Passados dias sobre o clássico FC Porto vs SL Benfica, as coisas já estão mais calmas e já se podem emitir opiniões mais ponderadas. Durante estes dias que se seguiram ao recital de futebol dado no Estádio do Dragão pelo FCP, milhões de palavras foram ditas e escritas. Como é hábito em Portugal, a maioria foi para apontar o que de negativo se fez ao invés de apontar o que houve de positivo.
Mais grave do que isso é ver que nem a imprensa desportiva parece ter conseguido ler o jogo tal como se exigia a alguém que se supõe ser entendedor da modalidade. Honra seja feita à excepção (que confirma a regra) que foi o Miguel Guedes, vocalista da banda Blind Zero e comentador no programa da RTP “Trio de Ataque” e da Antena 1 “Grandes Adeptos”.
É incrível ver como, no meio de tantos especialistas da bola – jornalistas, ex-treinadores, ex-jogadores, comentadores – não há ninguém que se interesse por, honestamente e com competência, analizar as incidências do jogo, das tácticas e dos desempenhos. O que importa (porque vende junto do povo estupidificado) é a acusação, a crítica destrutiva fácil e os casos.
Se querem ir aos erros de Jorge Jesus, e torná-lo bode expiatório da derrota, vão. Mas vão com seriedade. O erro não foi ter tentado travar o ponto forte (Hulk), mas não ter aproveitado o ponto fraco do FCP. Colocando Saviola em campo (em detrimento p.ex. de Salvio) o SLB poderia ter descontrolado o frágil Guarín, desiquilibrando o meio-campo do FCP ao nível defensivo e ofensivo.
Além disso, Saviola é móvel, rápido, criativo e não se dá às marcações (ao contrário de Kardec). Poderia assim, ter confundido os centrais do FCP, que estavam desapoiados devido a Sapunaro se encontrar ocupado com Coentrão, e Álvaro Pereira balanceado no ataque. Com Kardec no meio dos centrais, Salvio perdido, e o inconsistente Aimar no bolso do voluntarioso Guarín, sobrou apenas o pobre Coentrão.
O SLB não perdeu porque defendeu mal. Perdeu… 1º porque o FCP lhe é muito superior como colectivo; 2º porque o André Villas-Boas inovador e inteligente é superior ao Jorge Jesus retrógrado e tacanho; 3º porque, apenas com Coentrão, não tinha como atacar.
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