eram 23h30 e estava eu numa deserta área de serviço da A8. Chega um bruto Jaguar de onde sai um jovem com os seus 30 anos, vestido da forma mais parola que tenho visto. Aproxima-se do balcão, pede uma cerveja em lata e sai a alta velocidade.